A Primavera dos Lobos
12 Minha doce Lyanna
Notas iniciais
Minha doce Lyanna

"Você nunca conheceu Lyanna como eu conheci Robert. Você só enxergava a sua beleza, mas não o ferro sob a mesma." — Eddard Stark
Naquela tarde o Príncipe Rhaegar Targaryen derrotou o Lorde Yohn Royce, na competição de justas, garantindo seu nome na próxima fase. Brandon Stark e Sor Barristan Selmy também garantiram uma qualificação. Robert disputava em outra modalidade e foi o primeiro a garantir o brasão de sua família hasteado.
O príncipe deixou a arena com um sorriso no rosto, por mais que ele tentasse resistir, seus olhos procuravam pela Stark instintivamente. Lyanna disfarçava o encanto que sentia, tentava acreditar que aquele sentimento instigando dentro dela, era apenas parte de sua personalidade. Nunca soube ouvir um não, nunca gostou que lhe proibissem de algo e menos ainda que a forçassem a algo que não queria. No entanto, não parecia haver escapatória para o casamento com lorde Baratheon, nem mesmo Eddard, que sempre fora um apoiador e por muitas vezes cúmplice, concordava com sua recusa em aceitá-lo como marido. Ela já estava convencida e quase que resignada ao seu destino, e agora, o príncipe surgiu em seu caminho, fazendo-a criar ainda mais repulsa do que já tinha ao casamento com o lorde.
Não conseguiu segurar o sorriso ao príncipe quando este passou pela frente do camarote dos Starks e acenou com a cabeça a ela. No entanto, ele seguiu a jornada e em alguns minutos o viu se retirar do evento em companhia da esposa e do cunhado. Repetiu a si mesma para a esquecer de vez aquela insanidade. Rhaegar pertencia a Elia Martell, eram marido e mulher perante a lei e aos deuses novos, ela precisava tirá-lo de seus pensamentos e decidiu fazer o que o irmão instruiu.
Tentar abrir seu coração a lorde Baratheon.
No fim de tarde, se reuniram na campina para a competição de tiro ao alvo. Eddard chegou na companhia da irmã e Robert já os esperava com os alvos prontos ao lado de um jovem escudeiro.
— Parece que seremos apenas nós — ele fala voltando o olhar para a estrada — ou não. — Conclui ao ver o príncipe de Dorne se aproximar em seu cavalo.
O rapaz cumprimentou a todos e deu um beijo demorado na mão de Lyanna, que deixou a ela e ao seu noivo incomodados. Robert conhecia fama de galanteador do príncipe Oberyn. Com apenas quinze anos fora pego na cama com a esposa de um nobre, e teve de lutar com o marido em um duelo onde o este acabou morto, mesmo tendo sofrido alguns poucos arranhões. Tal episódio, lhe rendeu o apelido de víbora vermelha de Dorne, pois embora não tenha sido provado, era certo que usou de venenos em suas armas para condenar o oponente a morte certa. Eddard nutria certa antipatia pelo dornês, por conta de tal artimanha que ia contra contra o código de honra de um duelo e mostrava que o caráter do príncipe não era dos mais íntegros.
Antes de começarem, Lyanna relata que tomou a liberdade de convidar duas amigas para participarem e alguns minutos mais tarde, as duas ladies da casa Mormont também se juntaram ao grupo.
Alysane foi a primeira a tomar o arco, a mulher alta e corpulenta de pouco mais de vinte anos, exalava um cheiro forte de suor e cavalo, que fez Robert recuar. Lyra, cheirava muito melhor que a irmã e usava um vestido simples, um pouco sujo, atarrachado na cintura fininha e ancas largas, que fez o Baratheon pensar no quanto seria divertido descobrir o que havia embaixo de tantos panos. Mesmo assim, não entendia como sua linda e doce Lyanna poderia ter amizades tão desqualificadas.
Alysane empunhou o arco, embora soubesse usá-los, a mulher sempre preferiu armas mais intensas. Machados e marretas eram suas favoritas, arcos pareciam delicados demais para suas grandes mãos, porém acertou os alvos sem dificuldade. O príncipe Oberyn foi o segundo, e depois de três rodadas aumentando a distância dos alvos restavam apenas ele e Lyanna na disputa.
— Vamos dificultar as coisas ou vamos passar a noite aqui. — fala Robert puxando seu escudeiro até próximo aos alvos — Pryon, vai lançar esta maçã no ar, e aquele que a acertar, será o campeão — conclui Robert.
— Eu devo lançar? Mas e se me acertarem? — Protesta o jovenzinho.
— Deixe de ser um maricas, e obedeça. — fala o Lorde voltando para o lado de Lyanna.
Os competidores tomam a posição, Robert fez uma marca com a faça na flecha de Lyanna para não haver dúvidas sobre o vencedor, e o escudeiro se postou temeroso com a maçã em mãos.
— Dificulte para eles, Pryon. — Grita Lorde Baratheon.
O jovem ainda trêmulo anuncia que vai jogar a maçã e os olhos de Lyanna estão tão fixos na fruta quanto os de um lobo que espreita a sua caça. O escudeiro lança e antes que as duas flechas a acertem, uma terceira arremata a maçã a tirando da mira dos dois que se olham confusos, até perceberem o príncipe dragão, montado em seu cavalo a alguns metros atrás deles com seu arco em punho.
— Parece que temos um vencedor — fala Lyra enquanto o príncipe se aproxima e desce de seu cavalo.
— Não pode aparecer do nada e vencer o torneio — protesta a loba.
— Perdoe-me senhora Lyanna, foi apenas uma brincadeira. Mas creio que em Harrenhal se tornou épico aparecer misteriosamente em torneios. — Ele fala enquanto cumprimenta Eddard, Robert e as ladies Mormont.
— E por falar em mistério, tiveram alguma notícia sobre o tal cavaleiro da árvore que ri? — Questiona o lorde de Ponta Tempestade.
— Nenhuma — fala o príncipe voltando o olhar para Lyanna. O que não passou despercebido pelo astuto Oberyn.
— Chegou atrasado cunhado, achei que não viria. E onde está minha irmã?
— Estava indisposta, preferiu descansar na companhia de sua dama para se prepararem para o banquete de mais tarde, sabe como são as mulheres.
— Nem todas príncipe — diz Alysane com seu sorriso de dentes amarelados.
— É claro, dê minhas condolências a Joha, quase perdi minha esposa no parto, posso mensurar a dor dele.
— Eu direi a ele. — Fala Alysane.
Lyanna não conseguia entender como um príncipe sabia de um assunto tão abaixo de suas preocupações, a casa Mormont era pequena e pobre. Nem mesmo seu pai que era lorde protetor dos Mormont, se preocupou em dar as condolências a Joha, mas Rhaegar, era totalmente diferente de todos os homens que conheceu, ele tinha uma sensibilidade e empatia encantadoramente belas.
— Bom, se me permite meu irmão, gostaria de voltar a tenda para que as meninas e eu possamos nos arrumar para o banquete também — fala a loba. Não que ela se preocupasse em estar impecável para o evento, mas precisava manter distância do Targaryen, pois cada vez que o via sentia-se mais atraída por ele.
— Eu estou pronta! — pigarreou lady Alysane — Mas adoraria uma cerveja com os nobres cavalheiros aqui — fala batendo as costas de Oberyn o fazendo desequilibrar por instantes.
— Pode ir minha irmã. — Assente Ned, e Lyanna se despede rapidamente de todos.
Andaram apressadas até a grande tenda da família Stark. Lyra percebeu o incomodo da amiga, com a presença do príncipe, mas preferiu não comentar. Aprendeu desde cedo que não devia se meter nos assuntos de nobres importantes, mesmo Lyanna sendo uma amiga de infância.
Rhaegar acompanhou — os até as tendas onde pediram algumas canecas de vinho. Enquanto ele estava na primeira, Robert e Alysane já pediam a quarta. O Baratheon falava alto e contava histórias dos bons tempos que passou no vale, sem toda a responsabilidade de ser o herdeiro de Ponta Tempestade.
— Houve um mês que me deitei com uma mulher diferente a cada noite, lembra — se, Ned?
— E eu vou saber? Não lhe servi de colchão. — Retruca o amigo.
— Mas sabe que eu não sou de contar lorotas. Mas é claro que isto ficou no passado, agora só tenho olhos para minha Lyanna. — Fala levantando o caneco.
— Se casarão em breve? — Questiona Oberyn.
— Por mim nos casaríamos hoje mesmo, mas lorde Rickard, quer casar os dois marmanjos primeiro e por conta disso tenho de esperar. A propósito príncipe, meu amigo Ned acha a dama de sua esposa por deveras interessante.
— Robert! — protesta Ned — Não de importância as conversas dele, já está bêbado.
— Por acaso disse uma inverdade? Ou desistiu dela por conta dos boatos que teria dormido com seu irmão?
— Robert! É melhor parar com a bebida. — Fala Ned em tom sério.
— Ashara é uma boa moça, irmã de um grande amigo meu, tenho carinho por ela. Seja lá o que originou tais boatos, seria educado de sua parte não incitá-los ainda mais, lorde Baratheon. — fala o príncipe num tom altivo.
— Claro, tens toda a razão meu príncipe. Mas voltando a assuntos mais agradáveis, espero que meu amigo arranje uma noiva rápido para que eu possa desposar a irmã dele o mais depressa possível.
— O tempo é um bom conselheiro lorde, será bom para vocês dois se acostumarem com a idéia — fala Rhaegar incomodado com o assunto.
— Eu não preciso de tempo para acostumar com a idéia de ter tão bela flor em minha cama — fala o lorde com uma gargalhada enquanto o príncipe cerra os punhos e o fita com certo furor.
— Robert, é da minha irmã que estamos falando — protesta Ned.
— Uma esposa é muito mais que sua beleza lorde, e um casamento vai muito além do leito. Mantê-lo próspero exige muito mais do que pode imaginar e creio que ainda mais quando a noiva é uma moça tão impetuosa como Lyanna. — fala o príncipe em tom ríspido que fez Ned arquear as sobrancelhas com estranheza.
— Ora príncipe, creio que tenha ficado impressionado com o que ela fez aquele dia com os escudeiros, mas minha Lyanna é tão delicada quanto uma rosa. — Ele diz e Eddard revira os olhos, longe das formalidades sua irmã era tão delicada quanto um coice de mula.
— Até as mais belas rosas tem espinhos. Assim como toda a serpente tem seu veneno, mesmo que não pareça — fala Oberyn olhando pro cunhado — Deixe uma mulher enfurecida, e verá do que ela é capaz. — Conclui ele voltando o olhar para Robert.
— Bem, a conversa foi muito boa, mas precisamos nos retirar, não é mesmo, Oberyn? — fala o príncipe.
Os príncipes se despedem e seguem a caminho do castelo a pé, enquanto seus escudeiros guiam seus cavalos.
— Fique longe dela — Fala o príncipe se voltando ao cunhado.
— Longe de quem?
— Sabe muito bem, não fiz nada e nem farei algo que envergonhe Elia ou sua família, fique longe de Lyanna. É uma ordem. — Diz o príncipe deixando Oberyn parado enquanto segue seu caminho.
Rhaegar voltou aos seus aposentos e dispensou a serva assim que entrou. Elia, fingiu não perceber a irritação nos olhos do marido e continuou a pentear os cabelos.
— Mande seu irmão ficar longe de Lyanna. — Fala sem rodeios. — Se algo acontecer com ela...
— Desde quando alguém controla a víbora vermelha? Ele faz o que quer e que culpa tenho se esta lobinha do Norte desperta tanto interesse dos príncipes de Westeros?
— Lyanna é uma menina, o que te disse tem a ver comigo não com ela. Se algo a acontecer, eu não a perdoarei, Elia.
— Fala como se meu irmão fosse um louco assassino.
— E não é? Todos sabem o que ele fez em Dorne. Não era um duelo até a morte, ele assassinou aquele homem.
— Ele não vai encostar num fio de cabelo daquela “criança”, ele não é um assassino, muito menos eu. Não vou matar uma garota porque meu marido se encantou por ela, só provaria que não me sinto a altura. — Ela fala tocando o rosto de Rhaegar — Passamos por tantas coisas juntos, não nos casamos apaixonados, mas nós nos amamos. Superaremos isso juntos, sim? — Ela fala com um sorriso e olhos lacrimejando. O platinado a envolve num abraço e beija o topo de sua cabeça.
— Me perdoe. Eu não queria me sentir dessa forma. Muito menos causar — lhe sofrimento, meu amor. — Ele diz com a voz aveludada.
— Há coisas que não podemos escolher meu amado, mas podemos combater. Não quero que pense que não desejo sua felicidade, mesmo com o coração partido não me importaria de divirdi-te com outra, se soubesse que isso traria o sorriso que vejo tão poucas vezes em seus lábios. Mas ela é uma nobre importante e está prometida a outro homem. Tomá -la como amante traria a vergonha para duas casas importantes, as quais você precisará se apoiar quando for coroado. Só quero te proteger, meu amado.
— Esqueça isso, não tem o que temer. Não posso oferecer nada a Lyanna além da vergonha, jamais ofenderia os Starks de tal maneira, muito menos a condenaria a viver desta forma. Agora se me permite, preciso de um banho. — Ele fala beijando a testa da esposa.
Quando a noite caiu, mais um banquete suntuoso era servido, Lorde Arryn conversava junto a mesa dos Starks, assim como Robert Baratheon e o jovem Reed.
— Nunca estive em um torneio tão magnífico quanto este — exclama Reed.
— Realmente, sem dúvidas é o maior torneio dos sete reinos. O que me faz pensar é como lorde Whent conseguiu ouro para bancar tudo isto, não sei quanto a vocês meus amigos, mas os impostos ao Vale, sobem a cada ano. — Reclama Jon levando a caneca de vinho a boca.
— Verdade Jon, mesmo Winterfell sendo tão grande, está cada vez mais difícil pagar os impostos a coroa— concorda Rickard.
— Pois eu tenho certeza que quem está por trás disso tudo é o príncipe Rhaegar. Se não fosse a presença do rei, ele já teria nos procurado para falar sobre o assunto. — Diz Robert com convicção.
— Bom, se ele prometer diminuir os impostos eu o apoiaria com toda a certeza — fala Rickard — E você Jon?
— Eu não sei, não duvido que Rhaegar seria um bom rei, mas andei conversando com o meistre Collemon, e ele me fez ver que desde que os Targaryen assumiram, os sete reinos não prosperam tanto quanto Porto Real. Vejam bem, a maioria do que possuímos, já estava aqui antes de Aegon o conquistador. — Relata o homem com certo pesar nos olhos.
— Nesse quesito eu não posso reclamar, Ponta tempestade nem existiria se não fossem os Targaryen. Mas entendo suas frustrações, pois nem mesmo esse castelo conseguiu se recuperar da destruição dos dragões deles. — fala Lorde Baratheon.
— Não quero dizer que não houve bons reis, sim houve. E fizeram coisas magníficas, mas toda vez que coloco na balança, penso na destruição, nas guerras e conflitos que os Targaryen trouxeram para Westeros e me pego a imaginar como seria se fossemos incurvados como Dorne. Eles só tem pedra e areia e mesmo assim os Martell, acumularam uma fortuna inimaginável.
— Incurvados só no nome, só que ao invés de baixarem as cabeças, baixaram as calças e levantaram as saias prós Targaryen — fala Robert arrancando algumas risadas.
— Pois lembro de um certo alguém que se orgulhava em ter uma avó Targaryen — fala Brandon levantando o caneco.
— E ainda me orgulho, apenas diferente dos Martell, não precisamos fingir uma rebeldia que já não existe — Retruca o Lorde.
Lyanna adentrou o salão na companhia de Lyra. Ela havia emprestado um belo vestido de veludo fino a amiga que tinha um sorriso de orelha a orelha. A nortenha escolheu um vestido azul escuro, com um decote ousado sem alças, a saia ostentava um volume mediano e a cintura bem demarcada, denunciavam as curvas de mulher já presentes em seu corpo, apenas uma fina tiara estava sobreposta sobre seus cabelos selvagens, que davam vida a sua personalidade, junto com a gargantilha negra com um pequeno pingente ostentando o brasão Stark.
Robert suspirou profundamente ao ver a beleza de sua noiva, e foi ao seu encontro com um sorriso galante. Dançaram três valsas e Lyanna teve de admitir que o lorde tinha um senso de humor apurado e lhe arrancou diversos sorrisos durante as danças. A convidou a um passeio e ela decidiu aceitar, saíram sorrateiramente do salão, mas não a ponto de não serem percebidos pelos olhos violetas de Rhaegar.
—Lorde Whent disse que se sentiria honrado se tocasse uma canção em honra ao aniversário de sua filha. — Fala Jon Connington, trazendo o recado do lorde ao príncipe.
— Pois diga ao lorde que sou o príncipe de Pedra do Dragão, e não um dos músicos que ele contratou — redargue rispidamente chamando a atenção do pequeno grupo que o cercava — Se me dão licença senhores — fala abrindo caminho e se afastando.
Seguiu a jovem loba e seu prometido com a cautela de um caçador experiente para não ser visto. Os jovens subiram as ruínas da torre onde o acesso era proibido e ele os viu partilharem da bela vista da campina que se mesclava com o céu estrelado no horizonte.
— Realmente é muito bonito, lorde Baratheon — fala a garota contemplando a vista.
— Eu sei, minha mãe sempre me disse o mesmo — ele diz com um sorriso ao tomar a mão da moça.
—Eu falava da vista — fala Lyanna puxando a mão com um sorriso brincalhão nos lábios.
— Eu sei, desculpe meu senso de humor. Sei que não agrada todo o mundo.
— Gosto do seu senso de humor, para ser sincera é uma das poucas coisas que gosto em você — fala quase sem perceber a gafe.— Eu… não quis dizer isso.
— Sei que nosso casamento não é de seu agrado e acredite, eu entendo. Sei que não sou tão galante e honrado como o homem dos sonhos de toda a donzela, mas eu a amo. A amo desde a primeira vez que a vi.
—Se me lembro bem na primeira vez que nos vimos eu tinha acabado de tentar ajudar minha ama a pegar um leitão, e estava tão suja e fedida quanto ele.
— Ah, verdade. Acho que foi um pouco depois disso, mais precisamente há uns dois anos que visitei Winterfell, você estava colhendo rosas e foi a coisa mais bonita que eu vi. Fiz coisas erradas no Vale, mas quero que saiba que de hoje em diante viverei por você e para você, minha doce Lyanna — ele fala aproximando seu rosto do dela. A garota fica estática e deixa que os lábios dele toquem os seus, fechou os olhos e tenta gostar daquela sensação, mas tudo que sentiu foi incomodo e agradeceu quando um barulho estrondoso de pedras caindo lhe deu motivos para o afastar.
Rhaegar se encolhe depois de derrubar alguns blocos soltos, sentiu o peito encher de fúria ao ver Robert a beijar. Saber que em breve ela seria sua esposa o deixava desconcertado, como queria poder mudar as coisas, como queria tomar Lyanna para si, dar seu nome e filhos a ela. Sentiu raiva de si mesmo e respirou fundo ao ver Jon postado próximo a ele o observando. Os amigos se entreolharam e deixaram o lugar em silêncio.
Na tenda de Connington, Rhaegar contou em detalhes tudo que estava acontecendo, desde a tentativa falha de reunir os lordes para depor o rei Aerys, as perturbações que Lyanna vinha causando em seu íntimo. Jon, ouviu tudo com a atenção. Conhecia Rhaegar desde a infância e como todo o jovem teve seus romances, mas jamais o ouviu falar com tanta paixão sobre alguém. Ele tinha a mesma ansiedade, admiração e brilho no olhar que ele tinha ao falar de seu príncipe prateado. Mas diferente dele, pelo que Rhaegar relatou, Lyanna também parecia corresponder aquele sentimento.
— Eu simplesmente não consigo me controlar, veja só, eu deixei Elia sozinha no banquete para seguir uma menina. Talvez eu esteja ficando louco.
— Esta apaixonado, e o amor é assim mesmo, ainda mais se sabe que pode ser correspondido. Ah! Meu amigo, está em apuros!— Fala Connington num misto de alegria e decepção.
— Talvez eu deva voltar antes do fim do torneio para casa. Ficar longe dela, vê- la nos braços daquele lorde, eu queria matá -lo.
— Seria bom, isso se quiser continuar a viver a sua vida de mártir. Ora Rhaegar, quando fez algo que realmente queria? Desde que eu o conheço, vive para agradar seu pai, seus súditos… Elia. Você nunca quis se casar com ela, tinha que se casar e ela era a escolha que mais agradaria o reino por isso a aceitou. E agora? Está tentando depor seu pai porque? Realmente quer ser rei? ou apenas agradar o povo? Ou a Tywin?
— Depor Aerys é uma questão de sobrevivência para este reino Jon, você sabe bem disso. Embora eu admire lorde Tywin, não tem nada a ver com ele e eu amo minha esposa!
— Tem certeza? Lorde Twyin vem incitando essa revolta em você desde Valdocaso e quanto a sua esposa, por acaso alguma vez ela fez você se sentir como essa jovem que acabou de conhecer faz? Único, vivo, feliz?
— Ela me deu Rhaenys e Aegon.
— Ficou feliz por ter um filho com ela ou por ela ter te dado o que achava que precisava? Diria a Lyanna, que precisa de três depois dela quase morrer no parto?
— Cale-se Jon. Eu não sabia que a situação de Elia era tão grave.
— Eu só estou lhe dizendo o que precisa ouvir, tem carinho por Elia, não duvido disso, mas nunca a amou e nunca vai amá-la de verdade e agora que sabe o que é verdadeiramente amar, não se contentará com menos que isso. Será ainda mais infeliz do que já é, se deixar que essa garota se case com outro.
— E o que sujegere? Sou um homem casado, não posso oferecer nada a ela.
— Talvez não possa oferecer o seu nome, mas você é um príncipe, o futuro rei de Westeros. E quando isso acontecer, poderá oferecer a ela o que ela desejar. Mas não poderá fazer isso se ela já for de outro homem, tiver filhos dele. A perderá para sempre se não agir agora.
(...)
No dia seguinte Lyanna acordou disposta, o hematoma em seu rosto já havia quase desaparecido e Lyra dormiu com ela na tenda dos Starks. Passaram a noite conversando sobre o torneio e também sobre lorde Baratheon. Lyanna apesar de ainda sentir repulsa a idéia de casar com ele, ficou feliz por terem conversado abertamente sobre seus receios na noite anterior. De certa forma mostrava a ela que Robert estava preocupado com seus sentimentos e não buscava apenas uma mulher para ostentar, foder e parir seus filhos.
— Acha que tem alguma chance de seu pai querer casar Eddard com uma de suas vassalas? — diz Lyra enquanto Lyanna trança seus cabelos.
— Porque? Está se candidatando?
— Seu irmão é tão bonito e educado.
— Lamento informar, mas embora meu pai ainda não tenha oficializado nada, há comentários que está acertando o casamento de Ned com uma Hightower, lamento.
— Pelo jeito vou morrer solteira! Meu primo não faz nenhum esforço para arranjar — me um marido.
— Eu trocaria Robert pela liberdade das mulheres da ilha dos ursos facilmente, quer?— Brinca Lyanna. — Pronto, agora vamos tomar o desjejum, estou faminta.
Saíram as duas mocinhas em direção a fogueira armada a frente da tenda, Lyanna deixou a cesta de pães entregue pela serva cair ao ver Rhaegar sentado sentado à beira do fogo trocando palavras com seu pai.
— Lyanna! Nunca vão deixar de ser desajeitada menina — repreende o pai — Junte isso é venha cumprimentar o príncipe.
A jovem juntou rapidamente os pães sentido o peito disparar, cumprimentou o príncipe que beijou a sua mão e sorriu ternamente ao levantar o olhar a ela. Um grito assustado se Benjen cortou o estado de catatonia que os olhos de Rhaegar lhe causavam e entrou para dentro da tenda apressada, puxando Lyra com ela. Rhaegar voltou um olhar curioso para o lorde que parece tranquilo.
— É meu filho mais novo, ele tem pesadelos às vezes e pioraram desde que ouviu o recrutador da patrulha da noite falar sobre os perigos além da muralha. Quer até se tornar um patrulheiro, acredita?
— Bom,é uma honra servir a patrulha.
— Talvez tenha sido no passado, mas hoje, a patrulha se resume num depósito de bastardos, criminosos e bêbados — fala o Stark.
— Restaurar a patrulha da noite a sua antiga glória, será a primeira prioridade de meu reinado. Sei como a muralha é importante pros nortenhos e muito em breve também será para todos os sete reinos — f.ala o príncipe quando seu escudeiro surge aos gritos chamado a sua atenção.
— Meu senhor, meu senhor. — grita se aproximando quase sem fôlego.
— Algum problema Rickard? —questiona o príncipe levantando a sobrancelha curioso.
— Sor Gregor Clegane, por pouco não matou um homem, outros cavaleiros o atacaram está a maior confusão.
— Com sua licença lorde Stark, falaremos mais tarde. — Diz o príncipe se afastando em direção ao escudeiro.
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