A Proposta

10 Na Noite - Parte I


Os gêmeos passaram o restante do jantar sem trocar muitas palavras, ao chegar ao hotel, Andy fora direto para seu quarto, sem sequer despedir-se direito dos demais.

O mais novo estava um tanto preocupado com o que tinha feito. Na noite anterior, já tinha decidido que guardaria para sempre aquele sentimento para si, mas aí Oliver entrou em seu quarto e contornou seus lábios com os dedos. Ele tivera que fazer um esforço descomunal para continuar fingindo que estava dormindo!

Demorou em dormir, pensando naquele gesto do mais velho e no por que ele o havia tocado daquela forma. Talvez... Não, era simplesmente impossível que fosse recíproco, mas a atitude do de dreads simplesmente não fazia sentido. Decidiu então em ao menos contar o que sentia.

Mas, no amanhecer, aquele momento de fraternidade o fizera mudar de ideia. Preferia sofrer guardando o segredo a perder a amizade do irmão.

E, novamente, sua mente entrou em pane ao ver Oliver brincando com o piercing enquanto olhava para Ester. Talvez, se dissesse o que sentia, mesmo que não fosse correspondido, o gêmeo começasse a evitar xavecar tudo o que faz xixi sentado na sua frente.

Céus, ele precisava decidir o que fazer, antes que enlouquecesse completamente! Não importava o que faria, teria consequências boas e ruins. Foi então que teve a brilhante ideia: Provocaria levemente Oliver durante o show, dependendo de sua reação, ele tomaria alguma atitude.

E este havia sido o resultado: Um Andy com a cabeça enfiada no travesseiro, remoendo o que fizera.

“Oliver não me empurrou, nem falou nada. Bom, pelo menos ele não me detesta...” Tentou se convencer. “Mas eu não vou conseguir olhar na cara dele, agora.”

Não percebeu quanto tempo tinha ficado naquela lenga-lenga mental, até ouvir um bater na porta e a voz do guitarrista.

– Andy... Você já acordou?

Olhou para o relógio. 10:15. CÉUS! Ele tinha passado a noite toda acordado e, pior ainda, sem chegar a lugar nenhum.

– Já... – Respondeu, hesitante, e se sentou na cama.

Oliver abriu a porta e entrou no quarto timidamente, sem olhá-lo.

– Eu... Nós precisamos conversar, acho...

O vocalista sentiu o coração se debater descontroladamente contra o peito.

– Conversar...?

– É... Sobre ontem à noite. – E finalmente teve coragem de encarar o mais novo.

Andy entrou em um completo pânico. O olhar de Oliver não denunciava nada. Raiva, compreensão, nojo, alegria, dúvida. NADA. Ele não fazia a menor ideia do que esperar. Bem, momentos desesperadores pedem atitudes desesperadas. Sem pensar, levou a mão à cabeça e fez cara de dor.

– Nossa, nem me fale de ontem a noite, não lembro de nada. Nossa, que vergonha de mim, fiquei tão bêbado! Eu fiz alguma coisa idiota na frente da mãe do Mike? – Praticamente se atropelou nas palavras.

– Ahn, do que você está falando? – Oliver ergueu uma sobrancelha. – Você... Você estava bêbado?

– Oh, se estava! – Confirmou, inocente. – Aconteceu alguma coisa?

Oliver quase riu, mas conseguiu engolir a vontade. Sentiu uma raiva sem precedentes crescer em seu peito. BÊBABO-UMA-PINÓIA! Andy não tinha nem bebido duas taças de vinho! Era aquilo, então? Ele praticamente o beijava, depois vinha dizer que estavabêbado? Ah, Oliver queria socá-lo!

– Você não lembra de nada... Nadinha? – Perguntou e o maior concordou com a cabeça. O mais velho riu e sussurrou em seu ouvido. – Uhn, que pena. Então, você deve ter perdido a melhor parte.

Depois se levantou e saiu, sem encará-lo, e Andy foi devolvido a sua solidão. O vocalista voltou a cair na cama, olhando fixamente para o teto.

O que tinha sido aquilo?

***

Não era necessário ser muito observador para perceber o clima estranho que envolvia os irmãos, naquelas duas últimas semana. Também não era que fosse a intenção dos gêmeos, apenas – e naturalmente – passaram a se evitar na maior parte do tempo.

Andy o fazia por temer falar mais do que devia. Não se arrependia do que havia feito, mas estava convicto de que o mais velho não aceitaria – e realmente não queria ouvir essas palavras da boca do próprio.

Oliver ainda estava um tanto irritado. Na sua cabeça, Andy estava tentando fazê-lo de idiota, não havia outra explicação plausível. E, como se não bastasse, ainda tinha aquela maldita sensação de “insuficiente”. Caramba, o mais novo tinha feito muito mais do que um irmão deveria fazer. CUSTAVA, ENTÃO, TER DADO UM BEIJO DIREITO?

Tá, okay, ele não queria pensar aquilo. Eledefinitivamentenão queria pensar aquilo. Só porque sua pequena curiosidade em relação ao beijo do irmão tinha, misteriosamente, se transformado em uma curiosidade sobre como seria, de fato, beijá-lo, não queria dizer que ele tinha algum tipo de vontade de fazer isso.

“É, Oliver, você nunca foi um grande mentiroso.” Pensou, batendo a cabeça contra a janela do estúdio de gravação. De alguma forma – magia negra, provavelmente – ele desejava o irmão. E sabia disso.

– Ei, ei, ei. O que é isso? – Robert interferiu, suspirando pesadamente, era óbvio que não iam conseguir gravar nada naquele dia. – Vamos dar um tempo, certo? Oliver, quer me dizer o que está acontecendo?

– Deveria estar acontecendo alguma coisa? – O guitarrista revirou os olhos, impaciente. A última coisa que queria era o manager no seu pé.

– Eu espero que sim, porque se você estiver batendo a cabeça no vidro com a única intenção de quebrá-lo e me causar prejuízo, teremos sérios problemas. – Sentou ao lado do rapaz, ao ver que ele tinha dado um sorriso leve ao fim de sua frase.

Robert era aquilo, um cara legal. Tinha umas ideias absurdas às vezes. Fazia-se de sério e responsável, cheio de comentários gananciosos, mas estava sempre disposto a escutá-los, se percebesse que havia algo de errado.

– Eu e Andy discutimos, nada de mais. – Resolveu que essa era a única parte que a humanidade precisava saber.

– E você não conhece seu irmão? Seja qual for o motivo, você sabe que Andy não vai dar o braço a torcer. Por que você não vai falar com ele para acertar as coisas?

– Dessa vez, não é tão simples assim. – Suspirou, abaixando mais o boné sobre os olhos.

– Nunca é muito simples quando se trata de vocês. – Robert riu e se levantou, entendendo o gesto de Oliver como um “não vou falar mais do que isso”. – Quanto mais tempo vocês passam brigados, mais dinheiro eu perco, sabia? Podem dar um jeito de fazer as pazes!

Oliver acabou rindo.

– E aí, o que está rolando? – Thalita, fora da sala de gravação do estúdio, perguntou a Andy.

– O quê? – Ele estava tão perdido em pensamentos que nem tinha visto a gerente de marketing se aproximar.

– Você e o Oliver estão estranhos, o que aconteceu? – A jovem sentou ao lado do rapaz, sem deixar de olhá-lo.

– Eu quase o beijei. – Desabafou, sem tentar enrolar. Não adiantaria mentir para Thalita, de qualquer forma.

– O QUÊ? – Ela tampou a boca, ao perceber que tinha falado muito alto. – Quando foi isso, o que aconteceu depois?

– Faz umas duas semanas, foi quando fomos ao restaurante com a família do Mike, na sacada. – Contou, em poucas palavras, o que havia acontecido, até achando um pouco de graça da forma como a garota arregalava os olhos.

– Mas depois ele não falou mais nada? – Estranhou. O gêmeo mais novo tinha praticamente se declarado para o outro e Oliver deixou por isso mesmo?

– Ele veio tentar conversar no dia seguinte, mas falei que estava bêbado e não lembrava de nada.

– Como? Andy, você acha que o Oliver é idiota? – Estava completamente chocada. Ele não tinha simplesmente estragado tudo, assim, tão fácil. Simplesmente não podia acreditar nisso.

– Eu sei que ele não é, Thata! Mas o que você queria que eu fizesse? Pedisse ele em namoro? Nós somos irmãos!

– A partir do momento que você aceita que está apaixonado pelo seu irmão, não acho que esse seja um argumento válido. – Ela estreitou os olhos para o garoto. – Você tem que resolver isso.

– Eu não tenho que resolver nada, as coisas estão ótimas do jeito que estão. – Mentiu.

– Eu não nasci ontem, cara. Está realmente bom pra você, assim? Quantas palavras vocês trocaram hoje? Duas? É isso mesmo que você quer?

Não. Não era isso que ele queria. Aquelas duas semanas estavam sendo um sufoco. Ele tinha feito exatamente o que temia que Oliver fizesse com ele, mas não podia dar brechas para que o mais velho pudesse perguntar sobre “aquela” noite.

– Vou falar com o Robert, vou dar um jeito de vocês conversarem.

– Não! Você está louca? Eu não tenho nem coragem de ir falar com ele!

– Não, Andy, o único louco aqui é você de estar perdendo sua chance. – Bufou e, de repente, seu rosto pareceu iluminado. Deu um sorriso extremamente provocador para o garoto a sua frente. – Se não tem coragem de ir até ele, faça com que venha até você.

***

Oliver não era de recusar folga, principalmente as que vinham depois de semanas de trabalhos tão estressantes como aquelas duas haviam sido, mas a verdade é que realmente não estava com a menor vontade de ter saído do estúdio.

A balada para a qual Robert os havia arrastado estava realmente cheia, mas era de extremo bom gosto, impossível negar. A luz negra piscava forte acompanhando as batidas altas das grandes caixas de som espalhadas pelo ambiente.

Mike já tinha se embrenhado na multidão fazia muito, muito tempo. Na mesa ainda estavam Robert e Lucca, que não tinham a menor intenção de se levantar, Oliver e Andy, em silêncio, olhando para lados opostos e Thalita, que parecia prestes a bater em algum dos gêmeos.

De repente, a loira se levantou da mesa.

– Se vocês querem ficar aí sem fazer nada, sinto muito, mas não vou fazer companhia. Vamos, Andy?

O rapaz levantou o olhar para ela e recebeu uma piscadela.

– Vem? – Disse, puxando-o pelas mãos e indo em direção a pista de dança.

– A Thalita está passando bastante tempo com o Andy, ultimamente, não acham? – Robert comentou, observando os dois se afastarem. – Vou precisar falar com ela, depois. Tudo bem, se acontecer alguma coisa entre eles, mas pode dar uma confusão tremenda.

Lucca deu os ombros e o guitarrista mostrou um sorriso amarelo para o manager. É, também estava achando os dois próximosdemaisultimamente, mas pra ele não estavanada bemse eles resolvessem ficar juntos e, sim, ele faria questão de arranjar uma confusão surreal, se acontecesse. Onde estava o profissionalismo da marketeira?

Com os olhos, fez uma aposta silenciosa contra Lucca de quem era capaz de virar mais cervejas. Quem sabe, assim não conseguia tirar um pouco o gêmeo da cabeça?

A disputa estava acirrada – era incrível como o baterista, sendo bom de copo daquele jeito, passava a imagem de todo-santo – quando Mike voltou, suado, para a mesa.

– Affe, não creio que começaram a beber sem mim! – Disse, rindo, sentando ao lado do guitarrista. – Cara, não fazia ideia que o Andy realmente sabia dançar. Ele e a Thata estão dando um show, acho que vai rolar alguma coisa ali, hein?

Oliver praticamente bufou e ergueu os olhos para a pista. Wow! Como ele não tinha percebido aquilo antes? Um círculo estava aberto em volta do casal, na extremidade direita da pista, perto da mesa de DJ.

Thalita deslizava o dedo pela camisa do vocalista, que sorria abertamente para ela. Oliver trincou os dentes. Andy enlaçou suas mãos com as da mulher e juntos, no ritmo da música, desceram até o chão, joelhos contra joelhos. Mesmo se corroendo de raiva, só havia uma palavra na mente alcoolizada de Oliver que poderia descrever aquele momento: Sensual.

Quando subiram, o vocalista puxou a loira para si, o rosto colado na curva de seu pescoço. Os quadris se moviam juntos. Oliver perdeu a paciência.

O guitarrista andou até o meio da pista de dança e praticamente arrancou a gerente dos braços do irmão.

– Vamos voltar para o hotel.

– O que? – Andy encarou o irmão, sem entender muito bem, por conta do barulho.

Oliver revirou os olhos, impaciente. Passou o dedo pelo pescoço, como se estivesse o cortando. Andy chegou mais perto do gêmeo, colocando a orelha próximo a sua boca.

– Estou passando mal, vamos pro hotel.

O olhar do mais alto pareceu um pouco decepcionado, mas ele concordou, com um movimento de cabeça. Voltou para sussurrar algo do ouvido de Thalita e depois foi com o irmão para o lado de fora, onde um dos motoristas já os esperava.

Não teve conversa no trajeto até o hotel, aliás, por muito tempo, eles sequer se olharam. Andy trancava a porta do apartamento quando sentiu a mão do irmão em seu ombro.

– O que foi? – Virou-se rápido, imaginando que o mais velho pudesse estar enjoado, mas, quando percebeu, estava sendo jogado contra a parede.

– Me diga uma coisa, irmãozinho. – Oliver sibilou, olhando nos olhos do gêmeo, com as mãos na parede, uma de cada lado do corpo maior. – Você realmente não se lembra de nada daquele jantar?

– N... Não. – Andy gaguejou, se encolhendo sob o olhar do de dreads.

– Ótimo. – Riu, e se aproximou do ouvido do outro, sussurrando. – Porque eu vou te fazer lembrar.

O mais novo arregalou os olhos e teve os lábios capturados em um beijo faminto.


Notas finais
Eu sei que esse fim foi sacanagem, mas esse capítulo NÃO ia acabar aí. Só que eu terminei de escrever nesse EXATO segundo e, se eu fosse até onde gostaria, ficaria um capítulo GIGANTE e só seria postado na outra semana. SHUASHUSHUAHUSUHAHUSA
Gente, eu quero pedir desculpas pelo atraso, mas eu realmente reescrevi o início umas 4 vezes e nada me agradava (e continua sem me agradar, but...).
E também quero pedir desculpas pelos vários erros. Como eu geralmente termino de digitar em cima da hora, opto por postar sem betar, pra não deixar vocês esperando por mais tempo, mas aí sempre acaba passando umas coisas medonhas. O último capítulo, por exemplo, estava recheado de errinhos absurdos. Desculpa, MESMO. (Eu vou beta-lo, em breve.)
Ah, e eu preciso que vocês me digam uma coisa MUITO importante. NÃO VAI rolar AINDA, de qualquer forma, mas quero saber se vocês vão querer LEMON, ou se a fic deve permanecer +16, hein?
Só isso, lindezas.
Obrigada por acompanharem. ♥