A Promessa (Hiatus)

5 Capítulo 04 – Fallen


Notas iniciais
Olá gente o/ Demorei mais do que queria, mas enfim consegui terminar esse capítulo. Boa leitura *--*

Capítulo 4 – Fallen

“Save me from my fear”

All I Need | Within Temptation

Se Natsu tivesse que definir como estava sendo aquele jantar em apenas uma palavra com certeza seria surpreendente. Começando pelo fato de que a primeira coisa que a princesa fez ao se aproximar do grupo foi se curvar e agradecer por ser aceita na mesa de todos, o que causou uma grande comoção entre as pessoas, fazendo a maioria ficar estupidamente chocada.

Contrariando a tudo o que a população do vilarejo pensava até aquele momento, ela era gentil, atenciosa e se mostrava grata a cada vez que alguém lhe oferecia algo, nunca deixando de mostrar um sorriso radiante.

Os olhos ônix de Natsu acompanhavam cada movimento dela com precisão, não deixando passar nada despercebido. Mesmo que jamais fosse admitir em voz alta estava achando tudo aquilo muito incrível e pensou por um momento em deixá-la ir embora, mas seus pensamentos voltavam ao expurgo da Fairy Tail, aquilo não podia ficar impune, Jude merecia sofrer e chegou à conclusão de que para isso, ela jamais voltaria para casa. A vida da garota agora pertencia a ele, assim como seu destino.

Ao término de tudo Lucy fez questão de ajudar as outras mulheres a limpar a mesa e arrumar tudo, o que mais uma vez levou a todos a ficarem em choque por alguns segundos. Natsu riu ao ver o fascínio dela quando Juvia estava lavando os pratos, provavelmente nunca tinha presenciado uma cena simples como essa, mas que fazia parte do cotidiano de pessoas normais.

Quando terminaram de organizar tudo já era tarde da noite. Lucy caminhou até ele que permaneceu encostado em uma árvore próxima desde o início da limpeza.

– Se divertiu? – perguntou com um leve sorriso.

– Sim – ela parecia incomodada.

– O que foi?

– Eu gostaria de lavar o meu corpo – virou-se de lado na tentativa inútil de esconder a face rosada.

– Está tarde para isso princesa e eu não tenho água suficiente em casa, mas se faz tanta questão posso te levar até o lago – ele observou a expressão admirada dela.

– Eu nunca entrei em um lago antes – sorriu – Que magnífico.

– Demais – disse se encaminhando até Juvia – Pode emprestar as coisinhas de mulher para a princesa tomar banho?

– Claro, só um segundo – entrando em casa.

Depois de alguns minutos ela voltou com uma camisola fina e um pequeno saco.

– Aqui está – entregou a Natsu – Pode ficar com esses para que ela use todos os dias – sorriu.

– Obrigada Juvia, prometo não bater no Gray nas próximas horas.

– Engraçadinho – o moreno apareceu atrás da mulher – Boa noite princesa – acenou para a loira ao lado do amigo.

– Boa noite – ela vez uma breve reverência.

– Ok, ok, vamos de uma vez – Natsu disse começando a ficar impaciente.

A caminhada até lá não era das mais longas, mas mesmo assim levaram algum tempo. Lucy constatou que em volta do vilarejo havia mesmo uma barreira mágica, pensou em perguntar a Natsu sobre isso, mas acabou desistindo, ele estava sério e parecia pensativo, talvez não fosse uma boa ideia incomodá-lo.

Quando chegaram a uma clareira ela ficou maravilhada, o lugar era lindo e a luz da lua refletida na água a deixava ainda mais perfeita.

– Á vontade princesa – Natsu sentou em uma pedra apoiando os braços atrás enquanto a encarava intensamente, seus olhos transbordavam expectativa.

– Você vai ficar olhando? – um frio na barriga se instalou nela ao supor que ele a veria nua.

– Sinta-se satisfeita por eu apenas ficar olhando – sorriu de lado com a expressão temerosa da garota.

Estava prestes a se virar para que ela se sentisse mais segura quando foi tomado por uma sensação perturbadora. Olhou em volta procurando a pessoa que os estava vigiando, uma leve tremida em um dos arbustos denunciou a presença de alguém.

– Princesa, vou te deixar fazer isso sozinha – levantou – Seja breve.

Ela ficou sem entender, mas apressou-se em tirar as roupas e entrar no lago depois que ele entrou na floresta novamente. A água era mesmo revigorante, podia sentir o cansaço, as dores, tudo saindo de seu corpo trazendo uma sensação de paz e tranquilidade. Olhou para a entrada da floresta mais uma vez, onde será que ele tinha ido?

{...}

O vestido de Ultear era tão negro quanto seus cabelos.

Quando seus olhos pousaram em Natsu ela sorriu sarcasticamente. Suas feições eram bem mais hostis do que no encontro anterior e era perceptível o quanto ele estava atento, seria impossível para ela o marcar sozinha com o símbolo de Zeref, item completamente necessário para que ele tomasse o corpo do draconiano. Mesmo que fosse habilidosa tinha que admitir que precisava da ajuda de alguém que convivesse com filhos de dragões, ela tinha que encontrar Minerva a todo custo. Mas isso era algo que se preocuparia em outro momento.

– Apenas um dia e já está trazendo a princesa para brincar Natsu Dragneel?

– Você demorou – ignorou a pergunta/piadinha dela.

Ultear suspirou pesadamente cruzando os braços.

– Não vim para busca-la – Natsu manteve-se quieto – Apenas para dizer que Zeref ainda não está pronto para recebê-la. Seu corpo está instável nessa atmosfera.

Ele franziu o cenho – Pensei que fosse fazer um ritual para ele, em nome dele, não que aquele cara estaria presente.

– Sim ela morrerá – indiferente com a vida da princesa – Mas ele quer... sabe, usufruir primeiro.

O draconiano cruzou os braços começando a se sentir irritado, aquela conversa não estava indo por um caminho agradável.

– Vai entregar a garota nas mãos dele?

– Ele quer o corpo e a alma dela, o que eu posso fazer? – perguntou retoricamente enquanto avaliava a expressão enojada do homem a sua frente – Não faça essa cara, você não é nenhum santinho, sei bem de várias coisas semelhantes que já fez no seu passado, inclusive obrigar garotas a..

– Não teste a minha paciência sacerdotisa, ela não é muita – interrompeu a mulher sentindo a irritação chegar ao nível máximo, mais um pouco e tinha certeza que iria acabar matando ela sem nenhuma misericórdia.

– Enfim, já fiz o que vim fazer. Só preciso que fique com ela por mais alguns dias – ameaçando adentrar na parte escura da floresta.

– Ultear – chamou com a voz mais grave que pôde fazendo-a se virar curiosa – Leve essa menina enquanto eu ainda permito, se eu decidir ficar com ela nem o seu Deus vai conseguir tirá-la de mim.

Ela sorriu – Isso é algo que eu realmente gostaria de ver Natsu Dragneel – e sumiu mais uma vez sem deixar rastros.

{...}

Quando Natsu finalmente voltou a clareira a única coisa que era visível era uma cabeleira loira na água, ele bufou em reprovação, depois de tanto tempo ela ainda não havia terminado.

– Pretende ficar aí a noite inteira? – perguntou ríspido, a conversa com Ultear ainda ecoava em sua mente.

– Desculpe, eu só... – fez menção de sair da água, mas ele fez um sinal para que ela parasse.

– Talvez seja uma boa ideia – ele sorriu e Lucy ficou sem entender o sentido daquela afirmação. Quando Natsu tirou a camisa ela sentiu o coração falhar e mais ainda quando ele entrou no lago, mas ao contrario do que tinha pensado que ele faria, manteve-se afastado. E ficaram simplesmente assim por algum tempo.

– Princesa.

– Huum?

– Você já ficou em dúvida sobre algo? Sabe, entre fazer o que você quer ou o que você precisa – ele a encarou atentamente.

– Claro, acho que todo mundo já passou por isso.

– E o que você escolheu? – visivelmente interessado.

– O que era certo – levantou a cabeça para olhar as estrelas – Nem sempre temos as respostas, mas talvez seja porque está na hora de mudar as perguntas.

Natsu pareceu pensar nisso por um tempo.

Há muitos anos ele desejava se livrar daquela maldição, mas por algum motivo algo gritava dentro dele que aquela não era a maneira correta. Ela não merecia morrer, muito menos ser escravizada por um Deus que só visa fazer o mal sem nem precisar de motivo para isso. Mas ele também não tinha a mínima intenção de devolvê-la para o reino de Magnólia. O que o deixava sem muitas opções.

Pousou seus olhos na princesa novamente. Dentre tudo o que podia fazer, escolheu a que mais parecia ser uma loucura.

Vou quebrar aquela promessa, mesmo que para isso tenha que prendê-la a mim”.