A Origem da Ordem
1 Prólogo
Lá estavam quatro guerreiros em um campo muito extenso que a pouco havia sido um campo de batalha. Já era entardecer, podia se ver um tom alaranjado cortando o céu, devido ao sol que se punha. Grama bem verde era encontrada crescendo por toda a extensão do campo e árvores podiam ser vistas ao redor daquele local, estavam distantes.
Havia ali algumas dezenas de outros guerreiros mortos, não chegavam a cem. Era possível ouvir gemidos de homens que ainda tinham vida. Mais a esquerda, a algumas dezenas de metros, na base de uma colina, estavam outros três guerreiros. Ao todo eles eram sete, conhecidos como Sete Irmãos. Estavam vestidos com panos negros dos pés a cabeça, com botas e luvas de couro, também usavam sobretudo de cor igualmente negra, feito também de pano. Suas espadas estavam embainhadas na região da cintura. Um deles carregava também um arco e uma aljava com flechas nas costas. Tinham junto a eles um pequeno contingente de trinta e dois outros cavaleiros, que antes da batalha haviam sido quarenta. Esses usavam armaduras simples e estavam armados com espadas de aço.
Havia ali naquele mesmo campo, mais a frente, um castelo pequeno, no qual o objetivo daqueles sete se encontrava. Este era feito de grandes blocos de pedra e madeira, de aparência bem antiga e sem muros a sua volta. Ficava sobre um pequeno monte.
Eles adentraram-no.
Os demais guerreiros esperaram do lado de fora, aproveitaram para recuperar as forças e tratar dos feridos.
Dentro do castelo era frio e parecia abandonado, só haviam lá paredes de pedras antigas e teias de aranhas por todos os cantos. Também se encontravam algumas estátuas esculpidas em pedras com formato de criaturas estranhas em seus longos corredores.
— HAHAHAHAHA... – Uma risada maligna surgiu vindo do corredor principal, que levava ao salão central. Os sete a seguiram até chegarem ao Grande Salão, onde encontraram sentado no cadeirão Lorde Velimir Flanagan. Já não passava de um senhor idoso e aparentemente fraco. Estava vestindo um gibão lilás escuro com detalhes em dourado.
— Sor. Velimir Flanagan. O senhor está detido sobre a nossa responsabilidade até que a justiça do Rei caia sobre você. Por todos os crimes que cometeu ao longo da vida. – Disse Alexandru, o líder dos Sete Irmãos. Já havia atingido a meia idade, tinha trinta e quatro anos, uma barba rala crescia em seu rosto. Tentava esconder a raiva que sentia.
— Mate-o de uma vez! – Lyuben, tinha apenas dezessete anos. O mais novo entre os sete. Estava com um sorriso sombrio no rosto. – Já basta a humilhação de termos que ter trazido esses guerreiros podres ai fora conosco.
— Cale-se. – Ordenou Ratko.
— Calem-se todos vocês, imbecis! E saiam do meu castelo. – Exigiu com um cansaço na voz o lorde. Falava como se estivesse entediado ao olhar para os sete à sua frente. Em seguida continuou – Ha... Criminoso. Eu?! Olha quem está me acusando. Vocês mataram todos os meus homens e ainda tem coragem de vir me chamar de criminoso! Como são hipócritas.
— Do que você está falando? Você mandou que nos atacassem. Tivemos que lutar. Além disso, estamos aqui a serviço da Coroa – Respondeu Milivoj, o segundo mais alto membro do grupo.
— Mas não pode negar que enquanto os matava também se divertia. – Respondeu o lorde com algo que seria um sorriso em sua face.
— Chega disso! Vamos leva-lo conosco. – Alex estava cansado daquela conversa.
— Por que você acha isso? – Miloslav tinha curiosidade em saber porque o lorde pensava daquela forma. Com vinte e um anos a característica que mais chamava a atenção em si eram seus lisos cabelos brancos acinzentados.
— Eu acredito em Deus. Diga-me meu rapaz. Você acredita em Deus? – Perguntou Lorde Velimir Flanagan.
— Não. – Milos ficou confuso com aquela pergunta.
— Por que não?
— Você já olhou para esse mundo? O quanto de miséria e sofrimento existem nele. Como um assassino como você pode acreditar em Deus?
— Aí está o problema. As pessoas associam Deus a bondade pura, por isso não O copreendem em sua essência.
— Do que você está falando?
— Sabe porque Deus causa tantas desgraças?
— Para nos punir? Imagino. – Disse Milos com um sarcasmo na voz.
— Não meu rapaz. Deus causa tantas desgraças para poder se sentir Deus. – Um silêncio tomou o grande salão por alguns instantes.
— Você é mais louco do que eu pensei. – Cortou o silêncio o Borislav. Era o mais alto do grupo e também era muito forte.
— HAHAHA... Não tenha medo de matar jovem! Somos a imagem e semelhança d’Ele, em todos os aspectos. – Disse isso apontando para a própria cabeça com o indicador. – Por isso temos essa vontade de matar, para podermos nos sentir como o nosso criador.
— Que deprimente. Era um Lorde respeitado no Reino, e agora, não passa de um velho louco que não tem homens nem para defender o próprio castelo – Disse Ratko. – Não tem mais ninguém.
— Graças a Haneghar – rugiu o lorde. – Se tivesse me apoiado quando precisei dele nada disso seria necessário, e eu teria minha família.
— E como vingança você armou o ataque surpresa anos atrás, com ajuda de bárbaros. – Acusou-o Alex.
— Minha família morreu para bárbaros também. – Se defendeu o lorde. – Olho por olho.
— Muitas pessoas morreram naquele dia, graças ao seu desejo egoísta de vingança.
— E outros muitos morreram no dia em que as embarcações com os homens de Haneghar chegavam à costa pelo mar Frigidum. Tiveram a surpresa de serem recebidos com tiros flamejantes das minhas catapultas. — Alex cerrou os punhos ao ouvir aquilo da boca de Velimir.
— Como pode ainda se gabar de matar tantos homens inocentes de forma tão covarde.
— Não me importo com isso. Só queria a minha vingança, e a tive. – Aquilo foi o seu limite. Alexandru ergueu sua espada na direção do lorde.
— Venha conosco para ser julgado perante a justiça do Rei. Não tente nada, não exitarei se tiver que usar a violência. – O ódio que ele alimentou durante anos agora lutava para controlar.
— Porra! Desde quando lutamos em nome de reis! – Exclamou Lyuben – Mate-o logo.
— Fiquem calmos sores, nenhum sangue deve ser derramado no meu belo castelo. – Disse Flanagan olhando para o líder do grupo. Ergueu-se lentamente de seu cadeirão e caminhou vagarosamente em direção aos Sete Irmãos, em direção a Alexandru. — Ouvi boatos sobre vocês, os Sete Irmãos. Confesso que pensei que não passassem de lendas. Temi que fossem reais. Mas quando descobri que seu grande líder era Alexandru Sperare e que queria minha cabeça... desejei que viessem o quanto antes. Há oito anos, antes de ser um herói, ou seja lá o que você for. Queria me matar, mas agora que tem a oportunidade, não quer mais. – A esse ponto Velimir Flanagan estava bem próximo de Alex. E ao chegar um pouco mais perto sacou uma pequena adaga que tinha escondida em baixo de suas vestes e o atacou com ferocidade. – Então morraaaa! – Rugiu o lorde. Dois, três golpes, em uma velocidade que ninguém julgaria que velho daquele jeito poderia ter. Alexandru conseguiu esquivar de todos os golpes e contra-atacar com sua espada, fazendo , assim, o sangue do lorde jorrar por um longo corte que abrira em sua barriga. – Sinta... – Velimir Flanagan disse sua última palavra antes de cair e morrer ali, estatelado no chão do Grande Salão de seu próprio castelo.
— Merda... – Alex sussurrou para si mesmo entre os dentes. Depois daquilo, limpou a lâmina de sua espada nas vestes de Velimir e a embainhou. Retornou para junto dos outros seis.
— Esse velho realmente pensou que poderia matar um de nós? – Disse Lyu sorrindo, logo o seu sorriso virou uma gargalhada.
— Pare com isso. – Exigiu em vão Milivoj.
— Chega disso Lyu, vamos embora. – Ordenou Alex.
— Mas enquanto as ordens do Rei, de leva-lo com vida? – Perguntou Josse, o mais calado entre os irmãos.
— Quais são suas ordens Alex? – Perguntou Borislav.
— Lyuben. Como punição por seu comportamento, você irá viajar na nossa frente sozinho. E vai ficar encarregado de levar duas coisas para o Rei. A primeira é uma mensagem que eu escreverei. Ao retornarmos para Locusa conversarei melhor com ele para lhe esclarecer tudo. A segunda... – Alex puxou um punhal que tinha na cintura e estendeu à Lyuben. – Você levará a cabeça.
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