A Primavera dos Lobos

11 A canção do fogo e do gelo


Notas iniciais
Olá meus amores ♥ Quem aqui estava esperando o grande encontro entre Rhaegar e Daenerys?! O capítulo do presente demorou mas chegou meu povo :3 Boa Leitura ♥

Drogon, Rhaegal e Viserion sobrevoavam a Pedra do Dragão sendo observados por sua mãe. Daenerys ainda estava absorta em seus pensamentos, tentava digerir os últimos acontecimentos sem criar teorias precipitadas em sua mente. Encarou a imensidão azul do mar em sua frente e respirou fundo fechando os olhos.

Passara tempo suficiente sozinha para acreditar que, a volta repentina de Rhaegar dos mortos, talvez não tenha sido algo do acaso. Não deveria sentir-se assim, como se de alguma forma estivesse ameaçada. Sempre teve que conviver com o fato de que ela era a última esperança dos Targaryens e agora, teria que se adaptar novamente a uma família, a um irmão que jamais conheceu.

Tudo que sabia de Rhaegar havia sido contado por outros. Sor Jorah lhe disse uma vez que seu irmão lutou com honra e por isto morreu. No entanto, ele estava vivo e agora desperto.

—Majestade, o Príncipe Rhaegar encontra-se na Sala do Trono, está a sua espera. – Tyrion despertou a Rainha de seus pensamentos.

A platinada assentiu e caminhou a passos firmes até a Sala do Trono. Acomodou-se em seu lugar e suspirou pesadamente.

—Onde está meu irmão? – Questionou a seus guardas.

Os guardas se entreolharam e abaixaram a cabeça. Daenerys pendeu a cabeça para o lado a tempo de notar o homem esguio, de cabelos compridos e platinados, surgir dentre as pilastras a sua direita.

—Estou aqui, minha irmã. – Rhaegar aproximou-se do Trono com um olhar terno, curvando a cabeça levemente.

—Deixe-nos sozinhos. – Ordenou para os demais se retirarem. – Inclusive você, Tyrion. – Olhou para o anão que não pestanejou em olhar para a Rainha com espanto.

—Tem certeza, Majestade? – Insistiu.

Daria tudo para saber o que falariam.

—Questiona sua Rainha? – A platinada devolveu séria.

—Perdoe-me, estarei em meus aposentos se precisar de mim. – Retirou-se a contragosto.

O silêncio reinou naquele lugar. Daenerys analisava seu irmão com um misto de sensações. Dúvida. Receio. Alegria. Medo. Não sabia o que pensar, não sabia o que dizer, era realmente algo assombroso e impossível

—Você construiu um belo império, Daenerys. Varys comentou sobre seus feitos em Essos. – Rhaegar decidiu quebrar o silêncio perturbador.

—Como isso é possível? – Foi o que saiu da boca da mulher. – Depois de tantos anos...a forma como te encontraram...foi Robert Baratheon que lhe deixou no Tridente?

Rhaegar encarou o vazio ao ouvir o nome de seu algoz. Sentia algo dentro de si que queimava suas veias. Ódio, talvez? Rancor, pena? Robert fora um joguete nas mãos dos poderosos homens da cidadela. Acreditava lutar por amor, por Lyanna, e era ignorante demais para compreender que a segurança da Stark, nunca foi a verdadeira motivação para a rebelião que levava seu nome.

—Não lembro-me de muita coisa, apenas do golpe certeiro de Robert com seu machado. – Respondeu, por fim.

—Ouvi histórias sobre você durante toda a minha vida, o Príncipe herdeiro do Trono de Ferro. – Daenerys indagou, precisava de respostas ou seria fadada a loucura de seus pensamentos. – Sor Barristan dizia que serviu a três reis, e juntos, não eram metade do rei que teria sido. E agora, por acaso retornou para honrar as palavras dele?

—Meus filhos estão mortos, minha esposa também, acha que estou preocupado em ser herdeiro por direito do Trono de Ferro? O trono nunca foi minha ambição. – Rhaegar cerrou os punhos, havia ficado irritado com o comentário da irmã.

—Importou-se com eles quando fugiu com Lyanna Stark? – Daenerys arqueou a sobrancelha.

—Eu amava Lyanna, ela era provedora da nossa salvação, as coisas não deveriam ter terminado daquele jeito. – O Príncipe estava desolado, seus olhos estavam perdidos.

—A profecia lhe custou uma família, irmão, lhe custou seus filhos, sua própria mulher, não sei como pode estar tão... – Daenerys tentou encontrar as palavras certas, mas ela mesma sabia que não havia como aquilo soar certo, estava tudo muito confuso para a jovem Rainha.

—Sei o que pensas, eu tive motivos muito maiores do que uma paixão, mas talvez tu sejas tão ignorante quanto eles. – Rhaegar olhou para a irmã com frieza.

—Não insinue nada que não saiba, Rhaegar! – Daenerys olhou firme para o Príncipe. – Creio nas profecias tanto quanto você, e creio também que nem todas são o que parecem ser. Que as palavras voam e mudam com o tempo ou de acordo com o que as pessoas pensam sobre elas.

Rhaegar deu mais um passo a frente, ficando cara a cara com sua irmã.

—Eu não sou louco como nosso pai. Acha que ter chocado aqueles dragões foi um acaso do destino? Ou que eles nasceram para que os Targaryen retomasse o Trono de Ferro? Nunca foi sobre nós Daeneys, somos apenas instrumentos de algo muito maior e antigo do que os próprios dragões, minha irmã.

A Rainha suspirou e sustentou o olhar de seu irmão. Na certa as coisas para ele durante esses anos não foram fáceis. Como ele poderia acreditar que essa profecia ainda se cumpriria?! Como ele poderia acreditar que a salvação dos Sete Reinos estava depositada em um ser humano que ninguém sequer jamais viu?!

—Que seja. – Ela respondeu por fim.

—Gostaria de conhecer seus dragões, minha irmã. — Ele fala voltando o olhar a janela.

—São meus únicos filhos, e até você chegar, eles eram minha única família. – A platinada seguiu o olhar para a janela.

—Eu poderia vê-los de perto? – O Príncipe pediu os olhos brilhando de empolgação, como os de uma criança.

—Claro, mas não arrisque-se em tentar tocá-los, Viserion e Rhaegal não foram domados. – A platinada advertiu lembrando-se de como fora difícil domar Drogon.

-Somos Targaryens, somos dragões, não há porque temer a aproximação com algum outro, minha irmã. – Rhaegar disse com veemência.

—Não confie tanto nisto, mas venha, vamos até eles. – A Rainha prontificou-se a assumir a frente.

Seguiram em silêncio até a praia e Daenerys chamou por seus filhos. O primeiro a descer foi Viserion, depois Rhaegal e por fim Drogon. Rhaegar não conseguia desgrudar seus olhos das figuras em sua frente, nunca vira um dragão em sua vida e agora estava na companhia de três. Eram belos e assustadoramente impressionantes.

—Você os batizou? – Quis saber sem desviar sua atenção para a irmã.

—Sim, eles são uma homenagem a homens que eu amei – ela faz uma pausa e volta o olhar pro irmão – E também odiei. Viserion, Drogon e Rhaegal. Cresci desejando que jamais tivesse feito o que fez, meu irmão. Mesmo sem conhecê-lo eu o amava, toda vez que Sor Barrastian contava-me de seus feitos, de seu amor. Mas também não pude deixar de culpá-lo pelo que nos obrigou a viver, por tudo que perdi antes mesmo de nascer.

—Eu entendo. – O Príncipe abaixou os olhos.

—Vicerys era tudo que eu tinha, eu o amava, mas ele me via como um objeto. Me vendeu aos Dothrakis como uma égua, em troca da promessa de um exército. Meu marido era um bom homem apenas demorou um pouco para perceber isto, ele me prometeu o Trono de Ferro e ele morreu.

—Sinto por sua perda. — O Príncipe falou com sinceridade.

—Está tudo bem, certas dores aparecem para nos tornar mais fortes. – O rosto da garota se endureceu, estava mais madura, não tinha dúvidas daquilo.

Rhaegar, no entanto, deixou a irmã de lado e concentrou-se nos três belos dragões a sua frente. Estava disposto a ignorar os avisos que sua irmã lhe dera e arriscar tocar em seus filhos.

Deu um passo a frente e ergueu levemente a mão esquerda para Rhaegal. O mesmo o encarava, como se estivesse esperando por seus próximos movimentos para ter certeza se deveria atacar. O platinado chegou mais perto, Daenerys olhava tudo com um certo temor, queria impedir o irmão, mas ao mesmo tempo queria recuar e aguardar a reação de seu filho.

Rhaegar começou a descer sua mão em direção a cabeça do dragão, porém, quando estava perto o suficiente para estabelecer algum tipo de contato, Rhaegal soltou uma lufada de ar quente como se gritasse e alcançou vôo juntamente com os demais.

—Eu disse a você que não deveria arrisca-se com meus filhos. – Daenerys sibilou intrigada.

—Sou um Targaryen, se me manteram vivo, foi para estar aqui, ser uma das cabeças do dragão. Não entendo o porque dele não me reconhecer. – O Príncipe falou quase que para si mesmo.

Daenerys desviou o olhar. Recordou-se do fato atípico em que o Rei do Norte tocou em Rhaegal. Aquilo só estava cada vez mais estranho, já não sabia mais o que pensar, não depois desta recusa de seu filho. O que teria Jon Snow de melhor do que um próprio herdeiro Targaryen? Não fazia sentido algum, afinal.

—Esqueça isso, é melhor você descansar. – A platinada voltou de seu transe.

—Passei anos adormecido, a última coisa que preciso no momento é de descanso, explorarei as redondezas, sozinho. – Frisou a última palavra. – Senti falta de estar em casa.

Daenerys soltou um suspiro e assentiu.

Voltaria para seus aposentos e tentaria processar o fato inusitado que acabara de presenciar.

—Se é assim que desejas... – A Rainha deu de ombros e marchou a passos largos para sua morada, deixando o Príncipe Rhaegar inerte em seus pensamentos.

(...)

O Rei do Norte dava algumas goladas em seu vinho. Era estranho estar dividindo o teto com aquele que retirou de sua família, um de seus entes mais queridos. E era ainda mais estranho o fato de não se sentir mal por não fazer justiça para os Stark.

—Para um Rei, você parece um tanto quanto confuso sobre si mesmo. – Tyrion cruzou a porta de madeira, sentando-se ao lado do Snow.

-Não costumo ligar para o que parece e sim para o que realmente acontece. – Jon deu mais uma golada em sua bebida.

—Suspeito que esteja abalado com o fato de Rhaegar estar vivo. – Indagou o anão.

—Não é como se eu quisesse aplaudir de pé o homem que levou minha família a desgraça. – Encarou o Lannister.

—Não é como se você fosse de fato um deles, és um bastardo, lembra? – Devolveu o baixinho.

—Bastardo ou não, sangue Stark corre em minhas veias e devo zelar por ele. Este homem foi a causa da morte prematuro dos irmãos e do pai de meu pai, sei da dor que ele morreu cultivando por isto. – O Rei do Norte não perdeu a calma.

-Então porque não enfiou sua espada no coração do Príncipe quando teve oportunidade? Ou talvez porque deva sua existência a ele, afinal, foi durante a guerra do usurpador que o honrado Ned, voltou com um bastardo para Winterfell, não é? – Tyrion continuava suas investidas.

Snow abriu a boca para falar, mas foi interrompido por uma voz feminina e decidida.

—O Rei do Norte não faria tal afronta a uma possível aliada na luta contra os mortos. – Daenerys sentou-se a frente dos dois homens.

Tyrion ajeitou-se um pouco mais na cadeira, incomodado. Não esperava que a Rainha estivesse ouvindo a conversa dos dois, na certa, agora estaria desconfiada de seu conselheiro e aquilo não era nada bom, precisava da confiança total da Targaryen.

—Pode nos deixar a sós? – Perguntou ao anão, mas ele sabia que aquilo era uma ordem.

O Lannister assentiu e deixou o local, preocupado.

Daenerys voltou seu olhar para Jon e soltou um suspiro longo.

— Acabei de ter uma conversa...amistosa com meu irmão. – Ela soltou depois de alguns minutos sem dizer nada.

—E como foi? Digo, era o que você esperava que fosse? – O Rei do Norte questionou.

—Não sei dizer, estou um tanto quanto confusa, Rhaegar está instável, eleva a voz de repente e depois a suaviza, relembra o passado como se ainda o vivesse. – A Rainha explicou.

— Acha que ele está a beira da loucura? – Jon continuou seus questionamentos.

—É cedo para dizer. – Desviou o olhar. – Houve mais uma coisa. – Lembrou-se do estranho episodio com Rhaegal mais cedo.

—O que aconteceu? – Snow encarou firmemente os olhos de Daenerys.

—Ele tentou uma aproximação com um dos meus filhos, mas não obteve sucesso, o que me leva a pensar o porque de você conseguir tal proeza e um Targaryen legítimo, não. – Ela o olhava com curiosidade.

—Se eu soubesse a resposta, Majestade, com toda a certeza já teria subido em um deles e rimado ao norte, onde eles seriam verdadeiramente úteis. – Jon continuou a olhá-la.

De alguma forma, algo na Rainha lhe atraía. Talvez a sua força, sua teimosia, sua descrença, sua destreza em guiar um exército, sua beleza...o Rei do Norte não sabia, mas sentia como se precisasse estar ali, como se ela fosse sua salvação e ele a dela.

—Mais uma vez, obrigada por tê-lo tirado do Tridente, Rei do Norte. – Daenerys se levantou.

—Era o certo a se fazer. – Ele assentiu arrependendo-se logo em seguida de suas palavras.

Aquela era uma ótima chance de se aproximar um pouco mais da platinada, mas a perdeu no instante em que viu os olhos da garota perderem o brilho e a mesma sair do cômodo sem hesitar.

(...)

Arya empurrou a cadeira do irmão até o bosque sagrado, Brandon ou o corvo de três olhos, passava a maior parte do tempo ali. Os anos foram duros com os irmãos Stark e nenhum deles lembravam as crianças que um dia deixaram o Norte, porém nenhum deles mudou tanto quando Bran.

Arya, não reconhecia o irmão dentro daqueles olhos apáticos e embora quisesse acreditar que ainda havia um resquício de Bran dentro deles, tudo que conseguia ver era o corvo de três olhos. Quanto a Sansa, nunca foram exatamente amigas, mas agora eram completas estranhas. E o fato da ruiva andar por Winterfell com o andar altivo, delegando funções e dando audiências como um verdadeiro lorde de Winterfell, enquanto ficava de conversar e segredinhos com lorde Balish a incomodava ao ponto de desejar a morte da própria irmã.

Sentia-se traída por Sansa, desde quando ela ficou ao lado do então Príncipe Joffrey Baratheon quando este condenou sua loba a morte. Mas a imagem da irmã, tão bela com flores nos cabelos no dia em que seu pai teve a cabeça decepada ainda perturbava suas noites de sono.

Jon era sua última esperança de ter um verdadeiro irmão ao seu lado, mesmo que este fosse um bastardo.

— Precisa enviar outro corvo a Jon, ele precisa saber. – Bran quebrou os pensamentos da garota.

— Precisa saber do que? – Arya questionou.

— Que hoje é o primeiro dia da longa noite — Ele fala sem voltar o olhar a irmã que permanece confusa.

— Ainda nem sabemos se ele regressou do Tridente, o que havia lá de tão importante? – A jovem guerreira continuou com seus questionamentos.

— O príncipe Rhaegar Targaryen a primeira cabeça do dragão. – Bran foi evasivo.

—Rhaegar foi morto por Robert Baratheon, ouvimos essa história milhões de vezes. — Retruca a jovem.

— As árvores mais fortes estão enraizadas nos lugares mais sombrios do mundo, a escuridão será seu manto, seu escudo, seu leite materno. A escuridão lhe fará forte. — Fala o jovem com o olhar perdido ao lembrar das palavras do corvo de três olhos, palavras que agora eram suas. — Envie um corvo a Jon, diga-lhe que seus amigos necessitam de sua ajuda na muralha.

—Farei isso meu irmão, mas e quanto a Sansa? As vezes penso que ela quer tomar o lugar de Jon, no outro dia ela permitiu que os Lordes falassem contra ele.

— Jon e Sansa, estão onde deviam estar, fazendo o que devem fazer, Arya. Eles encontraram quem são, você deveria fazer o mesmo. – Bran não demonstrava emoção.

—Eu sou Arya Stark — fala a garota com convicção.

— É o seu nome, mas Arya nunca precisou de outros rostos para fazer o que ela devia fazer. Sabe o que te incomoda em Sansa? Ela sempre foi o que ela era, fez o que devia e podia fazer para sobreviver, mas nunca negou quem ela era. — Fala o rapaz com a voz calma.

— E você, quem é você? Porque meu irmão sei que não é mais.

— Bran não é mais o que sou, mas eu ainda lembro de como era ser ele, você lembra de como era ser Arya Stark?

—Eu ainda sou Arya Stark — fala se levantando — Vou fazer o que me pediu.

Enquanto a irmã se afasta, Bran aproxima sua cadeira do represeiro, toca sua face e quando abre os olhos está sobrevoando a muralha. Sente o vento gelado bater em suas asas e do alto observa a legião de mortos postados atrás dos quatro cavaleiros brancos.

Notas finais
Agora deu ruim sim ou claro?