A Promessa.
2 Poesias.
Notas iniciais
9 da manhã. Quinta-feira.
Abri os olhos.
Não quis me levantar.
Fiquei deitado, vi que horas eram.
De repente, alguma voz me chamava.
Era minha mãe
– FILHÃÃÃO! — Gritava minha mãe. — VOCÊ TEM VISITA!!
– QUEM É? — Respondi
– UMA MENINA DIZENDO QUE TE CONHECE DA FESTA DE ONTEM!!
– JÁ ESTOU INDO!!
– OK, FILHÃO!!
– OBRIGADO POR AVISAR!! VOCÊ É UMA ÓTIMA MÃE!!
–VOCÊ QUE É UM ÓTIMO FILHO, TE AMO!!
– POR QUÊ ESTAMOS GRITANDO?!
– EU NÃO SEI!!
Desci as escadas com sono ainda.
– Oi! — Ann disse, sorrindo. Eu achei que aquilo da festa era apenas algo que alguém falou por estar bêbado ou algo assim. Era de verdade..ela queria MESMO fazer alguém que acabara de conhecer em uma festa sorrir.
– Oi, Anna. — Respondi.
– Por favor, me chama de Ann.
– Ok então.. oi, Ann.
– Como vai?
– Mal, e você?
– Vou ótima também. — Brincou.
– Hm...legal. — Falei. — Diga, por quê você veio até minha casa?
– Eu vim te levar pra dar uma volta.
Andando por aí, ela tentava decifrar o que me chateava o tempo todo.
– Então... o que te deprime tanto?
– Olha, eu nem sei mais direito o que me deprime..eu só não consigo ficar feliz com nada.
– Você parecia feliz com sua mãe.
– É só algo que ela faz quando temos visita. Na maioria do tempo, ela só grita comigo por qualquer coisa.
– Sério?! E você já tentou conversar com ela?
– Claro, mas ela não quer saber.
Ela parou de andar.
– Olha, pra você eu tô parecendo super feliz agora, certo?
– Toda alegrinha, serelepe e pimpona. — Brinquei. — Porque pergunta?
– Meus pais são dois idiotas. Nunca me deixam fazer nada. E não do tipo daqueles que não deixam porque sabem que aquilo é ruim pra você, e sim do tipo que têm medo do mundo.
– Eita...
– Já sei.
– Já sabe o quê?
– Faça as malas. Vamos fugir.
– Mas hein?! Isso parece meio clichê, dois jovens fugindo por aí porque...
– Não esse tipo de fuga, besta! — Ela ficou vermelha, olhou pro lado e deu um soco no meu braço. — Nós dois somos oprimidos por pais. Então, se eu quiser ver um sorriso na sua cara, vamos ter que sair de casa pra opressão e depressão não voltar.
Parei pra pensar um pouco sobre isso.
–...ok então, eu acho.
– Corre pra casa, faz as malas e sai correndo de lá e me encontra aqui!
Eu não tinha escolha. Estava com vários conflitos familiares sem solução. Algo como:
1 — Meu irmão é um cuzão (até rima). Eu tento ser gentil com ele, mas tudo que ele faz é ser irritante, ignorante, arrogante, e tomar refrigerante...de uva.
2 — Meus pais me culpam por tudo. O notebook que meu pai nunca me deixou tocar quebrou? Fui eu. A aliança da minha mãe foi parar de baixo da cama? Fui eu.
3 — Eles nunca concordam comigo. Eu quero ir ver o filme do Dragon Ball Z com os dubladores originais e tal? Não posso. Vamos ir ver o "É o Fim", que também é legal, mas temos que sair 30 minutos depois do filme começar por eles acharem muito impróprio por apologia á drogas (Se Beber Não Case têm até um travesti mostrando o pinto e os peitos e mesmo assim eles deixam).
Eu estou começando á gostar dessa idéia. Arrumei minha vida toda numa mochila, peguei alguma grana de meus pais e saí de volta pro lugar de onde eu e Ann estávamos...que não é nada mais, nada menos que a esquina da minha rua.
– Você veio! — Ann disse, se iluminando quando me viu. Ela continuava usando uma touca amarela, mas agora estava de regata branca e shorts. Corpo bonito, Ann.
– É... — Falei, ainda meio que impressionado com sua beleza corporal. — pra onde iremos, afinal?
– Aonde você quer ir?
– Eu não sei...
– Você gosta de poesia?
– Eu faço algumas, por quê?
– Porque eu conheço um lugar onde pessoas de todas as idades vão recitar suas próprias poesias, ou suas poesias favoritas.
Chegamos lá, e eu vi adolescentes até idosos recitando poemas. Isso me alegra, mas o sorriso ainda não consegue chegar.
– Ei, meu jovem! — Disse um simpático senhor de boina e camisa xadrez verde, que estava em uma cadeira de rodas. — Você tem algum poema?
– Eu sou novo aqui e...
– Ele faz os próprios poemas. — Ann disse, interrompendo-me.
– Então vem cá, meu rapaz. Diz aí qual é o seu poeminha! — Disse ele.
– Hã.. ok. — Falei, meio timido.
Eu fico sozinho na escuridão
O inverno da minha vida veio com precisão
Memórias voltam à infância
Para dias que eu ainda tenho em recordação
Ah, como eu era feliz
Não havia tristeza
Não havia sofrimento
Caminhando pelos campos verdes
A luz do sol enchia meus olhos em todo momento.
Eu ainda estou lá, em toda parte
Eu sou o pó no vento
Eu sou a estrela no céu do norte
Eu nunca fiquei em outro lugar
Eu sou o vento que nas arvores esta á soprar
Você por mim iria esperar?
Todos gostaram do poema. Ann ficou deveras impressionada, particularmente. Seus olhos brilhavam mais a cada verso que eu dizia, suas bochechas coravam a cada palavra, e no meio das palmas, eu consegui ouvir ela sussurando para eu não ouvir "Eu iria. Eu vou".
Um tempo depois, eu aproveitei e escapei da multidão simpática e poética por um tempo pra tentar escrever mais um poema do qual eu não queria falar sobre. Era sobre Ann. Eu realmente estava começando á gostar dela. Talvez...amá-la. Eu não sei... o jeito que ela falou que ela prometera me fazer sorrir, suas idéias, o jeito que ela sorria..tudo me alegrava. Quem sabe, se a depressão não tivesse tomado tanta conta de mim tão fortemente, eu teria sorrido antes. Peguei um caderninho, tirei um lápis de meu bolso e escrevi algo inspirado na música Roulette, de uma das minhas bandas favoritas , System Of A Down:
Eu tenho um problema que não consigo explicar
Sem razões para claramente falar.
Não tenho perguntas, mas desculpas eu uso
Eu até gosto da razão pela qual eu deveria estar tão confuso
Eu sei como me sinto quando estou perto de você
Eu não sei como me sinto quando estou perto de você.
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