Nós voltamos para casa, eu ajudo o meu pai a deitar na cama dele, ajeito o travesseiro e ligo a televisão.

-Café? — pergunto já sabendo a resposta.

-Sim, por favor.

Ligo a cafeteira ponho água e o pó de café, procuro no armário a caneca do meu pai enquanto penso no que aconteceu, a situação está cada vez pior e tenho que esperar até amanhã de tarde para eu voltar até aquela casa para dar um ponto final nessa história, porque eu não volto àquela casa de noite nem morta.

Depois que meu pai toma o café eu lavo a caneca e subo para o meu quarto, lembro-me do sonho que tive com aquela mala que estava no meu closet e decido arruma-lo para ver se realmente tem uma mala lá dentro, enfio meus braços no meio dos cabides e abro um caminho no meio das minhas roupas. A parede do fundo está arranhada na altura da minha cintura, que por incrível que pareça eu ainda não tinha reparado.

Mas não tem nada de mala, apenas as minhas mochilas de anos anteriores na escola, que por sinal já estão precisando de uma lavagem. Como eu tirei tudo que estava dentro do meu closet percebi que no fundo dele tem um fundo falso, depois de um esforço eu consigo abrir o fundo falso, um caderno está lá dentro, abro-o, nele contém anotações do início ao fim e ao longo das páginas têm várias fotos coladas.

As fotos mostram várias pessoas mortas, uma delas é uma foto de amigos em que fizeram um “x” vermelho na cara de cada um e logo em baixo da imagem está escrito: “Todos Mortos!”.

As anotações no caderno falam sobre os demônios que assombravam essa cidade, até que os aprisionaram na casa 666, só que não foi apenas isso, porque os demônios deixaram pistas em todas as casas da cidade e essas dicas são a chave da porta que os prende sei lá onde.

Segundo essas anotações em algumas casas na cidade possuem fitas de vídeo, CDs e até mesmo livros que quando descobertos tem o poder de trazê-los de volta, normalmente com simples frases, que aos olhos de desconhecidos parecem frases inocentes.

Em uma página está uma sequencia de números de casas da cidade e o meio de invocação de casa uma delas, acho no meio da lista o número da minha casa e vejo que o modo de invocação é a partir da leitura de uma frase escrita na parede do último quarto da casa. O último quarto é o meu e a frase é aquela da qual eu havia lido durante a mudança para essa casa.

Uma das fotos tem um grupo de amigos posando para a foto e logo em baixo tem uma foto muito escura que mostra o mesmo grupo só que com uma aparência de possuídos. Fecho o caderno e ponho no chão ao meu lado, no fundo falso do meu closet e acho um vidrinho cheio de água e uma cruz, percebo que tem um pano preto cobrindo a madeira do fundo e quando eu o puxo vejo uma frase escrita ao fundo: “Agora é com você!”.

Fecho o fundo falso e tudo que eu encontrei dentro dele eu coloco na minha mochila que levarei amanhã para a casa 666, posso aparentar fraqueza, mas eu acredito que sou forte o bastante para vencer isso.

No outro dia Ed me entrega três seringas de anestesia, coloco rapidamente na minha mochila para que ninguém veja.

-E seu pai?- Ed começa a conversa.

-Está se recuperando, e o seu?

-Também!- ele fala.

-Tivemos sorte dessa vez... Ninguém saiu morto!

-Onde nos encontramos para ir àquela casa?- Ed pergunta.

-Na esquina direita da rua, em frente à padaria- digo.

-Está bem

-Mas preciso de sua ajuda para levar os galões de gasolina!- digo.

-Está na sua casa?

-Sim

-Então quando terminar as aulas eu vou até a sua casa e te ajudo a trazê-los enquanto Mark e Kate nos esperam no ponto de encontro!- ele fala.

-Até mais tarde- digo.

-Até.

Embora por fora eu pareça bastante calma, por dentro estou muito nervosa, afinal não é todo dia que você e seus amigos lutam contra demônios, e também nós não temos nenhuma garantia de que vamos sair vivos dessa.