A Proposta
6 Apenas Dois
– Quinze por cento.
– Hm? – Mike encarou Robert
Estavam no camarim, o manager convocara uma pequena reunião antes do show daquela noite.
– 15%. Foi quanto nossas vendas subiram nos últimos quatro meses, desde que colocamos a nossa proposta em prática.
– Quer dizer que esse negócio deu certo mesmo? – Andy estava um tanto espantado, não estava colocando fé naquele plano biruta.
– Sim, porém... – Thalita começou. – Isso está causando uma pequena rixa entre as fãs. Algumas estão associando esse chamado “twincest” com movimentos anti-Eventone.
– Que bom que ainda temos fãs sensatas. – O vocalista riu e esticou-se no banquinho, espreguiçando-se e acomodou a cabeça no ombro do irmão. – E o que faremos agora?
– Como assim? Enquanto estiver funcionando, vamos continuar! – Robert ergueu uma sobrancelha como se a resposta para aquela pergunta fosse óbvia.
Andy soltou um muxoxo e Oliver riu, beijando-o no topo da cabeça.
– Vai dizer que você não se diverte com isso? – Sussurrou no ouvido do gêmeo, enquanto afagava seus cabelos.
Na verdade, já havia se habituado a aquilo tudo.
Olhares, palavras, toques. A verdade é que não era muito diferente de quatro meses antes, apenas tinha consciência das segundas intenções que aqueles pequenos gestos eram capazes de transmitir.
– Eu fico preocupado. – Suspirou.
– Preocupado com o quê?
– Com você.
– Hã? – Oliver se afastou um pouco, buscando os olhos do outro.
– Eu te conheço, Oliver. – Andy tentou manter o tom sério até o fim da frase, mas acabou rindo ao concluí-la – Tenho medo de te seduzir e você começar a aliviar suas tensões sexuais pensando em mim.
“Embasbacado” devia ser a única palavra capaz de descrever a expressão de Oliver naquele momento.
– Céus, como você é idiota! – Oliver riu para o sorriso encantador que o irmão abriu.
– Então, garotos, que tal botarem pra quebrar? – Thalita disse, lembrando-os de que tinham um show para fazer.
Levantaram-se um tanto preguiçosos, mas assim que saíram do camarim e ouviram os gritos do público que os aguardava, sentiram a adrenalina voltar a correr por suas veias.
Pouco antes de entrarem no palco, Oliver segurou o pulso do irmão.
– Não pense que não vai pagar por ter me preocupado a toa.
Andy apenas sorriu.
***
Chegaram afobados no hotel. O show daquela noite fora simplesmente fantástico. Andy ainda sentia a energia do público circular em seu corpo.
Correu para o banho assim que pisou no quarto que estava dividindo com o irmão. Certamente,Mike iria querer sair pra algum lugar.
Fora até razoavelmente rápido. O que chamou sua atenção, na verdade, fora o fato de ter conseguido terminar de se vestir, refazer a maquiagem e arrumar o cabelo antes que Oliver – que entrara no banheiro assim que ele saiu – tivesse terminado o banho.
– Nossa, você demorou. – Disse, sentado no sofá, quando um Oliver descamisado saiu do banheiro.
– É que eu estava pensando em você. – O gêmeo sorriu malicioso e, mesmo sabendo que era uma piada, Andy não pode deixar de corar violentamente.
O mais velho gargalhou.
– O que foi? Você não queria brincar? Agora aguenta! – Riu e, em um movimento rápido, deitou o irmão no sofá e sentou sobre seu quadril. – Minha vingança será terrível!
Mal terminou a frase e começou a lhe fazer cócegas. Andy se contorceu em baixo do gêmeo, gaguejando para que ele parasse, coisa que nem era cogitada pela mente maligna do mais velho.
Oliver cansou de torturá-lo apenas quando as lágrimas de riso já escorriam por seu rosto. Ficaram sorrindo, se encarando, ainda naquela posição.
Andy deixou sem perceber, os olhos percorrerem o peito nu do irmão e depois analisarem calmamente cada detalhe da face gêmea.Gêmeos. Era quase um crime dizer uma coisa daquelas, Andy os achava tão diferente! Achava o irmão tão mais bonito que ele. Oliver era simplesmente lindo.
Teve uma súbita vontade de tocar seu rosto, mas antes que o pudesse fazer, o de dreads abandonou seu colo para atender a porta, na qual alguém acabara de bater.
Era Mike que, como havia previsto, tinha vindo convidá-los para sair. E, de repente, deu-se conta de que não estava muito disposto a ver o irmão dando em cima de tudo o que se movesse a noite toda. Estava procurando alguma desculpa para não ir quando Oliver, que parecia prestes a aceitar o convite, olhou nos seus olhos e ergueu uma sobrancelha.
– Ah, valeu, Mikey. Mas tô meio cansado, o show de hoje foi foda. O Andy também tá meio rouco, acho melhor ele não sair. – Respondeu e se despediu do amigo. – O que aconteceu?
– Ahn? – O vocalista perguntou sem entender.
– Você estava todo empolgado pra sair depois do show, mas fez uma cara muito estranha, agora.
– Hm... – Andy desviou os olhos. – É só que... Percebi que faz tempo que não ficamos juntos, sem ter alguma coisa a ver com a banda. Tava com saudades de ter um momento com meu irmão. Sei lá.
Oliver quase desacreditou daquilo, como o irmão podia ser tão...fofo? Acabou rindo e viu um brilho inseguro atravessar os olhos do mais novo.
– Bem, sendo assim... Quer que eu cozinhe ou prefere ir a algum lugar?
– Quê?
– Estou com fome. – Disse, vestindo uma camisa. – E como essa noite eu sou só seu, você decide o que faremos.
O vocalista ainda demorou para deixar a ficha cair, arrancando mais risadas de Oliver, que pegou sua mão e o arrastou para a cozinha.
– Vem, eu cozinho pra você. Vai querer o quê? – Na verdade, já sabia a resposta.
– Massa! – Respondeu feliz, quando finalmente se livrou de seu pequeno transe e sentou à mesa, enquanto via o irmão amarrar na cintura um avental florido que acabara de achar na gaveta. – Ficou lindo.
O guitarrista riu e ficaram um longo tempo conversando banalidades, enquanto ele preparava seu “molho secreto” a base de ketchup e, posteriormente, enquanto comiam.
– Lembra de quando a mamãe fazia bolo e a gente brigava pra decidir quem ia ajudar?
– É, eu sempre esfarelava a casca do ovo dentro da vasilha. – Andy fez careta.
– Você sempre foi uma negação na cozinha. Hm... Vamos fazer bolo?
O mais novo arqueou a sobrancelha.
– “Vamos”? Percebe que sua frase não fez sentido?
– Sou Oliver Marschall, não preciso fazer sentido. – Sorriu orgulhoso.
– Você é sempre tão metido. – Andy revirou os olhos, rindo e levantou da mesa. – Temos material?
– Acho que temos, sim. – Oliver disse simples, tirando o avental e envolvendo a cintura do irmão. – Agora, você usa isso!
– Ah, gracinha. – Resmungou. Podia sentir o calor da pele do gêmeo, enquanto ele aproximava mais os corpos, tentando fazer um laço em suas costas. – Seria mais fácil se você fizesse isso atrás de mim.
– Mas aí eu ia perder seu rosto envergonhado. – Oliver debochou, finalmente conseguindo amarrar o avental. Quando estava prestes a se afastar, Andy deitou a cabeça em seu ombro. – Ei, o que foi?
– Obrigado... – Envolveu a cintura do de dreads e escondeu o rosto em seu pescoço. Não sabia o que era aquilo, mas algo em si ansiava por ficar próximo dele, não queria soltá-lo por nada. – Por ficar comigo hoje.
– Eu vou estar aqui sempre que você precisar. – O outro respondeu, abraçando-o de volta – Agora, deixe-me ver se você já aprendeu a quebrar um ovo.
Andy riu e eles se separaram. Este foi buscar vasilhas, enquanto o mais velho caçava os ingredientes na geladeira.
O vocalista provou ter aprendido a quebrar ovos com maestria, apesar de ter encontrado algumas dificuldades em mexer a massa.
– Esse treco fica entrando nas minhas unhas. – Estreitou os olhos e chacoalhou as mãos.
– HAHAHAHAHAHAH Você é mesmo uma lady, Andy! Deixa que eu faça isso. Coloca o fogão pra pré aquecer e liga pra recepção e pede um tubo de passar chantili.
O mais alto ficou ereto e levou a mão à testa, como um soldado e partiu para a sala, após ligar o fogão.
Conseguiram, misteriosamente, terminar o bolo sem deixá-lo queimar e começaram a decorá-lo com o chantili quando Oliver,sem querer, esguichou o creme no rosto do irmão.
– O QUE DIABOS ESTÁ FAZENDO?
O guitarrista gargalhou e saiu correndo – não rápido o suficiente para escapar da fúria melecante do mais novo, que se jogou sobre ele, deixando chantili para todo o lado.
– Eu me rend... – Oliver tentou falar, mas só serviu para que Andy colocasse o bico do tubo em sua boca e esguichasse o creme.
O menor tossiu asfixiado e o irmão se desesperou, colocando-o sentado.
– Você esta...? – Também não conseguiu terminar, uma bochecha cheia de chantili foi pressionada contra a sua e logo voltaram a rolar pelo chão, lutando para ver quem deixava o outro mais sujo.
– Trégua, trégua! – Oliver riu, arfando, deitado ao lado do gêmeo.
Ao olhar o semblante feliz do guitarrista e seu riso cansado, Andy foi tomado por um sentimento possessivo, um egoísmo tão intenso que ele nem sabia ser capaz de sentir.
Queria o brilho dos olhos do irmão, queria seu sorriso, ser dono da sua felicidade.
Virou o corpo de lado, os olhos se encontraram e uma dor aguda tomou conta de seu peito. Definitivamente, aquilo não podia estar certo.
Notas finais
Demorei muito mais do que imaginei que demoraria ;x
(Na verdade, eu escrevi a maior parte até sábado, estava crente de que ia conseguir postar a tempo, mas aí tive uns probleminhas com um ex intrometido e simplesmente perdi toda a vontade de terminar de escrever ;x)
Ah, gente, preciso fazer uma observação! Eu tenho uma dificuldade SÉRIA com pretérito-perfeito e pretérito-mais-que-perfeito, aí eu vou usando um e outro desgovernadamente pela história... Se vocês encontrarem alguma coisa muito errada aí no meio, não esqueçam de me dar um toque! :D
Enfiiim! *-*
O Capítulo 7 já está em andamento, com sorte consigo postá-lo no domingo mesmo! *-*
Ah, e pra Srta Kaulitz:
http://i90.photobucket.com/albums/k252/salinaak/00.jpg?t=1301522015
(Quase morri nesse show, por pouco essa história nunca mais seria atualizada! HSAUSHUASAHUSHUAHUS)
Ps.: Alguém reparou que mudei a capa? SHUAHUSAHUSHUASUHAS
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