A Princesa e O Conde

12 Capítulo XII


Notas iniciais
Hello, people!
Como estão?
Aqui está mais um capítulo. Espero que gostem.
Perdoem os erros de português, mas é que eu tive que escrever super rápido para acabar não esquecendo de nada que eu queria colocar no capítulo. Minha cabeça anda assim... Hiper esquecida. =/

– É isso mesmo que você ouviu! Estou cancelando esse casamento. Suas coisas estão no alto da escada. Sinta-se a vontade para pegá-las e sumir daqui! – ele ameaçou falar alguma coisa, mas eu o cortei. – Já disse, Zero! VAI EMBORA!

– Eu me recuso a ir embora sem uma explicação lógica! – ele estava enfurecido.

– Não lhe devo satisfações, traidor. – cheguei para mais perto do Yagari que estava caído no chão. – Vamos, Yagari. Você precisa ver esse pulso. – quando Zero o soltou, ele perdeu o equilíbrio e acabou caindo por cima da mão. Já estava começando a ficar inchado.

– Está tudo bem, Yuuki. Vou eu mesmo buscar um pouco de gelo. Fique e converse seriamente com seu noivo. – ele começou a andar para a cozinha.

– EX-noivo. – corrigi-o.

– Yuuki, para de ser ridícula e me explique o porquê de tudo isso. – Zero cruzou os braços na frente do corpo. Ai, ai... Isso vai ser uma longa conversa.

– Encontrei dentro de um dos seus livros uma carta do meu tio Rido dizendo, entre outra tantas coisas, que o nosso casamento é um plano para ele roubar o trono do meu pai. – Zero empalideceu. – O que você espera que eu faça depois de uma coisa dessas? Não posso, e nem que eu poça, eu não conseguiria ficar junto de uma pessoa que planeja um golpe de estado no meu pai! – eu comecei a chorar. – Por sorte meus pais estão fora do país. Se eles soubessem disso ficariam magoadíssimos! Seus pais são os melhores amigos deles! Não vou permitir que esse plano siga adiante. – fiz uma pausa para ver se ele falava alguma coisa, mas continuou mudo e olhando para o chão. – Esse casamento está cancelado. Definitivamente.

– E se eu disser que não é nada disso que você está pensando? E se eu disser que eu realmente te amo?

– Eu não acreditaria em você. Pelo menos não mais. – disse com os olhos cheios de lágrimas. – Pegue as suas coisas e as do Ichiru e vá embora. Quanto ao casamento, pode deixar que eu dou um jeito em tudo. – disse me retirando da sala e indo para a cozinha ver como o Yagari estava.

– Conversou com ele? – perguntou ele com uma bolsa de gelo no pulso. Já estava menos inchado. Bom sinal.

– Ele não negou nada. Não me contra argumentou momento algum. Não pude concluir de outra maneira que não seja a de que ele está envolvido nesse golpe. – sentei-me ao seu lado na bancada. – E agora? O que eu faço com o casamento? Está muito em cima da hora para cancelar qualquer coisa! – agora além de magoada estou desesperada.

– Bem... Você poderia se casar comigo. – ele disse olhando para o pulso. É O QUE?!

– Yagari... Isso não é hora para brincadeira.

– Eu não estou brincando, Yuuki. Eu disse que queria me casar com você no dia em que voltei de viagem, mas você disse que estava noiva e que gostava dele. Agora, nada mais me impede de lhe propor em casamento novamente. – ele estava realmente sério.

– Não posso me casar com você, Yagari. Eu, por mais que doa, sou apaixonada pelo Zero. Não posso transferir ou anular meus sentimentos por ele assim tão rápido! Não se passaram nem doze horas desde que eu descobri tudo isso!

– Eu sei que o que estou lhe pedindo é demais, mas eu poderia te fazer feliz. Você poderia se casar comigo e aprender a me amar. Eu sei disso. Já me amou uma vez, tenho certeza que me amará novamente. Só me dê uma chance. – ele aproximou seu rosto do meu e me beijou.

No começo recusei o beijo, pois achei que de certa maneira eu estava traindo o Zero, mas traição maior que ele fez comigo não existe. Passei a retribuir o beijo calmamente. Yagari era menos intenso que o Zero, mas nem por isso beijava mal. Sua língua entrou em minha boca e explorou toda ela. Eu senti sua mão em minha cintura me puxando para mais perto dele. Passei os braços em volta do seu pescoço e permiti que ele conduzisse de vez o beijo.

Pouco tempo depois nos separamos em busca de ar, mas ele me manteve próximo a ele e ficou fazendo carinho no meu rosto. Bem como era no passado. Senti-me nostálgica.

– Obrigado. – ele me deu um selinho. – Obrigado pela oportunidade. – outro selinho. – Prometo que você não irá se arrepender.

Ficamos mais algum tempo juntos antes dele partir. Zero já tinha recolhido todas as suas coisas e o quarto dele e do Ichiru, que outrora estava cheio de pertences, voltou a ficar vazio. Tentei segurar minha vontade de chorar, mas não consegui. Fui correndo para o meu quarto, me joguei na cama e pus-me a chorar. Tudo estava perfeito demais para ser verdade. Vou morrer de saudades dele, eternamente.

Já faz dois dias que rompi com o Zero e com o nosso noivado. Estou me sentindo um lixo. Yagari está aqui comigo fechando os últimos detalhes do casamento. Ainda me sinto estranha em continuar com o casamento só que com o noivo errado. Ou melhor, trocado.

Quando contei para a Yori sobre tudo o que tinha acontecido naquele dia em que os expulsei e o novo pedido de casamento do Yagari e consequentemente minha resposta positiva, ela só faltou me bater. Achou um absurdo eu ter aceitado um pedido de alguém estando apaixonada por outra pessoa. Concordo com ela totalmente, mas acredito que eu possa voltar a gostar do Yagari daquela maneira especial. Bem, por conta dessa nossa divergência, ela parou de falar comigo.

Já Kaname, ficou sem entender nada. Ele, por mais que detestasse admitir, gostava muito do Zero. Eram meio que amigos, sabe? Então, ao saber do possível golpe ficou chateado e acredito que não queira vê-lo nem folheado a ouro. O problema é que ele não é muito fã do Yagari. Digo, eles conversam, se tratam super bem, mas não sinto uma conexão entre eles. Agatha, namorada (quase noiva) do Kaname, é quem tem me dado os melhores conselhos (apesar de em sua maioria eu não segui-los). Ela não foi necessariamente contra o meu repentino casamento com o Yagari, mas também não pulou de felicidade. Somente disse que torcia por eu ter feito a escolha certa.

– Tem certeza que você não quer mexer na decoração? – perguntei meio sem emoção. Afinal, esse casamento como um todo seria totalmente sem emoção.

– Não. O casamento é na próxima semana e eu não quero dar trabalho para ninguém. – ele disse sorrindo.

– Ainda não entendo como alguém aceita se casar com alguém que já tinha todo o casamento pronto com outra pessoa. Isso pode ser considerado falta de amor próprio?

– Considero isso como excesso de amor pelo próximo. – ele sorriu. – Não me importo em como vamos casar. O que me importa é que vamos. Ponto final. Pare de me perguntar isso a cada momento. Não mudarei de ideia.

– Bem, me desculpa. É que ainda não estou conseguindo acreditar que eu vou me casar com outra pessoa. – ele pegou na minha mão.

– O que seus pais falaram sobre isso? Não devem ter gostado muito, né?

– Na verdade... Eu proibi qualquer pessoa de contar isso para eles. Não quero que o papai fique sabendo (pelo menos por enquanto) que seu melhor amigo estava planejando um golpe de estado contra ele. Ele ficaria arrasado e não quero vê-lo assim.

– Já parou para pensar que ele pode tirar isso de letra? Digo, ele é rei. Provavelmente já recebeu ameaças de golpes e revoluções em algum momento.

– Mesmo assim não quero arriscar... Então, por favor, não comente sobre isso com ninguém que você não confie.

– Claro. – uma pausa. Ele ficou sem graça. Hã? – E quanto a Lua de Mel?

– Ahn... Ehn... Bem. – acho que estou vermelha. – Sinceramente falando, eu não me vejo pronta física e psicologicamente para uma Lua de Mel. Será que podemos não ter uma?

– Nem viajaremos? Quero dizer, respeito totalmente sua decisão, mas vamos, pelo menos, viajar?

– Hum... Tudo bem. Você pode escolher então. – sorri. Eu sabia o quanto ele adorava programar viagens.

– Sabia que você diria isso. – nós dois rimos. – Mudando rapidamente o assunto, fui convidado para uma festa da Baronesa Hiou na quarta-feira que vem. Gostaria que me acompanhasse.

– Da Baronesa? Urgh! – deixei minha cabeça cair nas costas do sofá. – Você sabe que eu não gosto dela.

– Bom, eu particularmente também não morro de amores por ela, mas seu futuro marido e eu temos negócios juntos. Portanto, não posso me negar a ir.

– Posso pensar? Se eu for, as pessoas vão ficar olhando e se perguntando onde foi parar meu noivo.

– Eu sou seu noivo. – ele disse chateado. – E você deveria parar de se preocupar tanto com o que as outras pessoas falam. Isso só vai te fazer mal.

– Hum... – fiquei pensativa. – Você tem razão. Como sempre, é claro. – disse em tom de deboche. – Eu irei com você. Feliz?

– Bastante. – ele me deu um selinho.

Por mais que as coisas tenham saído um pouco fora do normal, não posso reclamar de nada. Yagari realmente está tentando me conquistar. Ele sempre é educado, gentil, amoroso e atencioso. Na maioria que estamos juntos, não penso no Zero e isso meio que alivia minha vontade de chorar toda a noite. Óbvio que sinto sua falta, eu estaria mentindo feio se dissesse que não sinto. Às vezes me pergunto o que ele estará fazendo nesse momento. Algumas vezes eu entro no quarto que ele ocupava aqui no palácio. O cheiro dele já havia desaparecido. Fiquei passando a mão pela estante que antes estava repleta de livros e encontrei um papel enfiado entre a estante e a parede. Seria mais uma carta sobre o golpe? Peguei o papel e o levei para meu quarto. Lá o abri e comecei a ler.

“Yuuki,

Eu sei que você está enfurecida comigo e não tiro sua razão, mas devo dizer que tudo isso é um mal entendido. Logo, logo você entenderá o que estou querendo dizer.

Zero.”

QUE. MERDA. É. ESSA?!

Mal entendido? Que mal entendido?! Porque ele não me explicou então? Porque não me contou de uma vez o que estava acontecendo? Porque você não deixou o coitado falar, disse uma vozinha na minha cabeça. Ah, cala a boca! Do jeito que o Zero é, poderia muito bem ter me mandado ficar quieta e ele começar a explicação. Maldição! Como eu o odeio agora.

QUARTA-FEIRA...

Bom, como prometido, estou me arrumando para ir à festa da Baronesa Hiou com o Yagari. Assim... Não estou muito a fim de ir não, mas é o mínimo que eu posso fazer por ele. Estou usando um vestido longo ombro único verde água com uma abertura na lateral da coxa direita e salto alto prateado. Como eu não quero chamar muita atenção, meus acessórios eram pequenos e discretos. De anel eu só estava usando o de noivado que o Yagari me deu.

– Está pronta? – perguntei ele na porta do meu quarto. Ele nunca entra no meu quarto. Bem, não me importo muito, mas fico contente dele respeitar esse espaço que um dia eu dividi com o Zero.

– Só falta o batom. Um instante. – falei indo até o banheiro e pegando dois deles. – Qual fica melhor? – mostrei um que era puxado para um rosa clarinho e outro que era puxado para a cor vermelha.

– Só uma leve passada do vermelho. Seus lábios são bonitos com essa cor natural deles. – ele sempre me consegue deixar sem graça. Voltei para o banheiro e passei o batom.

– Estou pronta. Vamos... – dei minha mão para ele e descemos a escada.

Encontrei com Yori perto da porta, mas ela ainda não está falando comigo. Pelo que eu ouço de fofoca dos outros empregados, ela tem ido se encontrar com o Ichiru sem o meu consentimento. Bom, ela não precisa dele mesmo então eu deixo para lá. Ninguém sabe o que é melhor para ela do que ela mesma. Só que eu sinto falta dela. Meu casamento é daqui há três dias e eu gostaria muito de estar de bem com ela até lá. Só que somos duas orgulhosas e não damos nosso braço a torcer por nada.

– O que foi que você está aí toda pensativa? – me perguntou Yagari.

– Estava pensando no tanto que eu sinto saudade da Yori. Ela é minha melhor amiga, sabe...

– Me sinto culpado por vocês não estarem se falando. Eu sei que ela foi contra a sua decisão de casar comigo. – ele falou enquanto entrávamos no carro.

– Não se sinta. A decisão foi minha. Deixe que eu arque com as consequências. – disse com um sorriso no final.

O caminho foi feito em silêncio. Não demorou muito para nós chegarmos já que a mansão da Baronesa fica a meia hora de distância da residência real. Quando entramos no salão, fomos recebidos com várias olhadas e um silêncio um tanto desconfortável. Senti vontade de correr, mas Yagari apertou minha mão como quem dissesse que tudo ficaria bem. Caminhamos calmamente (por fora, porque por dentro eu estava quase querendo correr uma maratona) até onde o Barão e a Baronesa Hiou estavam. Olha, detesto admitir, mas ela sabe como se vestir. Estava linda em um vestido longo azul escuro com as costas nuas. Seus cabelos, lindos e brancos estavam presos em um coque com alguns fios saindo propositalmente do penteado e de acessórios usava um magnífico cordão com um rubi. Se Yori estivesse aqui eu e ela não falaríamos de outra coisa.

– Boa noite, Barão. – Yagari cumprimentou-o com um aperto de mão. – Baronesa. – ele beijou-lhe a mão. – Está é minha noiva, Yuuki. – ele me apresentou (sem a menor necessidade, devo acrescentar).

– Princesa. – disseram os dois em uníssono com uma pequena reverência. Ai, pai...

– Boa noite. – respondi sem graça.

E a noite correu assim. Yagari mantendo seus contatos entre a aristocracia e eu à tira colo. Não posso dizer que fiquei entediada, pois as mulheres dos nobres eram divertidas. Nunca tinha tido a oportunidade de conversar com nenhuma delas antes. Na verdade, nunca tinha tido o interesse...

– Você é como meu troféu da sorte. – ele disse beijando a minha cabeça.

– Porque diz isso? – perguntei confusa.

– As mulheres dos meus sócios adoraram você. E isso, é claro, ajuda nos meus negócios.

– O senhor por algum acaso está se aproveitando de mim? – comentei divertida, mas ele não achou graça.

– Eu nunca usaria você. – ele disse sério. Nossa!

– Eu estava brincando, sabia? Não precisa fazer essa cara. Nem lembrei daquilo quando comentei.

– Bom, se é o caso, – ele me olhou divertido – vou precisar que você converse um pouco com a Baronesa.

– Ah... Vou pedir hora extra por isso! – nós dois rimos.

No final, acabei indo conversar com ela enquanto Yagari estabelecia seu contato com o Barão. A conversa volta e meia emplacava e morria e não tínhamos muitos assuntos em comum. Bom, pelo menos o único que tínhamos (ainda assim mais ou menos) era o único que eu não queria comentar. Só que... Como sempre, as coisas não funcionam do jeito que eu quero.

– Está evitando o assunto do seu ex-noivo de propósito, Princesa? – ela perguntou séria. Estranho foi eu não sentir o tom de deboche.

– Estava. E eu esperava conseguir, mas vejo que não. – falei irritada.

– Ora, ora. Não fique assim. Não conseguiria fugir desse assunto esta noite. Pelo menos não com tanta gente que presenciou seu anúncio de noivado com o Conde e hoje está te vendo com o Duque.

– Acho que minha vida não é assunto dos outros.

– Concordo plenamente. – disse bebericando um gole do vinho. Foi aí que me deu um estalo. A minha vida nada tem a ver com os outros. E o mesmo vale para a Baronesa. Fico imaginando o quão incomodada ela ficou quando começaram a comentar sobre o divórcio dela.

– Eu sinto muito. – falei do nada. – Quando a senhora se divorciou, fiquei falando da sua vida.

– Não se preocupe com isso. Você ainda tem muito que crescer, Princesa. Um dia verá que as cosias são mais complicadas do que se imagina. – como se eu já não soubesse. – Mas obrigada pelo pedido de desculpa. Foi sincero e se todas as pessoas que falaram sobre aquilo tomassem a mesma decisão que você de pedir desculpas, eu ficaria muito feliz. – ela sorriu no final.

Cara... Eu descobri que ela não é uma vaca. Na verdade, compreendo-a melhor agora. Na verdade, ela é uma ótima pessoa.

– Pode me acompanhar um instante? Quero lhe mostrar uma coisa. – eu a acompanhei.

Subimos as escadas, viramos a direita e seguimos até o final do corredor indo parar na porta que dava acesso a varanda. Ela parou e me entregou uma chave.

– No começo, achei que você não merecia estar aqui. – ela disse séria. – Porém estou lhe dando a chave de um aposento especial que fica bem ali. – ela me apontou para a segunda porta a esquerda de onde estávamos. – É bastante reservado. Então, se quiser conversar sem ser interrompida, sinta-se a vontade. – não estou entendendo bulhufas do que ela está me dizendo. Aposento especial? Conversar? Com quem?! – Eu sinceramente acho que vocês merecem uma segunda chance. – e ela abriu a porta da varanda.

Lá estava ele. Lindo, alto, esbelto, parado bem na mureta da sacada admirando a noite. Continua o mesmo. Ele continua o mesmo. Caminhei um pouco mais a frente e senti a porta atrás de mim se fechar. Só nós dois. Estávamos só nós dois.

– Zero...?

Notas finais
E aí? O que acharam? Reviews, please!
Vejo você semana que vem.

=*