A Princesa Verde : Sementes
5 Capítulo 4 — A Semente no Coração do Bosque
Nos céus altos, onde o vento canta histórias esquecidas, Tilla, a grande coruja de olhos dourados, voava sem pressa. Em suas garras, segura com cuidado reverente, estava a Semente Verde, pulsando uma luz suave, entre o dourado e o esmeralda, como se fosse feita de brisa e promessa.
A escuridão do desaparecimento de Neredithia ainda pairava sobre o mundo, e mesmo os mais antigos entre os druidas murmuravam incertezas. Mas Tilla sabia. A semente chamava. E o chamado levava para os Bosques Verdejantes.
A escolha do Bosque
Não era qualquer bosque que poderia receber a semente. Muitos eram belos, outros mágicos, alguns sagrados… Mas apenas um era vivo o suficiente para se lembrar do primeiro dia do mundo.
Esse era o Bosque da Planta Azul — um bosque onde as folhas eram de um verde quase azulado, onde riachos brilhavam com reflexos violeta, e as árvores dançavam levemente mesmo sem vento. No centro desse bosque, havia uma clareira antiga, marcada com pedras luminosas em espiral. Diziam que ali caíra a primeira gota de orvalho do mundo.
Tilla chegou ao entardecer, quando o céu era um quadro de cores suaves. Criaturas começaram a se aproximar, como se sentissem sua presença. Cervos alados, pequenos espíritos da terra, lebres de olhos brilhantes, até um casal de ursos-dos-sonhos surgiu, farejando o ar com doçura.
Ela pousou no centro da clareira. O chão brilhou em resposta.
O plantio
Tilla olhou para os céus, depois para os animais.
— “Este lugar...”, ela disse, “foi escolhido pelo próprio coração do mundo.”
A semente, em suas garras, começou a flutuar. Raízes finas surgiram em sua base, como dedos procurando solo. Uma luz suave brotou da terra, e com um canto grave e doce — um som que parecia vir do tempo — a Semente Verde se plantou.
Houve silêncio.
Então, a terra respirou.
E uma pequena haste verdejante rompeu o solo. Cresceu alguns centímetros, e uma folha surgiu. Nela, um orvalho dourado brilhou por um instante. O céu escureceu… e um grande arco-íris silencioso cruzou os céus, ligando os extremos do horizonte, permanecendo firme, estável, como se fosse uma ponte entre mundos.
A festa dos animais
Os animais do bosque compreenderam. Começaram a dançar — não com passos, mas com movimentos naturais. O leão-das-montanhas soltou um rugido suave. As fadas, que haviam se escondido com medo da queda de Neredithia, surgiram como poeira dourada, rodopiando ao redor da haste recém-nascida.
Os entlings, os pequenos filhos das árvores, marcharam em círculo, entoando cânticos antigos. Os pássaros mais tímidos construíram ninhos ao redor da clareira. Peixes saltavam das águas e voltavam, como em saudação.
Tilla ficou sobre uma raiz que se ergueu como trono. Ela abriu as asas e falou com firmeza:
— “Hoje nasce o começo da esperança. A Semente foi plantada. A salvação está crescendo.”
Houve um rugido mágico que veio das raízes do mundo. Como um trovão sereno.
— “Em breve,” ela continuou, “ela nascerá. Uma criança diferente. Não feita apenas de carne, mas também de folhas, sonhos e do choro de quem perdeu. Ela unirá os reinos. Mas ainda dorme no ventre do mundo.”
Silêncio respeitoso tomou conta da clareira.
Tilla fechou os olhos. E todos entenderam.
A proteção do bosque
Naquela noite, todos os animais se revezaram em guarda. Fadas pequenas e rãs mágicas cuidavam das gotas de orvalho. Lobos florestais patrulhavam as trilhas. Os esquilos de luz costuravam folhas para formar sombras protetoras sobre a nova planta.
Tilla não dormiu.
Ela observava o céu e sentia os ventos mudando. Em algum lugar distante, olhos invisíveis a observavam. Mas ela não temia.
— “Venham, sombras,” murmurou a coruja. “Ela nascerá sob nossa luz.”
E assim o mundo se calou, por uma noite inteira, apenas para ouvir o som das raízes crescendo.
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