Notas iniciais
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O silêncio se fazia presente no ar, mesmo que o barulho da festa devido ao som alto estivesse estridente. Genya ainda não acreditava que havia deixado Tanjiro o convencer a ir em uma festa, mas agora só teria a agradecer pois, bastava apertar a cintura do menor que sentia a nuca arrepiar. O garoto de longos cabelos escuros com as pontas esverdeadas, aquele que tinha um irmão gêmeo tão esquentado quanto o Shinazugawa mais velho, estava bem ali em seus braços.

Muichiro sempre era direito então digamos que Genya não teve como reagir quando foi literalmente colocado contra a parede. Ele também estava a fim, só não sabia por onde começar e nossa... Ainda bem que o Tokito tomou a iniciativa pois, agora sentia a boca do menor contra a sua, as mãos de Muichiro passavam por cada gominho da barriga assim como as de Genya já havia agarrado a cintura e a mordida no final, só os deuses sabiam como estava a cabeça do Shinazugawa mais novo que ainda estava se descobrindo bi, mal saiu do armário direito e estava começando a ter pensamentos pecaminosos com o menor.

Diferente dele, Tokito não tinha problemas com isso, ele não estava nem aí para como o veriam, sempre aparentava ser rude e introspectivo mas era um amor de pessoa e acima de tudo um homem de iniciativas e Genya estava ferrado, pois ele teria de ser muito confiante e direto se não quisesse acabar na cama do menor.

Quando menos esperou se viu apertando a bunda de Muichiro que entrecortou o beijo e sorriu de lado.

— Desculpe... Hum — Genya estava vermelho de vergonha ao puxar as mãos e Tokito riu balançando a cabeça em negação, voltou a pegar as mãos dele e apoiar em ambas as bandas. Depois o empurrou para que voltasse a encostar na parede e beijou o pescoço dele com vontade além de respirar ali sentindo o perfume gostoso.

— Apenas relaxe e me toque como você quiser. — E aqui, meus amigos, todos os neurônios de Genya explodiram. Se já era difícil lidar com a vontade, imagina com alguém pedindo. Ele não era de ferro — na verdade estava mais para folha de alumínio amassada — e tentava em vão resistir. Ao fechar os olhos e respirar pesado agarrou com vontade a nuca do menor que mordeu o lábio, logo tendo a boca invadida de maneira intensa, o corpo tão quente e o cheiro tão bom quanto o seu, ambas as línguas numa sincronia perfeita em um beijo que queria durar.

— Vamos subir, Genya, antes que nos expulsem daqui. — Genya queria dizer não, mas era mentira. Ele estava curioso e com vergonha, nunca havia tido relações sexuais em toda a sua vida e não sabia se poderia dizer o mesmo de Muichiro, mas ele foi.

O silêncio voltou quando a porta do quarto foi fechada.

Não havia mais música, nem gente dançando, nem a tensão de ser visto. Só os dois, a respiração quente entrecortada e os olhos verdes de Tokito que jaziam escuros estavam fixos nos dele. Genya engoliu seco, tentando manter a compostura, mas falhando miseravelmente quando o menor se aproximou e puxou sua blusa oversized devagar, como se já estivesse mais do que acostumado com aquele tipo de situação.

Mas não estava.

Nenhum dos dois estava.

Era a primeira vez deles, embora nenhum dissesse isso em voz alta. Muichiro apenas encostou a testa na de Genya e sussurrou:

— Você tá tremendo... Tá tudo bem?

Genya sentiu as pernas falharem por um segundo. Não era só tesão. Era nervosismo, era carinho, era medo de estragar tudo com alguém que ele... admirava demais. Alguém que, por mais quieto e direto que fosse, fazia seu coração martelar no peito com coisas tão pequenas quanto um toque no ombro ou um sorriso de lado.

— Eu só... nunca fiz isso — confessou, engolindo a vergonha de uma vez só. — Mas eu quero. Só não quero fazer errado, sabe?

Muichiro arqueou uma sobrancelha, subindo o rosto com calma até roçar os lábios nos de Genya.

— A única coisa errada seria fingir que você não sente nada. — E o selou com um beijo calmo, lento, gostoso. — Vamos descobrir juntos.

Dessa vez foi Genya quem puxou o outro pela cintura, a mão já mais firme, o corpo aceitando o desejo sem o peso da culpa. Eles se deitaram devagar, com roupas sendo jogadas para o lado, respirações pesadas preenchendo o espaço do quarto e sorrisos tímidos escapando entre beijos mais ousados.

Muichiro era tão cuidadoso quanto parecia determinado a guiar Genya, e esse contraste deixava tudo ainda mais eletrizante. Quando seus corpos finalmente se alinharam, o calor entre eles os consumi. Os gemidos abafados, os olhares trocados, o toque firme e ao mesmo tempo carinhoso...

Nenhum deles sabia exatamente o que estava fazendo, mas estavam fazendo juntos. Era bonito, era íntimo, era real.

E Genya nunca imaginou que se sentiria tão confortável sendo vulnerável com alguém.

Depois — com a respiração ainda pesada e os dedos entrelaçados nos lençóis — Genya olhou para o lado e viu Muichiro o encarar com aquele mesmo sorrisinho calmo.

— Você tá com essa cara de "acabei de ser atropelado por um carro" — provocou Tokito.

— Idiota... — Genya virou o rosto, emburrado. — Mas... foi bom. Muito melhor do que eu pensei que seria.

Muichiro apenas assentiu, virando de lado e apoiando a cabeça no ombro do maior.

— Também foi minha primeira vez. Eu só fui o primeiro a me permitir sentir. Você foi o primeiro com quem eu quis sentir. — E deu um beijo casto no pescoço dele.

O silêncio agora era confortável.

O quarto estava bagunçado, mas os corações estavam em paz.

Genya ainda tinha medo de como contaria para Sanemi — mesmo que soubesse, no fundo, que o irmão não o deixaria por isso. Ele só precisava de tempo. E Muichiro, sempre tão direto, daria esse tempo a ele sem cobrar nada. Eles haviam encontrado o início de algo especial.

Talvez o início de um amor que não precisava de explicações. Apenas de coragem.

E se pudesse voltar no tempo e tivesse a opção de escolher, aceitaria novamente.

— Genya! — A voz ríspida de Sanemi o alcançou rapidamente, mas ao balançar a cabeça deixou de lado os pensamentos a respeito do menor.

— O que foi, aniki?

— Eu tô te chamando há um tempo. Vou sair com a Ayla e queremos saber se você quer vir junto. Vamos comer alguma porcaria.

— Não, valeu. — Sanemi percebeu que o irmão estava estranho, mas não quis entrar em detalhes. Entretanto, ficou preocupado.

— Quer conversar?

De seu jeito brusco tentou passar confiança, o que fez com que o mais novo ficasse extremamente vermelho.

— Não, não. — Elevando as mãos contra o peito, fez com que o mais velho respirasse fundo.

— Deixei comida pronta na geladeira e 600 pratas. Vê se não gasta tudo ou vai ficar sem mesada por uns três meses. — A carícia que fez nos fios de Genya os despenteou, ainda assim era bom receber carinho de Sanemi, que apenas sorriu pelo olhar brilhoso do irmão antes de partir.

Ele sentia orgulho de ser um bom irmão mais velho, assim como Genya o via como um espelho e, após observar o mais velho sair, ele fechou a porta, trancou, e encostou-se por um momento no batente.

O silêncio agora era absoluto, sem recordação daquela festa, sem irmão, sem desculpas.

Só ele... e o celular vibrando com o nome de Muichiro na tela.

>"Oi. Tá sozinho?"

Genya sorriu. Um sorriso verdadeiro, cheio de lembrança e vontade.

>"Sim. Pode vir?"

A resposta veio instantaneamente.

>"Já tô na sua porta."

O coração de Genya bateu forte. Ele se apressou em destrancar e, ao abrir, deu de cara com Muichiro segurando uma sacola com doces e um capuz grande demais na cabeça.

— Achei que você podia querer companhia. Ou algo com açúcar.

Genya puxou o outro para dentro e, antes mesmo de pensar, já estava abraçando Muichiro forte, como quem sabia que não precisava esconder mais nada.

Ele não disse "fica", mas o olhar dizia.

E Muichiro não respondeu "já estou aqui", mas apertou Genya contra si, como quem prometia:

"Eu não vou a lugar nenhum."