A Proposta

17 Fanatismo Vermelho


Notas iniciais
Um beijíssimo especialíssimo pra hysteria_483 que deixou minha quarta recomendação. Obrigada, linda *-*

– Estão falando sobre vocês na TV, de novo. – Gustav comentou, esparramado no sofá.

As últimas três semanas haviam sido daquela forma. Aparentemente a história do fan service não soara muito convincente aos mais observadores e, desde então, sempre surgiam novas especulações nos jornais – Alguns chegaram a ponto de exibir declarações de pessoas dizendo ter conhecimento de um possível relacionamento amoroso entre os Kaulitz há anos.

– O que é dessa vez? Alguém que lembra de ter visto eu e Bill fornicando pelos cantos da creche? – Tom respondeu sem nem olhar para o lado, já estava tão habituado àquele tipo de noticia que elas nem o incomodavam mais. No momento, estava mais preocupado com qual carta descartar. – Porque, sinceramente, é só isso que está faltando.

– Talvez seja algum ultra-som mostrando as depravações que fazíamos mesmo antes de nascer. – Bill falou rindo, esperando que Tom jogasse logo a carta para que fosse sua vez.

– Parece que dessa vez é mais sério. – O baterista se ajeitou melhor no sofá e aumentou o volume da televisão.

O vídeo mostrava uma passeata contra a banda, várias pessoas erguiam cartazes e placas com as mais variadas ofensas e protestos contra o relacionamento entre os gêmeos. Um grupo de religiosos radicais parecia pregar uma espécie de mantra, repetindo palavras de redenção para as “almas amaldiçoadas dos Kaulitz”.

– Que ridículo, cara. – Georg falou, sentado no chão. – O que essas pessoas têm a ver com a vida de vocês?

Tom ergueu uma sobrancelha e deu um meio sorriso, olhando na direção do baixista. Nem parecia o mesmo Georg que esbravejara com ele, meses atrás, quando ele e Bill haviam se beijado pela primeira vez. O mais velho mudara muito naquele tempo, já se sentia a vontade para brincar com os irmãos e até mesmo fazer alguns comentários “maldosos”.

– Esses caras me assustam um pouco. – Bill comentou, olhando para a TV. – Quando as pessoas são fanáticas demais sempre acabam fazendo algum tipo de bobagem.

– Eu acho que isso aí é só muita reação pra pouco caso. – Georg deu de ombros e se levantou. – Então, Gustie, você não ia comigo naquela loja de eletrônicos que a gente tinha visto aqui perto?

– Opa, vamos lá. – O baterista levantou e ajeitou o boné na cabeça. Acenou para os gêmeos antes de sair do quarto. – Comportem-se.

Bill riu da frase sem entonação emitida pelo baterista e deixou as cartas de lado, desistindo de esperar que Tom fizesse sua jogada.

– Hm, Bill... – Tom começou, também colocando suas cartas no monte sobre a mesa. – Agora que eles saíram, o que acha da gente fazer aquilo?

O vocalista olhou para o irmão, desconfiado.

– Você está falando sério?

– Não, estou brincando com você. Claro que estou falando sério. – O guitarrista revirou os olhos, divertido.

– Tom... Você sabe que eu não tenho prática com essas coisas, você vai ter que ser paciente comigo... E você não é lá um dos caras mais calmos que eu conheço. – O mais novo confessou, desanimado.

– Deixa disso, Billy, eu prometo que vou ir com calma, ok?

O maior o olhou nos olhos, ainda hesitante. Mas por fim acabou soltando um longo suspiro.

– Okay, vamos logo com isso.

***

– Toommy, mais devagar. – A voz de Bill soou manhosa, e ele lançou um olhar suplicante para o guitarrista, mas este nem o viu. – Tom, está me ouvindo?

Na verdade, não estava. O rapaz de dreads estava tão compenetrado no que fazia que ignorava completamente as reclamações do mais novo.

– Tom! Droga, Tom, me escuta! – O maior praticamente gritou, indignado. Como é que o irmão podia fazer aquilo com ele? Ele estava ali, tentando fazer aquilo de bom grado e mais velho simplesmente não percebia que não estava dando certo. – Larga a droga da guitarra, Tom!

– Você chamou? – Tom parou de tocar, olhando para o rosto zangado do irmão.

Estavam sentados no chão da sala. Há alguns dias, Bill confessara ao irmão a vontade que sentia de aprender a tocar algum instrumento, mas que se sentia completamente inapto. Tom tinha se prontificado a ensinar o mais novo a tocar guitarra, porém havia se empolgado e começara a solar tão rapidamente que o vocalista já não conseguia mais acompanhar os movimentos.

– Mil vezes! Será que você nunca ouve quando eu estou falando? – Bill largou o violão de lado e tencionou levantar, mas Tom segurou seu pulso.

– Ei, por que você está tão bravo? – O guitarrista ergueu uma sobrancelha, sem compreender o que o irmão tinha.

– Você não presta atenção em mim! Você sabe que eu nunca consegui tocar direito, aí ao invés de me ajudar, você fica se exibindo. É sério, parece que você está tentando me humilh... – Bill não conseguiu terminar de falar porque teve sua boca coberta pela do mais velho que se pressionava contra ele. Tom se descolou do maior e olhou no fundo de seus olhos com a expressão arrependida. – Isso é golpe baixo.

O guitarrista sorriu e deixou a guitarra ao lado.

– Eu sei. – Avançou sobre o irmão, segurando seu rosto nas mãos e começando um beijo suave.

Bill afastou as pernas e Tom se ajeitou entre elas, empurrando o mais novo contra o chão. As mãos do vocalista percorreram a cintura do mais velho em busca da barra da camisa, que foi rapidamente retirada.

Tom se afastou brevemente do irmão para que também pudesse retirar a peça de roupa dele. Voltou a debruçar-se sobre o mais novo, arrepiando-se com o contato de seu peito quente contra o frio do gêmeo. Os lábios voltaram a se devorar sedentos.

As línguas se trançavam saudosas, desejosas por aquele contato, como se estivessem há muito afastadas – o que não era verdade.

Os lábios de Tom abandonaram os do vocalista para acariciarem o maxilar e perderem-se no pescoço alvo. Ele sugava e mordiscava a pele delicada com vontade, disposto a marcá-la.

– Hmmm, Tommy, para. – O maior choramingou, gemendo diante o contato. – Como vou explicar um chupão, depois?

Tom riu, arranhando o pescoço do vocalista com os dentes. Afastou-se para depositar um selo simples em seus lábios.

– Diga que arranjou – Beijou-lhe os lábios novamente – uma namorada – Deslizou a língua da base da orelha até a clavícula – muito, muito – Tomou um mamilo já enrijecido nos lábios, mordendo-o levemente, arrancando um suspiro do maior – selvagem.

Bill riu, contorcendo-se sob os toques habilidosos da língua do gêmeo naquele local tão sensível. Tom remanejou a posição das pernas, de forma que conseguisse pressionar a virilha do mais novo com a sua. O vocalista não pode impedir o gemido que escapou por seus lábios e logo teve a boca novamente capturada.

Tom o beijava enquanto movimentava o quadril, esfregando os volumes escondidos sob as calças. Bill se contorcia agarrado ao dreads, enquanto puxava a cabeça do irmão, aprofundando-se o máximo que podia no ósculo.

O guitarrista se afastou um pouco do menor deixou a mão brincar com o fecho da calça do irmão. Sussurrou contra seus lábios.

– Sempre que eu te beijo, tenho vontade de ir até o fim.

Aquela frase alertou o vocalista para as intenções do gêmeo e ele ergueu o tronco imediatamente, afastando a mão do outro de perto de sua coxa.

– Então é melhor pararmos por aqui. – Falou sério, buscando a camisa no chão.

– Ah, Bill, para com isso. – Tom revirou os olhos e buscou novamente os lábios do irmão, mas este virou o rosto. – Por que não podemos fazer?

– Porque eu não quero. – Respondeu sem olhar para ele, vestindo a roupa.

– E quando é que você vai querer? – A voz do guitarrista já começava a se alterar. – Droga, Bill, já faz quase um mês que estamos juntos e você não dá nenhuma brecha.

– Me deixa, Tom, eu não estou preparado pra isso ainda. – Fez que ia se levantar, mas o outro segurou seu braço com força.

– E você está pelo menos tentando? Não vou esperar pra vida inteira! – O rapaz de dreads quase gritou, sem medir as palavras.

– Um mês é a vida inteira pra você? Dá pra me soltar? – Bill já estava perdendo a paciência, remexeu o braço em uma tentativa frustrada de se livrar do outro. – Porra, Tom!

– Eu to falando sério, Bill! – Disse em tom de alerta, ainda agarrado ao braço dele.

– EU TAMBÉM. – O vocalista explodiu. – É só isso que você quer comigo? Se tá tanto afim assim de transar, porque é que não fica por baixo, então?

O guitarrista arregalou os olhos para a o gêmeo e riu com vontade, realmente achando graça daquela frase.

– Eu não vou ficar por baixo, isso é ridículo.

– E por que é ridículo? – Bill guinchou, puxando o braço mais uma vez. – Você é mais macho do que eu, Tom, é isso? Eu sou mais bicha que você, por isso tenho que dar a bunda?

– Eu não disse nada disso! – Tom gritou, finalmente o soltando.

– ENTÃO ME DIZ POR QUE, DROGA!

A frase ecoou pelos cômodos do quarto de hotel e eles ficaram em silêncio. Na verdade, Tom não tinha uma resposta para aquela pergunta. Ele simplesmente não se imaginava sendo o passivo, a mensagem não era aceita por sua mente. Ele não conseguiria e nem tinha a menor vontade ou intenção de conseguir.

– É, vai ver que é porque você é uma bicha mesmo. – Falou, vencido pela raiva e recebeu um tapa no rosto em resposta. Não tentou revidar.

– Eu odeio você. – Bill falou, deixando uma lágrima escorrer pelo rosto e saiu quarto batendo a porta.

Tom passou a mão pelos dreads e enterrou a cabeça nos joelhos.

– Idiota. – Sussurrou para si mesmo, sentindo um arrependimento avassalador alastrar-se por seu peito. – Mil vezes idiota.

Ergueu-se do chão, vestindo a camisa larga, quando a porta foi aberta.

– Tom, aconteceu alguma coisa? – Georg entrava no quarto, acompanhado de Gustav e várias sacolas, provavelmente cheia de jogos novos. – O Bill parecia realmente puto lá fora.

– Eu falei o que não devia. – Ele suspirou, dando de ombros.

– Vai pedir desculpas? – O baterista perguntou, lançando um olhar de lado para o Kaulitz mais velho, enquanto guardava suas novas aquisições na mala.

– Vou, sim. – Tom garantiu, colocando as mãos no bolso. – Vou esperar ele ficar um pouco mais calmo, aí vou falar com ele.

O loiro concordou com um movimento de cabeça, achando que aquela era mesmo a melhor solução. Conversar com um Bill exaltado não era mesmo muito produtivo.

– Bem, vamos descer, então? O David disse que temos uma entrevista daqui a pouco. – Georg avisou, olhando a própria imagem refletida na tela da TV e ajeitando o cabelo. – Vamos?

Os rapazes assentiram e juntos deixaram o quarto.

***

Andavam pela ampla calçada em passos curtos. O local onde fariam a entrevista era próximo ao hotel e já fazia algum tempo que eles não davam o ar da graça em público.

Bill andava a frente de todos, cabeça baixa. Ainda estava estressadíssimo com a briga que tivera com o irmão há pouco.

Gustav caminhava logo atrás do vocalista, acompanhado de David. Trocavam poucas palavras. Por último estavam Georg e Tom, que também não mantinham nenhuma conversa muito empolgada.

Cinco seguranças o acompanhavam, mas mantinham significativa distância.

– Cara, está muito quente! – O guitarrista reclamou para o amigo e então olhou para a rua, sem nenhum motivo exato.

– Está mesmo. – Georg respondeu, mas Tom não prestou atenção, seu olhos estavam voltados para um carro que passava exatamente ao seu lado, nesse momento.

O vidro escuro da parte traseira automóvel preto abaixou-se e o rapaz de dreads teve a impressão de ter lido nos lábios do homem que ali estava e agora olhava em sua direção: Aberração.

Viu o rosto do desconhecido virar-se na direção de Bill e um objeto prateado ser erguido.

Tom começou a correr.

Bill ainda analisava o chão enquanto caminhava em passos duros, focalizando sua raiva. Tudo bem, ele sabia que o irmão só havia dito aquelas palavras por conta da situação, mas isso não o impedia de se magoar. Poxa, ele nem queria ser o ativo nem nada do tipo, apenas não se sentia pronto para aquela experiência, será que era tão difícil para o outro entender isso?

– BILL! – O rapaz de moicano ouviu a voz do irmão gritar, arrancando-o de seus pensamentos. Mas não teve muito tempo.

Ergueu a cabeça automaticamente, afim de voltar o olhar para trás e então foi derrubado no chão por alguém que não tinha conseguido identificar. Ouviu um disparo e em seguida o "alguém" caiu sobre ele. Seus olhos se arregalaram.

Um turbilhão de vozes rompeu ao seu redor, um guinchar de pneus que disparavam em fuga se alastrou pelo ar. Mas Bill era incapaz de ouvir, estava vidrado naquele que se mantinha caído sobre ele.

Sentiu que alguém puxava seu braço, sabia que conversavam com ele. Viu que Georg e Gustav se ajoelharam ao seu lado gesticulando e falando rapidamente, mas ele não conseguia prestar atenção. Naquele momento, havia apenas uma coisa que detinha seu foco:

A mancha vermelha que se alargava pelas roupas de Tom.

Notas finais
"Sério mesmo que você demorou duas semanas pra postar ISSO?" Adivinhei o pensamento de vocês, né? Por favor, não me matem D: Então, não tenho desculpas para meu atraso, a culpa foi inteiramente minha, porque eu me intimei a terminar uma one-shot que tinha que dar de presente e estipulei que não poderia escrever outra coisa enquanto ela não estivesse pronta, aí foi isso e___e' Desculpa mesmo pelo atraso, não vai acontecer de novo '-' (Juro que serei responsável com o próximo capítulo ç-ç) Então, quero agradecer muitíssimo aos muitos reviews que eu recebi nessas duas semanas, estou surpresa e felicíssima! Obrigada! *-* E quero pedir uma coisa pra vocês :D Assim que A Proposta terminar, eu gostaria de postar outra long-fic de k'cest e eu tenho duas começadas: Uma é "pseudo-comédia" (não sei como definí-la xD) e brinca com um "clichê" das fanfics heteros. A outra é Universo Alternativo, a Tokio Hotel não existe, eles não são irmãos e tem uma temática mais "séria". Então, me dêem uma sugestão, qual eu posto? o.o' HSUSHUAHUSHUS E é isso, até o penultimo capítulo o/ #chora __ Pessoas lindas, essa é a fanfic que fez com que tudo atrasasse: http://www.fanfiction.com.br/historia/147309/Schon É Bill x Tom e eu ficaria muitíssimo feliz se vocês lessem *-* (Ela é gigante, mas é bacaninha, juro! SHUAHUSAHUSHU)