A Ordem

16 Piedade


Notas iniciais
Demorei, mas postei! Obrigada a todos pelos comentários lindos e maravilhosos, espero mais nesse e espero que gostem, quero que amem o Luke porque ele é fofinho haha

*

Denny

*

"Piedade, oh Senhor, tende piedade, pois pecamos contra vós."

Denny estava sentada na Grande Sala sem saber o que fazer. Tinha conversado com Thomas e sabia que o que faria na próxima noite seria perigoso, poderia tomar sua vida, mas era algo que ela tinha que fazer. Ela estava sentada no divã quando Charlotte entrou com seus saltos tilintando no piso de mármore, ela segurava um envelope bonito e sorriu quando viu Denny sozinha.

– Você não está nada bem. – a loira estava usando um longo vestido azul com um blazer da mesma cor, seu cabelo estava preso em uma trança e seus lábios marcados com um batom rosa. Ela sentou-se ao lado de Denny e puxou a amiga até que deitasse em seu colo. – Eu vim te trazer o convite do meu casamento. Pretendo casar com Adam assim que isso tudo acabar.

– Você está confiante de que vamos ganhar. – fungou Denny.

– Confio em você, e afinal, você já ganhou uma vez.

– Eu tinha Scott da última vez.

– E agora você tem Jack. – Denny reprimiu uma lágrima e engoliu a seco – Você sabe que ele não fez aquilo.

– Como você sabe?

– Austin acabou sabendo, ele contou para a Vic e ela me contou. – Denny sentiu Charlotte respirando fundo – Você sabe que ele te ama.

– Ele nunca disse isso. – Denny reprimiu a infelicidade, ela queria fingir que Jack nunca tinha dito aquilo ou até mesmo esquecer e perdoá-lo, porque sentia tanta falta dele que era quase como se uma de suas flechas tinha acertado seu coração. Depois que tinha beijado-o queria repetir aquele gesto sempre que possível, era excruciante ficar longe dele.

– Mas você sabe que sim. E por isso sabe que ele nunca dormiria com aquela francesa ridícula, tem um motivo, mi amiga, e você sabe disso.

– Eu queria que ele tivesse me contado, não queria ficar sabendo por Thomas. – Denny bufou e sentou – E ele não disse nada.

– Você o escutaria? – Charlotte arqueou a sobrancelha e sorriu – Você é cabeça dura e estava magoada, Jack sabia que se falasse qualquer coisa você não acreditaria.

Denny ponderou, o que levou Charlotte a sorrir novamente e se levantar.

– E você o ama. – a loira saiu da sala e deixou Denny com seus pensamentos.

Ela começou a pensar em como achava Jack ridículo quando o conheceu, mas agora tinha uma visão completamente diferente. Jack tinha lutado terrivelmente mal, tinha deixado sua família sem problemas e tinha irmãs que teriam sérios problemas. Jack poderia ser considerado uma pessoa terrível se não fosse por seus lindos olhos dourados e seu sorriso encantador. Eles tinham vivido muitas coisas juntos, agora ela o considerava sua familia, mas atá do que Henry.

– Sim, amo. – disse ela para o ninguém.

Quando a menina estava prestes a sair da Grande Sala, Henry apareceu exasperado. Ele vestia calça jeans e uma blusa preta com um casaco também jeans. Ele parecia com medo, Denny não conseguiu entender o porquê.

– Temos que conversar. – disse ele entrando na sala e indo até Denny.

– Eu não tenho tempo, tenho que ir falar com os Caçadores e não posso demorar. – Denny cruzou os braços.

– Eu sei, não vai demorar. – ele passou a mão no cabelo e suspirou – Eu tenho uma explicação para o que aconteceu.

– Olha, Henry, você teve bastante tempo para inventar uma mentira. – Denny suprimiu a lágrima e voltou a se sentar no divã, não importava se tinha que falar com os Caçadores o seu filho queria conversar, e com certeza ela ficaria e conversaria com ele.

– Me desculpa. – disse ele indo sentar – Eu queria ter dito algo quando Jack me ameaçou... Eu só não queria que você me achasse uma péssima pessoa, um péssimo filho. – ele engoliu seco a última palavra.

– Acho que você está um pouco atrasado.

– Você vai me ouvir? – disse ele com olhos suplicantes.

– É claro. – a menina suspirou e abaixou a guarda.

– Eu estava... Estou com ciúmes do Jack. – ele piscou e segurou a mão da Denny – Eu sei que isso não é motivo o suficiente para deixá-lo morrer, mas quero que você entenda que você é a única pessoa que eu tenho. Jack é uma boa pessoa e vocês têm uma ligação forte, eu não sou parte dela e nunca terei um lugar como Jack tem.

– Você o conheceu primeiro, aprendeu amá-lo primeiro. Eu apareci em uma hora completamente inapropriada e você foi obrigada a me aceitar porque aparentemente eu sou o seu filho. Mas aí é que está o problema: não sabemos se eu sou o seu filho. Tenho medo de quando você se der conta de que o ama, você vai me esquecer. Porque eu sou um peso e nem sei sou verdadeiramente sangue do seu sangue, Denny, eu queria ter uma apólice de que você vai gostar de mim independentemente se sou seu filho ou não e Jack atrapalha isso. Ele não gosta de mim e você gosta mais dele do que de mim, então é claro que você vai acreditar nele.

Denny piscou confusa, apertou a mão de Henry e aliviou sua expressão.

– Somos Caçadores, maus por natureza. Nosso instinto é proteger aquilo que acreditamos, nem que para isso tenhamos que matar ou mentir. Não somos anjos e nem metade anjos, somos mais humanos do que pensamos e cometemos mais erros do que imaginamos cometer. Henry você é meu filho, independentemente se é de sangue ou não, amei você no momento em que te vi. Sim, amei Jack primeiro e você está certo em dizer essas coisas, mas eu tenho plena confiança de que vamos ser mãe e filho com o tempo.

– Então não está chateada comigo? – perguntou ele quase como se o céu tivesse saído de seus ombros.

– É claro que estou chateada com você. Na verdade, estou furiosa. – Denny lançou um olhar de desaprovação e Henry sorriu – Eu te entendo, Henry, mas, por favor, não faça isso novamente, senão não sei se vou te perdoar.

– Eu prometo. – Henry se inclinou e depositou um beijo na bochecha de Denny – Me arrependi no momento em que Jack caiu, mas eu não vou perder você.

– Você não vai. Agora... Eu tenho que ir, o dever me chama. – Denny se levantou beijou o topo da cabeça do filho. – Você é meu bebezinho, por mais que seja mais alto que eu.

– Vou me lembrar disso.

***

Denny estava encarando a centena de Caçadores a sua frente, eles não sabiam o motivo e nem saberiam, mas Denny queria que eles entendessem pelo menos uma parte do que aconteceria com eles. A menina olhou para Austin ao seu lado, ele estava sério e encarava o pátio com certo receio, Denny conhecia aquela expressão, mas os dois sabiam que deveriam ter feito aquilo há muito tempo. Jack estava a sua direita, ao lado de Charlotte e Adam, ele parecia longe, como se pensar no que deveria ser feito estivesse consumindo cada parte de sua mente.

Eles não tinham se falado desde o momento em que Thomas lançara aquela bomba para Denny, ela estava disposta a escutá-lo e tentar entendê-lo, por mais difícil que parecesse. Era egoísta da parte dela pensar que a traição de Henry fosse mais fácil de perdoar do que a de Jack, ela não estava acostumada a lidar com o ciúme. Pensar em Jack com Jessamine parecia algo inviável e só de tentar imaginar a cena seu estomago embrulhava, e assim como era impossível imaginar os dois junto, era impossível acreditar que aquilo fosse verdade. Talvez Charlotte estivesse com a razão, ele tinha uma explicação para tudo, ela só tinha que escutá-lo.

As mãos de Denny estavam soando, ela não saberia o que fazer caso os Caçadores não aceitassem bem a notícia de que o mundo que eles conheciam não seria mais o mesmo. Se não fosse pelas finas luvas pretas, todos saberiam o quanto a mão de Denny estava tremendo, ela apertou o vestido longo vermelho e preto e tentou falar com calma.

– Acho que todos aqui estão querendo saber o porquê dessa convocação inesperada. Bem, eu... – sua garganta estava seca, as palavras lhe fugiam, parecia que anos de experiência tinha lhe escapado tão fácil como água – Eu não serei mais a Governadora daqui a alguns dias, temo que Gerard tome meu posto novamente e infelizmente vocês terão que se submeter a ele como seu Governador. Porém, dessa vez eu não os deixarei na mão como fiz há mais de um século atrás. Achamos um meio de mudar algumas coisas em nosso mundo, se tudo der certo, nós não seremos mais imortais. – sons de surpresa ecoaram pelos Caçadores, logo depois era quase impossível fazê-los ficarem quietos, Denny olhou para Austin sem saber o que fazer, mas o ruivo parecia saber exatamente como acalmar a situação.

– A menos que queiram ter Gerard como Governador... Calem a boca. – Denny o encarou pelo linguajar chulo, mas Austin estava mais interessado em acalmar os falantes. – Assim está melhor. – as pessoas fizeram silencio e Austin mirou o olhar em Denny, dizendo para ela continuar.

– Tirarei Theodore do poder e farei com que possam ter mais de um filho. Além de... – Austin a encarou surpreso, eles tinham combinado falar até ali, mas Denny se sentia obrigada a continuar – Não haverá mais Crianças Imortais. Eu prometo.

– Agora – Austin tomou a palavra, ele não queria que Denny falasse mais do que o necessário, não poderia dar esperança aos Caçadores e não conseguir fazer uma nova Constituição – Queremos que voltem às suas casas, quanto menos souberem sobre o assunto, mais seguros estarão.

Os Caçadores, com murmúrios por todo o lado, começaram a se dispersar. Denny suspirou, queria ter contado à eles todo o plano, mas Austin tinha razão, às vezes ela tinha a impressão de que o ruivo seria um Governador melhor do que ela. A menina saiu do palco e seguiu para a Sede, tinha medo de olhares reprovadores, Austin a seguiu para dentro, eles estavam no hall.

– O que você estava pensando? – disse ele com o rosto quase da cor de seu cabelo.

– Achei que assim teriam mais confiança em nós. – Denny suspirou e sentou nos degraus da grande escada, Jack, Victória, Charlotte, Adam e Rebecca adentraram no recinto.

– Você fez bem Denny. – disse Charlotte.

– Como você pode concordar? – Austin estava realmente irritado, Denny não sabia se era inteiramente por causa do que ela acabara de falar – Poderia ter estragado tudo.

– Austin... – chamou Victória – Pode me dizer o que está acontecendo.

– Nada. – ele fuzilou Denny com o olhar – Se isso tomar percursoes desastorsas a culpa é sua.

Denny se levantou irritada, Austin não tinha o direito de fazer agir daquela maneira com ela. Denny era a Governadora.

– Eu não sei porque está agindo assim, mas Austin Viera, eu sou sua Governadora, eu mando na Sede e o que eu vou falar para os meus Caçadores sou eu que decido. – Denny caminhou até o ruivo – Você é meu conselheiro, mas as decisões finais são minhas até que se diga o contrário.

– Às vezes penso que seria melhor para todos se você tivesse realmente morrido. – Austin saiu com passos firmes, Denny ficou encarando o nada enquanto o amigo saía, o que ela poderia dizer? Talvez ele tivesse razão.

– Eu vou falar com ele. – disse Victória – Você sabe que ele te ama, não é Denny? – Vic estava nervosa, ela estava a ponto de chorar, a menina não suportava quando as pessoas que ela amava brigavam por alguma coisa.

– Acho que não sei mais o que as pessoas que eu acho que me amam podem fazer. – inconscientemente ela olhou para Jack, que a encarava sem expressão.

*

Jack

*

Jack estava sentado com Thomas na sala de treinamento, o clima na Sede estava pesado desde que Austin e Denny tinham discutido. Jack não entendia como tudo aquilo estava acontecendo, ele sempre achou que a amizade entre os dois era imaculada, agora os dois falavam verdades desnecessárias.

Com toda a pressão de ser o novo Souverain, Jack pediu a Thomas que voltasse a treiná-lo, ele não queria falhar com todos os Caçadores do mundo. Jack sentia que estava falhando com as pessoas que mais gostava, agora tinha que ser responsável por toda uma raça.

– Não sei o que quer que eu te ensine. – disse Thomas francamente – Eu não sei nada sobre como ser um Soberano, entreguei a Constituição para um bêbado antes que pudesse lê-la.

– Você o que? – Jack encarou o professor sem saber se ele estava brincando ou não, mas se tratando de Thomas, Jack tinha a impressão que ele estava falando a verdade.

– Eu não queria fazer parte do mundo sem a Norah, mais ainda um mundo que a matei para criar. – Thomas olhou para os sapatos, o que fez seus cabelos caírem por cima de seus olhos. – Eu não nasci para isso, mas você sim.

– Eu queria discordar com você, só que você está completamente certo, meu caro Watson.

– Então não tem o que fazer... Não adianta aprender as leis porque elas vão mudar, lutar você já sabe... A única coisa que vos falta é como ser um líder, mas Denny e a pessoa mais qualificada para o trabalho.

– Acho que ela não vai aceitar no momento, nem ela nem Austin. – Thomas riu secamente – Tem outro problema – Thomas encarou Jack sério, o menino tinha que contar aquilo para alguém, talvez Thomas fosse a melhor opção – Estou perdendo o controle.

– De que?

– Tudo o que eu toco eu absorvo. Não consigo selecionar mais o que quero e o que não quero, tentei usar luvas, mas não adianta, tudo vem sem eu querer. – Thomas parecia surpreendentemente triste, Jack não achou aquilo bom.

– Eu nunca passei por esse problema. – o coração de Jack desmoronou, será que ele era o problema? –Mas você é um Extrator nato, a Marca escolheu você porque você é único capaz de suportá-la. A Marca foi obrigada a me escolher, eu era um bruxo (sem ter palavra melhor que essa) você estava destinado, ela é muito mais forte em você do que em mim.

– O que eu vou fazer? – disse o loiro derrotado.

– Nós nunca treinamos controle, achei que isso não era um empecilho. – Thomas se levantou e ajudou Jack a fazer o mesmo – Está na hora de mexer com Magia Negra.

– O quê? – Jack se afastou – Não! Eu sei que mexer com isso não...

– Jack, Jack – interrompeu Thomas – Eu vou mexer com a Magia, você vai apenas bloqueá-la.

– Você escutou a parte que eu não estou conseguindo me controlar? – Jack passou a mão no cabelo – Assim que isso me tocar, eu não vou...

– Você tem uma ideia melhor, raio de sol? – Jack suspirou – Como eu pensei, agora vamos começar. Sugiro que você pense em algo ou em alguém, pensamentos claros e bons ajudam a bloquear a Magia Negra.

– Sério? Daqui a pouco você vai me mandar conjurar o Patrono. – Thomas encarou Jack desentendido. – A primeira coisa que vou fazer quando tudo isso acabar é te apresentar Harry Potter. J.k. Rowling estaria decepcionada. – Thomas estava encarando menino como se ele estivesse falando grego, mas Jack presumiu que Thomas sabia grego. – A escritora.

– Tenho certeza que ela roubou isso de nós. – Thomas pegou um livro que estava em cima da mesa e começou a procurar – Afinal, que nome é esse? Patrono... Ela roubou a nossa magia e me põe um nome idiota assim... – Thomas continuou murmurando sobre Harry Potter enquanto Jack tremia, ele tinha medo de como aquele treinamento acabaria.

***

Thomas estava carregando Jack pelos corredores, o menino não conseguia se mexer ou falar, estava totalmente desgastado pela Magia. O loiro não conseguiu bloquear uma, assim as trevas invadiram sua corrente sanguínea e tomou quase toda a vida que ele possuía. Thomas bondosamente estava empurrando Jack de volta ao quarto, ele pediu para que ninguém o visse naquele estado. E com ninguém ele queria dizer Denny.

O que foi por água abaixo um segundo depois...

– Você é mais pesado do que parece, Jack. – Thomas estava arfando, eles estavam no corredor do quarto de Jack, mas ainda faltava muitas portas até que chegassem. O menino ouviu passos e pediu que fosse apenas um empregado.

– Jack! – uma voz aguda quebrou o silencio do corredor, Thomas deixou Jack cair no banco de madeira que estava no corredor e massageou o ombro que Jack estava se apoiando.

A dona da voz correu até Jack e sentou ao lado dele, Jack fechou os olhos tentou dissipar a tontura que o dominara. Todos os seus músculos doíam e sua cabeça lateja de forma anormal. Quando ela colocou a mão em sua testa – que deveria estar molhada de suor – Jack sugou um pouco de sua força vital sem ela perceber.

– O que aconteceu? – perguntou ela se dirigindo a Thomas.

– Posso contar, Jack? – Jack encarou Denny e assentiu, impossibilitado de fazer outro tipo de ação – Ele está com problemas de controle ao extrair, como professor eu decidi usar um método para ajudá-lo, mas Jack não conseguiu.

– Você tinha que ser tão irresponsável. – Denny segurou a mão de Jack e deixou que ele tomasse sua força, Jack apertou a pequena mão da Caçadora e logo se sentiu melhor.

– Achei que esse era a minha melhor característica. – Jack sorriu fraco e tentou se levantar, mas ainda estava fraco.

– Vamos ajudá-lo até seu quarto. – Denny o segurou pelo ombro direito e Thomas pelo esquerdo, seguiram com dificuldade até a porta do quarto e Jack e a abriram, mas havia alguém lá.

Jessamine.

Se Jack não estivesse tão fraco ele mesmo iria matá-la, mas Denny parecia muito mais decidida a fazê-lo, soltou Jack com tanta rapidez que o menino quase caiu no chão. A moreno voltou bufando e segurou Jack novamente.

Jessamine estava usando calças pretas, uma blusa branca e blazer rosa, seu olhar estava mirando em algo que não era Jack. Ela estava completamente fissurada em Thomas.

– O que está fazendo aqui, sua va... – Jack segurou Denny novamente. Os três seguiram até a cama, Jack se sentou enquanto Denny ia até Jessamine e lhe dava um bom tapa na cara. – Achei que estava claro que não queria mais ver você. – Jessamine tentava se recuperar do tapa, mas Denny lhe deu uma joelhada na barriga e mais um soco, Jessie caiu no chão arfando enquanto Denny prendia uma mecha de sua franja que tinha caído.

– Denny! – chamou Jack, por mais que estivesse com raiva de Jessamine, parecia errado espancá-la até a morte – Não faz isso.

– Agora você está defendendo ela? – Denny colocou as mãos na cintura, Jack teve que se segurar para não rir.

– Acho que ela está feliz por ver que afetou você. – a morena de afastou da loira, Jack olhou para Thomas e silenciosamente pediu para que ele fosse ajudar Jessamine.

– Claro que ela me afetou, você dormiu com ela! – gritou Denny.

Thomas chegou até a loira e estava ajudando-a a se levantar, Jack tentou fazer o mesmo, só que seu corpo ainda doía. Denny foi até ele e o empurrou de volta para cama, o que fez uma onda de dor passar por ele e o menino se contrair para não gritar.

– Ela me enfeitiçou! – gritou Jack e se contraiu novamente – Sei que deveria ter te contado a primeira vez que ela apareceu, mas não achei que ela fosse causar problemas. Depois ela apareceu no meu quarto professou algumas palavras e logo eu não via mais ela, eu via você. – Denny o encarou surpresa, Jack podia jurar que ouviu Thomas rindo — Eu sei que deveria suspeitar que não era você, mas eu me sentia drogado e era você e não ela.

Denny piscou e olhou para Jessamine.

– Você não tem jeito, não é mesmo? Sua francesa ridícula. Não bastou a última vez? Você saiu com muito mais do que um olho roxo.

Jack não sabia do que ela estava falando, mas ficou feliz por Denny ter acreditado nele.

– Estou esperando quando Jack vai se tocar que você nunca vai amá-lo.

– Melhor você não esperar aqui. – disse Thomas segurando Jessie – Vamos até a enfermaria. – Thomas piscou e suspirou – Já esgotei a minha cota de bom samaritano.

Assim os dois saíram, deixando Jack e Denny a sós. A menina foi até ele e sentou ao seu lado. Ela parecia feliz, mais feliz do que Jack esperava.

– Você não tinha me deixado explicar. – disse ele.

– Eu devia ter imaginado, você nunca dormiria com ela. – disse ela com mais certeza do que Jack imaginava – Eu estava com raiva de você, por Henry e por tudo mais que está acontecendo.

– Então eu estou perdoado?

– Só depois disso. – Denny se inclinou e beijou Jack, ela colocou uma mão em sua nuca e apertou seus lábios de encontro aos dele.

Jack demorou um pouco para acreditar que aquilo estava realmente acontecendo, então a puxou e os dois caíram na cama, ainda com os lábios trabalhando juntos. Ele a segurou forte com a intenção de nunca mais soltar, porém, uma batida repentina na porta fez os dois se desgrudarem. Denny rolou para fora da cama e ajeitou seu cabelo, Jack sentou novamente, ainda zonzo por causa da Magia Negra.

A menina foi cambaleante até a porta e abriu, sorrindo para o Padre Digory.

– Boa tarde, padre.

– Boa tarde, minha filha. – o velho homem estava com uma feição preocupada, Denny se afastou da porta e deu espaço para que ele pudesse entrar – Aconteceu algo com a família Greenwood.

– Família Greenwood? – Jack se levantou com dificuldade e foi até o padre.

– Marrie ou Gerard? – Perguntou Denny respondendo Jack.

– Marrie... – o padre respirou fundo – O filho dela está lá em baixo exigindo que o deixem falar com sua mãe.

– O que? – Denny ficou estupefata e Jack poderia imaginar o porquê, para todo mundo, Gerard não tinha filhos, muito menos um vivo. – Como esse garoto pode estar vivo?

– Não sei, minha querida, mas acho melhor você ir resolver.

– Sim... Eu vou.

*

Denny

*

Denny desceu as escadas correndo, o filho de seu pior inimigo estava na Sede, o que ele queria não seria nada bom e ela sabia disso. Quando chegou se assustou com o menino, ele não parecia com Gerard, era esguio e alto, com cabelos pratas espetados e grandes olhos cinzas. Era tão pálido que Denny pensou em segurá-lo para que ele não caísse, sua boca não tinha cor e os ossos de seu rosto eram visíveis. Ele não parecia cansado, mas sua respiração era falha, como se o fato de estar vivo o cansasse, ele vestia camisa cinza e jeans escuros, seu olhar era determinado.

– Denny Salvatore. – disse enquanto a menina descia os últimos degraus.

– E você? Quem é?

– Luke Greenwood, filho de Gerard e Marrie Greenwood. – ele fez uma pequena reverencia e sorriu para a Caçadora – Seus olhos são tão bonitos como todos dizem ser.

– Aprecio seu elogio, mas não venho a crer que com isso ganhe alguma chance de ajudar Gerard. – Denny chegou até ele e cruzou as mãos em frente ao corpo, tornou sua expressão dura e não se deixou enganar pela educação do menino.

– Creio que a Governadora entendeu um pouco errado a minha situação – instantaneamente, o garoto fechou a cara e a garota pôde sentir o sentimento que pulsava dele, um sentimento ruim, ele era um Assassino e desejava matar alguém – A única pessoa que vou ajudar é a minha mãe, que está presa injustamente nesse lugar. Como eu, minha mãe está presa ao meu pai sem ter como se livrar desse nome infernal.

Denny tentou não mostrar surpresa, mas fora quase impossível, o filho de Gerard o odiava e queria matá-lo, a Caçadora sentiu uma gratificante ideia se apossar dela.

– Vamos até minha sala, conversaremos lá. – ela esticou o braço para mostrar-lhe o caminho e menino começou a andar.

Quando chegaram, Denny sentou-se em sua mesa e o garoto sentou-se em uma das cadeiras.

– Sua mãe não está presa. – disse a menina.

– Ela está nessa Sede sem poder sair, acho que isso define o sentido de presa para mim.

– Estamos protegendo-a, Gerard quer matá-la porque Marrie não quis ir com ele para onde quer que ele fosse. – Denny inclinou-se para frente – Ela está melhor aqui.

– Eu conheço lugares onde ela está mais segura. Gerard entrará aqui a qualquer momento.

– Dois dias para ser exata. – Denny descansou as costas na cadeira e suspirou – Theodore será o novo Souverain e para nossa infelicidade seu pai é o seu principal colaborador, então eu não serei Governadora e ele tomará a Espanha para si.

– Meu pai sempre sendo conveniente. – o menino balançou a cabeça e socou o descanso de braço.

– Deixe sua mãe em minha proteção por mais dois dias, assim que ele tomar o poder eu a deixo ir e você poderá colocá-la em um lugar mais seguro para ambos. Porque assim que ele tiver o poder, Gerard estará tão preocupado com si que esquecerá sua mãe e vocês poderão fugir.

– Por que você faria isso por nós? – Denny sorriu.

– Porque não consigo imaginar como seria ter Gerard como meu pai ou como marido.

– Ele não é meu pai.

– Posso perguntar como você está vivo? Ninguém sabe que você existe.

– Todos sabem que Gerard mexe com Magia Negra e faz experimentos letais, quando ele engravidou a minha mãe, seu DNA já estava contaminado, então ele passou para mim. Eu tenho Magia Negra em meu sangue. Ela suga a minha cor, ela suga a minha vida a cada segundo.

“Eu tenho que tomar um remédio especial para ficar vivo e não consigo ser forte o suficiente e nem rápido o bastante, minha mãe conseguiu fazê-lo me mandar para longe, para um lugar seguro. Então contou a todos que a doença finalmente ganhou e eu estava morto, mas quando soube o que aconteceu aqui, eu tive que voltar.”

– Gerard envenenou seu próprio filho.

– Espero que ele pense que eu estou morto. – Luke cuspiu as palavras – Ele tem a aparência que merece, vejo a Magia atuando em suas células, consumindo seu corpo.

– Você é um Assassino. – Luke sorriu com malicia.

– Sim, sou. Mas não acho que faço juiz a palavra, eu nunca matei.

– Você não parece alguém que mataria outra pessoa.

– Está certa, eu queria poder viver minha vida sem carregar o sobrenome de meu pai, mas isso não é possível em nosso mundo, Denny.

– Nomes são coisas poderosas, não podemos nos livrar. – Denny se levantou e Luke fez o mesmo – Me apiedei de você. Gostaria de estar no Conselho de Guerra? Estamos criando nossos planos para tomar o poder e fazer uma nova Constituição, creio que você seja um ótimo estrategista.

– Posso ser. – ponderou ele.

– Então o que me diz? Entrará em minha guerra?

Notas finais
Quem quiser ler minha mais nova fic: http://fanfiction.com.br/historia/550173/Terra_de_Sangue/