A Proposta

7 A Gripe, a Fanfic e a Fã


Notas iniciais
Esse capítulo contém cenas de Trying to Breathe, da Anne L. ♥

– Andy, você está bem? – Thalita perguntou ao rapaz, fora do estúdio, após a décima vez que ele errava a mesma frase de uma música.

– Só estou um pouco cansado, Thata. – Forçou um sorriso, mas ganhou apenas um arquear de sobrancelha em resposta. – É sério, acabamos de ter três dias seguidos de show, eu to acabado.

A garota analisou seu semblante por um tempo, ele não parecia apenas tomado pelo cansaço de três noites de show, parecia estar sem dormir há semanas!

E a verdade é que realmente estava. Desde a pequena “festa na cozinha” – como eles batizaram a noite de baderna dos dois – Andy sentia como se algo estivesse entalado em sua garganta. Afundava-se em melancolias profundas e inexplicáveis durante a noite, aquela maldita dor no peito que ele não sabia de onde vinha. E a euforia momentânea que o tomava sempre que Oliver estava por perto. Claro, a presença do irmão sempre o fizera incrivelmente feliz, mas agora tinha algo de estranho naquele sentimento, uma espécie de dependência.

– Bem... – Thalita resolveu quebrar o silêncio que se instalou entre eles. – Você sabe que pode contar comigo para qualquer coisa, não é? Se precisar desabafar, não hesite em me procurar.

O rapaz concordou com a cabeça. Mas não havia o que desabafar, aquilo tudo era provavelmente... uma gripe! Sim, uma gripe estranha, nada de mais. Respirou profundamente, precisava voltar para a sala de ensaio.

– Já não era sem tempo! – Oliver ralhou, brincando, quando Andy atravessou o portal. – Está pronto agora?

Como ele não estaria, com o irmão sorrindo daquele jeito?

Sentiu algo inflamar dentro de si. Maldita gripe.

***

Robert queria matá-los, só podia ser isso. Como se não bastasse as três noites seguidas de show, agora ele vinha com essa tal de “confraternização com os fãs”. Tá certo, eles tinham fãs simplesmente fantásticas, mas Andy realmente precisava dormir.

Subiu com Lucca, depois da reunião que acabaram de ter – onde Robert assinara-lhes a sentença de morte – para o quarto de hotel que os quatro estavam dividindo.

– Você tem dormido direito, Andy? – O baterista perguntou, olhando discretamente para as visíveis olheiras do amigo.

– Não muito. – Confessou, dando os ombros. – Na verdade, estava pensando em comer alguma coisa e depois dormir a tarde toda.

– É uma boa ideia. Tô precisando descansar, também. – O loiro sorriu, mas, em seguida, soltou um longo suspiro. – Mas antes, preciso conferir o e-mail. Faz séculos que não vejo.

Andy acabou rindo do desanimo repentino do amigo. Entraram no quarto e ele foi direito para a cozinha comer qualquer bobagem que encontrou na geladeira. Quando voltou para a sala, encontrou Lucca já focado em responder suas inúmeras mensagens.

Ajeitou-se confortavelmente no sofá e sentiu que seu corpo estava finalmente cedendo ao cansaço. Faltava muito pouco para que Morfeu viesse lhe dar o ar da graça.

– Cara, se o Mikey vir isso, vocês serão zoados eternamente.

Morfeu então se afastou rapidamente e os olhos de Andy se abriram. Ó, ele queria matar Lucca.

– O que foi? – Disse irritado.

– Desculpa, mas você precisa ler isso. Lembra daquelas montagens que o Oliver achou, faz uns cinco meses?

– Uhum. – Andy sentou de forma preguiçosa no sofá. Tinha como esquecer?

– Acabei de descobrir que além de fazer desenhos, elas também escrevem sobre nós e... cara, você precisa ler.

Sentiu um arrepio atravessar seu corpo ao cruzar os olhos com o do amigo. Lucca não era muito de esboçar expressões faciais, mas, naquele momento, havia algo entre preocupação e uma vontade louca de rir exalando por seus olhos.

O vocalista levantou e se arrastou até a mesa do computador, mas se arrependeu imediatamente ao ler as primeiras linhas do texto a sua frente.

Mais uma tarde em que Andy trazia um, hum, amigo para casa. Mais uma tarde em que Oliver não tinha escolha a não ser ouvir os dois gemendo enquanto faziam, hum, coisas na cama de Andy.”.“Amigo”? Qual diabos era o problema das fãs com a sexualidade dele? Continuou lendo, trincando os dentes. “depois de dias a fio escutando Andy gemer por Cal, Fritz, Erich, Ruodrik, Hardy e outros cujos nomes ele desconhecia.” AH, SIM. Ele não era apenas gay, também era rodado. MARAVILHA.

– Nossa, se você está com essa cara agora, é melhor nem ler o fim da história. – Lucca zombou.

– Tem como ficar pior? – Falou desacreditado, sem desgrudar os olhos do monitor. O baterista apenas deu os ombros, rindo.

‘Também...’, Andy expirou em seu pescoço de olhos fechados, ‘Queria saber como seria me unir a um corpo tão igual ao meu...’” Sentiu um arrepio assustador atravessar sua espinha. Olhou para o loiro e este apenas desviou os olhos, com ar de riso no rosto. É, havia como ficar pior e, aparentemente, aquilo ainda não era nada.

Os olhos vagavam rapidamente pelas cenas tão bem descritas, absorvendo muito mais informação do que ele gostaria. As fãs tinham algum problema, definitivamente.

Engoliu, com um esforço sobre-humano, o arfar surpreso. “E, ainda que sentisse dor a ponto de quase ter algumas lágrimas escorrendo por seu rosto, aquilo tinha sido simplesmente incrível.” Desistiu de continuar a ler. Riu de forma extremamente afetada e olhou para Lucca, que nem tentava mais disfarçar as gargalhadas.

– Eu não quero nem saber por que você estava lendo uma coisa dessas, ok? – Se levantou, deixando o amigo a rir sozinho, e foi para o quarto.

O vocalista se jogou na cama e forçou os olhos. Teria, sim, conseguido descansar, se as várias imagensassustadorasnão fizessem tanta questão de povoar sua mente.

Acordou com o irmão batendo na porta avisando que sairiam em uma hora para a festa de confraternização. Seu cabelo e rosto estavam molhados de suor e uma dor horrível assolava seu peito.

***

A confraternização aconteceria em um amplo salão de festas. Nada muito luxuoso, na verdade. A ideia principal era que as fãs tivessem um momento para estar perto de seus ídolos, como em uma festa normal.

Finalmente os quatro garotos conseguiram sentar a uma mesa e respirar, ficaram algumas boas horas tirando fotos, dando autógrafos e conversando com as boas dezenas de fãs que se reuniram naquela casa de festa para recebê-los.

Andy mal conseguia encarar Oliver, que imagens bastante impróprias passavam por sua cabeça. Lucca sempre lançava olhares risonhos em sua direção, mas este realmente não imaginava a dimensão em que aquela história o tinha afetado.

– Andy... Eu poderia falar com você...? – Uma garota pequenina se aproximou do grupo, arriscando um alemão tímido.

O jovem vocalista sorriu para ela e se levantou, era a décima a vir falar com ele, mas ficar longe do irmão seria ótimo naquele momento.

– Ei, o Andy está bem? – Oliver se debruçou sobre a mesa, aproximando-se dos amigos. – Acho que ele está me evitando.

– Acho que sou culpado. – O baterista respondeu – Mostrei uma história pro Andy sobre vocês dois. E... Bem... Digamos que era bastante íntima.

– Alguém no mundo escreve sobre esse tipo de coisa? – Mike indagou, chocado.

– E Andy ficou assim por isso? Mas... sabe o que realmente me espanta? – Deu um sorrisinho sacana e olhou para Mike que rapidamente entendeu e ambos olharam para Lucca – É que você anda lendo pornô gay.

Vermelho-sangue não foi uma cor capaz de descrever a tonalidade do rosto do baterista, naquele momento.

– Não é isso! Eu... Eu...

– HÁ! Já se entregou, Lucca! Já era.

Os dois rapazes continuaram o bullying contra o loiro até que Andy voltou para seu lugar.

– Andy! – Oliver falou, pegando a mão do irmão. – Quero que saiba que, haja o que houver, eu serei gentil, não se preocupe!

Todos gargalharam e o mais novo simplesmente ficou sem entender.

– Oliver, tem uma garota lá atrás que não para de olha pra você. É gata. – Mike avisou, com um sorriso safado desenhado nos lábios.

– Opa, parece que é minha deixa, então. – O guitarrista se levantou e quase trombou com a garota logo atrás de si. Lançou um olhar um tanto raivoso para o baixista. Ela definitivamente não era feia. Apenas.

– Oiii! – Ela gesticulou largamente e emitiu uma risada estranha. – Posso trocar uma palavrinha com você, Oliver querido?

E lá se foi ele para a outra mesa, deixando um Mike extremamente satisfeito e um Andy emburrado para trás.

– Ele precisa mesmo ir atrás de tudo o que se move? – Resmungou.

– Você está falando sério? – O mais velho ria. – É óbvio que ele não vai pegar... Eu acho.

O maior não respondeu, apenas inclinou a própria cadeira, determinado a assistir.

Enquanto isso, Oliver estava inconformado com o fato de existir uma pessoa no planeta Terra capaz de tagarelar mais do que Andy Marschall!

– Foi assim que eu me tornei a fã número 1 de vocês!

– Aham. – Automático.

– Ah, mas indo direto ao assunto, meu querido. – O guitarrista gelou nessa frase. – Como é o beijo do Andy?

– O QUÊ? – Mas quê pergunta era aquela?

– Vocês são irmãos gêmeos! É sua obrigação saber isso, não acha?

Pensou seriamente em dizer um “Não, não acho.” e sair correndo de ali, mas estava atônito demais para ter qualquer reação.

– Eu acho que ele deve ter lábios macios. Andy parece ter um jeito delicado de beijar, não parece? Acho que ele deve ser bastante intenso. – Ela devaneava.

A boca do rapaz estava levemente aberta, indignado com os comentários da garota. Olhava dela para o irmão, que agora erguia uma sobrancelha para ele.

– Realmente nunca parou pra pensar nisso?

– É claro que não. – Ele conseguiu responder, voltando a olhar pra ela. – Escuta, eu vou voltar pra lá, tudo bem?

– Ah, sim, claro. – Ela sorriu, gesticulando. – Mas, quando descobrir, será que poderia entrar em contato comigo?

– Pode deixar. – Respondeu sem pensar, apenas queria se livrar dela o mais rápido possível.

Quando voltou pra mesa, nem a crise exagerada de risos de Mike conseguiu tirar as palavras da garota de sua cabeça e, automaticamente, voltou os olhos para os lábios do irmão.

O mais novo estava ficando incomodado com o olhar do gêmeo sobre si. Como se não bastassem os flashes que passavam pela sua cabeça, agora Oliver simplesmente não parava de encarar sua boca.

Voltou-se para ele, e, pela milésima vez nos últimos meses, o olhar que trocaram era carregado, era confuso. Era intenso.

Andy sentiu o impulso de extinguir aquela mísera distância entre eles. Então se levantou bruscamente da mesa.

– Vou voltar para o hotel. – Justificou, sem parar de andar.

Precisava desesperadamente que Thalita cumprisse sua promessa.


Notas finais
Minhas lindas! ♥
Eu atrasei, eu sei, peço desculpas! Ç_Ç
Bem, eu queria MUITO agradecer pelos meus 100 reviews!
VOCÊS SÃO LINDAS! ♥
Minha intenção era postar esse capítulo ontem, e uma one-shot, também, para comemorar *-*
(Mas, como vocês podem perceber, não deu certo)
Sobre esse capítulo, adorei até a metade, e quando chegou a parte que eu realmente queria escrever, que era esse final, achei que ficou completamente tosco. :X Me desculpem.
Então, aguardem domingo que vem que postarei um capítulo que (se eu conseguir escrever do jeito que estou imaginando) é um dos mais lindinhos. E uma One-shot MUITO non-sense! *-*
Ps¹: Anne, muito obrigada por ter deixado eu usar trechos da sua fic nesse capítulo tão #fail :X (Gente, não leiam as fics dela, senão vocês vão se viciar e nunca mais vão ler as minhas. SAHSAUSHAUSHAUHSUA)
Ps²: _Alleine_, linda, me da um toque nos reviews pra eu saber quem é você! E obrigada pelos parabéns! *-*
Ps³: Hoje é meu aniversário, então, me deixem muitos comentários durante a semana, ok? HUSAHUSHUASHUUAH
Obrigada, lindas! Adoro vocês!!