– Milena! Você fica nesse quarto o dia inteiro filha... Já faz um mês e meio que estamos aqui e você nem se quer foi conhecer a cidade. — reclamou mamãe chateada

– Mãe... esto bem... Não precisa ficar assim, poxa...

– Vá conhecer o bosque já! O dia está lindo, o sol está brilhando lá fora, vá, vá conhecer, por favor... — disse minha mãe quase implorando

– Esta bem mãe, eu vou, mas eu posso ir mais tarde? O sol realmente está muito forte hoje...

– Sim... Mas, trate de ir! — brigou comigo

Assim que jantei e lavei a louça, fui me trocar para ir ao tal bosque que mamãe tinha falado.

A noite tinha caído muito rápido e já estava bastante escuro. Eu caminhava entediada, chutando uma pequena pedra pelo caminho.

De repente escutei barulho de galhos se mexendo sem parar, junto com esse barulho dava pra escutar passos agitados. Eu me escondi assustada.

Foi então que eu vi algo inimaginável, era um vampiro! U-um vampiro! Sim, era um vampiro, e ele estava mordendo o pescoço de uma pessoa, acho que ele estava matando ela, sugando seu sangue. Comecei a tremer na hora.

Eu mal podia acreditar no que via. Um sonho, era só mais um sonho, só podia ser outro daqueles sonhos estranhos que eu estava tendo. Me belisquei.

"Estranho, um beliscão sempre resolve..." — pensei

Então, como sou uma idiota, sem querer fiz os galhos do arbusto fazerem barulho e chamar a atenção do vampiro todinha só pra mim.

Ele me olhou, e eu saí correndo desesperada, sem direção, correndo pra lugar nenhum, perdida no meio da floresta.

Foi então que tropecei numa raiz de árvore e me espatifei no chão com tudo, pude ver que havia alguém parado bem á minha frente. Assim que levantei a cabeça vi que era Thomaz, que me olhava com uma expressão desconfiada.

– Fica longe de mim! Eu sei o que você é! Eu vi o que você fez com aquela mulher... Vi tudo... — disse soluçando de medo para ele

– Então você sabe que sou um vampiro? Eu não vou lhe fazer mal, você faz parte do grupo, é uma de nós! Como eu poderia lhe matar e lhe fazer mal? — respondeu tranquilamente

– Eu não acredito em você! O que você quer dizer com: "É uma de nós"? — perguntei confusa

Meu corpo todo tremia e eu não parava de soluçar. Sempre fui muito tímida e medrosa, calada e na minha, distraída e atrapalhada. Era fácil para mim agir daquela forma nessas circustâncias.

– Mih, agora não da pra te explicar nada... Tenha um pouco de paciência... Por favor... — suplicou ele calmamente

Estava me acalmando quando escutamos um uivo extremamente alto.

– O que foi isso? — perguntei mais assustada ainda do que já estava

– Droga, eles descobriram e já estão atrás de nós. — Thomaz xingou baixinho

– Não estou entendendo nada! — supliquei por uma explicação

– Você deve partir agora, deve sair da floresta. Vou te levar pra casa, suba nas minhas costas.

Subi obediente e calada. É incrível a velocidade de um vampiro. Chegamos na minha casa em menos de 3 minutos, e eu que havia caminhado por horas...

– Não vá nunca mais á floresta a noite, ok? — disse ele me olhando bem sério

Eu assenti confusa.

– Você deve confiar em mim agora, mais do que nunca. — sorriu ele

– Ok... — sussurrei

Custei tanto a dormir, parece que aquela cena horrenda não queria me dar sossego, eu ficava me lembrando do uivo e do Thomaz com aquela mulher... Senti calafrios.

No dia seguinte estava cheia de olheiras, tinha dormido muito mal. E mais uma vez havia sonhado com aquilo... Desde que cheguei a esta cidade, tenho tido esse mesmo sonho todos os dias...

Me troquei e fui para a escola normal, como se nada tivesse acontecido.