A Promessa.
3 Astronauta.
Uma das senhoras nos ofereceu abrigo por uma semana na casa dela, já que tinhamos explicado que estávamos fugindo de nossos pais por eles não resolverem bosta nenhuma nas nossas vidas.
De noite, fomos dormir no porão, onde tinha uma cama de casal velha. Antes de dormir, estávamos conversando.
– Você têm algum lado que não seja depressivo, Harry?
– Bom...tenho o lado criativo, mas ele faz parte do depressivo. O meu lado romântico também, por eu ser carente. Meu lado infantil deve ser o único que não faz parte do lado depressivo.. e você?
– Bom, eu tenho esse meu lado alegre e todo radiante, mas no fundo eu sou mais ou menos que nem você, só que com medo. E ao mesmo tempo, eu aprecio esse medo. É como se eu tivesse um lado escuro.
– Como a lua... — Falei, olhando para a janela. — O lado brilhante é o que nós vemos, mas o lado escuro poucos conhecem. Como a lua, tão bonita e brilhante ali no céu..perto porém longe ao mesmo tempo. — Seus olhos brilhavam á cada vez que eu falava. — Sabe, eu sempre quis ser astronauta.
Continuei olhando pra janela e percebi que ela não estava falando nada ou algo do tipo.
–..Ann? — Falei e me virei pro lado. Ela estava com as bochechas vermelhas, os olhos brilhando olhando pra mim, impressionada com minha melancolia. Depois de um momento, ela "acordou" do transe.
– O-oi, é. A lua. Certo. — Ela disse, envergonhada e olhando pro chão com um pouco de poeira. — Eu..vou dormir agora. Boa noite! — Falou ela, nervosa. Ela se cobriu rapidamente no lençol e virou-se pro outro lado. Eu estranhei por um momento..quer dizer, eu só falei que ela parecia a lua, e que eu queria ser astrona...oh.
Me deitei logo em seguida. Eu estava nervoso e vermelho também, porque eu estava me deitando na mesma cama que ela.
– Ha..Harry? — Ann disse no meio da noite, meio que tremendo. — Eu estou com frio..você podia me abraçar? — Eu que gelei quando ouvi isso. Mas deu pra entender. A janela fechada, uma noite fria pra cacete, e um lençol fino pra cama. E, eu confesso, eu até gostei de ouvir isso.
– O lençol não aquece o suficiente? — Eu falei, com um puta nervosismo.
– Se não quiser, tudo b.. — Eu a interrompi abraçando-a. — Oh..é..obrigada.
– Disponha. M-melhorou?
– Er..mais do que você imagina.
**
Dia seguinte, acordamos cedo e fomos tomar café em um posto de gasolina perto da casa da senhora. Não queríamos incomodar a senhora que ainda estava dormindo...mas cara, como eu queria ter incomodado a velha.
Estávamos comendo bolo e café, e conversando sobre algumas coisas, quando de repente, Ann percebeu uma pessoa.
– David? David, é você? — Ela disse, olhando pra um rapaz no balcão tomando refrigerante. Ele deu uma golada rápida e olhou pra trás.
–..Ann? — Disse ele, sorrindo.
– David! — Ela correu até ele. — Ai meu deus, quanto tempo!
– É! Cara, você tá tão linda.
– Haha, obrigada..
– E aí, quais são as novas?
– Nada de mais, só viajando por aí. E você?
– Nada, só tomando um refri, ouvindo música coreana..
– Você quer dizer K-Pop?Ai meu deus, eu amo k-pop!!
– Não brinca!
– Sim!
– Minha nossa!
– Pois é!
A conversa estava boa ali...eu me senti meio que excluído pois a garota que me prometera sorrir está simplesmente indo sorrir com outro cara. "
– Bom..eu estava só tomando café com um amigo meu, o Ha... — ela olhou pra cadeira aonde eu estava sentado. "Ah, dá um tempo, Harry. É só um conhecido que ela não vê faz tempo e tudo mais." — pensei. Até que eu ouvi ele dizer:
– Sério, você tá perfeita agora. Mais linda, impossível. Que tal a gente sair um dia desses?
– AGORA JÁ DEU! — Gritei, dando um soco na mesa e me levantando de onde sentei. Todos na cafeteria do posto estavam me olhando. — ...agora já deu de tomar leite. Eu vou querer um suquinho de laranja sem açúcar, por favor. — disse, tentando limpar a cagada que eu fiz. Foi uma vergonha.
Após me sentar, eles combinaram de dar uma volta naquele momento. Eu tinha ficado lá, abandonado feito um cão arrependido.
Eu voltei pra casa da senhora, cujo nome seria Margaret. Tinha uma plaquinha do lado da porta escrito "Casa da Margaret" e eu nem percebi!
Após uns 20 minutos, ela voltou também.
– Ei! — Ela me cumprimentou, sorrindo. Eu estava largado no sofá vendo desenhos e tomando sorvete.
– Ei. — Falei.
– Por quê você não me esperou no posto? Eu só tinha ido dar uma volta com o David.
– Eu deveria estar lá?
– Sim!
– Por quê?
– Porque eu só fui dar uma volta com o David e voltar pro posto! — Ela respondeu a mesma coisa. Ela parecia irritada. Ela é linda irritada.
– Mas você nem avisou nem nada... — eu falei num tom baixinho, olhando triste pro meu sorvete. — Só me deixou falando sozinho ali no posto e saiu correndo pra ver o cara lá. Daí eu percebi que não tinha mais porque eu estar lá, paguei a conta, comprei um sorvetinho e vim pra cá.
– Mas não era pra você fazer isso! Era pra você esperar eu voltar.
– Ok..próxima vez que você me excluir no meio de uma cafeteria de posto, eu paro e te espero.
O rosto irritado de Ann se desmanchou e ela percebeu que tinha deixado o amigo depressivo que ela prometera fazer sorrir no meio de um posto de gasolina falando sozinho.
– Harry...meu deus do céu, desculpa. — Ela dizia, arrependida.
– Tá tranquilo. Eu já me acostumei com isso.
**
Dia seguinte, David e Ann estavam conversando enquanto caminhavam na rua. Ann me obrigou a ir, então eu fiquei atrás deles ( já que calçadas são anti-trêspessoasladoalado). Ele continuava com aquelas frases prontas..e cara, isso me irritava! Digo, dá um tempo. Qualquer um que pesquisasse no facebook alguma página de românce adolescente, eu faria melhor do que aquele viado. Melhor!! E DAS PIORES!!
– Ok, eu vou no banheiro e já volto.. — Disse Ann rindo, e se direcionando á um banheiro de uma lanchonete ali.
– Ela não é linda? — Disse David, depois que ela se afastou.
– É.. — falei.
– Eu acho engraçado como ela reage ao meu papo.
– Como assim?
– Ah, sei lá. Eu falo qualquer merda e ela dá risadinha. Eu faço isso com várias meninas, você não?
COM VÁRIAS MENINAS?! Aquele..sujo. Convencido. Sádico, comedor de merda, boqueteiro, fodedor de bunda, cheirador de pênis, aproveitador, bebedor de sêmen, estrupador, nazista, pedófilo, necrófilo, pervertido, sem vergonha, sem cabeça, sem pinto, bebedor de urina, acavalado, filho de exú, egocêntrico, CUZÃO FILHO DE 23 PUTAS!
..perdoem-me o linguajar. Eu só estou irritado com isso.
Ann voltou e continuamos aquela caminhada horrível.
Na casa da senhora, eu fui conversar com Ann.
– Ann..
– Espera um minuto. — Disse ela, ao telefone com...olha, eu me recuso falar o nome desse idiota tantas vezes nesse capítulo. — Desliga você..não, desliga você! Vamos nós dois juntos. Um, dois e.. já! Pronto, pode falar.
– Eu tava pensando, já que você gosta tanto de caminhar, quer ir dar uma volta..só nós dois?
– Eu não gosto de caminhar. Quem disse que eu gosto?
– Mas você fez isso umas 3 vezes com o David..
– Não, estavamos passeando. Passear é legal.
– Bom..então você quer ir passear?
– Não! — Ela tinha me respondido como se eu tivesse dito a coisa mais infantil do mundo.
Aquela noite, eu fiquei tão furioso que nem dormi direito. Dia seguinte, encontrei com David na rua.
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