A Proposta
9 Ao Seu Lado
Notas iniciais
Andy sentia a cabeça pesar horrores. Deitou na cama tentando interiorizar tudo o que havia ouvido e pensado naquela noite. Suspirou, passando a mão pelos cabelos.
“Primeiro passo”, pensou, “aceitar”. Sentiu a ardência com a qual seu corpo vinha se acostumando naquelas últimas semanas, voltar a consumi-lo. Ele já havia dito aquelas palavras uma vez, não deveria ser tão difícil assim.
– Eu gosto do Oliver. – Externou. Se era errado, ou não, ele realmente não podia fazer nada. Não tinha como lutar contra aquilo.
O problema agora era que atitude tomar quanto a isso. Certo, Oliver não iria mandá-lo preso, tinha certeza, mas não queria que ele passasse a evitá-lo. Não suportaria que o irmão passasse a ver um simples abraço fraterno ou um gesto de carinho como se possuíssem segundas intenções.
Sem contar os efeitos que isso traria para a Even Tone. Uma coisa é ser fofinho e meigo na frente das câmeras, outra é EFETIVAMENTE fazer o que sugeriam. É, aí as coisas mudariam.
Ouviu um barulho e vozes irromperam pela sala. Os garotos haviam voltado.
– Elas ficaram decepcionadas que o Andy não estava no encerramento. – Era a voz do gêmeo.
– Ele parecia cansado a tarde, estava preciso mesmo descansar. – Lucca.
– Falando no Andy... – A voz do baixista pareceu maliciosa. – O que foi aquela fã, Oliver? Nem acredito que não a trouxe pro hotel.
O coração do mais novo falhou uma batida.
– Eu to dividindo o quarto com o Andy, como que ia trazer uma garota pra cá? E, cara, falando sério. A mina não tinha nada a ver com ele.
– É, nada. Era o Andy baixinho, só isso. Ai! – Mike reclamou de um possível soco que tinha levado do guitarrista. – Só estou te zoando, cara. Era gata, mas fazia lembrar, sim.
O vocalista não estava entendendo lhufas da conversa, mas compreendeu perfeitamente que Oliver havia aproveitado maravilhosamente bem o fim da confraternização, enquanto ele estava lá, remoendo as próprias dúvidas. Era mesmo um imbecil.
A porta do pequeno cômodo foi aberta e Oliver entrou no local. Andy pressionou os olhos com força, fingindo dormir.
O silêncio reinou durante algum tempo, sendo quebrado apenas pelo som do zíper da mala e de roupas sendo trocadas. E então o vocalista pode sentir um hálito quente se chocar contra seu rosto.
“Não tem nada a ver.” O guitarrista constatou, sentado ao lado da cama do irmão, olhando para seu rosto. Os cabelos de Andy tinham os fios mais grossos que o da garota. Também achava o rosto do mais novo – e que este nunca soubesse disso – bem mais delicado que o da jovem. Mas a principal diferença estava ali: os lábios.
Os lábios superiores de Andy eram finos, bem desenhados, e curvavam-se de forma leve e perfeita sobre os inferiores, mais cheios. Uma coisa ele tinha que concordar com a Maluca, pareciam realmente macios. Não tentou segurar a vontade de tocá-lo, deixou que os dedos frios os percorressem. Não havia nada errado naquilo, havia? Estava apenas tirando uma duvida deixada por uma fã maluca. E, oras, eles eram irmãos! Isso era completamente normal entre irmãos, não era?
Deixou os devaneios de lado e se afastou do mais novo. Estava cansado demais para pensar nisso agora.
***
A confusão no amanhecer era típica. Iriam partir do país em algumas horas e as coisas ainda mal estavam arrumadas.
Oliver acabara de arrumar a mala do irmão, havia revirado o banheiro atrás de toda maquiagem. Suspirou vendo Andy de bruços na cama, com a cabeça sob o travesseiro.
– Vamos, bela adormecida. – Ele sentou na beira da cama e tentou tirar o travesseiro de cima do gêmeo, mas este o segurava com força. – Anda!
O mais novo resmungou alguma coisa, provavelmente xingando-o.
Oliver revirou os olhos e deu um sorriso malicioso. Subiu sobre o quadril do mais e dobrou seu corpo sobre o dele, mordendo-lhe o ombro.
– O que você está...!? – Andy virou com tudo para empurrar o irmão, mas o que conseguiu foi derrubar ambos de cima da cama. Frustrado, deu um tapa no ombro do mais velho, para que saísse de cima dele. – Cai fora.
Oliver lançou um olhar mortal para ele e segurou os dois pulsos do irmão acima da cabeça.
– Você quer bater, é isso? – Sorriu e abaixou a cabeça, cravando os dentes em seu braço.
– Você é louco!? – Andy gemeu de dor e começou a se debater. Em pouco tempo estavam rolando pelo quarto, aos tapas, rindo.
Sentaram no chão, de frente um para o outro, arfando. Sem grandes motivos o de dreads envolveu o pescoço do outro com os braços e o puxou para si. Andy enterrou o rosto na curva do pescoço do gêmeo, abraçando-o de volta. Definitivamente, não queria arriscar perder aquilo.
Ouviram um bater na porta, era Lucca.
– Estão prontos? Robert está chamando.
Os garotos se separaram e Andy se trocou em velocidade recorde. Pouco tempo depois, partiram.
Mike, em particular, estava bastante inquieto durante a viagem. Por coincidência, sua mãe e irmã estavam de férias justamente na cidade para qual estavam indo. Não que isso fosse um incômodo, fazia tempo que não via a família, seria bom encontrá-los assim, fora de uma data comemorativa. O problema é que elas eram, digamos,legais demais. E a última coisa que o baixista queria era que Oliver tivesse algum motivo para passar mais do que cinco minutos perto de sua irmã.
Quando chegaram ao destino, a voz feminina foi a primeira coisa que puderam ouvir, ecoando pelo aeroporto.
– MIKELICO!
A mulher correu para os meninos e quase foi barrada pelos seguranças, confundida com algum tipo de fã maníaca.
– Que saudades, Mikelim! – A jovem de longos cabelos castanho-avermelhados envolveu o pescoço do rapaz, abraçando-o com vontade.
– Eeer.. oi, Ester. – Disse, envergonhado.
A reação do guitarrista à garota foi completamente automática. Não era que ele pretendesse secar a irmã do amigo, apenas não pode evitar que a língua fosse brincar com o piercing em seus lábios. E, cara, ela era uma gata! Andy sorriu com uma certa impaciência, olhando para o gêmeo. Lucca ainda nem tinha se dado conta de quem era a pessoa nos braços de Mike.
Os pais do baixista se aproximaram mais discretamente, abraçando o filho, enquanto Ester cumprimentava os outros. Deu um beijo estalado no rosto do baterista e do baixista e então parou de frente para Oliver.
– Meu Deus! Como você cresceu, Oliverito! Está ainda mais bonito.
Mike e Andy trincaram os dentes.
– Bem, estava mesmo com saudades, mas precisamos ir logo para o hotel, temos um show essa noite e ainda nem ensaiamos. – O mais velho disse, com um nervosismo evidente na voz.
– O que é isso, Mike? – A mãe perguntou e voltou-se para o manager, esquecido do outro lado. – Aposto que o Robert não vai se zangar se os pegarmos emprestados um pouco, não é? Que tal um jantar amanhã a noite, depois que já tiverem arrumado tudo?
– Não vejo problemas. – Robert respondeu. Era impossível resistir à Sra. Asten.
Andy suspirou e Mike pressionou os olhos com os dedos. Não queriam nem imaginar como seria aquilo.
***
Oliver estava ansioso na hora de entrar no palco. Andy passara o dia todo meio estranho, se recusou a fazer as “ceninhas” com ele, durante o ensaio. Robert reclamou, mas a única coisa que o maior falou foi “Quero experimentar uma coisa, mas vai ficar muito mais interessante se a reação do Oliver for espontânea”. Até Thalita parecera apreensiva quanto a isso e conversou com ele a sós, mas o mais novo apenas sorriu para ela e murmurou alguma coisa que o guitarrista interpretou como “Vai ficar tudo bem”.
Bem, agora não adiantava ficar pensando nisso. Andy aprontaria alguma coisa durante o show, ele tinha certeza, mas não havia como impedir o irmão, quando ele colocava alguma coisa na cabeça.
Entraram no palco. Gritos, muitos gritos.
A primeira música terminou sem grandes novidades, Andy fizera exatamente como combinaram nos ensaios anteriores. Olhares, cantar olhando nos olhos. Essas coisas.
Parte das luzes se apagaram, Lucca deu o ritmo e em seguida parou, deixando apenas a guitarra de Oliver soar no estádio.
– No one knows how you feel... (Ninguém sabe como você se sente...) – Andy começou, andando em direção ao irmão. – No one there you'd like to see... (Ninguém lá que gostaria de ver...)
Aquilo estava nos planos.
– You write ''help'' with your own blood... (Você escreve “socorro” com o seu próprio sangue...) – Cantou, quando já estava próximo ao ouvido dele, e então contornou seu corpo. – Cuz hope is all you've got. (Porque esperança é tudo que você tem.)
Bem, aparentemente, Andy seguiria o planejado naquela música, também.
O maior se afastou do guitarrista e ficou no meio do palco, com um dos braços esticados, cantando para a platéia.
– I don't want to cause you trouble, don't want to stay too long. (Eu não quero te causar problemas, não quero ficar muito tempo.) – E foi andando em direção a borda do palco, então dobrou o corpo, já na beirada, e começou o refrão, segurando o microfone com as duas mãos. – Turn around...! (Vire-se...!)
As meninas da grade gritaram ensandecidas com a proximidade tão grande do vocalista.
Andy continuou seguindo o roteiro, animando o público, enquanto caminhava pelo palco. Dado certo momento, voltou-se em direção ao irmão e parou a pouco menos de um metro dele. Olhava para o chão.
– I don't want to cause you trouble... (Eu não quero te causar problemas...) – Cantou em tom de confissão e então ergueu o olhar, encarando o mais velho. – Don't want to stay too long, I just came here to say to you I am by your side... (Não quero ficar muito tempo, eu só vim aqui para te dizer que estou ao teu lado...)
E foi o que o maior fez, após praticamente sussurrar “Just for a little while” (Mesmo que por pouco tempo), que surpreendeu Oliver. Os joelhos do irmão se dobram e ele caiu no chão, perante o mais velho. Segurou o microfone com ambas as mãos e bradou, sem desviar o olhar.
– Turn around, I am here! If you want it's me you'll see! Doesn't count, far or near... I can hold you when you reach for me! (Vire-se, eu estou aqui! Se quiser é a mim que você verá! Não importa, longe ou perto... Eu posso te apoiar quando me procurar!)
Aquilo era demais! Ver Andy daquela forma, de joelhos, olhando para os seus olhos e cantando como se cada uma daquelas palavras estivesse sendo ditas exclusivamente para eles, fez com que um arrepio sobrenatural percorresse sua espinha.
Mas não teve muito tempo para contemplar aquela situação, ao terminar a frase, o gêmeo já estava de pé e de costas para ele. Por pouco tempo.
O vocalista fez questão de gritar cada um dos “Turn around!” (Vire-se!) do encerramento praticamente colado no irmão, o que até o obrigou a dar alguns passos para trás, para evitar que realmente se chocassem.
A última parte foi cantada para a platéia e apenas na última frase – “We'll make it if we try” (Podemos conseguir se nós tentarmos) – Andy lançou um olhar discreto, imperceptível, para o guitarrista de dreads que tocava ao seu lado.
***
– Vocês dois têm uma ótima dinâmica no palco, não é mesmo? – A mãe de Mike falava, com um sorriso no rosto, enquanto conversa com Andy sobre o show da noite anterior.
– Ah, eu e o Oliver somos gêmeos, não é? Não há como ter uma dinâmica ruim. – Ele sorriu de volta e levou a taça de vinho de volta aos lábios.
Estavam em um restaurante extremamente luxuoso e de muito bom gosto, escolhido pela Sra. Asten, aparentemente ela e a filha já haviam jantado ali, uma outra vez, durante a viagem.
Escolheram duas mesas grandes, na área mais afastada do salão do restaurante, próximo a uma grande sacada.
Em uma mesa próxima a do irmão, Oliver analisava a taça sem muito interesse, enquanto Ester conversava com Mike sobre alguma a coisa que ele não dava muita atenção. Quando a garota se retirou, dizendo que precisava ir ao toalete, algo passou pela mente do guitarrista.
– Mikey... Sua irmã beija bem?
O baixista levantou a cabeça e estreitou os olhos ao encarar o amigo.
– Pra que você quer saber? – Tentou fazer a perguntar soar natural, mas não conseguiu impedir o tom ciumento escapar por seus lábios.
– Eu não to afim da Ester, só estou curioso.
A expressão de Mike voltou a relaxar.
– E ela beija bem ou não?
– Cara, como vou saber?
– Você nunca teve curiosidade de saber? – Perguntou, tentando se lembrar de quais foram as palavras que a fã maluca tinha usado com ele.
O mais velho encarou o amigo, curioso com o porquê das perguntas.
– Oliver, eu só tenho curiosidade de saber como é o beijo das pessoas que eu quero beijar. – Voltou a estreitar os olhos. – Você tem certeza...
– Não, Mike, não quero pegar sua irmã. – O guitarrista respondeu irritado e levantou da mesa.
“Eu só tenho curiosidade de saber como é o beijo das pessoas que eu quero beijar.”.Mike era um idiota. Ele não queria beijar o Andy e estava curioso. Qual era o problema nisso? Uma coisa não tinha nada a ver com a outra.
Ou, pelo menos, era o que ele esperava.
Andy observou o irmão a se retirar da mesa e ir em direção a sacada com uma leve expressão de irritação. Educadamente, pediu licença a Sra. Asten e se retirou.
– O que há? – Perguntou, ao encontrar Oliver, do lado de fora, debruçado sobre pilares e olhando em direção a rua.
– Nada. – Respondeu, sem encarar o mais novo. – Só estou um pouco cansado.
O vocalista se aproximou silenciosamente do gêmeo e o envolveu pela cintura, escondendo a cabeça em sua nuca.
– Andy? – O guitarrista estremeceu com o toque do outro e se virou para ele, ficando cara a cara. Riu, com um pouco de nervosismo. – A gente não precisa fingir aqui, não tem nenhum paparazzi por estes lados...
Andy desenroscou os braços da cintura do irmão, e apoiou as mãos nos pilares, uma de cada lado do corpo do menor. Desviou o olhar e prendeu a respiração por um segundo.
– Oliver, eu... Já parei de fingir faz muito tempo... – Ergueu o olhar para o semblante assustado do mais velho e deu uma risada suave, enquanto roçava seus lábios no dele, timidamente.
O guitarrista permaneceu imóvel, chocado demais para esboçar qualquer tipo de reação. Andy não chegou sequer a pressionar os lábios dos dois, foi apenas aquilo, um roçar. Depois deu as costas e voltou para dentro do restaurante.
– Merda... – O mais velho pronunciou ao se dar conta de que o único pensamento que passava pela sua cabeça era a constatação de que, sim, os lábios de Andy são macios.
Notas finais
SHAUSHAUSHAUSHAUS
Então, minhas flores, o momento mais aguardado de todos!
Gente, eu queria escrever essa cena desde a primeira linha da fanfic, mas agora estou com medo que não tenha agradado XD
Desculpem o atraso, mas, poxa, esse capítulo ficou enorme, vai! (Pelo menos, comparado aos outros... SASHUAHUASS)
Ah, outra coisa! Acho que vou viajar nesse feriado, volto no domingo, a tarde, o problema é que não sei se o capítulo já vai estar pronto :x Mas, relaxem, de segunda feira, não passa!
(Tenho a impressão de que minhas notas são maiores que os capítulos, sério... SHAUSHAUSHAHUS) ♥
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