A Nova Proposta

8 Capítulo 7 - As sombras do passado


Notas iniciais
Oi gente, sei que o combinado era que eu postasse as quarta e sábados, mas eu adiantei esse cap (que, modéstia à parte, está perfeito!!!) e eu decidi postar um dia antes, mas não se acostumem enh!
Enfim, aqui está o cap, espero que gostem!

Damon

Quando eu desliguei o celular fiquei algum tempo encarando a parte de trás do banco do motorista. Tinha prometido a mim mesmo que não iria ceder a Elena, mas agora eu tinha acabado de marcar com ela para conversarmos, justamente o que eu não queria fazer.

É claro que eu não pretendia perdoá-la assim tão fácil e pedi-la para voltar para podermos viver nós dois e os gêmeos como uma linda e feliz família. Apenas achei que precisava de uma explicação do porque ela decidiu ir embora, por isso eu liguei.

- Senhora Salvatore, nós já chegamos – a voz do meu motorista me tirou dos meus pensamentos, nós estávamos parados em frente a entrada do prédio aonde ficava a Salvatore's Publisher.

- Obrigado, Matt – disse, finalmente, saindo do veículo – Hoje eu vou embora na hora do almoço para poder passar um tempo em casa com a Gwen.

- Está bem, senhor Salvatore, estarei aqui para buscá-lo – avisou.

Quando cheguei ao andar em que ficava a minha sala, Rose já estava sentada na sua mesa digitando alguma coisa no seu computador. Assim que sai do elevador ela se virou na minha direção.

- Bom dia, senhor Salvatore – falou – Consegui remarcar a sua reunião de ontem para a semana que vem e para hoje o senhor não tem nenhum compromisso importante.

- Está bem, Rose – continuei – Vou para a minha sala, se alguém quiser falar comigo, é só anunciar.

- Na verdade já tem alguém, a senhorita Granger está aqui te esperando – foi então que eu percebi que ela estava sentado no sofá da recepção.

- Oh claro, senhorita Granger, por favor, entre – pedi, indicando a porta que levava ao meu escritório – Só mais uma coisa, a senhorita Gilbert vai vir aqui daqui a pouco, assim que ela chegar peça para entrar imediatamente.

Entrei na minha sala e fechei a porta. Hermione estava parada enquanto me encarava.

- Ouvi que o senhor está esperando a senhorita Gilbert – avisou – Se preferir, eu posso voltar uma outra hora. Não é nada de urgente.

- Ora, mas é claro que você pode falar – garanti – Não marquei com a senhorita Gilbert agora, ela ainda deve demorar um pouco.

- Está bem então – apenas deu de ombros.

- Espero que não esteja esperando aqui há muito tempo – continuei – É que eu precisei fiquei esperando a minha irmã, ela vai ficar com a Gwen hoje até eu chegar em casa.

- Não se preocupe, não estava há muito tempo esperando – respondeu – Espero que a sua filha esteja melhor.

Está sim, foi só uma faringite, uns três dias tomando antibiótico e ela estará como nova – expliquei – Mas agradeço pela preocupação.

Não pude deixar de sorrir nesse momento. Ouvir que Hermione estava preocupada com a saúde da minha filha era música para os meus ouvidos, algo que a própria “mãe” dela não pensou em perguntar.

- Então, por favor, sente-se, senhorita Granger – indiquei a cadeira para ela afastando esses pensamentos da minha cabeça, enquanto isso fui até atrás da minha mesa e liguei o computador – Pode falar.

- É que eu li mais da metade do livro ontem a noite e tive algumas ideias para a divulgação – disse.

- Você já leu mais da metade da história? — a olhei espantada – Eu vi o original e devia ter mais de 400 páginas! Como você conseguiu ler tão rápido?

- A história é muito boa, acho que eu nem percebi que já tinha lido tanto – deu um sorriso sem graça – Faço isso com todos os livros.

- Quem me dera ter mais editores como você – dei um longo suspiro – A maioria enrola mais de um mês para poder ler um livro, por isso preciso colocar prazos.

- Bom, eu sei que não é da minha conta, afinal eu não sou da área de publicidade – continuou – Mas acho que na capa do livro tem que ter uma caneta, fazendo referencia ao contrato que eles assina, e um sapatinho de bebê. E na divulgação devemos como nos cartazes a seguinte frase: “Você geraria um bebê por 1 milhão de dólares”

Nesse momento eu estava olhando o transito da cidade de Atlanta pela janela. Aquelas eram mesmo ótimas ideias e dariam uma ótima divulgação para o livro.

- Gostei, vou entrar em contato com o departamento de marketing e com o departamento de arte de capa e vou passar as suas ideia – comentei, sem retirar o olhar da janela – Mas e a senhorita, concordaria em gerar um filho por 1 milhão de dólares?

No momento em que eu me virei ela estava olhando uma foto em cima da minha mesa enquanto passava o dedo indicador pela moldura do porta retrato. Era do último aniversário de Chad e Gwen e eu estava entre os dois na hora do parabéns.

- Sendo 100% sincera, eu sempre quis ser mãe – respondeu – Mas acho que não concordaria com um contrato desses, seria como tratar o próprio filho como uma mercadoria.

Não pude deixar de pensar por alguns segundos no que ela tinha acabado de falar, por mais que eu amasse meus filhos mais do que qualquer coisa nessa vida eu tinha mesmo tratado eles como uma mercadoria quando propus aquele contrato para a Elena. Tentando ignorar aquilo, caminhei em direção de Hermione e parei atrás dela também olhando para o porta retrato.

- Eu amo essa foto – coloquei das duas mãos nas costas da cadeira, meus dedos roçaram no ombro dela – A Gwen queria a festa com o tema da Rapunzel e o Chad queria com o tema de super-herói, então a minha irmã teve a ideia de fazer metade da festa com um tema e metade com o outro.

- Não deve ser nada fácil cuidar de gêmeos – virou-se para poder me olhar – Ainda mais sozinho.

- Eu me viro – dei de ombros – Além disso, tenho meus pais e meus irmãos, eles me ajudam sempre.

- Mesmo assim, deve ser difícil não ter uma mulher ao seu lado – continuou – Quero dizer, eles não sentem falta da mãe?

- Não vou mentir para vocês, eles já me perguntaram porque não tem a mãe por perto igual aos amiguinhos da escola – dei um longo suspiro – Mas eu disse que apesar disso eles tinham avós e tios que os amavam muito e aceitaram isso.

Ela deu um fraco sorriso. Eu me ajoelhei na sua frente para colocar uma mexa de cabelo, que estava no seu rosto, atrás da orelha.

- Mas é claro que às vezes eu tenho vontade de arranjar uma mãe para os meus filhos – coloquei a mão sob a dela – Não só por eles, mas também por mim.

Percebi que suas bochechas ficaram levemente vermelhas e não pude deixar de achar graça, faz muito tempo que não causo uma reação dessas em uma mulher. Hermione mordeu de leve o lábio inferior e eu passei a mão pelo seu queixo para que o soltasse.

- Não faz isso, vai acabar se machucando – minha voz saiu levemente entrecortada, foi quando percebi que estava ofegando.

- Senhor Salvatore... — ela estava do mesmo jeito que eu e ainda estava com os olhos fechados.

- Por favor, me chama de Damon – pedi – Senhor Salvatore é o meu pai. Além disso, isso é muito informal.

- Certo, Damon... — meu nome saiu dos seus lábios de uma forma muito sensual.

Ela ofegou quando minha mão foi para a parte debaixo do seu cabelo. Estávamos tão próximos agora que eu podia sentir a sua respiração quente no meu rosto. Fechei meus olhos, nossos lábios estavam há milímetros de se tocarem, mas o som da maçaneta girando fez com que eu me afastasse na mesma hora.

- Atrapalho alguma coisa? — Elena estava encostada no batente da porta.

- Claro que não, já estava indo embora — Hermione levantou da cadeira e ajeitou a blusa, embora não estivesse amassada – Obrigada por me ouvir, senhor Salva..., quero dizer, Damon.

- Eu que preciso agradecer – passei a mão pelo cabelo – Nós falamos outra hora, sempre que precisar é só vir a minha sala.

Ela deu mais um sorriso sem graça e caminhou até a saída da sala. Foi então eu, realmente, olhei Elena pela primeira vez, ela usava uma blusa de alça com um discreto decote e uma saia jeans que batia na metade da sua coxa; tudo bem que estamos praticamente no verão, mas acho que nunca a vi vestida de uma maneira tão sensual.

- Vocês estão transado? — a pergunta dela me pegou de surpresa, tanto que eu acabei engasgando.

- Como é? — consegui falar depois de me recuperar.

- Você estava aqui ajoelhado na frente dela, com os dois sozinhos dentro da sala – cruzou os braços e ficou me encarando — E eu sei, muito bem, o que você é capaz de fazer naquele sofá – apontou para o sofá que ficava do outro lado da sala, o mesmo em que tínhamos transado há quase quatro anos.

- Você está imaginando coisas, Elena – revirei os olhos – Não está acontecendo nada entre nós dois, a Hermione é minha funcionaria.

- Eu também era sua funcionária quando ficamos juntos – lembrou, ela estava com aquele sorriso convencido, como se tivesse descoberto uma grande coisa.

- É totalmente diferente – tentei argumentar, mais uma vez – Você sabe muito bem quais eram as minhas intenções quando te chamei para aquela entrevista, o emprego de estagiaria foi consequência.

- E também percebi as suas intenções com ela, está te deixando chamar de Damon e tudo – olhou rapidamente para os pés – Não estou criticando nem nada, até acho fofinho.

- Então por que você está falando isso? — quis saber – Não foi para falar da minha vida amorosa que você veio até aqui, não é mesmo?

- Sinceramente, Damon, nunca imaginei que você estivesse sozinho depois de todos esses anos – deu de ombros – Seria muita hipocrisia da minha parte, já que eu mesma tive outros caras.

- Eu sei – respondi – Vi as fotos da festa de lançamento do seu livro em Toronto. Como é mesmo nome dele? Víctor? Você estão namorando?

- Não, Victor está mais para um “ficante fixo” — fez as aspas com as mãos – Esse é o meu novo lema: Solteira, sim; sozinha, nunca.

- Interessante – foi tudo que eu consegui dizer – Olha, Elena, eu não tenho o dia inteiro, então acho melhor você ir direto ao ponto sobre o que queria tanto conversar comigo.

Ela deu um longo suspiro e sentou-se em uma das cadeiras, cruzando as pernas. Estava olhando a mesma foto que Hermione há alguns minutos, mas ela pegou o porta retrato com as mãos.

- Eles são umas gracinhas – comentou – Parecem muito com você, embora pareçam um pouco comigo.

- Sempre achei que eles se parecem muito com você – admiti – Principalmente a Gwen, até mesmo na sua personalidade – ela deu um fraco sorriso ao falar isso.

- E como é que ela está? — a olhei em dúvida – A Gwen. Ontem no almoço, a ligação que você recebeu era sobre ela, não é?

- Era sim! — afirmei com a cabeça – Ela está bem sim, foi só uma faringite, mas ela não foi para a escola hoje, está em casa com a Gaby.

- Gaby... — disse o nome da minha irmã – Ela deve me odiar, não é mesmo?

Fiquei quieto,não ia contar a ela que não só a Gaby, mas toda a minha família a odiava. Claro que foi a própria Elena quem procurou isso quando decidiu ir embora.

- Tudo bem, Damon, eu vou direto ao assunto – continuou – Quero conhecer os meus filhos e conviver com eles, pelo menos enquanto eu estiver aqui em Atlanta.

Não consegui dizer nada a respeito desse pedido dela, simplesmente comecei a rir descontroladamente.

- O que tem de tão engraçado nisso? — quis saber, estava visivelmente de mal humor.

- Você chega aqui, depois de três anos, toda autoritária dizendo que quer conviver com os gêmeos – ainda estava rindo – Não acha que isso é muita cara de pau da sua parte.

- Eu tenho direito a isso – lembrou – Eles são meus filhos, eu os carreguei nove meses na minha barriga e, além disso, meu nome está na certidão de nascimento deles. A lei é bem clara.

- Você perdeu qualquer direito quando foi embora a três anos sem nem ao menos ligar para saber se eles estavam vivos ou mortos – dei de ombros – A lei também é claro nesse caso, nenhum juiz no mundo te daria razão.

- Por favor, Damon, até parece que eu estou pedindo para levá-los embora comigo – fez uma careta – Eu só quero conhecê-los. Eles também tem direito a isso.

- A Gwen e o Chad não estão nem ai para você – fui totalmente direita – Nunca nem ao menos mostrei uma foto sua para que não sofressem. Eles. Não. Sabem. Quem. Você. É. — essa última parte eu disse pausadamente.

- Olha, Damon, você acha que foi o único que sofreu nesses últimos três anos? — percebi que seus olhos estavam cheios de lágrimas, mas aquilo não estava me comovendo nem um pouco – Não teve nenhum dia em que eu não pensasse nos meus filhos.

- Pois não parece – comentei – Se você se importasse um pouco com eles, não tinha ido embora.

- Mas você sabe porque eu fui embora – lembrou – Não sabia se eu ia conseguir dar conta de cuidar de duas crianças. Eu era muito imatura.

- Você ia dar conta – agora eu estava gritando – Minha mãe criou a mim aos meus irmãos; a Sutton cuida muito bem da Rae e do Ted; a Meredith tem Scarlete e Jaime; até mesmo a Gaby está sempre me ajudando com o Chad e Gwen. Nenhuma delas tinha experiência, mas conseguiram, não fugiram como você fez.

- Perfeito, agora eu sou a vilã – levantou-se rapidamente – É muito fácil para as pessoas me julgarem dessa maneira.

- Você não acha que é a vilã dessa história? — parei bem na frente dela para encará-la melhor – Perfeito, então vamos lá: conte-me tudo que você sabe a respeito dos gêmeos.

Ela não disse nada, apenas ficou encarando um ponto fixo atrás de mim.

- Exatamente, você não sabe nada sobre eles – continuei – Você não sabe que o desenho favorito da Gwen é Enrolados e que ela dorme toda a noite com um camaleãozinho de pelúcia que o Stefan de presente no aniversário de 1 ano dela; ou que o Chad adora desenhar carrinhos de corrida e que ele quer ser o Relâmpago McQueen quando crescer; que a Gwen tem medo do monstro embaixo da cama dela e constantemente pede para dormir na minha cama; já o Chad é mais independente nesse ponto e diz que não precisa de luzinha para dormir; mas os dois fazem questão que eu leia uma história para eles toda a noite antes de ir para cama.

Eu estava bem mais calmo depois de ter dito aquilo todo. Precisava desabafar aquelas coisas encima dela há muito tempo.

- Como você pode ver, não conhece nada sobre eles – completei – Pode até ter carregado eles por nove meses, mas não tem o menor direito de ser chamada de mãe, pois você não é. Não posso permitir que os meus filhos convivam com alguém como você.

- Então essa é a sua palavra final? — quis saber – Está totalmente decidido, não vai mesmo me deixar vê-los?

- Pensei que tivesse deixar bem claro – cruzei os braços – Agora, por favor, saia daqui.

- Eu vou mesmo, mas antes tenho uma coisa para você – abriu a bolsa e retirou colocando algo em cima da mesa, era um pacote de camisinha – Imagino que você não esteja querendo dar um irmãozinho para o Chad e Gwen. A Hermione vai me agradecer depois.

Assim que ela saiu eu me joguei em uma das cadeiras, minha cabeça estava explodindo depois de toda aquela conversa. Esperei alguns minutos antes de ir a recepção, por sorte Elena já tinha ido embora.

- Rose! — chamei a minha secretária – Por favor, me arranje uma aspirina para dor de cabeça, por favor.

- Claro, já vou levar até a sua sala, senhora Salvatore – avisou, concordando com a cabeça.

Fiquei ali encarando a tela do meu computador, estava me sentindo muito estranho depois de aquilo tudo. Nesses últimos três anos pensei que quando encontrasse Elena novamente fosse sentir muita falta dela e querer revive todos os nossos momentos, mas não foi isso que aconteceu. Por outro lado aquele momento com Hermione mais cedo tinha mexido muito comigo, claro que eu tentei me convencer de que isso tudo era porque eu estava há muito tempo sem sexo, mas a verdade é que não é isso.

Notas finais
Bom gente, eu não sei qual o posicionamento de vocês a respeito do triangulo Elena/Damon/Hermione, mas essa cenas Damione são extremamente necessárias. E antes que alguém pergunte, não é que o Damon tenha deixado de amar a Elena, mas é que ele tem todos os motivos do mundo para estar com raiva dela, não é mesmo?
Não se preocupem que "logo" as coisas se resolvem.
E no próximo cap teremos o ponto de vista da Lena mostrando tudo que ela pensou sobre essa conversa.
***
Só mais uma coisa, essa fic ainda está muito longe de acabar, mas é que eu já estou pensando na fic que vou postar depois, e tenho duas aqui e quero saber a opinião de vocês sobre qual postar primeiro.
1ª Of Love and Shadaws:
Elena é uma bailarina talentosa que estuda na Julliard e nunca superou sua última decepção amorosa. Um acidente muda a sua vida e da noite para o dia ela se viu tendo que tomar conta da sua sobrinha e com a ajuda do cunhado da sua irmã.
Poderá ela deixar todas as sombras do passado e ser feliz no amor novamente?
2ª Pecado íntimos:
Elena era tratada como um bibelô por seu marido, Klaus, mas desde o nascimento de sua filha, há alguns meses, que o relacionamento do casal caiu na rotina.
Quando seu pai fica doente ela precisa voltar para a sua cidade natal e lá conhece o belo Damon Salvatore, médico de seu pai. E Elena vai encontrar nele tudo que não tem mais com o seu marido, mas isso terá consequências.
***
Bom, é isso
Comentem e digam o que estão achando (e não se esqueçam de votar qual fic querem ler antes)
Recomendações?