A Proposta
11 Na Noite - Parte II
Oliver avançou nos lábios do mais novo, pressionando-os com força. Andy sentiu a fricção do piercing quando o irmão abriu a boca, buscando aprofundar o gesto.
O beijo começou intenso, necessitado. O de dreads enroscou as mãos nos cabelos do gêmeo e Andy espalmou as suas no peito do menor, segurando a camisa com força, puxando-o para si.
As línguas se enroscavam com selvageria, em um atrito quase doloroso. O vocalista mordeu o lábio inferior do mais velho, puxando levemente o acessório metálico.
Não havia falta de ar – ou o gosto forte de bebida na boca do menor – que pudesse separá-los naquele momento, mas um barulho na porta fez com que Andy imediatamente empurrasse o irmão.
Olhou preocupado para o portal, não havia conseguido trancá-lo, apenas colocou a chave na fechadura quando Oliver o puxara.
– O que foi? – O guitarrista arfou, segurando a cintura do mais novo.
– Não ouviu o barulho na porta? – O garoto perguntou um pouco aflito, olhando para o lado.
– Não. Eu estava mais interessado em outra coisa. – O gêmeo respondeu e voltou a procurar por seus lábios, apenas para ser, novamente, empurrado.
– Eu estou falando sério. – Trincou os dentes.
– Andy, – Oliver segurou o rosto do irmão com ambas as mãos e juntou suas testas. – eu realmente não me importo.
Os lábios novamente se encontraram, dessa vez de forma tenra. As bocas se movimentavam em sincronia, de uma forma até mesmo lenta. Oliver mantinha as mãos no rosto do gêmeo e, quando sentiu que Andy envolvia sua cintura com os braços, lembrou das palavras daquela fã estranha. Aquela que dera início a essa fixação tão confusa. “Andy parece ter um jeito delicado de beijar, não parece? Acho que ele deve ser bastante intenso.”. É, novamente, ela estava certa.
O guitarrista nunca em sua vida imaginou que um simples beijo – e calmo daquela forma – pudesse deixá-lo tão satisfeito.
Oliver beijava com o corpo, acariciando o rosto do irmão, denunciava seu desejo enquanto o pressionava contra a parede. Andy beijava com a alma, trazendo o irmão para mais perto, puxando-o pela camisa, derramava sentimento nos gestos intensos. Eram antítese, não paradoxo. ¹
O guitarrista poderia ficar ali para sempre, se não fosse sua curiosidade de provar tudo o que o irmão poderia oferecer. Afastou-se com cautela e segurou a mão do maior, guiando-o até o sofá.
Andy se sentou e viu um sorriso sacana se formar no rosto do mais velho. Este o empurrou, fazendo com que deitasse, e subiu sobre seu corpo, deixando as pernas flexionadas ao lado da cintura do vocalista.
Os lábios voltaram a se unir com vontade, sedentos, como se aqueles segundos que passaram separados fossem uma eternidade. Mordiam-se levemente, provando cada centímetro que podiam da boca um do outro.
Oliver se afastou, apenas para que pudesse beijar o pescoço branco, percebendo o arrepiar suave de Andy. Ao que parecia, o mais novo também possuía um ponto fraco. E, para o de dreads, descobrir isso era o ponto alto da noite. Pelo menos até aquele momento.
O guitarrista se aventurou a morder a pele sensível, provando-a e deleitando-se com cada uma das reações de Andy, que se contorcia timidamente sob aqueles toques tão bem planejados.
O ar do ambiente pareceu esquentar misteriosamente e o menor teve que erguer o tronco para retirar a camisa, que já lhe causava a sensação de queimação. Não deixou de observar o tom avermelhado que o rosto do gêmeo adquiriu ao analisar seu corpo.
Andy estava com vergonha. Sempre tivera certo desconforto quando o irmão tirava a camisa perto dele. O corpo de Oliver era gritantemente mais bem definido que o seu e a situação atual fazia com que ele se sentisse ainda mais ridículo.
A vergonha só aumentou quando o guitarrista, brincando com a barra da camisa do mais novo, deu a entender que sua vontade era que os dois ficassem igualmente despidos.
– O que foi? – Oliver perguntou, divertido, ao notar o quão sem graça o irmão estava. – Não tem nada aí que eu nunca tenha visto, Andy.
Andy desviou o olhar. Ele sabia disso. Oras, ele e o gêmeo nunca tiveram problema algum em trocar de roupa na frente um do outro. Mas aquela situação era diferente. MUITO diferente.
Sem largar a barra da camisa, o mais velho voltou a deitar sobre o vocalista e sussurrou com a voz rouca, em sua orelha.
– E muito menos que eu não goste.
Depois daquela declaração feita de forma tão sensual, Andy nem tinha como impedir que Oliver fizesse qualquer coisa. Deixou que sua camisa fosse arrancada e a língua hábil de seu igual voltasse a tomar seu pescoço.
O maior envolveu as costas do outro em um abraço. Mordia os lábios em uma tentativa pouco eficiente de impedir que os gemidos fracos escapassem de sua boca.
O guitarrista pressionou com força a cintura do gêmeo, com os dedos, enquanto buscava por seus lábios. Não conseguia entender que efeito era aquele que o mais novo lhe causava. Sentia-se satisfeito apenas com aquilo, ao mesmo tempo em que uma insuficiência estranha tomava conta de seus sentidos já prejudicados pelo álcool.
– Andy... Eu quero te possuir. – Ele sussurrou, dando uma mordida leve no lóbulo da orelha do maior e friccionando seu quadril contra o dele.
O vocalista arregalou os olhos e sentiu uma onda de adrenalina atravessar seu corpo. Será possível que Oliver realmente havia falado o que ele entendeu?
Okay que o irmão estava acostumado com essa coisa de ir pra cama com uma garota que acabara de conhecer, mas ele, Andy Marschall, não estava. E, muito além disso, sua mente processava perfeita e desgostosamente bem a realidade de que não seria o guitarrista a experimentar o papel de ser “a mulher”. E ele, definitivamente, não estava pronto pra isso.
Sem contar o fato de que Oliver estava levemente embriagado. É, ele havia percebido isso, mas já vira o gêmeo muito pior e sabia que ele ainda respondia pelos próprios atos. Apenas não queria fazer aquilo daquela forma. Queria o menor plenamente consciente de tudo.
Talvez, eles já tivessem tido o suficiente por aquela noite.
– Oliver, acho melhor a gente parar por aqui. – Disse, tentando empurrar o mais velho de cima de si.
– Você só pode estar brincando. – Oliver riu e segurou as mãos do maior acima da cabeça, no encosto do sofá. – Você não pode me deixar aqui assim...
E, novamente, movimentou o quadril, fazendo com que Andy mordesse os lábios com força para evitar qualquer reação mais embaraçosa.
– Não. – Disse firme, livrando as próprias mãos e erguendo o corpo, obrigando que o outro se afastasse. Acariciou seu rosto com ternura. – Eu... Não estou pronto para fazer isso. Além do mais, teremos muito tempo, não é?
Oliver inclinou a cabeça, um tanto confuso com aquelas palavras. Andy apenas o presenteou com um selinho simples e deixou o sofá, indo em direção ao quarto. Estava pleno e nada poderia fazê-lo infeliz. Ao menos, era o que ele acreditava.
***
Oliver acordou, sem entender por que, seminu e no meio da sala, no sofá. Ouvia um zumbido incômodo na cabeça e uma leve dor nas têmporas. Tinha a impressão de ter sonhado com algo estranho.
Enterrou a cabeça nas mãos, massageando a testa, quando cenas de seu “sonho” vieram em mente. Sobressaltou-se e olhou em volta, subitamente a realidade pesou sobre seus ombros. Não era um sonho, eles realmente tinham feito aquilo.
Deus! Ele tinha beijado o próprio irmão. Não! Ele tinha dado um dos melhores amassos de sua vida com seu próprio gêmeo! Sangue de seu sangue!
Mas o desespero realmente o tomou ao se dar contra de outro detalhe, talvez, o menor deles. Ele tinha beijado umhomeme tinha gostado. Eissoera completamente inaceitável.
Okay, calma. Não adiantaria nada entrar em pânico agora. Haveria uma forma de resolver aquilo. Mais tarde, quem sabe.
Pensou em ir trocar de roupa, mas a mala estava no quarto e Andy provavelmente também. E, obviamente, a última coisa que ele precisava agora era encarar o irmão. Então, apenas pegou a roupa da noite anterior, jogada no chão e a vestiu.
Caminhou, hesitante, até o quarto. Bateu na porta algumas vezes.
– Andy... Tá acordado? – Ouviu um resmungar e acreditou que aquilo fosse uma confirmação para sua pergunta. – Então... Combinei com o Mikey e com o Lucca de tomar o café da manhã lá com eles.
– Eu vou com você... – A voz ainda era sonolenta, porém melhor que um grunhido.
– Não! – Se apressou em dizer. – Quer dizer, é que eu já to indo, você me encontra lá.
Andy pensou em abrir a porta para, pelo menos cumprimentar o gêmeo. Mas segundos depois de ouvir a resposta do mais velho, ouviu também a porta do apartamento se fechando.
Respirou fundo, havia acordado com um mau pressentimento e a atitude do menor realmente não estava colaborando. Chacoalhou a cabeça com força, como se pudesse afugentar os pensamentos. Ele e Oliver estavam juntos, afinal, não estavam? Não havia como algo dar errado...
***
Oliver nem cogitou a possibilidade de bater na porta. Mike e Lucca sempre esqueciam de trancá-la e, como imaginou, daquela vez não fora diferente. Entrou no cômodo e estranhou o silêncio que o dominava, mas, então, ouviu as vozes baixas como sussurros que vinham da cozinha.
– Nossa, vocês acordaram cedo, hoje. – Ele riu e entrou no ambiente, sentando, sem cerimônia alguma, ao lado de Lucca. – Vocês estão bem?
Os amigos trocaram um olhar rápido e então Oliver finalmente percebeu que havia algo errado. Lucca tinha um olhar pesaroso, preocupado e um tanto quanto hesitante. Já a expressão de Mike era carregada de um sentimento ruim que ele simplesmente era incapaz de decifrar.
– Oliver... Tem uma coisa que a gente queria falar com você... – Lucca começou, receoso.
– O.. O que? – Estava começando a ficar assustado. O que poderia ter acontecido?
– É que... – O baterista não encontrava as palavras certas.
– A gente viu vocês. – Mike praticamente cuspiu, se levantando da mesa.
– Do que você está falando? – O guitarrista estava honestamente confuso com o rumo da conversa.
– De você e do Andy! – Mike praticamente gritou e o de dreads se levantou da mesa, em pânico. – Cara, vocês são irmãos!
O olhar de Lucca vagou de um para o outro, preocupado. Oliver deu uma risada histérica.
– Não é o que vocês...
– Nem começa, caralho, a gente viu! – A incompreensão e o nojo eram visíveis nos olhos do baixista, que já tinha o rosto vermelho de raiva. – Vocês estavam praticamente se comendo na parede do quarto... Vai saber se realmente não...
– CALA ESSA BOCA, PORRA. – O guitarrista berrou, batendo a mão na parede. – A gente não fez nada disso!
– Ah, não, Oliver? Então me fala o que é que vocês estavam fazendo ali? – O sorriso no rosto de Mike era extremamente cínico. Oliver ameaçou acertá-lo com o punho, o que só fez com que o outro explodisse de vez. – Se você quer ser uma bicha, eu não tenho nada a ver com isso, MAS O ANDY É SEU IRMÃO, CARALHO.
– EU ESTAVA BÊBADO, OKAY? – O gêmeo mais velho sentiu vergonha de si mesmo e o desprezo nos olhos do amigo apenas o fazia se sentir pior. – Pergunta para o Lucca! Ele viu o quanto eu bebi! Eu queria beijar alguém, não tava nem vendo! Podia ter sido qualquer um!QUALQUER UM.
– Qualquer um...? Sério...? – A frase baixa, carregada de cinismo e uma dor mal camuflada, fez com que todos se voltassem para a passagem da cozinha, onde um Andy de face molhada por lágrimas e olhos sem vida estava parado, sem forças para dizer nada a mais.
O mais alto se virou e saiu, sem correr. Não tinha ânimo, nem força para isso, por mais que sua vontade fosse desaparecer imediatamente. Queria morrer.
O silêncio na cozinha durou apenas alguns segundos, e foi quebrado pela voz séria de Lucca, que tinha acabado de se levantar.
– Vocês são dois grandes babacas. – E saiu atrás do vocalista.
Oliver e Mike não se encararam. Apenas ficaram ali, em silêncio, remoendo suas próprias angústias. Seus próprios preconceitos.
Notas finais
paradoxo: aproximação de ideias que se excluem - fogo molhado / escuridão iluminada
-
Ufa! Capítulo postado!
Gente, desculpem o atraso (de novo ;x), mas é que, pra mim, esse é um dos capítulos mais importantes da história e eu realmente não gostaria que ele ficasse mal feito, então levei um pouco mais de tempo.
Acho que não tenho muito o que falar dessa vez. Apenas gostaria que me dessem uma opinião: O que acham dos capítulos de "show"? Porque, pelas minhas contas, vai haver mais uns três nesse mesmo estilo... Mas, se vocês acharem ruim, ou que estão repetitivos, não hesitem em me falar que eu imagino outro coisa :D
Ah, e para felicidade da nação, VAI TER LEMON.
Os votos foram UNANIMES! (Fiquei até chocada! o.o' SHAUSHUASA)
Bem, é isso, lindas.
Comentem, porque esse é um dos capítulos que mais gosto e ficarei deprimida para sempre se tiver poucos comentários... SAHUSHUASHUAHSAHUS
Ah, e, em breve, postarei uma one para comemorar meus 200 reviews! *o* OBRIGADA! (L)
Fale com o autor