A Peregrina

5 O Viajante - Parte Um


Notas iniciais
Olá, amigo leitor! Vou continuar contando a história...

*Narrativa em Primeira Pessoa*

_Todas as tristezas e dores que meu mundo tinha esquecido que existiam voltaram quando As Trevas chegaram. As doenças voltaram. A fome voltou. O medo veio mais forte que nunca. A guerra voltou. Na verdade, não foi uma guerra. Foi muito pior que isso. Foi um extermino. Aniquilação. Massacre de um lado só. Meu mundo não estava preparado para isso, fomos pegos totalmente de surpresa. Junto com As Trevas vieram os Demônios, monstros terríveis, eles mataram quase setenta por cento da vida do meu planeta. Muitas cidades caíram. Pandora mergulhou em cem anos de inimagináveis monstros bestiais antes que a humanidade conseguisse dar um passo na direção da luz... Nunca tínhamos visto nada parecido, nossas armas pareciam brinquedos contra as armas deles. Aqueles dias ficaram conhecidos como Os Dias Escuros. — Parei de falar. Todas aquelas lembranças eram sempre dolorosas. Não importava quanto tempo passasse. Sempre iria doer fundo no meu coração. Abri meus olhos em busca de qualquer coisa que me tirasse daquela escuridão que minha mente encontrava-se.

Azul. Azul era a cor dos olhos dele. Fitei intensamente os olhos de Legolas, em busca da paz que sentia quando olhava o céu quando pequena. O elfo me olhou de volta, primeiro sem entender meu olhar tão intenso e depois... Surpreendentemente devolveu o olhar na mesma intensidade. Como se adivinhasse que eu precisava daquele azul. Daquela paz.

_Peregrina? — Ouvi que alguém me chamava enquanto eu estava presa no transe de encarar aqueles olhos. — Está tudo bem? — Percebi que era Frodo que falava comigo.

_Claro. Só me perdi em lembranças tristes.

_Se você e Legolas não ficassem trocando olhares isso não aconteceria. Vamos! Termine a história! Não tenho todo o tempo do mundo. — Gimli resmungava impaciente e... Espera ai! Eu não estava trocando olhares com aquele elfo! Onde já se viu insinuar isso?!

_Que?! Eu não estava trocando olhares com ele! — Apontei para Legolas enquanto falava. Podia sentir minhas bochechas coradas com o comentário idiota do anão. Ainda bem que estou com a minha máscara e ninguém pode ver isso

_Acho que você estava enganado, mestre anão. – Pude observar que Legolas também ficou incomodado com o comentário. Claro, qualquer um sentiria vergonha de ser pego trocando olhares com alguém como eu. De qualquer forma eu não estava trocando olhares... Estava?

_Então! O resto da história! — Gimli sempre impaciente.

Suspirei e voltei a minha história.

_Quando tudo parecia estar acabado e a esperança ter morrido, O Viajante veio em nosso socorro. Ele lutou contra As Trevas. Vê-lo lutando nos encheu de força e coragem há muito perdida. Os humanos lutaram contra os Demônios. Lado a lado com o Viajante. As Trevas foram embora do nosso mundo e levaram os Demônios juntos... Mas o estrago já estava feito... Quando tudo acabou o número de mortos era grande demais, passava dos bilhões, não tínhamos nem terra suficiente para poder enterrar nossos entes queridos. Precisamos crema-los e suas cinzas voaram durante dias, semanas, meses, anos por Pandora, impossibilitando a luz do sol de chegar até nós... Até hoje não podemos ver com clareza o azul do céu, são raros os dias que o sol brilha em Pandora, e as estrelas nunca mais foram vistas, claro, sabemos que elas estão lá, mas não podemos ver. Meu mundo ficou tão devastado que precisamos reconstrui-lo no subsolo, dezenas de metros abaixo da superfície. É dai que vem o nome dos Dias Escuros.

Todos pareciam petrificados pela minha história. Ninguém se mexia, mal respiravam. Eu podia ver o medo e tristeza nos olhos dos pequenos hobbits.

_E o Viajante? O que aconteceu com ele? — Aragorn me perguntou e eu dei outro suspiro. Lembrar do Viajante doía muito mais do que lembrar da guerra...

_Ah, O Viajante... Ele no salvou, mas teve que pagar um preço muito alto por isso. Todos tiverem que pagar o preço. Quando chegou ao fim da guerra o Viajante estava quase morto... Alguns dizem que ele adoeceu devido à extrema maldade que foi exposto. Entenda, O Viajante era puro, era a verdadeira personificação do Bem absoluto. Era a Luz Suprema. E As Trevas como o nome já diz era o oposto dele. O Viajante em um ato de amor por Pandora lutou e venceu, mas ficou fraco e debilitado, tudo que Ele trouxe de bom foi definhando igual a Ele. Nosso mundo agora é praticamente uma terra estéril e coberta por mais mortos do que vivos. Então em um último suspiro do Viajante, ele concedeu a Pandora duas dádivas. Dádivas que deveriam ser usadas para ajudar outros planetas, para que mais ninguém passasse pelo que enfrentamos. A primeira dádiva foram os conhecimentos sobre outros mundos e o que era necessário para ajuda-los. A segunda dadiva foi a nossa criação. Então o Viajante dormiu. Ele esta adormecido até hoje, há quem acredite que ele esta vivo e recuperando as forças e outras pessoas acreditam que ele há muito nos abandonou de vez.

Olhei para o céu e sei que o Viajante não nos abandonou. Eu sinto isso no meu coração. Ele sempre estará conosco... Minha existência é a prova do amor Dele por Pandora. Minha fé na Luz do Viajante nunca será abalada, disso tenho certeza.

_E como era esse Viajante? De onde veio? — Gimli deixou o orgulho de lado e já estava sentado perto de mim, completamente envolvido na história.

_O Viajante não tinha uma forma física definida, mestre anão. Ele era Luz. Sabemos que Ele veio de além das estrelas, mas infelizmente é toda a informação que possuíamos... Não sabemos por que Ele escolheu nosso planeta para trazer milagres e dádivas, se Ele sabia que As Trevas o estavam seguindo ou porque decidiu lutar ao nosso lado. O Viajante tinha muitos segredos, mas não contou todos para meu povo.

_Quando você diz que o Viajante criou vocês, o que quer dizer? — A voz de Legolas parecia tranquila e ele estava calmo, mas ainda sim pude notar como ele estava ansioso pra fazer aquela pergunta, mas do que isso, ele estava ansioso pela minha resposta.

_Em Pandora só existia seres humanos, pessoas iguais às pessoas daqui, iguais a Aragorn e Boromir, essas pessoas que lutaram contra os Demônios ao lado do Viajante. Quando tudo acabou o Viajante percebeu que precisávamos de mais poder e força pra dar inicio ao plano Dele de ajudar outros mundos. Então Ele deu um pouco da própria Luz para os humanos. Nem todos tinham a capacidade de aguentar essa Luz no corpo, as pessoas que conseguiram suportar ela foram escolhidas para serem seus guerreiros. Eles seriam conhecidos pela história como os Primeiros Guerreiros da Luz, Da Ordem do Viajante, os pioneiros. Foram os primeiros a ir a missões em outro mundo. A Luz do Viajante fez coisas incríveis por nós. Seus guerreiros eram muito mais fortes e rápidos que um humano normal, todos os seus sentidos eram ampliados. Além disso, alguns dos mais fortes guerreiros acabaram desenvolvendo algo que nem mesmo o Viajante previu. — Um sorriso torto se formou em meus lábios ao pensar em como demostraria meus poderes a eles.

_O que? O que aconteceu?! — Pippin não parava quieto de tanta animação.

_Bom, esses guerreiros acabaram desenvolvimento habilidades únicas. Alguns conseguiam voar! Outros tinham o dom de controlar animais! Outros podiam ler mentes! Ainda havia aquelas que podia cantar e com suas canções trazer paz ou dor, elas eram as Entonadoras! Tinham os que podia usar a mente para mover objetos! Outros com o incrível dom de curar machucados! E os que podiam usar os quatro elementos da natureza para lutar, os Elementares. — Eu agitava as mãos enquanto contava todas as maravilhas que meu povo podia fazer. Empolgando-me e chegando mais perto de todos, continuando a contar minha história.

_Com o passar do tempo esses guerreiros casaram com outras guerreiras e tiveram filhos. Seus filhos também foram abençoados com a Luz e se tornaram guerreiros como os pais. Isso passou de geração em geração até hoje. — Sorri ao finalizar minha história, logo depois lembrei que ninguém poderia ver meu sorriso.

_Isso não passa de bobagem! Quer que acreditemos que seu povo pode fazer tudo isso? — Gimli duvidava de mim.

_Por acaso você também tem um desses poderes? — Frodo me perguntou. Bom, acho que esta na hora de mostrar alguns truques para eles.

_Também tenho poderes, Frodo.

_Qual? Mostre-nos! — Merry estava tão agitado quanto Pippin.

Estiquei meu braço para frente, com a palma da mão aberta e me concentrei um pouco. Chamei a Água de dentro do cantil de Aragorn e logo um jato de água flutuava igual ao um rio com o leito invisível até a minha mão e formava uma esfera.

_Tenho o poder incontrolável da Água.

Agora coloquei a ponta dos dedos no chão e chamei a Terra para mim. À medida que eu levantava a mão, uma pequena bola de terra se erguia e planava na minha frente.

_Tenho o poder da força da Terra.

Deixei a bola de terra flutuando ao lado da bola de água. Agora olhei para a fogueira e chamei o fogo, esse era sempre mais complicado. Uma bola irregular de fogo veio na minha direção e eu a parei com a mão.

_Tenho o poder difícil do Fogo.

Agora eu tinha três esferas elementares voando acima da minha cabeça. Com uma leve torção do meu pulso, fiz surgi um pequeno redemoinho na minha palma.

_Tenho o poder da leveza do Ar.

Levantei os dois braços acima da cabeça e fiz meus quatro elementos rodopiarem em uma dança de poder e beleza. Depois agradeci a cada elemento e os dissipei.

_Então você é uma das Elementares... — Aragorn olhava admirado para mim. Bom, eu tentei mesmo fazer um show com meus elementos.

_Sim, sou uma Elementar.

Eu estava até bem satisfeita de receber os olhares de surpresa e admiração de todos até o elfo idiota falar.

_Você não respondeu direito minha pergunta. Eu quero saber o que você é. Por exemplo, eu sou um elfo. Aragorn é um humano. Frodo um hobbit. E você, o que é? — Legolas estava começando a acabar com todo meu bom humor com aquelas perguntas idiotas. Pra mim, estava claro que ele queria me rotular. Odeio isso. Quem ele pensa que é? Um príncipe?

_Eu sou o que sou. Sou eu mesma. Sou Peregrina e Peregrina sou eu. — Usei meu melhor olhar intimidador no elfo e ele não ligou pra isso. Com Ella deu certo esse olhar, mas com esse elfo idiota de 1.80 de altura não.

_Isso não foi muito claro, Merry.

_Eu sei, Pippin! Fique quieto!

_Merry? Estou com fome.

Tentei segurar uma risadinha ao ouvir o cochicho desses dois. Eles eram mesmo uns tolos fofos.

_Isso ainda não responde o que quero saber. Preciso ser mais claro pra você conseguir me entender? — Legolas falava devagar, pausadamente, como se eu tivesse algum tipo de retardo mental e não pudesse entendê-lo. Sério, vou dar um soco nele. Fechei minha mão em punho me preparando pra o primeiro golpe.

_Peregrina, não. — A voz grave de Gandalf me deteve. Olhei bem para a cara convencida daquele elfo loiro idiota e estreitei os olhos. Duas vezes. Gandalf já salvara Legolas de levar um soco duas vezes. Espero conseguir bater nele na terceira vez. Sim, porque eu sei que haverá uma terceira vez.

Respirei fundo e respondi da melhor forma possível. Na esperança do elfo me deixar em paz depois que sua dúvida fosse apagada.

_Eu sou uma guerreira do Viajante. Já fomos chamados de muitos nomes, com o tempo sempre muda a forma como as pessoas comuns nos chamam. Já fomos chamados de guerreiros, deuses, semideuses, espíritos de luz, super-humanos, super-heróis e agora o meu povo nós chama de Anjos do Destino ou só Anjo mesmo. Satisfeito, elfo? — Deixei transparecer toda a minha irritação naquelas últimas duas palavrinhas.

_Não estou nem perto de estar satisfeito. Ainda quero saber mais sobre você, Peregrina — Quando ele disse isso... Senti um leve arrepio passar pelo meu corpo. Um arrepio... Bom. Que?! Onde estou com a cabeça?! Devo estar louca para sentir isso com simples palavras vindas de um idiota. Para com isso, Peregrina. Para.

_Seu povo tem canções sobre os Dias Escuros ou sobre o Viajante?

_Tem... Temos uma música sobre os Dias Escuros. — Fui pega de surpresa pela pergunta de Frodo. Mas quando parei para pensar a letra da canção veio toda em minha mente. Abri a boca e deixei que ela tomasse conta de mim, eu carregava a voz de Pandora naquela música.

Um rosto de um Anjo sorri para mim debaixo de uma manchete de tragédia

Aquele sorriso costumava me trazer calor

Adeus — sem palavras pra dizer

Ao lado da cruz sobre a sua sepultura estão aquelas velas que queimam eternamente

Anjos necessários em toda parte para nos lembrar da rapidez do nosso tempo

Lágrimas derramadas por eles, lagrimas de amor, lagrimas de medo

Enterre meus sonhos, desenterre minhas tristezas

Oh Viajante, por que os anjos caem primeiro?

Eu nunca entenderei o significado do que é certo

Ignorância me carregue para a Luz

Eu cantava com todo meu coração, podia sentir minha voz espalhando-se pela clareia, tocando a todos. Minha voz era suave e grave, ela ecoava etérea por todo o céu estrelado acima de nós.

Anjos necessários em toda parte

Me cante uma canção da sua beleza, do seu reino no auge, Pandora

Que as melodias de suas harpas consolem aqueles de quem ainda precisamos

Ontem, nós apertamos as mãos no campo de batalha, meu amigo

Hoje um raio de luar ilumina meu caminho, Meu Anjo do Destino

Quando acabei de cantar vi que Merry tinha lágrimas nos olhos, Pippin estava com a cabeça baixa, Aragorn fitava o vazio perdido em pensamentos e Legolas me olhava como se pudesse entender toda minha dor.

Vários minutos, que pareceram horas, se passaram antes que alguém ousasse interromper aquele silencio sublime.

_Como você faz aparecer uma espada do nada e depois ela some? — Aragorn me perguntou e vi Legolas se inclinar um pouco na nossa direção, como se também quisesse saber a resposta para aquela pergunta. Acho que Aragorn queria mudar o clima melancólico que tinha ficado no ar depois da música e perguntou a primeira coisa que veio em mente.

_É um pouco complicado de explicar...

_Tente. — Ok, a voz de Aragorn não dava lugar para eu recusar e não explicar nada. Suspirei resignada.

_Bom, minha espada não surge do nada e nem some. Eu invoco minhas armas e outras coisas que ficam no meu espaço alternativo, podemos chamar isso de Espaço Dimensional. Posso ficar trocando de armas durante uma batalha ou em qualquer momento, isso se chama “Reequipar”. A maioria dos Anjos do Destino tem a habilidade de reequipar somente armas, como eu, mas há alguns que são poderosos o suficiente para reequipar armaduras inteiras para uma luta.

Tentei resumir tudo da melhor forma possível e vi que cada um tentava buscar o sentido nas minhas palavras. Alguns minutos se passaram até que outra pergunta surgisse...

Notas finais
Olá! o/ Gente, temos MUITOS leitores fantasmas e eu tenho medo de fantasmas! TT-TT Não custa nada deixar um comentário para Peregrina ou quem sabe uma recomendação (Sério, eu ia ficar muito feliz com isso *---*) Quero saber se vocês estão gostando da fic, se tem elogios ou críticas a fazer! Afinal essa história não é só minha, ela é nossa e eu preciso da opinião de vocês para continuar. :D A música que Peregrina canta é essa aqui: http://www.vagalume.com.br/nightwish/angels-fall-first.html (Eu só fiz algumas alterações para ficar melhor na história) Até breve. o/