A Peregrina

6 O Viajante - Parte Dois


Notas iniciais
Olá, amigo leitor! Venha, chegue mais perto para ouvir a história...

*Narrativa em Primeira Pessoa*

_Eu tenho uma pergunta. -Sam levantou a mão como se estivesse em uma sala de aula e esperasse a vez de falar. Não tinha como não ser gentil com aquele pequeno hobbit.

_Sim?

_Porque se veste assim e cobre o rosto? -Fala sério! Todo mundo vai mesmo ficar me perguntado sobre minha roupa?! Não posso ter livre expressão artística e vestir o que quero?! Qual o problema dessas criaturas com o que visto ou deixo de vestir?! Respiro fundo e tento manter um tom de voz controlado.

_Mestre hobbit, já estou farta de sempre alguém perguntar sobre a minha roupa. Eu me visto assim e pronto. Tenho meus motivos para usar minha ExoArmadura e não tenho intenção de revelar quais são.

Sam ficou pálido diante do que eu disse. Opa... Acho que não fui tão controlada assim. Imediatamente me senti mal por ter sido rude com ele.

_Minha senhora, me perdoe! Não queria chateá-la. Eu sou mesmo um tolo. Samwise Gamgi do Condado, o Tolo! Esse devia ser meu nome! -Sam tentava se desculpar e se atrapalhava. Por algum motivo achei aquilo muito fofo e engraçado. Samwise Gamgi do Condado, o Tolo, era realmente um nome engraçado.

Pude sentir uma risada se formando na minha garganta, tentei me controlar e não rir, mas quanto mais o pequeno hobbit se atrapalhava, mas hilário ficava.

Acabei rindo alto. Uma risada verdadeira que há muito não tinha. O tipo de risada que faz sua barriga doer de um jeito bom e que faz você ficar sem ar. Demorei alguns instantes para perceber que todos olhavam chocados para mim. Imediatamente me recriminei por rir. Não estou aqui para me divertir.

_Seu riso é lindo! Achei que nunca a ouviria rir! –Sam disse isso olhando para mim enquanto sorria, na hora que eu ia respondê-lo, fui interrompida.

_Ora, ora, ora! Então você sabe mostrar outra emoção que não seja a raiva e descontentamento por esta andando conosco? -Um pouco longe de todos, no seu canto, Boromir falou isso olhando diretamente pra mim. Suas palavras eram afiadas e gélidas.

Todos viraram a cabeça pra olhar para ele. Podia jurar ter visto Gandalf suspirar. Bom, tanto faz o que Boromir diga, já sei que ele não gosta de mim. E não preciso que ele goste. Suas palavras não podem me atingir... Pelo menos é isso que eu digo pra mim mesma e tento me convencer em vão.

Quando abro a boca para responder algo, Legolas fala por mim.

_Você é desrespeitoso. Se ela se mostra distante de nós é por algum motivo que não entendemos. Você devia ser mais grato a uma pessoa que veio para lutar por sua gente. -Pude ver nitidamente fagulhas de raiva nos olhos azuis de Legolas. Ele estava me defendendo... ?

_Oh, então agora resolveu aceitar que ela é uma aliada e não uma inimiga? Ela enfeitiçou você, Legolas? Ela enfeitiçou todos vocês, meus amigos?! -Boromir falava cada vez mais alto e abriu os braços para enfatizar o que dizia.

Estou. Com. Muita. Raiva. Agora.

Trinquei os dentes e usei minha concentração para não atacar Boromir. Não desejo a morte dele. Não desejo a morte de nenhum deles, mas essas palavras estão me incomodando demais.

_Não ha mentiras nos olhos de Peregrina! Pude observar isso. Ela não é uma inimiga, Boromir! -Legolas estava visualmente cada vez mais nervoso.

_Escute as palavras que saem da sua boca, Legolas! Você caiu em alguma bruxaria dela! Todos vocês caíram! Acha que eu não vi?! Você e essa ai ficaram trocando olhares várias vezes! Quem sabe o que estão dizendo?! Você se vendeu para essa bruxa, Legolas! -Boromir gritou as últimas palavras.

Não aguentei mais. Foram muitas ofensas. Muitas palavras maldosas. Assim que Boromir acaba de pronunciar o nome de Legolas, eu grito.

_Reequipar Arco! -Com a velocidade de um piscar de olhos, meu arco de confiança esta em minhas mãos, já tem uma flecha presa a ele e aponto diretamente para Boromir. Meus dentre estão trincados de raiva. Sinto meus olhos ardendo um pouco e sei que estou com vontade de chorar. Obvio que não vou permitir que nenhuma lágrima caia. Ninguém me veria chorando.

Surpreendentemente Legolas puxa seu arco, arma uma flecha e também aponta para o coração de Boromir. Foi quase como se tivéssemos ensaiado nossos movimentos. Estávamos em sincronia. Nenhum dos dois sabia que o outro puxaria o arco.

Boromir arregala os olhos e saca sua espada. Pronto para lutar.

_Viram?! Ela é uma inimiga e ele a defende, é um traidor!

_Cuidado com o que fala! Eu não sou um traidor e nunca fui chamado disso! Sou Legolas, Príncipe da Floresta das Trevas, filho de Thranduil. Não se esqueça de que você me deve respeito, Boromir! -Legolas puxou ainda mais a corda do seu arco, pronto pra atravessar Boromir.

_O elfo não me defende! Não preciso que ninguém me defenda! Não trocamos olhares! Não planejamos nada! Mal nos falamos! Tão pouco sou uma bruxa e não enfeiticei ninguém! -A cada palavra eu me aproximava mais de onde Boromir estava. _Se você não confia e nem gosta de mim, pouco me importa! Pode dirigir suas palavras ácidas pra mim, mas não faça isso com seus companheiros! Não desconte sua raiva neles. Não acuse eles! São seus amigos! Companheiros que vão lutar ao seu lado em breve! Você tem muita sorte em ter várias pessoas para lutar ao seu lado, não desrespeite isso, Boromir, filho de Gondor! -Quando estou a centímetros dele, largo meu arco no chão, retiro meu manto negro e puxo para baixo minha ExoArmadura no pescoço. Dando livre acesso ao meu pescoço e oportunidade dele me acertar com sua espada.

_Se sua raiva diminuir com o derramamento do meu sangue, então assim seja. Pode me cortar. Se é o que deseja. Pode descontar seu ódio em mim, mas não seja injusto com seus companheiros. -Olho dentro dos seus olhos e vejo medo. Boromir estava assustado, ele não esperava que eu o deixasse me machucar de bom grado.

_Não faça isso! -Frodo vem correndo e tenta empurrar Boromir. Sem sucesso. Logo depois vem Sam seguido de Merry e Pippin, todos tentando impedir que Boromir me machuque. Que estranho... Não esperava essa reação dos pequenos. Na verdade, não esperava reação de ninguém.

Boromir aponta a sua espada para meu pescoço. Agora vejo dúvida nos seus olhos, ele não sabe se quer me machucar.

_Não ouse encostar nela!–Legolas continua na mesma posição, mas seu olhar agora é mortal. Ele não esta brincando.

Sinto Boromir pressionar um pouco sua espada contra minha garganta, fazendo um discreto corte que imediatamente começa a sair um filete do meu sangue. Fico imóvel. Não por medo, mas para permitir que ele me machuque. Não estava brincando quando disse que ele podia derramar meu sangue se isso aplacasse sua raiva.

Uma flecha zumbiu e passou a milímetros da orelha de Boromir, acertando a árvore atrás dele. Legolas tinha disparado aquela flecha como um último aviso.

_Se afaste dela agora ou a próxima flecha será na sua cabeça.

De repente Aragorn surge ao meu lado já com a sua espada em punho. Não percebi que ele se aproximava. Aragorn sua espada para combater a espada de Boromir e empurra-lo para longe de mim.

Boromir cambaleia um pouco e parece despertar do seu transe ou seja lá o que for que ele estava preso. Nesse momento Merry aproveita a chance e chuta a canela de Boromir, que geme de dor e olha pro pequeno, na mesma hora Pippin vai para perto de Merry pronto para defendê-lo se necessário, mas não é. Boromir só confuso olha para todos.

_O que eu fiz... ? -Boromir coloca a mão na cabeça. Posso ver que ele esta angustiado. Sinto pena dele.

Coloco minha ExoArmadura no lugar e abaixo o braço, volto para a pedra onde estava sentada. Gimli vem para perto de mim, se posta entre mim e Boromir, com o machado pronto. Acho estranho o gesto do anão, é como se ele quisesse me proteger. Vejo que Legolas ainda aponta uma flecha pra Boromir.

_Você, meu caro, esta começando a ser influenciado pelo Anel. -A voz de Gandalf surpreende a todos. Ele ficou parado durante a confusão e eu me esqueci da sua presença.

_Isso não é verdade... Não pode estar acontecendo isso... -Escuto Boromir murmurando isso enquanto entra na floresta. Acho que ele precisa de um tempo sozinho. Só quando Boromir sai da clareira que Legolas abaixa o arco.

_Peregrina, não seja tão imprudente assim. Você podia ter se machucado gravemente. -Aragorn se ajoelha na minha frente enquanto fala. Na sua voz só detecto preocupação por mim.

_Eu não permitiria que Boromir a machucasse. Ele estava sobre a minha mira o tempo todo. -Olho para Legolas e vejo a determinação daquelas palavras. Aquilo me deixa desconfortável. Não preciso da proteção de ninguém. Meu dever é proteger e não ser protegida.

_Eu também não deixaria! Esse anão aqui estava pronto para arrebentar uma cabeça! -Percebo que Gimli estava tentando ser gentil, ao seu modo, é claro.

Os hobbits exclamaram concordando com as palavras dos outros. Suspiro. Não estou acostumada a ter pessoas preocupadas comigo ou algo do tipo. Parece que tenho que esclarecer algumas coisas. Me viro para Aragorn e falo com suavidade.

_Fico grata com a sua preocupação, mas ela não é necessária. Eu não sou frágil e nem indefesa, meu senhor. Eu permiti que Boromir fizesse aquilo para aplacar seu ódio. Não era certo ele falar aquelas palavras contra vocês.

Agora me viro para os hobbits e faço carinho na cabeça de Merry.

_Vocês foram muito corajosos. Foi admirável. Mas não preciso que vocês me protejam, eu estou aqui para proteger os meus pequenos mestres. Não façam nada perigoso por minha causa.

Vejo que Gimli esta inquieto com as minhas palavras.

_Mestre anão, você é muito mais gentil do que os olhos podem ver, mas use sua força pra ajudar seus companheiros e não a mim.

Por último me viro para Legolas e meu tom de voz não é mais suave. Estou furiosa com seu comportamento.

_E você, elfo, não seja tão arrogante e convencido achando que pode me proteger. Eu nunca vou precisar da sua proteção e nem que me defenda de palavras. Eu sei fazer isso muito bem sozinha. Guarde suas flechas para seus amigos. Eu não preciso delas. -Cuspi as ultimas palavras na cara dele, sem nem perceber tinha me levantado e olhava para Legolas. Percebi que ele era muito mais alto do que eu.

Se eu não tivesse com tanta raiva poderia até ter achado engraçado a expressão no rosto dele. Legolas não esperava por aquelas palavras. Ele estava com as sobrancelhas franzidas, o queixo erguido e a boca levemente aberta, como se estivesse surpreso demais para lembrar de fecha-la. Pra mim, ele era o retrato de um prefeito idiota.

Não esperei uma resposta e entrei na floresta, do lado oposto de onde Boromir tinha entrado.

_Bom, ela tem bastante personalidade, que isso seja dito! -Ainda pude ouvir Gimli falando sobre mim.

_Não achei que viveria o suficiente para ver o grande Legolas ser calado por uma mulher. -Ouvi Aragorn tirando sarro da cara do elfo idiota e dei um sorriso diante disso. Bem feito para ele!

Me afastei mais da clareia e não pude ouvir mais as palavras dos outros. Apenas procurei um lugar pra sentar e fitar o céu.

Eu não cansava de olhar o céu. Sem minha permissão algumas lágrimas teimosas caíram dos meus olhos. Rapidamente limpei todas.

Naquela época eu não tinha como saber que aquelas lágrimas eram as primeiras de muitas que eu derramaria na Terra-Média...

Notas finais
Oii o/ E ai? Gostaram? Mereço uma recomendação? :3 Fiquei feliz pelos comentários que recebi no outro cap, mas ainda temos muitos leitores fantasmas! Mais de 60 fantasmas! TT-TT Então você que está lendo e chegou até aqui deixe um comentário para Peregrina! Diga o que gostou ou se tem alguma crítica. :D A imagem de Peregrina é meramente ilustrativa, só para vocês terem uma ideia de como ela seria maaaaais ou meeeenos. Imagem editada pela minha beta IsisPallas Até breve. o/