Notas iniciais
Capítulo dedicado a beka_hale linda, garota que sempre me dá forças ♥ (Apesar de cabular meus reviews *assovia*)

E um agradecimento muito especial para as meninas que mandaram DM: Ray_Arantes e bee_jones. Obrigada, mesmo!

– Que droga, gente, já falei que estou bem, parem de me tratar como uma criança! – Tom resmungou, revirando os olhos e afundando a cabeça no travesseiro.

Deixou-se observar novamente o teto sem nada de especial do quarto de hospital. Aquele lugar parecia tão imaculado. Tão irritantemente branco, silencioso e imaculado. E agora ele precisaria ficar ali com os amigos o tratando como se fosse morrer a qualquer segundo por sabe-se lá quanto tempo.

– Tom, você levou um tiro, tem noção de quão grave isso é? – David perguntou ao rapaz.

– Tenho e acho que vocês deveriam estar mais preocupados em achar quem foi que atirou do que em ficar aqui me enchendo o saco. – Ele devolveu com irritação.

Não era como se não gostasse da preocupação dos amigos, pelo contrário, ele realmente ficava grato por aquilo. Acontece que aquele exagero todo já beirava ao insuportável. Sem contar a completa ausência de Bill...

Não fazia nem uma semana que tudo havia acontecido. Quando ele percebeu as intenções do homem dentro do carro negro, se jogou na frente do irmão sem pensar duas vezes, sendo baleado em seu lugar.

O projétil havia acertado pouco acima de sua cintura, alojando-se entre as costelas. A dor que se instalou por todo o seu corpo fora algo tão intenso e corrosivo que ele mal conseguiu gritar. Caiu por cima do corpo maior e fechou os olhos em tentativa de fazer com que a aquela sensação horrível parasse. Ouviu as vozes dos amigos se aproximando desesperados, ouviu David gritar por uma ambulância e os passos apressados dos seguranças. Mas o rapaz sob seu corpo estava imóvel.

Sentiu que era carregado para algum lugar, ouviu vozes desconhecidas e então sentiu uma picada rápida no braço. Os barulhos diminuíram até se tornarem um zumbido longínquo e a dor finalmente pareceu ceder. Em pouco tempo ele não sentia mais nada.

Não fazia idéia de quanto tempo permaneceu naquele torpor estranho. Ouviu um bip estranho e percebeu que finalmente despertava. Abriu os olhos lentamente, sonolento, e estava ali, naquele quarto branco.

Só existiam dois sons preenchendo o local. O bip contínuo dos aparelhos ligados ao seu corpo e um soluçar baixo, controlado.

Virou o rosto com um pouco de dificuldade e encontrou o gêmeo sentado em um banco próximo à maca. Bill estava com o moicano desarmado, a maquiagem manchada e lágrimas desciam por seu rosto seu qualquer cerimônia. Seus olhos se fixaram por longos minutos e nem uma palavra sequer foi emitida.

O mais novo se levantou de repente e se aproximou do menor, selando os lábios com cautela. Novas lágrimas irromperam pelos olhos sofridos e Bill soluçou alto, balbuciando algo que Tom não entendeu ao certo, mas que parecia com um pedido de desculpas.

O maior deixou o quarto sem olhar para trás e essa foi a última vez que Tom o viu. Desde então o vocalista não apareceu para visitá-lo.

“Ele ainda deve estar bravo comigo.” O mais velho pensou, esquecendo-se completamente dos amigos que ainda estavam dentro do quarto.

– Nós vamos achar quem fez isso com você. – A voz de Georg soou fraca, arrancando-lhe de seus devaneios.

Observou os amigos e David finalmente deixarem o quarto. Suspirou e se virou de lado como pode, puxou o cobertor por cima da cabeça a fim de cochilar. Na verdade, não havia nada muito mais interessante para se fazer ali.

Estava prestes a voltar a dormir quando ouviu o som da porta novamente se abrindo. Perdeu a pouca paciência que ainda tinha.

– Eu já não falei pra me deixarem em paz? – Bradou, descobrindo-se e encarando o invasor com toda a fúria que os orbes castanhos eram capazes de transmitir.

Até que viu quem era.

– Me... Me desculpe. – Bill murmurou assustado com a reação do mais velho e imediatamente deu meia volta, disposto a deixar o quarto.

– Não! Desculpa, eu não vi que era você. – Tom sorriu ao finalmente ver a figura do irmão. Sentiu o peito acalorar. – Eu pensei que não viria me visitar...

O vocalista desviou o olhar, envergonhado e se acomodou no banco ao lado da maca. Ficou olhando para as mãos enquanto pensava no que falar.

– Eu queria vir, mas não sabia como olhar pra você. – Ele disse, ainda brincando de entrelaçar os próprios dedos.

– Mas que bobagem. – O de dreads riu de forma suava, esticando o braço para segurar a mão do mais novo. Ele havia sentido tanta falta de tocar o irmão, de ouvir sua voz. De sentir os lábios macios contra os seus...

Entretanto, antes que sua mão pudesse se encontrar com a do maior, Bill se afastou bruscamente da maca, tornando a ficar de pé.

– Tom. – Ele pronunciou com firmeza, apesar de ainda não encarar o mais velho. – Eu quero terminar.

– O QUÊ? – O rapaz ergueu o tronco em um sobressalto e imediatamente sentiu a ferida costurada fisgar. O vocalista se encolheu diante do guinchar dolorido emitido pelos lábios do gêmeo. Sentiu o peso da culpa sobre seus ombros.

– Eu... Eu não quero mais isso... – O coração do mais alto hesitava diante aquele decisão, mas em sua mente ela a mais correta. E definitiva.

O cérebro do rapaz de dreads dava mil voltas tentando enxergar qual era o motivo por trás daquela atitude repentina do irmão. Demorou para encontrar algo que fizesse sentido.

– Ei, espera, para com isso. – Falou rápido, quando finalmente pareceu compreender. Ajeitou-se novamente na maca de forma que pudesse encarar o irmão sem sentir suas costelas se partirem. – Eu não vou mais insistir pra a gente fazer aquilo, Bill, eu prometo. Não precisa chegar falando que quer terminar e talz, eu vou respeitar seu tempo, não importa quanto demore.

Uma das sobrancelhas do vocalista se ergueu automaticamente diante da declaração sem sentido do outro.

– Do que você está falando?

– Como assim? Você não quer terminar porque eu falei aquelas coisas pra você depois que você disse que não estava pronto pra fazer sexo? – O guitarrista entortou os lábios em confusão. Não estava entendendo mais nada.

Bill ainda encarou o gêmeo por alguns segundos até que sua mente se clareou sobre o que o outro falava. Ficou irritado.

– Eu nem lembrava mais disso! Você acha mesmo que eu ia ficar pensando em uma coisa dessas depois de tudo o que aconteceu? – O maior bufou e então passou a mão pelos cabelos, voltando a se sentar no banco. Enterrou o rosto nas mãos por um breve momento para depois voltar a encarar Tom com intensidade. – Você tem noção que foi baleado?

O menor revirou os olhos. Não era possível que até Bill começaria com essa conversa.

– É, eu tenho. E daí?

COMO ASSIM E DAÍ?

– TOM! Você podia estar morto!!

– Mas eu não estou, droga! – Será que ninguém iria deixá-lo em paz quanto aquilo?

Bill suspirou novamente, gritar não iria adiantar nada. Tom precisava enxergar os fatos. Ele precisava fazê-lo entender.

– Esse tiro era pra mim. – Falou, abaixando o tom de voz.

O guitarrista se encolheu diante as palavras do outro. Tudo bem, ele sabia a gravidade daquilo tudo. Sabia que tinha tido sorte, mas o que poderia fazer? Deixar que a bala atingisse o irmão? Deixar que seu Bill fosse ferido? Era completamente fora de cogitação.

– Isso só aconteceu porque estamos juntos. – O maior continuou. – Como é que você se sentiria se não tivesse conseguido impedir que eu fosse atingido? Como você estaria se eu tivesse morrido, Tom?

O outro não foi capaz de responder. Não havia o que responder, na verdade. Ele não queria pensar naquilo, não conseguia sequer imaginar uma vida onde o gêmeo não existisse. Onde ele estivesse morto.

– Nós somos irmãos. – O vocalista sussurrou, saindo da cadeira e se ajoelhando no chão. – Jamais deveríamos ter levado isso adiante.

Tom não se moveu ao sentir os lábios do irmão se pressionarem contra sua bochecha. Nem emitiu som algum quando o garoto se levantou e caminhou em direção a saída. Estava acabado e ele não tinha como lutar contra isso. Bill estava certo, afinal.

Só saiu de seu estado de torpor quando o mais novo finalmente abriu a porta, indo de encontro com um corpo feminino visivelmente menor que o seu. Murmurou um pedido de desculpas imediatamente respondido por uma voz que o mais novo conhecia bem. Simone.

A mulher adentrou o recinto e fechou a porta atrás de si. Ela se aproximou do pé da cama e eles se encararam. Ambos com o olhar duro, fixo.

– Bill estava com uma cara estranha quando saiu. Vocês brigaram? – Ela deu um sorriso cínico.

Tom sentiu o peito inflamar de raiva. Não que gostasse de sentir aquilo pela mãe, mas a atual insensibilidade que ela demonstrava estava realmente o arrasando.

– É, brigamos. Feliz por isso?

O olhar da mulher pendeu para a cintura do filho, região onde, apesar de coberta pela camisola hospitalar, ela sabia existir uma profunda ferida costurada. Ela suspirou de uma forma estranha.

– Eu sabia que essa história não acabaria bem. – Simone falou com severidade, apesar dos olhos que o miravam exibirem uma tristeza profunda.

Uma tristeza que apenas uma mãe que quase perdeu um filho poderia sentir.

– Não se preocupe, ainda falta muito para "essa história" acabar. – Tom revidou com a voz firme e o olhar fixo na face da mulher.

Simone ergueu o rosto e eles se encararam em silêncio durante alguns segundos.

– Você realmente gosta... desse jeito... do Bill? – Ela quase sussurrou, caminhando em direção a lateral da cama.

– Gosto. Eu... Eu o amo demais. – As bochechas do gêmeo mais velho adquiriram uma coloração avermelhada e eles desviou a face, ouvindo um longo suspiro de sua mãe.

– Não há nada que eu faça que vai te fazer desistir disso, não é?

– É. – Ele concordou e, ao voltar o olhar para ela, se surpreendeu ao encontrar os olhos marejados. – S-Simon... Mãe?

– Tudo bem, não tem problema... – Ela falou entre soluços e colocou uma mão sobre os olhos, como se isso pudesse impedir o filho de vê-la chorar. – Se é assim que vocês vão se sentir felizes, eu não me importo.

Tom sentiu um forte aperto no coração quando a mulher descobriu o rosto, exibindo os olhos molhados e fixando o olhar no seu.

– Eu... Eu apenas não quero perder os meus meninos. – Ela soluçou novamente e o rapaz não agüentou, acompanhando-a com suas próprias lágrimas.

Ergueu o tronco, ignorando a dor lancinante que atravessou suas costelas, e envolveu a mãe em um abraço apertado.

Ficaram naquela posição durante alguns minutos, esperando que o coração se acalmasse e os olhos secassem. Simone se afastou lentamente do filho e passou as costas das mãos em seu rosto e depois na do rapaz, para limpar os vestígios das últimas lágrimas.

– Prometa que vão se cuidar... Que não vão deixar isso – Ela falou, apontado para o quarto com a cabeça, enquanto afagava a bochecha de Tom. – Acontecer novamente.

– Eu prometo. – Ele sorriu fracamente e segurou a mão da mulher com a sua. Virou o rosto e depositou um selinho delicado na palma feminina. – Obrigada, mãe.

A mulher sorriu para ele e se afastou devagar.

– Converse com o Bill... Eu tenho certeza que ele vai acabar cedendo. – Simone deu um sorriso tímido e se virou para deixar o quarto.

– Simone! – Tom chamou, antes que ela saísse, com uma ideia recém formulada em mente. – Será... Será que a senhora poderia fazer um favor para mim?

Ela ergueu uma sobrancelha e voltou a se aproximar da maca, curiosa sobre o que o filho mais velho poderia estar tramando.

***

Thalita acompanhou Bill pelo corredor do hospital. Na verdade, ela praticamente o arrastava.

– Para com isso. – O rapaz de moicano tentou se desvencilhar da loira, sem muito sucesso.

– Não! Escuta, eu não me intrometi quando você falou que pretendia terminar com o Tom, até entendo seus motivos. Mas você não o visitou mais nenhuma vez depois disso. Hoje ele tem alta e o MÍNIMO que você pode fazer é ir buscá-lo.

– Tá, tá, eu vou até lá, não precisa me empurrar. – Respondeu com irritação.

Thalita realmente havia o ajudado muito quando ele descobriu o que sentia pelo gêmeo, mas nessas últimas semanas ela realmente parecia um verdadeiro infortúnio.

Ela até o tinha ameaçado de chamar Viktor para que o mixer o “convencesse” a falar com Tom. E, bem, a ameaça havia funcionado, pois agora lá estava ele suspirando de frente para a porta do quarto.

– Vou voltar para o atendimento. – Thalita avisou, apertando levemente o ombro do amigo para dar-lhe força. – David alugou um apartamento aqui perto para vocês, ele acha que vai ser melhor do que voltarem para o hotel com Tom nesse estado.

Bill concordou com um movimento de cabeça e finalmente girou a maçaneta, atravessando de uma vez o portal. Encontrou Tom de pé, trajando uma calça jeans larga – apesar de um pouco mais justa do que as que costumava usar – e acabava de começar a vestir uma camisa preta. O grande curativo sobre as costelas do rapaz estava visível e praticamente gritava para Bill que, em partes, aquilo era sua culpa.

– Ei, Bill, não te ouvi entrar. – O guitarrista murmurou quando o tecido da camisa descobriu seus olhos.

Assim que o curativo se escondeu sob a camisa, Bill conseguiu voltar o olhar para o rosto do irmão. Entrou em choque.

Tom mantinha um sorriso sem dentes, sua testa estava coberta por uma faixa e no lugar dos dreads, tranças negras se despontavam alcançando seus ombros.

– Seu... Seu cabelo. – O vocalista permanecia meio bestificado.

Céus, Tom estava tão sexy com aquelas tranças.

– Gostou? Você comentou que queria que eu pintasse o cabelo e desfizesse os dreads... Não gostei muito de como ficou solto, então resolvi deixar as tranças. – Falou ainda com um pequeno sorriso desenhado nos lábios.

– Ficou muito bom... Mas... Como? – Para Bill aquilo não fazia sentido. O gêmeo não poderia ter deixado o hospital, como pudera mudar o penteado?

– Pedi ajuda para a Simone. Ela chamou uma amiga dela cabeleireira, pedimos ao médico e elas fizeram tudo aqui no quarto, mesmo. Queria te fazer uma surpresa, e nem foi tão difícil esconder, já que você não veio me ver nenhuma outra vez. – O sorriso não deixou os lábios de Tom, apesar da visível conotação de mágoa.

– Ah... Quanto a isso... Tom, desculpa, eu não sabia como falar com você. – Bill estava desconsertado. Não conseguia olhar para o rosto do irmão sem pensar em coisas um tanto... indevidas.

– Bill, eu quero você de volta. – O de tranças falou sério, ficando frente a frente com o maior.

– Nós já falamos sobre isso.

– Não, você falou sobre isso. – Tom suspirou e desviou o olhar para a pequena janela do quarto. Conseguia ver uma pequena parcela na lua através da abertura. – E na hora eu achei que você tinha razão.

O vocalista sentiu uma espécie de nervosismo atravessá-lo. Não raiva, algo como ansiedade. Não queria ter que voltar a falar sobre aquilo com o irmão. Já tinha sido tão difícil tomar aquela decisão.

– Ninguém sabe que estamos juntos de fato, Bill. – Ele continuou, buscando coragem para encarar o mais novo. – Nós dissemos a todos que era fan service. E, mesmo assim o que foi que aconteceu?

Os olhos de Tom se estreitaram na direção do irmão e ele ergueu a camisa, mostrando o curativo.

– Pra essas pessoas não importa se estamos juntos de verdade ou não, elas estão presas dentro do próprio preconceito. Estão cegas. – O guitarrista soltou a camisa e deu um passo na direção de Bill, segurando seu pulso. – E se tivermos que passar por isso de novo, eu quero estar ao seu lado.

A mão do mais velho soltou-se do outro e deslizou por seu braço, até alcançar a nuca. Virou a cabeça de lado e fechou os olhos, se aproximando.

– Tom... – Bill sussurrou, ainda hesitante sobre ceder.

O mais velho ignorou o chamar, juntando as bocas em um beijo saudoso, sem línguas. Um selo quase doloroso de tão forte.

– Eu não vou desistir de você.

Notas finais
Eeer... Então.
Sei que geral já está cansada das minhas desculpas esfarrapadas, mas dessa vez o atraso foi se deu puro e exclusivamente por causa da minha inteligência privilegiada.

Eu já estava meio sem criatividade, já tinha apagado e reescrito mil vezes, tentando encontrar algo que ficasse mais ou menos, aí, quando eu FINALMENTE deixei do jeito que eu queria e estava toda feliz que tinha acabado, eu fechei o Word, cliquei em "Não salvar" e só depois percebi o que estava fazendo *-* #semata

Aí eu tive que reescrever tudo de novo e acabou que não ficou do jeito que eu queria de qualquer forma D:
Mas, tudo bem.

Ah, e só pra já deixar avisado...
O próximo capítulo é o último, então talvez ele demore naturalmente um pouquinho mais para ficar pronto, porque eu realmente quero que ele fique lindinho '-' Então, não me matem D: SHASHUAHUSAU

Beijos ♥