A Princesa e O Conde
11 Capítulo XI
Notas iniciais
Aqui está mais um capítulo para vocês.
A fic está acabando, hein... Deve ter mais 5 ou 6 capítulos. Não sei ainda. =/
Já estou me sentindo triste. E vocês?
Aproveitem!
Ficar sem o Zero é um tormento. Não tem nem doze horas que ele voltou para a casa com o Ichiru e eu já estou sentindo falta dele. Pelo menos a Yori me faz companhia. Ele me prometeu que voltaria em dois dias no máximo, mas não posso obrigá-lo a abandonar o pai (caso ele esteja realmente tão mal assim) para ficar comigo. Odiaria se ele fizesse uma coisa dessas comigo.
Como ele não iria demorar muito para voltar acabou deixando boa parte das coisas dele no quarto que ele “ocupa” (quando na realidade ele fica no meu). Seus livros e grande parte de suas roupas estavam aqui. Ajudei uma das arrumadeiras a ajeitar o quarto e o fechei. Porém de vez em quando entrava só para sentir o cheiro do perfume do Zero. Era tão bom... Ai que saudade dele!
Estava no meu quarto quando o mordomo bateu na porta anunciando uma visita. Fiquei surpresa ao saber que era o Yagari. Zero não vai gostar nada, nada disso... Ai meu Deus. No entanto, não posso mandá-lo embora. E ele sabe que eu agora estou com o Zero. Acredito que não tenha problema nenhum descer e conversar um pouco com ele. Afinal, gosto das nossas conversas.
- Bom dia, minha querida. – ele veio ao meu encontro e me deu um abraço bem forte. Depois fomos para a sala de TV. – Como está? Soube que seu noivo voltou brevemente para a casa e por isso decidi vir para conversarmos melhor. Ele te monopoliza demais quando estão juntos. – ele disse tudo isso com um sorriso no rosto, porém não chegou aos seus olhos. Não pude de me sentir meio mal por causa disso. Nunca foi minha intenção ignorá-lo. Tudo culpa do ciúmes do Zero. – Alguma novidade sobre o casamento?
- Está quase tudo pronto. Só falta mais uma prova do vestido e finalizo tudo. – não resisti e sorri ao final da frase. E pensar que só falta pouco menos de duas semanas. – Estou bem, obrigada. E você? Como estão as coisas?
- Meio paradas como sempre. Então... – ele chegou mais perto de mim e isso me incomodou um pouco. – Você não vai me contar nada sobre o fato de ter dormido com o seu noivo? – quase caí do sofá com isso. Minha cara deve ter sido hilária, pois ele soltou uma gargalhada muito alta. – Desculpe, desculpe. Não pude evitar. Plantei verde e colhi maduro. Acertei na mosca, né? – só o que eu consegui fazer, além de tentar me recuperar do choque, foi assentir. – Sabia. Bom, mais uma vez desculpa por deixá-la sem graça.
- Não faça mais isso. – falei séria. – Se fizer isso de novo, não permitirei mais sua entrada aqui. E falo sério.
- Tudo bem, tudo bem, minha querida. – ele passou a mão no meu rosto. – Não queria aborrecê-la. Enfim, mudemos de assunto? Gostaria de falar sobre seu presente de casamento. Não tenho ideia do que lhe dar. Deseja alguma coisa em especial?
- Na verdade não. A propósito, não consegui agradecer descentemente pelos presentes daquela vez. Muito obrigada mesmo. Adorei especialmente o kimono.
- Gostaria de vê-la vestindo-o em alguma outra ocasião. – ele soltou um sorriso que me deixou sem graça.
- Talvez eu faça uma festa com temática japonesa. O que me diz? – tentei desviar o foco da conversa.
- É uma boa ideia, mas eu detestaria me vestir de samurai. Prefiro um senhor feudal. – ambos rimos.
- É a sua cara mesmo! – e voltamos a rir.
Ficamos conversando até um pouco depois do lanche da tarde. Por mais que amasse a companhia do Zero, sentia falta de conversar com meus outros amigos. Yagari pode ter sido uma pessoa importante na minha adolescência, mas hoje o considero um bom amigo. E o fato dele ter me feito companhia hoje praticamente o dia inteiro é mais uma prova disso.
O jantar foi mais silencioso, pois geralmente conversava com o meu amado. Hoje, no entanto fiquei conversando com minha mãe e Kaname com meu pai. No meio da refeição meu pai anunciou que amanhã ele e mamãe viajariam para a Itália para reforçar a relação entre os países e que provavelmente ficariam uma semana fora. Não foi preciso dizer que Kaname cuidará dos assuntos do reino no lugar do nosso pai. Só de pensar em amanhã já fico desanimada. Zero só volta no dia seguinte. Ai, ai... Que saudades dele! Céus!
Por fim, fui dormir na minha cama que de repente se tornou grande demais. O cheiro dele ainda estava no travesseiro. Hum... Que cheiro delicioso. Com isso consegui dormir um pouco melhor. Faltam só dois dias, faltam só dois dias... E acabei caindo no sono profundo.
Acordei um pouco mais cedo que eu estava esperando por causa da movimentação do lado de fora do quarto. Olhei para o relógio e deduzi que era por causa da viagem dos meus pais. Bom, tentei voltar a dormir, mas não tive sucesso. A barulhada era tanta que acabei desistindo e fui fazer minha higiene matinal. Depois fui procurar algo para fazer e decidi que iria ler no jardim. O tempo sempre passa mais rápido quando fico lendo lá. Fui até a minha estante e infelizmente constatei que já tinha lido todos os livros. Por sorte Zero me deu livre acesso aos livros dele.
Entrei em seu quarto e fiquei algum tempo olhando sua pequena coleção. Não pude deixar de rir e arquear a sobrancelha para um que chamou bastante minha atenção: “O Duque e Eu” de Julia Quinn. Hum... Título curioso e engraçado. Sentei em sua cama, fiquei folheando-o e lendo algumas partes e já quase no final do livro acabou caindo no chão um pedaço de papel.
Minha intenção (Juro por Deus!) era simplesmente colocar o papel de volta no lugar, mas a letra acabou chamando minha atenção. A tal carta estava com uma escrita rápida e um tanto confusa. Não consegui entender nada do que estava escrito nela. Isso só serviu para aguçar minha curiosidade. Peguei a carta, guardei no bolso da calça e fui procurar a Yori. Se alguém conseguisse de ler essa carta, com certeza seria ela. Ela consegue ler verdadeiros enigmas!
- Yori! – a avistei andando junto com as arrumadeiras. – Preciso da sua ajuda um instante. É super rápido. – e apontei no sentido da biblioteca.
Minutos depois ela já estava comigo e estávamos tentando ler a carta. Demorou mais ou menos meia hora para conseguirmos decifrá-la completamente. Quando terminamos, eu praticamente caí para trás de choque se não tivesse sido a Yori me segurando. Não estou acreditando no que estou lendo... Não pode ser! NÃO!
“Caro Conde Kiryuu,
Pelo que está me contando, o plano de casar seu inteligentíssimo filho com a minha ‘querida’ sobrinha está dando certo. Fico muito contente em saber disso. Muito mesmo. Assim meu irmãozinho ficará tão chocado que não saberá o que fazer. Espero que o plano siga perfeitamente até o casamento. Não me importo o que acontecer. Só quero o trono. Não aceito nada menos que isso.
Estou sabendo também que o casalzinho real irá viajar para a Itália na próxima semana a fim de fortalecer a relação entre os dois países. Aproveite essa oportunidade a seu favor. E não faça nenhuma burrice.
Rido Kuran”
A família do Zero está ajudando meu tio exilado?! Como assim? Porque? Eles são os amigos mais próximos de meus pais! Por que, Deus? Porque?! Sinto algo quente descer pelo meu rosto. São lágrimas? Ah, dane-se! Preciso mostrar isso para o Kaname urgentemente.
Saí correndo da biblioteca e fui até o escritório que meu pai. Estava vazio. Droga! Onde ele está? Fui até seu quarto e encontrei-o sentado na escrivaninha dele escrevendo alguma coisa. Corri em sua direção e mostrei a maldita carta para ele. Por uns segundos ele ficou confuso sem saber o que fazer com aquele pequeno pedaço de papel na mão, mas ao olhar para minha cara toda chorosa e desesperada, acabou pegando-o da minha mão e lendo.
- Que merda é essa?! – ele pulou da cadeira gritando irritado. – Onde estava isso?
- Nas... – eu ainda não conseguia acreditar. – coisas do Zero. – deixei escapar um soluço.
- Seu noivo? – ele arregalou os olhos. Bom, pelo menos eu não fui a única a ficar chocada com essa descoberta. – Isso é ridículo. Deve ser uma brincadeira de mal gosto.
- Quem no mundo faria isso? Todos sabem que brincar com esse nome não tem a menor graça. – falei apontando para o nome do nosso tio. – Isso é considerado traição, Kaname. Precisamos avisar ao papai correndo!
- Impossível. Ele já partiu para a Itália, não tem como avisá-lo agora. Só quando ele pousar. – bateu na mesa revoltado. – Isso é uma puta confusão... Por causa da volta do seu noi... – eu o interrompi.
- Ex-noivo. – novamente ele me olhou chocado. Era raro eu conseguir isso e agora eu consigo em menos de meia hora. Uau. – Não posso me casar com uma pessoa que se alia a um inimigo do reino. Ainda mais o Rido. – fiz uma pausa achando que ele falaria alguma coisa, mas como ele permaneceu calado, continuei. – Faça-me um favor: proíba a entrada dos irmãos aqui no palácio. Irei mandar arrumarem as coisas deles o mais rápido possível e mandar enviarem de volta. Não quero olhar na casa do Zero depois disso. Seria doloroso demais... – a última frase falei mais para mim mesma do que para o Kaname.
- Tem certeza? – ele já estava saindo do quarto. – Não gostaria de ouvir o que ele tem a dizer?
- Não. A carta já diz mais do que preciso saber. – e o segui para fora do quarto.
Quando saí, vi Yori parada do outro lado do corredor chorando. Caminhei em sua direção, a abracei e chorei junto com ela. Ambas fomos traídas pelas pessoas que amávamos e isso dói demais. Para conseguirmos um pouco de privacidade acabamos indo para o meu quarto. O que acabou piorando toda a situação, pois tudo me lembrava o Zero. Até a maldita escrivaninha!
- Yuuki, o que você fará? – Yori não conseguia parar de chorar. Por um momento senti mais pena dela sozinha do que de nós duas. – Deixe-me vê-lo pelo menos mais uma vez. Por favor...
- Yori, eu não consigo olhar na cara do Zero. Ele está me usando para dar um golpe de estado! Tem noção do que é isso? Do quão grave é? Ele poderia ser preso. Ou pior: exilado. O casamento será cancelado e isso eu não vou mudar.
Nisso ouço o meu celular tocando em algum lugar do cômodo. Encontro-o em cima do criado mudo e visualizo no visor que é o Yagari. Sinceramente não estou com vontade de falar com ele. Na realidade, não estou com vontade de falar com ninguém. Só quero me enfiar no quarto e esperar até meu pai voltar para resolver toda essa confusão. Porém acabo atendendo ao telefone.
- Oi... – digo meio secamente.
- Está tudo bem? – ele pergunta preocupado. – Você está com uma voz estranha. Pensei em passar aí novamente, mas pela sua voz acho que não seria uma boa ideia... – queria concordar com ele, mas no fundo eu senti que queria contar isso a ele também.
- Estou só triste pela viagem dos meus pais. Você pode aparecer, claro. Estou te esperando lá na sala de TV. Beijos. – e desliguei.
Yori veio imediatamente para o meu lado.
- Não acho uma boa ideia você se encontrar com o Yagari agora. E se o Ze... – a interrompi.
- Não estou mais noiva. – peguei o anel de noivado no meu polegar e enfiei no bolso da saia. Arranjaria um lugar para ele mais tarde. – E eu quero saber o que o Yagari tem a dizer sobre isso. Gostaria de ouvir a opinião dele. – saí do quarto e caminhei até a sala de TV.
Pouco tempo depois Yagari apareceu e eu comecei a contar tudo o que aconteceu para ele. Graças a Deus ele não fez nenhuma pergunta e ouvia atentamente tudo o que eu dizia. Já no final da história eu comecei a chorar e não consegui mais parar. As lágrimas caíam sem eu mandar e não consegui mais falar nada. Só soluçava. Ele em uma tentativa falha de me acalmar me abraçou e começou a passar a mão pelo meu cabelo. Ele dizia algumas coisas sobre ficar calma e parar de chorar, mas eu não estava prestando muita atenção.
Levei um susto ao ouvir um escândalo na porta da frente, batidas muito fortes e gritos. Yagari me puxou para mais perto e dessa vez eu não recuei. Acho que eu precisava de colo.
Meu choque foi tremendo ao ver um Zero todo descabelado e ofegante parado na entrada da sala de TV olhando mortalmente de mim para o Yagari. Ele avançou na direção do Yagari e só o que ele pôde fazer foi me jogar no chão para evitar que o Zero certasse um soco em mim ao invés nele.
- O que você estava fazendo abraçando minha noiva, seu merda?! – ele agarrou o Yagari pelo colarinho e ficou sacudindo a cabeça dele. O local do soco ficou vermelho e eu senti muita mais muita raiva.
- Solta ele, Zero. Solta agora! – gritei irritada. Ele soltou meio a contra gosto. – EU NÃO SOU MAIS A SUA NOIVA, SEU TRAIDOR! – gritei tacando o anel de noivado em cima dele.
- O... O que?
Notas finais
Poucas pessoas responderam.
Espero que tenham gostado do capítulo.
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