Meu plano é depois de fazer o demônio dormir, explodir aquela maldita casa e acabar com isso pra sempre. Como não tem nenhuma casa perto da casa 666, não vai ter problema de eu explodir a casa e cair pedaços dela em casas vizinhas.

Com a minha idade e minha aparência posso aparentar ter uns vinte anos então não terei problema em comprar gasolina ainda eu sendo alguns meses mais nova que dezoito anos. Quando chego ao posto boto os galões no chão e mando um funcionário enche-lo, eu vi quase metade da minha mesada voar diante de meus olhos com o preço dessa maldita gasolina.

-Pra que essa gasolina moça?- o funcionário pergunta.

-Vou guardar para o mês que vem! Fiquei sabendo que o preço vai aumentar e como eu dependo do meu carro para trabalhar pretendo economizar essa grana- digo como se eu já fosse mesmo maior de idade.

Ele me entrega os galões dou o dinheiro, ele vê o troco e ainda tem a cara de pau de me fazer essa pergunta:

-Posso ficar com o troco?

-Como é que é? Vocês praticamente me assaltaram com o preço da gasolina e ainda quer o troco? Ora vai se catar!- falo puxando meu troco.

Levo os galões pra casa e escondo-os no meu closet, agora é só esperar até amanhã para ir à guerra.

Levanto depois de uma noite tranquila, como nunca mais tinha sido as minhas noites, vou ao banheiro lavo as mãos, o rosto e me arrumo para ir a escola. Desço e vejo um rastro de sangue pelo corredor acabando na cozinha, quando eu abro a porta vejo meu pai sentado na mesa com varias facadas na costa e uma faca encravada na costa.

Desespero-me ao me deparar com aquela sena, quando me aproximo dele outro susto, ele ainda está vivo, apenas desmaiado e um pouco pálido, minha primeira reação é correr ao telefone, ligo para a emergência do hospital e eles mandam uma ambulância.

“Já chega” penso comigo mesmo, isso já está indo longe demais, preciso dar um jeito o quanto antes, vejo meu relógio e percebo que já perdi as aulas, o tempo passou rápido desde aquela sena terrível.

Ligo para Ed e digo o porquê de eu não ter me encontrado com ele no recreio, o porquê não fui à escola e que temos que acabar com isso hoje e somente hoje.

-Seu pai está vivo?- Ed pergunta, acho que do jeito que eu falei ele acabou pensando que meu pai tinha morrido.

-Não! Mas ele está muito machucado!- digo.

-Quer que eu vá ai?

-Não precisa, estão fazendo os curativos e meu pai já tomou a injeção para evitar doenças por causa da faca, então depois vamos para casa.

Um silêncio toma conta daquela ligação.

-Ed ainda está ai?- pergunto.

Escuto uns barulhos ao fundo até que, alguém com uma voz desconhecida diz:

-Diga adeus ao seu amigo!

Digo para a enfermeira que tenho que dar uma saída rápida e que já volto.

Saio correndo do hospital, umas quadras de correria depois eu chego em frente a casa de Ed. Corro até a porta e toco a campainha, ninguém atende a porta, puxo meu grampo de cabelo e arrombo a porta.

A casa de Ed está silenciosa, não parece ter ninguém até que eu escuto um barulho vindo do andar superior, é de alguma coisa batendo, como se alguém estivesse batendo com um martelo na parede. Subo as escadas até avistar uns pregos caídos no chão. Os barulhos continuam.

Vejo a mãe de Ed amarrada no canto do corredor superior, puxo o pano que não a permite falar e pergunto:

-O que aconteceu?- sussurro para ela.

-Cuidado! O Ed surtou e está tentando matar o pai dele- ela sussurra, o tom da voz dela mostra de cara o quanto ela esta apavorada.

Vejo que o cordão dela é uma cruz de cinco centímetros, arranco-a do pescoço dela e pergunto.

-A senhora levou para benzer?

-Sim.

Abro a porta do quarto de onde vem o barulho, o pai de Ed está na cama amarrado e Ed está pregando o braço do pai na parte de madeira da cama. Os gritos do pai são abafados com o lenço amarrado com força na boca dele, Ed me olha, os olhos dele estão negros.

-Olha só... Demorou um pouco né?- ele fala com a voz mudada.

Corro na direção dele, mas ele me joga contra a parede, pressionando a minha cabeça com força na parede.

-Você até que é bem bonitinha!- ele fala.

Ele me beija, ali estava eu na pior cena que eu já tinha vivido na minha vida, não era o Ed, era um demônio querendo se aproveitar de ser o mais forte. Empurro-o com toda a minha força, ele se distancia alguns centímetros de mim e quando ele volta em minha direção dou um soco da cara dele e depois pressiono o pingente de cruz na testa dele e digo.

-Gosta disso seu merda?

A cruz parece queimar a pele dele que cai no chão, mas eu volto a pressionar o pingente, só não na mesma posição que estava, espero que eu esteja fazendo o certo, não posso matar Ed e tenho que livra-lo dessa.

De repente seus olhos voltam ao normal, as marcas de queimadura que estavam na testa dele somem, ele finalmente acordou depois daquele pesadelo, agora é a hora de encarar outro pesadelo.

-O que aconteceu?- ele pergunta

-Possessão.

-O que eu fiz?- ele pergunta olhando em volta e vendo a situação do pai dele.

Desamarramos os pais de Ed e levamos o pai de Ed para o hospital onde meu pai está, dizemos que foi um acidente e ele entra para fazer os curativos, meu pai está na sala de espera e se levanta quando me vê.

-Onde você estava filha?

-Eu fui ao banheiro pai.

-O que é essa mancha de sangue no seu casado?- ele pergunta puxando a minha mão.

-Um acidente no banheiro.

-Você se feriu?

E agora que descubra eu darei para o meu pai não ficar preocupado comigo? Veio uma ideia e então falei sem fazer a revisão do que eu iria falar.

-Estão pintando o banheiro e eu sem querer esbarrei na lata e espirrou em mim- depois eu penso: que burrice a minha de ter falado aquilo.