A Primeira vez
6 Duas Alianças, uma Promessa
Notas iniciais
Feliz dia dos namorados
Anos haviam passado.
Muichiro estava mais alto, o rosto mais maduro, e os olhos ainda carregavam aquele brilho de neblina calma que deixava Genya completamente sem chão.
Genya também mudara. Os traços haviam se tornado mais firmes, a voz mais grave, os cabelos mais longos do que antes. Mas o olhar... o olhar ainda era o mesmo daquele jovem que, um dia, teve medo de ser quem ele era. E agora, ali, sentado em um restaurante sofisticado de iluminação quente, era impossível não perceber o quanto aquele amor tinha crescido — refinado como um bom vinho.
Muichiro sorriu por trás da taça de vinho branco, os dedos brincando com o aro do copo.
— Tá me encarando de novo.
Genya soltou uma risada baixa, inclinando-se sobre a mesa.
— Cale a boca. Tô só... agradecendo aos céus por você ainda estar aqui.
— Sempre estive.
Ambos sabiam o que aquela noite representava.
Era Dia dos Namorados. Mas, mais que isso, era a comemoração de dez anos juntos.
Dez anos de superações, crescimento, brigas bobas, reconciliações intensas... e um amor que nunca cessava.
O garçom trouxe a sobremesa: duas taças de creme brûlée com frutas vermelhas.
Mas Genya parecia inquieto.
— Muichiro...
— Hm?
Antes que o mais novo pudesse completar, Genya se levantou.
Do bolso, tirou uma pequena caixinha preta.
Muichiro congelou.
Mas, antes que pudesse reagir, ele também levantou. E tirou a mesma caixinha... do próprio bolso.
Ambos abriram ao mesmo tempo.
Dois anéis. Quase idênticos.
A risada que explodiu ali, misturada ao brilho de olhos marejados, foi o tipo de coisa que só duas almas gêmeas poderiam compartilhar.
— Você tá de sacanagem. — Genya disse, rindo com a voz embargada.
— Eu juro que pensei nisso semanas atrás.
— Eu também. Ensaiava toda noite no banho.
Eles se entreolharam, e Muichiro chegou mais perto.
— Genya Shinazugawa... você aceita se casar comigo?
— Só se você aceitar se casar comigo primeiro.
Ambos riram. E, em meio aos aplausos discretos e filmagens dos outros casais ao redor, se beijaram com a certeza de que o destino nunca havia deixado de escrever aquela história.
[...]
O quarto de hotel era amplo, elegante, com luzes âmbar baixas e lençóis de algodão egípcio. Mas tudo que importava ali dentro era o toque quente e urgente de dois corpos que se desejavam há mais de uma década — e que ainda se tocavam como se fosse a primeira vez.
Genya se sentou na beira da cama, puxando Muichiro para seu colo, as pernas do mais novo envolvendo sua cintura. As bocas se encontraram com intensidade: nada tímido, nada contido.
Um beijo de quem conhece cada centímetro do outro.
As mãos de Genya exploravam as costas de Muichiro sob a camisa de linho, sentindo a pele arrepiar a cada movimento. Ele passou os lábios pelo maxilar dele, subindo até a orelha.
— Você tem noção de como ainda me faz sentir por dentro? — sussurrou, voz rouca contra a pele quente.
Muichiro puxou a camisa do namorado para cima, os dedos pressionando o abdômen marcado, os olhos semicerrados pela luxúria suave.
— Desde a primeira vez Gen, eu adoro te deixar desesperado por mais — murmurou, ofegante.
Eles se deitaram entre os lençóis, e Genya se posicionou sobre ele, o olhar grave e cheio de desejo. As roupas foram se perdendo em silêncio, peça por peça, como se o tempo ali dentro estivesse suspenso.
O corpo de Muichiro arqueava sob os toques. Os dedos de Genya deslizavam por cada curva, provando, manuseando e absorvendo cada suspiro, cada gemido sussurrado ao pé do ouvido.
— Olha pra mim. — Genya pediu, a voz baixa e carregada.
Muichiro obedeceu.
E então, o momento aconteceu. Intenso, firme, mas sereno. Como ondas quebrando na areia de forma ritmada.
Não havia urgência, apenas uma necessidade de reafirmarem o que por anos estava escrito em seus corações.
Os corpos se movimentavam juntos, buscando o ponto onde o prazer e o amor se encontravam. E quando finalmente chegaram ao clímax, foi como cair juntos num abismo macio, onde só existia o som dos próprios nomes sendo sussurrados com reverência e tremulante.
Ofegantes, suados, colados.
Genya abraçou Muichiro contra o peito, os dedos ainda acariciando seus cabelos.
— Eu vou casar com você mil vezes se for preciso.
— Me beija mais uma... só pra eu acreditar que tudo isso é real.
Genya sorriu, beijando-o de novo. Mais lento. Mais doce.
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