Naquele dia saímos mais cedo e nos encontramos na porta do
colégio. Eu os conferi mentalmente. Os mesmos que estavam na hora da pequena reunião estavam lá, exceto por Lorena. A casa de Chris e Cristian não ficava muito longe da escola. Quando chegamos lá, fomos recebidos pela mãe dele que nos levou até o quarto dos dois. Chris abriu a porta e espiei por sobre o seu ombro. Cristian estava deitado na cama de olhos fechados e ouvindo musica.
Olhei a sua marca e parei imediatamente. Era muito linda. A Lua crescente em sua testa, mesmo sem preenchimento, brilhava com a luz. Sem falar que ela ficava mais linda por estar nele. Ele era muito grande e musculoso para os seus quinze anos. Quase não cabia na cama. Quando percebeu nossa presença, abriu os olhos e espiou quem estava lá. Seus lindos olhos azuis brilharam e ele levantou-se bruscamente.

- Ah, são vocês. Rápido, entrem – disse eufórico. Eu ainda
viajava em meus pensamentos quando Sophy esbarrou em mim.

- Merda, Sophy!

- Cala a boca e entra logo – ordenou e eu entrei seguida dos
outros.

- Oi pessoal. Tudo bem? – perguntou timidamente. Todos
murmuraram “sim” ou “claro”.

- Caraca! Ela é muito linda. – Sophy surtou no meio de todos
que calaram-se e observaram a marca. Ela a tocou como se fosse de vidro. Cristian segurou e abaixou a mão dela e os dois se encararam. Era bem visível, pois ele era bem mais alto que ela.

- Humm... Com licença... – Loghan limpou a garganta – podemos
ir direto ao assunto?

Todos riram silenciosamente. Pensei se estava havendo algo
entre os dois. Já pensou? Ela com os dois ao mesmo tempo? Fala serio, eles são irmãos! Ela parecia tão inocente. Incapaz de fazer algo do tipo.

- É claro – Cristian corou e se posicionou ao lado de Sophy –
Foi bom vocês virem aqui. E então, qual a solução para o meu problema?

- Isso não é um problema, é uma coisa boa. Você foi marcado
pela Deusa e é quase um vampiro.

- Como assim quase?

- Se você tivesse lido os livros saberia – Demi parecia
aborrecida, o que me confundiu totalmente. Não entendendo o comportamento dela prossegui.

- Você vai para a morada da noite, que eu não sei onde fica, e
vai aprender tudo sobre como os vampiros são. Você passará alguns anos até completar a transformação e sua marca se preencher – apontei para a marca em seu rosto — ou, se o seu corpo rejeitá-la, morrer.

- Quer dizer que esse troço vai aumentar? Eu não quero isso, é
muito gay! E se eu não for pra esse lugar ai? O que acontece?

- Morada da Noite, se chama morada da noite! E se você não
for, vai morrer mais cedo, pois você precisa estar na companhia de um vampiro no mínimo. E os novatos dos livros são bem bonitos. Você não tá tão mal – arqueei uma sobrancelha estudando-o.

- Valeu! Mas por que vocês não vão comigo?

- Nós não podemos, não somos novatos, não fomos marcados e nem "escolhidos pela deusa" — abri aspas no ar — Se formos pra lá, vão acabar chupando o nosso sangue. – eu dei um breve sorriso sem graça e continuei – Sério. Você tem que ir mesmo, a única coisa que podia fazer era isso, mas quando você chegar lá só terá a companhia de Lorena, Ágatha e Henry. Aliás, acho que você terá que passar essas informações a eles – eu me virei e comecei a andar e todos começaram a me seguir sem se despedir.

- Espera – eu o ignorei, mas ele segurou em meu ombro e eu
virei. – preciso falar com você. A sós – o encarei séria. Tentei imaginar o que ele queria, mas não consegui nada.

- Tudo bem pessoal. Podem ir à frente. Eu já vou. – falei
sobre os ombros e voltei minha atenção a ele – Sim... O que você queria falar a sós comigo?

- Bem... Eu preciso esclarecer uma coisa. Você já deve
imaginar do que se trata.

- Não faço a mínima ideia – interrompi estressada. Não mentia,
mas tinha um péssimo pressentimento do que ouviria.

- Quero dizer que gosto de você. Muito. E não entendo o motivo
de não ter falado antes, mas acho que essa situação fez com que as minhas esperanças se esgotassem.

- Você gosta de mim a quanto tempo? – minha voz saiu mais doce
e compreensível do que esperava.

- Isso não importa! – ele se virou e pareceu perturbado – O
problema é que eu já vou e não sei o que farei. Eu não consigo parar de gostar.

Aquela ultima frase me fez sorrir e clarear a mente. Realmente
não poderíamos ficar juntos. Eu bem que queria. Mas uma coisa eu podia fazer.

- Olha, sinto muito por essa situação. Mas... Olha pra mim! – ralhei
e ele virou imediatamente. – muito bem...

Não disse mais nada. Apenas me pendurei em seu pescoço e o
beijei. Acho que aos quatorze anos não deveria me excitar tanto. Ele sentou-se na cama e quando ia me sentar em seu colo sem querer mordeu meu lábio. Senti o gosto quente do meu próprio sangue. A primeira coisa que me veio à mente foi a Carimbagem. Ele agora sentiria atração pelo meu sangue. Pouca, mas sentiria. E isso eu não queria. Recuei imediatamente.

- Acho que tenho que ir agora – soei fria.

- hum... Tudo bem – ele não entendeu, mas aceitou. Abri a
porta e antes de sair disse.

- Ah! Foi por causa do sangue. Você entenderá. Tchau.

- Tchau – e abaixou a cabeça.

Eu saí e dei de cara com Demi.

- Que susto merda!

- Foi mal. O que aconteceu lá? Por que seu lábio está
sangrando?

- Que tal você ir lá em casa hoje a noite?

- Tudo bem. Todos já foram. Só ficamos nós duas.

- Bem, menos curiosos. Tchau. Até a noite.

- Até – já ouvi sua voz longe. Fui para casa andando e
terminando de limpar o pouco de sangue em meus lábios com a língua. Até que não era desagradável o gosto...

Notas finais
Demorei mas aí está:/ espero que gostem...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.