A Ordem dos Cavaleiros
42 Arco Arcádias - A Princesa Kaguya
Notas iniciais
Enquanto Gabriel havia cumprido sua parte do plano elaborado por Tiago, Riruzen estava a caminho das cidades próximas para conseguir informações sobre o planeta e uma forma de cortar as linhas de comunicação da capital com as demais cidades, algo que não podia ser feito na capital, pois ela estava totalmente cercada após dois atentados cometidos. O primeiro foi uma bomba que havia explodido na capital e por isso estava sendo discutido colocar mais guardas e uma barricada ao redor da cidade, mas apenas após a fuga de Gabriel, os nobres chegaram a um consenso, que, durante a estadia deles na capital, ela deveria estar o mais protegida possível. A madrugada estava chegando, e a estação do planeta era a primavera, mas durante o canto dos pássaros, Riruzen estava sofrendo durante seu sono pela presença de uma mulher com cabelos negros e olhos azuis.
— Ei, não está me ouvindo? Ficou surdo? Está com raiva de mim? – questionava a mulher enquanto abraçava as costas de Riruzen.
— Estou sempre com raiva – disse Riruzen, enquanto tremia de frio dentro dos braços daquela mulher, enquanto abraçava sua espada.
— Não diga isso! Me deixa chateada, sabia? Você podia tentar sorrir às vezes, com certeza vai ficar mais feliz com isso – disse a mulher.
— Kaguya, você acha que eu tenho algum motivo para isso? – questionou Riruzen.
— Bom, se você seguisse os meus conselhos, quem sabe? – brincou Kaguya.
— Você é um Extreme forte, pode facilmente tomar o controle do meu corpo se eu vacilar uma única vez – disse Riruzen.
— Mas você estaria livre de toda a dor que está sentindo, sobre as perdas que sofreu em Falaris – disse Kaguya.
— Essa dor nunca vai desaparecer, mesmo após esses quinze anos – disse o cavaleiro.
— Quinze anos? Você já tem vinte e três? Meus parabéns, logo você terá vinte e cinco anos e chegará ao auge de um cavaleiro, ou seja, seus poderes e habilidades estarão espetaculares – disse Kaguya.
— Vinte e cinco? É verdade, os cavaleiros ficam em seu auge nessa idade – relembrou-se Riruzen.
— Você não parece feliz com isso. Que tal comemoramos matando aqueles dois que vieram com você? Eles parecem ter muito sangue para mim – ofereceu Kaguya.
— Não quero – disse Riruzen.
— Não me diga que está grato por esse braço mecânico que o cego te entregou? – questionou Kaguya.
— Não é por isso. É porque não é assim que eu trabalho – disse Riruzen, saindo dos braços de Kaguya e acordando de seu sono.
— Preciso chegar logo a uma cidade. Ainda não acredito que o Tiago deduziu que eles estavam planejando fechar a capital, talvez ele tenha algum informante, mas não faz diferença – pensou Riruzen.
O cavaleiro caminhou por mais algumas horas e adentrou em várias ruínas, Riruzen percebeu pelas casas, símbolos e letras no idioma Kilo, que pertenciam à antiga civilização Harappa, que teve sua cultura extinta após três grandes guerras contra os Khmer, os fundadores do Império de Noctis.
— Essas ruínas são de dezoito mil anos atrás, elas comprovam que o único inimigo que o homem não consegue vencer é o tempo – disse Riruzen, enquanto observava os símbolos que o levaram a um grande templo.
O templo estava repleto de estatuas, armaduras antigas, símbolos antigos e uma estatua do deus Angkor, que era o símbolo da religião Harappa, ele estava sentado em um dragão ao lado de um tigre, que eram os símbolos utilizados nas guerras da civilização. Os cavaleiros da República foram treinados em vários idiomas, mas o Kilo não era reconhecido pela Ordem, pois a civilização nunca encontrou a Ordem em algum momento durante sua existência. Porém, Riruzen viveu um longo tempo na Republica de Makedo, sistema que buscava ensinar esse idioma para tentar reviver a cultura de um dos oito fundadores do sistema, mas como a civilização deixou de existir há séculos, os detalhes de sua cultura estavam cada vez mais impossíveis de serem encontrados, e por isso o idioma é ensinado apenas aos nobres do sistema, como uma forma de comunicação secreta, mas o caçador de recompensas conseguiu aprende-lo por conta de um membro de seu grupo que era nobre antes de encontrá-lo.
— “O tudo é um e o um é tudo”, eles eram alquimistas? Isso explica alguns símbolos, mas aquela sala levada pelo dragão. – Riruzen foi levado por dentro de uma sala secreta aberta pelas palavras do cavaleiro.
Após entrar na sala, ele foi levado para uma cabana em um local cheio de neve, ele adentrou a cabana e encontrou um garoto parado em frente duas estatuas de gelo.
— Boa noite, pessoal! Acabei de chegar da escola, não tinha ninguém de novo, que vergonha! Será que eles querem ser reprovados? Acreditem, até o professor faltou hoje – disse o garoto.
— Ei, garoto, essas estatuas? – Riruzen se aproximou do garoto.
— Estatuas? Eles são meus pais, seu idiota! Eles estão apenas meio calados hoje, não é nada demais – retrucou o garoto.
— Eles estão congelados. Há quanto tempo estão assim? – questionou Riruzen.
— Congelados? Não diga besteiras! Eles estão apenas calados, calmos e se abraçando – disse o garoto.
— Todos os habitantes do planeta estão assim! DEIXA DE SER IDIOTA, ELES NÃO ESTÃO MAIS VIVOS! NINGUÉM NESSE PLANETA ESTÁ VIVO! ABRA OS OLHOS, IDIOTA! – gritou Riruzen, se aproximando cada vez mais do garoto.
— CALE-SE, COMO ISSO É POSSÍVEL? – O garoto não aceitou as palavras do cavaleiro.
— QUANDO FOI A ULTIMA VEZ QUE ELES FALARAM COM VOCÊ? ELES ESTÃO ASSIM HÁ DOIS ANOS! ACORDA DE UMA VEZ, ELES NÃO VÃO VOLTAR! – gritou Riruzen.
— ESPERA... O QUE QUER FAZER? O QUE ESTÁ FAZENDO, NÃO TOQUE NELES! – O garoto começou a tremer pelo balançar da espada, mas ficou com medo pelos seus pais, e se colocou a frente deles.
O caçador de recompensas pegou sua espada e acertou sua perna, mas não sentiu dor. O que Riruzen estava sentindo era que seu corpo queria sentir dor. Após perceber o cavaleiro começou a meditar e usou CEE para verificar a presença de um inimigo e confirmar seus pensamentos.
— Estou sangrando, mas não sinto dor. É apenas uma ilusão! – deduziu o cavaleiro.
— Você foi muito bem! Mas confesso que queria que demorasse mais – disse um homem emergindo das ilusões, trajando faixas negras por todo o corpo, correntes e uma marca com as cartas Rei, Rainha e Vassalo.
— Você é o homem por trás daquelas ilusões? – questionou Riruzen.
— Sim, muito prazer! Eu sou Levi Fosster, mas pode me chamar de Coringa. Seja bem vindo ao meu circo de horrores – disse Levi se apresentando.
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