O tempo passou rápido. E quando cheguei à escola, um terrível
silêncio abalava ela.

- Que merda! Odeio chegar atrasada! – eu disse para as paredes
e saí correndo para a sala.

Entrei e enquanto caminhava até minha mesa reservada por Demi,
todos me fitavam com os olhos. Vi Sophy me perguntar com gestos: “o que aconteceu?”. E Loghan piscou para mim. Eu revirei os olhos e sentei.
Disfarçadamente, Demi me perguntou:

- Você está ficando doida? Quer nos matar do coração?

- Eu não tive culpa. Mas o que aconteceu?

- Foi assim...

- Rummm...! – O professor de história limpou a garganta e
olhou para nós – Senhorita Prince. Poderia prestar atenção na minha aula? – ele olhou para a classe e disse – Além de chegar atrasada, não presta atenção na aula, uma garota dessas. Por isso eu odeio adolescentes! – disse fazendo uma careta e virando-se novamente para o quadro.

Durante a aula eu passei um bilhete para Demi: “o que aconteceu?”. E ela respondeu: “o próximo tempo é vago e
vamos esclarecer as coisas.”.

No tempo vago estavam reunidos Lorena, Ágatha, Christopher
irmão de Cristian que não estava lá, Sophy, Demi e eu.

- Onde estão Henry e Cristian? Seja lá o que foi que
aconteceu, também afetou eles, não é mesmo? – eu imaginava ser uma doença altamente contagiosa ou algo sobrenatural.

- Eles não vieram hoje porque não conseguiram esconder – disse
Sophy.

Eu estava começando a ficar assustada. Nunca tínhamos nos
reunido antes por motivos que não fossem provas e trabalhos.

- O que eles não conseguiram esconder? Desembucha logo, merda!
– eu explodi e todos me olharam pasmos.

Eu então respirei fundo e falei calmamente.

- Desculpa Sophy. O quê aconteceu exatamente e sem corte e
enrolação?!

- Conta Demi – Sophy pediu agarrado o braço de Chris, muito
íntimos em minha opinião.

- Está bem, o que aconteceu foi o seguinte: Cristian, Lorena e
Henry foram marcados. Assim como no House of Night.

Eu não me aguentei e ri.

- Ah! Fala sério. Não acredito que vocês fizeram eu me
estressar por causa disso. Gente, hoje nem é primeiro de abril.

- Isso é verdade, Alice. Eu também fui marcada.

- O quê? – todos perguntaram ao mesmo tempo. E Ágatha, até
então calada se explicou.

- É como eu disse. Eu também fui marcada.

- Por que você não contou antes? – Demi perguntou.

- Por que eu não sabia que era um assunto popular – ironizou
olhando com desprezo para os vários amigos que formaram uma roda em volta de mim — Ia contar só para as três juntas. – ela se explicou apontando para Demi, Sophy e parou olhando para mim. Eu não entendi o que ela queria dizer e falei estressada.

- Olha, eu não estou entendendo po... – eu percebi que estava
para dizer um palavrão e me controlei. -... Éh. Nada. Onde está a sua marca, Ágatha? E a sua Lorena? E ainda não acredito que existam vampiros, morada da noite e essas coisas.

- Eu também não acreditava. – Chris largou Sophy bruscamente e
todos olharam para ele – Na verdade eu não fazia a mínima ideia do que tinha nesses livros que vocês leem. Até que meu irmão começou a sentir um estranho formigamento no rosto e desmaiou. Quando acordou estava com uma lua bem na testa.

Quando ele falou aquilo toquei minha testa. Eu também estava
sentindo um estranho formigamento. Será que também vai acontecer comigo?

- Continuando. Porque parece que tem gente que não está
prestando atenção – Chris falou sarcasticamente para mim – ele não veio hoje porque não conseguiu escondê-la. Ele pensou que fosse eu que tivesse feito isso com ele. Mas ele não conseguiu tirá-la e acreditou. Graças à Sophy que conhece os livros. – ele olhou para Sophy que corou e mostrou um lindo e infantil sorriso – minha mãe ficou preocupada, mas teve que aceitar. Mas o que vocês fizeram com as marcas de vocês? – falou para Ágatha e Lorena.

- Eu passei muita maquiagem mesmo nela. – disse Ágatha.

- Eu também. – assentiu Lorena.

- Me respondam mais algumas perguntas. – eu falei andando por
entre todos – Primeiro: por que era tão importante essa “reunião”? Segundo: por que isso tá acontecendo? Sem falar que se existe morada da noite, não temos uma aqui!

- É claro que temos! – disse Chris – quando Cristian foi
marcado, um homem que se dizia “rastreador”, disse onde tinha uma e que ele tinha que ir o quanto antes.

- É verdade, Alice. Você precisa acreditar. Você é a que mais
conhece sobre isso. – disse Demi.

Eu pensei: Meu Deus! Se isso for verdade Vai sobrar pra mim. E
eu não faço a menor ideia do que dizer a eles. Respirei fundo e falei séria,
estávamos praticamente sozinhos na sala.

- Está bem, estou começando a acreditar. Então hoje teremos
que visitar Henry e Cristian e levar os quatro para a morada – eu disse olhando para Ágatha e Lorena – Mas eu não tenho a mínima ideia do que vocês terão que fazer quando chegarem lá.

Eu me virei e dei de cara com Rafael sentado em cima da mesa
observando.

- O que esse garoto estava fazendo aqui o tempo todo?

- Eu estava apenas observando a sua maneira de lidar com os
problemas dos seus amigos.

- Cala a boca garoto. Você não tem mais o que fazer além de
ficar ouvindo a conversa dos outros?

Eu o ignorei e puxei Demi para a porta. Sophy nos seguiu.
Aproveitando o meu primeiro momento de calma no dia, perguntei a ela
cautelosamente verificando se não havia mais ninguém ouvindo, já não havia mais ninguém na sala.

- Você e o Chris estão... estão... – gaguejei.

- Ficando? – Demi completou.

- É isso! Eu achei vocês muito íntimos e sempre juntos esses
dias.

- Não. Somos só amigos. Coloridos – ela sussurrou a ultima
palavra. Percebi que ela não queria falar do assunto então mudei. Falamos sobre coisas que não tinham nada haver com o bizarro ocorrido. E o sinal tocou.

- Merda! Mais aula chata!

- Ô garota estressada! – disse Demi.

- Você poderia evitar falar palavrões? Afinal, a próxima aula
é muito boa, podemos até dormir. – o seu jeito de ver sempre o lado bom da coisa me fazia rir sempre. Eu a tratava como se fosse uma irmã. Um pouco diferente de como tratava Demi, minha amiga de infância, que era um pouco mais insensível.

- Toda segunda é assim. E ela tem razão. Agora vamos dormir.
Quero dizer, estudar. – Demi fez o que raramente fazia. Sorriu.