A Proposta
3 Entrevista
Vozes. Ouvira vozes gritando a noite toda. A maioria delas não dizia coisa com coisa, berravam palavras incompreensíveis. Suas têmporas doíam e a cabeça parecia pesar uma tonelada. Aliás, não só a cabeça, sentia que havia algo pesado envolvendo seu corpo, não conseguia se movimentar direto.
Andy tentou abrir os olhos, mas aquilo pareceu extremamente difícil, de repente. Com os braços,empurrou para o lado seja lá o que estivesse pesando sobre si.
– Acordou? – Era a voz de Mike. Ou, pelo menos, ele achava que era.
– Hmm... – O garoto tentou confirmar, mas o que se ouviu foi apenas um resmungo.
Conseguiu, com muita força de vontade, abrir os olhos e deu de cara com uma desfocada e bonita figura adormecida, que ele demorou mais tempo do que deveria para identificar como Oliver.
– Mas que raios...?
– Ei, fala baixo, vai acordar ele. Cara, você e o Lucca apagaram completamente ontem à noite. O Oliver e o Robert brigaram feio por causa disso. Ele ficou do seu lado a noite toda, deve ter dormido agorahápouco.
Andy sentou na cama e olhou para o irmão. A cabeça girava e o estômago parecia querer sair pela boca, mas, pelo menos, agora conseguia lembrar-se de alguma coisa, de alguém que o sacudia ferozmente, chamando por seu nome. Lembrava-se de ter sido carregado e de vomitar enquanto alguém o abraçava e sussurrava em seu ouvido “Está tudo bem, Andy. Eu estou com você.”. Depois o barulho diminuiu, ouvira buzinas e sentia-se sacolejar levemente e uma mão acariciar seus cabelos.Entãoas vozes voltaram, eram ferozes, acusavam-se. “Eu não quero saber se tínhamos ou não uma entrevista de manhã, Andy só vai se levantar quando se sentir melhor. E eu tenho pena de quem tentar forçar meu irmão.”.
Olhou para o semblante sereno do gêmeo, sentiu orgulho e peso na consciência. Acariciou o rosto dele gentilmente.
– Obrigado. – Sussurrou e voltou a atenção para Mike. – E o Lucca?
– Acordou faz pouco tempo, também. Está trancado no banheiro.
– Ei, e as garotas? – Perguntou, tentando ignorar a fisgada que sentia no estômago.
– Nem rolou muita coisa, nem tinha clima depois quevimosvocês desmaiados em cima da mesa. – Riu.
– Desculpa. – Andy pediu eMikedeu os ombros. – Hm... Acho que vou acompanhar o Lucca, licença.
E o mais velho não pode deixar de rir quando o vocalista saiu correndo do quarto, com uma coloração azulada no rosto.
***
– Você está bem mesmo pra fazer essa entrevista? – Oliver perguntou ao irmão, preocupado.
Andy e Lucca já tinham colocado o café da manhã para fora e tomado uns três comprimidos contra enjoo. Agora os quatro estavam dentro do carro, acompanhados por Robert, indo para o estúdio.
– Estou sim! – O mais novo abriu um enorme sorriso, então Oliver olhou para Lucca e este concordou com um movimento de cabeça.
– Vocês precisam ser mais responsáveis... E nem adianta olhar assim! – Robert começou – Estou falando sério!Vocês têm noção da sorte que tivemos em poder remarcar essa entrevista? Estamos em época de divulgação do álbum, vocês não podem se dar ao luxo de perder oportunidades simplesmente porque não conseguem se controlar!
Assim que Oliver abriu a boca para resmungar alguma coisa, Andy colocou a mão sobre a sua, fazendo-o se calar.
– Sinto muito, Rob, não vai acontecer novamente.
O manager apenas suspirou diante da doçura com a qual o mais novo fez questão de carregar sua voz.
O carro parou em frente ao grande estúdio televisivo e os garotos se dirigiram para o set, enquanto Robert se desculpava compulsivamente com o diretor.
– Não há problemas. – O diretor gargalhou. – Foi até bom, colhemos algumas informações interessantes nesse pequeno período de tempo.
“Deus quisesse que não fosse sobre a bebedeira dos garotos”, foi tudo o que Robert desejou.
Eles sentaram em um semicírculo de frente para a bonita apresentadora.
Luzes acesas ecâmera-mana postos, a entrevista começou. Fizeram a habitual apresentação em uníssono e logo estavam respondendo às perguntas que eram feitas com maior frequência: surgimento da banda, etc e tal.
– Então, rapazes, recebemos hoje de manhã a informação de que vocês foramaum bar ontem à noite.
Oliver pôde imaginar o quanto os órgãos de Robert não haviam se retorcido com essa frase.
–Àsvezes a gente precisadaruma relaxada depois do show. – Mike se prontificou a dizer.
– E vocês se divertiram bastante, não é mesmo? – A apresentadora riu e apontou para uma tela onde era exibida uma imagem de Oliver e Mike conversando com duas garotas.
– Ah, nós apenas conversamos!
Andy lançou um olhar desconfiado para o baixista e então pode ouvir o irmão sussurrando em seu ouvido.
– É verdade.
Quando o mais velho disse que não havia rolado muita coisa, Andy imaginara que não levaram as garotas “para o banheiro”, como o irmão havia sugerido, não que sequer as haviam beijado. Aquilo só fez sua consciência pesar mais.
– E o que dizem sobre essa foto, garotos?
Os olhos de Oliver brilharam ao ver a imagem no monitor. Exatamente como ele imaginou que a foto ficaria: Andy apresentava um de seus sorrisos contagiantes, enquanto o gêmeo sussurrava em seu ouvido, exibindo o melhor sorriso safado. Extremamente insinuante, mas nada que passasse de um momento de descontração entre irmãos.
– Ah, o Oliver estava tentando me seduzir. – Andy respondeu sorrindo.
A mulher ficou um pouco atônita com a espontaneidade da frase e Oliver gargalhou, tentando deixar o momento menos estranho.
– É verdade, mas Andy é muito difícil, aí tive que partir para as garotas.
Ela riu e mudou a imagem na tela.
– Vocês também tiveram um momento de bastante intimidade no show. Arrancaram muitos suspiros das fãs nesse momento, sabiam?
– Nossa, eu cheguei tão perto assim? – O guitarrista perguntou praticamente para si mesmo, observando a foto.
– Não conhece a fama do Oliver? Ele da em cima de tudo o que se move.– O mais novo deu os ombros.
– Ei, assim pega mal! Na verdade, Andy parece tanto uma garota que, algumas vezes, até eu esqueço que ele não é. – Provocou.
– Hey! – O vocalista fez bico.
– Na verdade, Andy estava preocupado com esse show. É a primeira vez que tocamos aqui, é normal ficar nervoso, não saber como o público vai reagir. – Ele colocou a mão no joelho do irmão e sorriu. – Aí fui dar umas palavras de força, mas você não tem noção de como é o barulholáem cima, a gente tem que chegar perto mesmo pra falar.
Andy sorriu de volta. De certa forma, o que Oliver havia dito era verdade.
A apresentadora sorriu e continuou com as perguntas. Lucca estava ainda mais desmaiado do que geralmente. Andy tagarelou bem menos do que de costume, devidoàdor de cabeça que ainda não havia desaparecido – o que, para a felicidade de Oliver, significou ainda mais oportunidades para aloprar Mike.
Quando terminaram, foram ao encontro do manager e da gerente de marketing, que os esperavam fora do palco.
– Que entrevista perfeita! E que foto foi aquela, meninos? – Thalita perguntava afobada enquanto os abraçava.
– Tudo estratégico. – Oliver sorriu. – Ainda quer nos matar, Robert?
– Está bem, tenho que admitir que vocês foram ótimos, para quem estava travado nos ensaios, vocês surpreenderam!
– Que tal comemorarmos? – A loira bateu palminhas, quando chegaram ao carro.
– Nada que envolva álcool. – Lucca e Robert falaram ao mesmo tempo, alarmados, arrancando risadas dos demais.
– Eu apoio. – Andy suspirou, acomodando a cabeça no ombro do irmão, que imediatamente começou a afagar seus cabelos.
Ainda tinham um longo dia pela frente.
Notas finais
Bem, até hoje à tarde, o Nyah! não estava permitindo postar novos capítulos, então só pude postar agora.
Dessa vez eu não tenho muito que falar, mas quero agradecer, novamente, aos comentários! É muito reconfortante ter esse feedback de vocês! :]
Ah, gostaria de fazer um pedido e uma pergunta. Primeiro, como eu não tenho beta, às vezes acaba passando um erro ou outro, se vocês perceberem algo (tipo um 'encima' igual ao que eu tive a coragem de escrever no primeiro capítulo...) por favor, me avisem!
E a pergunta: Os capítulos estão de bom tamanho? Eu tenho uma dificuldade absurda em fazer capítulos longos e estou realmente me esforçando. Mas se vocês acharem que estão curtos, não deixem de falar, okay?
Muito obrigada por acompanhar!
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