Notas iniciais
Quem aí gosta de capítulos grandes e intensos?

Entre rosas e Espinhos

"A paixão é destrutivelmente construtiva, acaba com a razão o modo de pensar e viver a vida"

O príncipe deixa os aposentos e segue ao encontro do pai, que já está recolhido no andar reservado a ele, onde apenas alguns guardas reais, Varys, meistre Pycelle e alguns servos tinham acesso. Ele tem de deixar sua espada com um dos guardas antes de adentrar os aposentos do rei, que em sua loucura criara uma verdadeira fobia por lâminas.

— Pai — ele chama, antes de se aproximar da figura pálida que mira atenciosamente os blocos de pedra de uma das paredes do quarto.

— Entre Rhaegar, sua mãe já está prestes a dar a luz. Espero que seja um varão e que não nasça beijado por demônios como os outros depois de você — fala o rei.

— Minha mãe já teve seu bebê, você o chamou de Viserys, ele já tem sete anos e é perfeito, meu pai. — Explica o príncipe vendo que o pai estava em um de seus delírios.

O rei mira confuso para Rhaegar por alguns instantes e volta a olhar para a parede.

— Trouxe-lhe isto, é o escudo do cavaleiro misterioso, infelizmente não o encontrei. Mas tenho plena certeza de que não passava de um garoto ou bastardo sem uma família para representar, querendo mostrar sua força, acredito que não causará mais problemas.

O rei se aproxima e pega o escudo das mãos do filho e o analisa cuidadosamente.

—Se ele voltar a aparecer, mate-o— ordena o rei.

—Assim será meu pai, se me dá licença eu preciso ir.

— Pode se retirar e Rhaegar desista do que está fazendo, não é mais minha única semente. — Diz o rei encarando firmemente os olhos do filho.

— E o que acha que estou fazendo?

— Dizem que conspira contra a coroa.

— Conspirando contra meu próprio pai? Meu rei? Não, eu jamais o prejudicaria, é você quem está fazendo isto ao seu reinado. Muita coisa está acontecendo meu rei, os meistres conspiram contra nossa família. No entanto, o que chega ao seus ouvidos é que seu príncipe herdeiro deseja tomar-lhe o trono? Precisa livrar- se dessas ratazanas de correntes meu senhor, eles são seus verdadeiros inimigos. — Fala o príncipe tentando manter-se calmo, para quem sabe assim o pai possa entender a gravidade da situação.

— E o que devo fazer? Queimá- los?

— É claro que não, os meistres são idolatrados pelo povo, pelos lordes. Qualquer coisa que ousasse fazer contra eles, culminaria numa guerra sem precedentes. Precisa diminuir o poder deles, aos poucos, sem levantar alarde. A fé dos sete tem limitado os propósitos de nossa família. Nosso dever sagrado para com essa terra, o motivo de termos sido salvos de Valyria. — Diz Rhaegar com um certo desespero, há algum tempo o príncipe suspeitava de algo muito estranho vinha acontecendo com sua família. O instinto aguçado do dragão aliado ao seu cuidado com os assuntos políticos o faziam crer que algo muito errado estava acontecendo pelos corredores da fortaleza vermelha há muitos anos. Que a extinção dos dragões e todas as perdas e disputas soferidas pelos Targaryen, tinham um mérito muito maior a qual imaginavam.

— Raella me odiava, se negava a ser minha esposa, ela queria ter casado com um cavaleiro das terras de tempestade acredita? Eu a estuprei para poder consumar nosso casamento, e repeti isso muitas vezes. Então você nasceu, com sua pele alva, cabelos prateados e bochechas rosadas. Ela se apaixonou por você, e no mesmo instante, me perdoou. Vivemos bem alguns anos, eu a consolei em meus braços, no primeiro filho que desceu pelas pernas dela antes da hora. Mas eles não pararam de morrer, todos eles, você apodreceu o ventre da sua mãe. Eu deveria prever dito que nasceu amaldiçoado num dia de lágrimas e morte.— Relata o rei com a mente pairando já longe da conversa que estava tendo com o filho.

— Você é louco. — Retruca o príncipe com um nó na garganta e olhos marejados. — Não merece essa coroa sob sua cabeça. — Diz o príncipe cerrando os punhos. Rhaegar pouco conhecia a mãe, fora criado desde muito pequeno por amas e tutores, mas a impotência de não conseguir frear os abusos físicos e psicológicos infligidos pelo pai a ela, o perseguiam desde que teve idade o suficiente para entender o quão sofrida era a vida da rainha Rhaella.

Tomado pela raiva, ele volta- se a porta, antes de que acabasse por cometer alguma insanidade, movido pelo furor que bradava em seu peito.

— Não me dê as costas Rhaegar! — Protesta o rei.

— O que vai fazer? Queimar- me vivo? Vá em frente pai, tens outro herdeiro não é? Faça! — Fala Rhaegar sem voltar os olhos pro pai, ele aguarda uns instantes, esperando a reação do rei, mas apenas o silêncio reina. Então se afasta pelos corredores e quando sabe que não será visto nem ouvido, por ninguém além das estrelas e a lua, se entrega a um pranto profundo e dolorido. O príncipe chora, como um menino. Por muitas vezes o peso da coroa parecia-lhe pesado demais, mas ainda pior que aquilo era o fado que nasceu predestinado a carregar.

Ele tinha sete anos, quando a ama lhe disse que seus pais se casaram unicamente para dar origem a uma linhagem, onde nasceria o Azar azhoi, o príncipe prometido que livraria o mundo do inverno eterno. Naquele dia os pesadelos que atormentavam as noites do garotinho tomaram sentido, e por anos ele se preparou para grande batalha achando que ele era o príncipe predestinado, aprendeu a lutar e mesmo quando os pesadelos com os homens de gelo cessaram ficou mais obcecado pelas profecias.

Depois de alguns minutos entregue a melancolia, ele se recompõe e segue para seu destino. Durante o caminho para a tenda de jon seus olhos cruzam com a silhueta da jovem Ioba, ela não nota sua presença enquanto puxa outra garota para trás de uma banca e segundos depois, Rhaegar sorri ao perceber que a jovem se esgueirava de seus irmãos, Ned e Benjen, com tal manobra. Por mais que em seu íntimo tivesse vontade de se aproximar, seu compromisso com Elia o impedia de sequer pensar em partilhar outro momento com com a nortenha que causava tanta inquietude, ele respira fundo e segue.

Jon Connington era um amigo leal de Rhaegar, os dois cresceram juntos na fortaleza vermelha. Aprenderam a manejar uma espada, e desde muito jovem, Jon tinha uma verdadeira adoração pelo amigo.

— Será que ainda tem tempo para um velho amigo? — Diz Rhaegar se aproximando, enquanto Jon conversava com lorde Arryn.

— Príncipe Rhaegar, eu já estava me retirando. Fique a vontade sim. Com sua licença, majestade.

Rhaegar assente com a cabeça a lorde Arryn e em seguida troca um aperto de mãos, seguido de um abraço com um trocar de tapas nas costas, no amigo.

— Então me diga, como está sendo como a mão do rei?

— Na verdade, não creio que eu esteja sendo de grande utilidade, dito que seu pai não escuta meus conselhos.

— Ele está cada vez mais insano, é impossível manter uma conversa com ele, sem que alucine ou perca o controle. Acha que meu pai está em condições de governar? Queimando vivo qualquer um que ele imagina ser seu inimigo? — Fala o príncipe preocupado.

— De qualquer forma, não fique desafiando o seu pai, ele vê mais do que você imagina. Não brinque com a sorte meu prÍncipe prateado. Mas me conte, como está Aegon? — Pergunta Jon, mudando de assunto.

— Crescendo, é um menino muito esperto, está sempre a sorrir. Rhaenys é falante e já tem uma língua afiada, mesmo com a pouca idade. Quase que os trouxemos conosco, mas seria cansativo para crianças tão pequenas.

— Língua afiada, tal quaI o tio, Oberyn? — Diz Jon implicando um tom malicioso na voz. Desde que a princesinha de cabelos negros e pele bronzeada nasceu, ele tinha suas dúvidas sobre a relação dos inseparáveis irmãos Martel. Não acreditava que a menina que retratava Dorne em todos os aspectos, tivesse sangue Targaryen correndo nas veias.

— Achei que tínhamos combinado que pararia com essas insinuações esdrúxulas sobre EIia. —Redargue Rhaegar, visivelmente incomodado.

— Eu não insinuei nada, apenas constatei aIgo, é muito comum que crianças puxem aos seus tios, é família não é mesmo? — Fala Jon tomando ares de inocência.

— Não brinque com a sorte Jon. — Diz Rhaegar em tom sério, imitando as palavras do amigo.

— Meu príncipe prateado sempre tão sensato, faz bem em não se deixar levar pela minha antipatia pelos dorneses, isso é uma das coisas que admiro em você. Então pronto para a caçada ao javali?

— Estarei pronto assim que minha harpa chegar.

— Isso é novidade para mim, mas acho que sua música só encanta moças e não javalis.

Os dois amigos conversam durante um bom tempo antes de se reunirem aos companheiros de caça.

Sor Arthur Dayne, um espadachim magnífico, e membro mais importante da guarda real, tinha um semblante triste naquele entardecer. Sor Barristan, o ousado, gargalhava faceiro ao lago de Jon e do escudeiro Richard.

Ao chegarem a floresta, o grupo se separa em duplas. Rhaegar com o arco em punho é acompanhado por Arthur, que prepara uma armadilha a fim de facilitar a caçada.

— Será que Jon e Barastian estão tendo mais sorte que nós? — Questiona o príncipe. Ao não encontrar sinal de que algum javali havia passado por aquela área a um bom tempo.

— Espero que não, ou Jon vai se vangloriar o resto da vida por nos alimentar esta noite.

— Não tenha dúvida disso amigo.

Quando retornam ao acampamento, Jon ja limpa um filhote de javali com um sorriso orgulhoso no rosto. O grupo, conversa, bebe vinho e se alimenta do assado por horas ao som da belas melodias dedilhadas pelo príncipe dragão. Já passavam das três quando todos pareciam dormir, Arthur se aproxima do príncipe sonolento e o desperta com cuidado para não fazer demasiado alarde. O dragão assente com a cabeça e cuidadosamente se levanta e juntos deixam o acampamento sorrateiramente.

Em sua tenda Lyanna se revira na cama, ainda não conseguira tirar um cochilo sequer naquela noite. A moça não saberia dizer o que a perturbava mais, o breve beijo trocado com o príncipe naquele fim de tarde ou a certeza de que dentro de um ano, talvez menos, seria conhecida como Lyanna Baratheon, senhora de Ponta Tempestade, a sonoridade do nome lhe causava asco. Por mais que Robert, parecesse o pretendente ideal a qualquer jovem lady, afinal, além de herdeiro dos Baratheon, o jovem possuía uma reputação de exímio guerreiro, era dotado de músculos fortes, um rosto imponente e uma barba espessa, que deixava qualquer mulher atraída. Porém Lyanna não conseguia ver nada além de seus grandes defeitos.

Assim com seu irmão Brandon, Robert parecia ter um apreço muito grande por deflorar donzelas ou divertir se com putas e bebedeiras, nunca seria um homem de apenas uma mulher. E na certa, não seria tão compreensivo quanto seu pai em aceitar uma esposa que não quisesse viver presa em uma gaiola, sem poder ser ou fazer, todas as coisas que a torna ela mesma.

A jovem desiste de tentar dormir e de dentro de seu baú, escondida entre inúmeros vestidos, anáguas e corselets, retira suas calças de montaria, uma camisa branca de corte simples e um casaco de couro marrom. Depois de se vestir com cuidado para não acordar a ama, prende os cabelos numa trança, surrupiou a espada de Eddard e deixa a tenda.

O acampamento no entorno do castelo já estava em silêncio, apenas alguns bêbados e escudeiros que limpavam e preparam os cavalos pro dia seguinte estavam acordados. Com um chapéu atarrachado na cabeça, Lyanna caminha e respira o ar de liberdade que apenas uma muda de roupa lhe confere, se saísse trajada como uma lady certamente atrairia todos os olhares e não iria muito longe sem que seu pai ou seus irmãos fossem avisados.

A Stark continua seu caminho até o bosque sagrado, a religião do norte ali, não passava de uma convenção social e certamente ninguém iria até lá orar aquela hora. Teria liberdade para treinar alguns golpes com a estada do irmão, faria sua prece aos antigos deuses e retornaria antes que a ama despertasse.

Desembainhou a espada e admirou o brilho dela sobre o luar por instantes. Lembrava do exato dia que o pai presenteou Brandon com sua primeira espada, ele tinha dez anos e o pai prometeu dar o que desejasse, três anos mais tarde foi a vez de Ned que teve o mesmo desejo. Ansiou tanto por sua décima primavera para também pedir a sua espada, no entanto tudo que conseguiu foi um riso sonoro do pai e um par de brincos de ouro. Mesmo assim, nada pode impedir seu ímpeto guerreiro. Aprendeu a montar, a usar o arco e flecha e a manusear as lâminas tão desejadas, por conta da sua teimosia e esperteza. O ar fresco, a luz da lua e a privacidade do bosque abençoado pelos antigos deuses tornavam a noite perfeita. Lyanna reverenciou a árvore coração curvando — se e oferecendo a espada do irmão e e em seguida tomou posição. Passou longos minutos se dedicando dedicando a um treino solitário e compenetrado, onde exigia máxima perfeição em cada movimento, repetindo — o por diversas vezes até que sua habilidade na execução contenta seu crítico interno.

Quando o suor escorrer — lhe a testa, ela parou por instantes. Anos perambulando pelas florestas de Winterfell infestadas de lobos selvagens aguçar amanhã seus sentidos e as passadas rápidas não passaram despercebidas aos seus ouvidos. A menina, imediatamente se afastou do represeiro, pensou em voltar para casa, mas a curiosidade em saber quem seria o intruso a perturbar seu momento de liberdade a fez permanecer escondida entre alguns arbustos. E assim, avistou Lorde Whent, anfitrião do torneio e senhor de Harrenhal, se postando em frente a árvore coração olhando para os lados aparentemente preocupado.

Segundos mais tarde mais algumas passadas e desta vez quem surge é Sor Arthur Dayne acompanhado do príncipe Rhaegar.

— Vossa Graça, Sor Arthur — diz o lorde prestando sua reverência.

— Onde estão os outros? — Questiona o príncipe correndo o olhar pela clareira.

— Creio que a presença do rei, os deixou temerosos meu príncipe. Temem que este já tenha conhecimento de nossas… reuniões. Mas o apoio e lealdade deles continua para com vossa graça.

— Eu seria um tolo se contasse com o apoio de homens tão desprovidos de coragem — Retruca o príncipe.

— Não pode culpá — los meu príncipe, todos sabem do que o rei é capaz, temem por suas vidas, por suas famílias.

— Conversei com meu pai no início da noite, ele desconfia, mas não tem prova alguma. Se tivesse, este torneio já teria acabado com uma grande fogueira que seria alimentada com nossos corpos lorde Whent. De qualquer forma, minha conversa com ele só me fez ter a certeza de que não tem mais qualquer capacidade de reinar sobre Westeros e sem o apoio de Tywin Lannister, em breve a coroa começará a ruir, o banco de ferro cobrará nossas dívidas e tudo se tornará um caos.

— Sim meu senhor, todos estamos a par dessa situação, mas depor o rei pode ser algo muito perigoso e demorado. Todos acreditam que deveríamos… Providenciar uma sucessão tradicional, assim tudo ocorreria de forma pacífica e não teria de ser preocupar com pessoas descontentes com sua coroação. ..

— O príncipe já foi claro que a sucessão se dará de forma política — interrompe Arthur intempestivo — Não somos assassinos, regicidas! Diga a eles Rhaegar!

O platinado permanece em silêncio e Arthur o encara sem entender. Desde o início das conversas sobre o assunto, Rhaegar deixou claro que não admitiria que o sangue de seu pai fosse derramado, no entanto agora se mostrava hesitante a contrariar lorde Whent.

— Príncipe? — Artur insiste.

— Parece que não sou mais a única opção de meu pai para o trono. Depois de nossa discussão e instável como ele está não duvido que ele venha a me retirar da linha de sucessão. Se isso acontecer, Viserys será o novo rei e ele ênfase apenas uma criança. Quem governaria seria o banco de ferro.

— Meu príncipe, não está cogitando essa idéia está? — Questiona Arthur encarando — o firmemente.

— Eu não sei… Apenas estou cansado das humilhações e do desprezo do meu pai, por mim e meus filhos. De saber o quanto minha mãe sofre presa na fortaleza e não poder fazer absolutamente nada por ela. Um homem como ele não merece viver.

— Meu príncipe, está nervoso com a discussão, nos dois sabemos que jamais faria algo contra o rei e se o fizer… se arrependerá para sempre… A raiva, é uma péssima conselheira. — Intervém Sor Arthur, quando o barulho de um graveto partindo chama a atenção do grupo.

— O que foi isso? — diz lorde Whent voltando a atenção a floresta escura.

Rhaegar faz um sinal com os dedos para Arthur enquanto impõe seu arco e este, toma distância de vossa graça segurando o cabo da espada, sem tirar a atenção dos arbustos.

Lyanna se encolhe tentando que sua presença fosse creditada a um animal qualquer, porém a proximidade dos passos, faziam seu peito se encher temor, subindo e descendo rapidamente. Quando não pode segurar o instinto de fuga, se levantou rapidamente e saiu em disparada por entre o matagal.

Arthur, Rhaegar e lorde Whent se põe ao encalço do aparente garoto franzino. O príncipe dispara uma flecha que passa rente ao braço de Lyanna rasgando-lhe a camisa e riscando sua carne. A jovem se embrenha cada vez mais na mata fechada, lançando pedras em diversas direções sempre que pode parar, obrigando o trio a se dividir.

Apesar da habilidade dela em percorrer por terrenos acidentados a pressa e a falta de conhecimento sobre o bosque lhe fizeram cair depois de alguns minutos. Bateu o rosto contra uma raiz imensa, o que a deixou tonta por alguns segundos. Ao ouvir passos as suas costas, levou a mão na espada e num giro impediu o golpe de Arthur deixando com que suas lâminas formassem uma contra a outra. Por segundos Arthur hesitou ao perceber que se tratava de uma menina e Lyanna aproveitou — se rolando o corpo para o lado e deixando o cavaleiro perder o equilíbrio bradando a espada contra o chão.

Lyanna se levanta num salto rápido e defere um golpe contra o guarda real, que se defende com a espada e aproveitando — se da inexperiência da garota espera um deslize para chutar seu abdômen lançando a jovem contra uma árvore com força. Lyanna atordoada, perde sua espada e ao tentar alcançá — la é freada pelo cavaleiro que quase lhe corta os dedos e em seguida põe a ponta da lâmina em seu pescoço. Aproximando — se devagar e sem tirar os olhos da moça, Arthur pega a espada da Stark no chão.

— Até que você é boa… Para uma garota — diz encarando os olhos furiosos de Lyanna lançando a espada na direção dela que a pega no ar. — Te darei a honra de morrer lutando. — Conclui Arthur.

Lyanna respira fundo tragando o máximo de ar para seus pulmões. Ela conhecia a fama de Dayne, ele era um dos espadachins que mais admirava e também entendia que com o que acabara de ouvir, jamais teria sua vida poupada. Estava condenada, mas lutaria por sua vida até seu último suspiro

Tilintaram as espadas mais uma vez, agora com tanta força que pequenas faíscas brilhavam na escuridão da noite. Arthur conheceu algumas mulheres espadachins, com certeza muito melhores que aquela jovenzinha, porém nenhuma com um ímpeto tão voraz quanto ela.

Em pouco tempo o suor escorria da testa da loba e cada ataque era um pouco mais fraco e lento. Arthur sorri ao perceber que a oponente estava sendo vencida pelo cansaço e aproveita para aumentar a intensidade de seus ataques enquanto Lyanna limitava — se a se defender.

— Sabe qual é o maior inimigo de um guerreiro criança? O cansaço, você pode aprender ou mesmo ser talentosa com a espada, mas dominar e resistir ao próprio corpo só se conquista num campo de batalha — Fala fazendo um giro circular com a ponta da espada sobre a da oponente que acaba por a deixar cair.

— De joelhos — ordena o cavaleiro.

Lyanna permanece em pé com a respiração entrecortada, fitando — o com firmeza.

— De Joelhos! — Brada o cavaleiro ao perceber os passos dos companheiros se aproximando.

Rhaegar surge entre as folhagens ficando pasmo por instantes ao perceber quem era o suposto espião e em seguida coloca a mão sobre o punho de Arthur, fazendo — o baixar a espada gentilmente.

— É só uma garota, Sor Arthur.

— Uma espiã, meu príncipe. Na certa um dos famosos “passarinhos” de Varys.

— É Lyanna Stark. Filha de lorde Rickard, eu a conheço. Deixe que resolvo isso, acompanhe lorde Whent de volta ao castelo.

— O que pensa em fazer vossa graça? Seja lá quem seja, o que ela ouviu pode colocar muita coisa em jogo — adverte lorde Whent.

— Confie no seu príncipe lorde.

— Tome cuidado — diz Arthur embainhando a espada e em seguida se despedindo do príncipe tocando em seu ombro, enquanto Lyanna permanece petrificada a frente deles.

Rhaegar vê os dois se afastarem e volta a atenção a jovenzinha a sua frente. Tão bela e tão voraz. Tinha certeza de que não se tratava de uma espiã, mas parecia que por mais que tentasse se afastar, o destino parecia gostar de colocá — los frente a frente.

— Parece que tem um certo dom para estar em lugares em que não devia — ele diz pegando a espada do chão.

— E por acaso o lugar do príncipe de Pedra do Dragão é tramando contra o rei no meio da noite? — Retruca Lyanna sem hesitar.

— É uma bela espada. — Diz admirando a arma — Pesada demais pro seu tamanho, se sairia melhor com uma lâmina mais leve e fina.

— O que pensa que vai conseguir tramando contra seu pai? Vai acabar preso, morto ou pior causando uma nova dança dos dragões! É isso que quer?

— Não é um assunto que lhe diga respeito senhora Lyanna. Esqueça o que ouviu, volte para sua tenda e recomendo que pare de se comportar como um rapazote inconsequente. Pode não encontrar homens tão compreensivo quanto eu. Agora vai, eu me ofereceria para escoltá — la, mas creio que sabe se defender bem sozinha — Fala Rhaegar estendo a espada a ela.

— Vai me deixar ir? Depois do que ouvi? — diz Lyanna tomando a espada.

— Não acho que seria tola de contar a alguém.

— Não sou, mas você é achando que pode medir forças com o seu pai. Desista dessa loucura príncipe, vai acabar morto ou se tornando um assassino. Que tipo de rei será se tomar o trono dessa forma? Matando o próprio pai? — Diz a garota com certa aflição.

— Você jamais entenderia. É só uma menina que ainda fede a leite! — Retruca Rhaegar sentindo seu peito acelerar, queria crer nas suas palavras, queria afastar aquele sentimento instigante que a jovem lhe despertava — Não entende de política, não tem idéia de tudo que está em jogo caso Aerys continue a governar. — Retruca o príncipe deixando a sua calmaria habitual de lado e falando com rispidez, irritado pela petulância de Lyanna, que ao invés de agradecê — lo por poupar-lhe a vida mais uma vez o afrontava.

— Eu entendo de política o suficiente para saber que isso não vai acabar bem! E você deve ser tão louco quanto seu pai se pensa o contrário. Ou está tão cego pelo poder que não consegue ver um palmo a sua frente. — Ela diz se aproximando e ficando cara a cara com o príncipe. A idéia do perigo que Rhaegar corria com tal manobra a perturbava mais do que ela podia controlar.

— Tudo que faço é pelo futuro de Westeros. — Afirma ele chegando mais perto dela.

— Eu ouvi o que disse, esta despeitado pela rejeição de seu pai. Tem medo que ele decida em favor de seu irmão e acabe perdendo seu direito ao trono. Achei que fosse diferente, mas não passa de mais um principezinho arrogante e sedento por poder! — Ela esbraveja irritada e Rhaegar a segura a puxando pelos braços contra si e firmando seus olhos nos dela.

— Acredite Lady Lyanna, daqui a alguns anos quando suas amadas rosas azuis perecerem ao inverno e seus filhos e filhas tremerem de frio, fome e medo em frente às suas lareiras. Vai saber que tudo que este “principezinho” arrogante e ganancioso fez foi para tentar manter todos vivos. — Ele fala com a respiração forte e o rosto rente ao dela que permanece erguido ao encara — lhe com altivez. Sem poder controlar seus impulsos e tomado por aquele turbilhão de sentimentos que a jovem lhe despertava o príncipe aproxima seu rosto do dela e avança sobre seus lábios com voracidade.

A resistência de Lyanna durou poucos segundos. Assim como os dele, os lábios dela ansiavam por aquele momento. Ele solta seus punhos e a loba se rende totalmente, enredando o dragão num abraço, trazendo — o mais para perto de si e ele faz o mesmo desenhando o contorno de sua cintura com as mãos, subindo em direção às costas, onde uma delas enreda a nuca da garota aprofundando ainda mais o beijo.

Rhaegar, afastou-se por alguns instantes se limitando a admirar o rosto enrubescida emoldurados pelos cabelos um pouco desgrenhados, desceu a mão com firmeza pelo pescoço pousando na lateral do rosto dela e voltando a beijá-la. Desta vez deslizando os lábios pelo contorno do rosto chegando ao pescoço fazendo Lyanna se arrepiar por inteiro. Ela sabia que devia impedí-lo, ele lhe era proibido, estava comprometida com Robert e Rhaegar era um homem casado. No entanto não conseguia frear aquela vontade absurda de sentir os lábios e toque do príncipe.

Gentilmente Rhaegar deu alguns passos sem deixar de beijá-la, até encostá-la contra o tronco da árvore, onde a proximidade de seus corpos se intensificou ainda mais. Por mais errado que lhe parecesse parecia impossível controlar a vontade de tê — la em seus braços. Ousou usar uma de suas mãos para desabotoar a camisa masculina que Lyanna usava, sentiu a pele quente da moça e aquilo apenas aumentou seu desejo fazendo — o intensificar os beijos e a força de seu corpo contra o dela deixando que percebesse sua excitação, que foi contida com um tapa ardente em seu rosto pálido e um empurrão forte que o obrigou a se afastar confuso.

— Sou a Lady de Winterfell e não uma rapariga qualquer! — diz a garota tomando fôlego.

— Perdoe — me não quis ofendê — la, mas desde que a conheci, não consigo tirá — la de meus pensamentos lady Lyanna. E sei que também causo o mesmo em você. — Ele diz voltando a se aproximar.

— Isso não torna certo, vou me casar com Robert Baratheon, e você é um homem casado! Não conheço sua esposa, mas nenhuma mulher merece ser enganada pelo próprio marido.

— Elia é uma boa esposa, me deu filhos, eu aprecio a companhia dela e estava certo de que havia aprendido a amá-la, mas por mais que eu tenha tentado desde momento que eu abro os olhos pela manhã, tudo que tenho feito é desejar ver você, estar perto de você.

— Para quantas já disse isso príncipe? Fique longe de mim ou ou serei obrigada a defender minha honra — Diz empunhando a espada, arrancando um leve sorriso de Rhaegar.

— Perdoe — me mais uma vez — ele fala dando um passo a frente fazendo a ponta da espada dela encostar em sua garganta. Lyanna arregala os olhos castanhos e baixa a espada e ele acaricia seu rosto docemente.

— Por favor… — ela suspira.

— Volte para sua tenda e se puder não comente nada do que ouviu, não traria nada de bom para ninguém.

— Eu não direi nada. Com sua licença majestade. — Diz a garota enquanto Rhaegar se afasta lhe dando passagem.

O príncipe solta o ar dos pulmões tentando dissipar todas aquelas sensações. A conhecia a tão pouco tempo, ela era ainda tão jovem, mesmo assim tivera muito mais discernimento que ele. Como pode confessar o quanto ela mexia com ele? Beijá-la daquela forma sabendo que Elia o esperava no palácio? Nunca traiu a confiança da esposa e não fora por falta de oportunidades, não era um homem de se deixar levar por tentações, mas não conseguia resistir a bela Lyanna Stark.

A loba volta apressada para sua tenda, prestes a adentrar cautelosa para não despertar a família, percebe Brandon postado a sua frente com um olhar inquisidor. O irmão se aproxima da jovem vestida como um garoto, espada presa a cintura e cabelos desalinhados cheios de pequenos graveto e folhas.

— Mundana! — Esbraveja com o hálito de vinho acertando uma bofetada, fazendo seu rosto arder e seus olhos queimarem de raiva como duas brasas.

Notas finais
Então pessoas o que acharam do capítulo?