A Nova Proposta

7 Capítulo 6 - Noite na cidade


Notas iniciais
Gente, já estamos com quase 200 comentários e eu gostaria de agradecer a cada uma deles, vocês não tem ideia do quanto me fazem feliz...
Bom, aqui está o cap, espero que gostem.

Elena

Passei todo o caminho de volta ao hotel em silêncio, olhando os pingos de chuva que começavam a acumular na janela do táxi. Aquele encontro com o Damon tinha me abalado mais do que eu gostaria de admitir, claro que eu sabia que ele não ia me receber com flores e como se os últimos três anos não tivessem acontecido, mas não da maneira como foi.

- Você está tão quieta, Lena – a voz de Clary me retirou dos meus devaneios.

- Eu estava apenas pensativa – disse dando de ombros – Atlanta me traz muitas lembranças.

- E eu imagino que alguma dessas lembranças tenham a ver com um certo senhor Salvatore que acabamos de encontrar no restaurante – completou – Não estou certa?

- Quem foi que disse isso? — gritei mais alto do que estava planejando – De onde foi que você tirou essa ideia?

- Ora, Elena, não sou sua amiga há tanto tempo quanto a April, por exemplo, mas temos passado bastante tempo juntas nesses últimos meses e sei muito bem quando você está tentando enrolar – comentou – Você está preocupada desde que eu te disse que era a Salvatore's Publisher que iria publicar o seu livro e também está tensa desde que chegamos em Atlanta, principalmente no almoço.

- Só estava nervosa com toda situação – dei de ombros – Acho que é normal com qualquer escritor.

- Você não me engana – ficou olhando as unhas perfeitamente pintadas de rosa – Se duvidar você deve ter até transado com ele.

- Clary – a reprimi, por sorte o taxista estava muito ocupado com o transito para prestar atenção na nossa conversa — Tudo bem, eu conheci o Damon quando estava morando aqui em Atlanta durante a faculdade de nós tivemos um casinho – tentei parecer indiferente, embora o que nós dois tivemos jamais poderia ser classificado como um “casinho” — Nada mais que isso.

- Sabia! — estava com um sorriso vitorioso – Aposto que ele foi uma das suas fontes de inspiração para o livro.

- Não vou comentar mais nada – me virei novamente para a janela.

- E essa história da mãe dos filhos dele é bem estranha – comentou, fazendo com que a olhasse – Você acha que ela está morta?

- Sinceramente, não tenho a mínima ideia – menti – Quando conheci o Damon ele era solteiro – pelo menos essa parte era verdade – Mas acho que não deve ter demorado muito para conhecê-la.

- Mesmo assim é triste – continuou – Ele deve ser um pai e tanto, por criá-los assim, sozinho.

Não disse mais nada. Tinha certeza de que se soubesse que eu era a mãe dos gêmeos que eu os deixei quando estavam com poucos meses de vida, Clary nunca iria me perdoar.

- Sabe, eu estava querendo sair hoje a noite – mudei rapidamente – A vida noturna de Atlante é muito agitada, tenho certeza de que encontraremos uma boate legal, o que acha?

- Não vai dar, Lena, eu tenho algumas coisas para fazer no hotel hoje a noite, não é nem um pouco fácil ser sua empresária, sabia disso? — explicou – Além disso, o Jem não ficaria nem um pouco feliz se soubesse que eu vim a Atlanta para ficar indo a boate com você.

Jem é o namorado de Clary, eles são aquele típico casal fofinho e que quando você olha sabe que vão ficar juntos para sempre. Além disso ela é totalmente apaixonada e fiel.

- O Jem não precisa ficar sabendo – dei de ombros – Eu não conto. O que acontece em Atlanta, fica em Atlanta.

- Mesmo assim não acho uma boa ideia – fez uma careta.

Eu vivo dizendo que ela deveria curtir a vida e que ainda é muito nova para ficar se prendendo a uma relacionamento sério assim, mas não adianta nada. Clary tem apenas 23 anos, dois a menos que eu.

- Se você diz – foi tudo que eu disse, sabia que não ia adiantar em nada mesmo.

Não demorou muito para chegarmos no hotel e fomos, cada uma, para o seu quarto. Decidi tomar uma ducha relaxante tentando esquecer tudo que aconteceu naquele almoço, quando sai, ainda enrolada na toalha, meu celular estava tocando, era um número de Toronto que eu não conhecia.

- Alô! — decidi atender, poderiam ser meus irmãos ou até mesmo meus pais.

- Lena, aqui é o Jace – ouvi aquela voz conhecida do outro lado da linha – Eu vou passar uma semana a mais em Toronto. O que acha de comermos mais uma daquelas caixas de chocolate juntos?

Apesar de dispensado Jace naquele dia logo depois de receber o telefonema de Clary, isso não me impediu de ligar para ela na véspera de viajar. Foi uma noite muito divertida regada a chocolate, champanhe e, é claro, muito sexo.

- Infelizmente não posso – dei um longo suspiro e sentei na ponta da cama – Estou em Atlanta a trabalho e não tenho previsão de voltar no momento.

- É mesmo uma pena – comentou – Mas terão outras oportunidades, eu pretendo voltar a Toronto e você também pode ir a Nova York e eu te apresento a cidade.

- Eu já conheço Nova York, Jace – inclusive do jeito que ele estava querendo me apresentar, mas eu não ia falar isso, é claro – Mas eu adoraria ter você como guia turístico.

- Bom, você pode me ligar quando estiver por lá – avisou.

No momento em que desliguei o meu celular tocou novamente. Dessa vez eu reconheci o número que aparecia no identificador de chamadas, era Caroline.

- Oi, Car – não pude deixar de sorrir, já fazia dois dias que estava em Atlanta e ainda não tinha recebido uma ligação da minha amiga.

- Oi, Lena – respondeu – Como estão as coisas? A reunião na Salvatore's Publisher foi hoje, não é?

- Sim – afirmei – Mas não quero falar sobre isso agora, se você não se importa.

- Tudo bem, não foi para isso que eu liguei mesmo – avisou – Klaus arranjou um quatro convites para uma nova boate e queria saber se você quer ir?

- É uma ideia perfeita, estou mesmo precisando relaxar – respondi na mesma hora – Mas você disse quatro convites? Quem mais vai?

- Klaus chamou um amigo dele – disse.

- Parece interessante – não pude deixar de dar um pequeno sorriso – Eu vou sim, Car, para falar a verdade, estava mesmo procurando algum lugar para ir.

- Perfeito – completou – Nos passamos ai no hotel para te buscar as oito, tudo bem?

- Sim! — afirmei – Até mais tarde amiga.

Fui mexer na minha mala para encontrar algumas coisa para vestir hoje a noite, acabei me decidindo por um vestido rosa que mais parecia uma camisa de tão curta e uma sandália de salto. Espero que esse amigo do Klaus seja gato ou eu estou me produzindo toda a toa.

Como eu tinha bastante tempo até a hora que combinei com a minha amiga, pude me maquiar com calma, secar os cabelos e depois passar o baby liss. Já eram quase oito horas eu peguei uma bolsa de mão e coloquei apenas a minha identidade, meu cartão e algum dinheiro, então fui para o saguão do hotel para poder esperá-los.

- Lena, amiga, você está linda – Caroline saiu do carro e veio me abraçar – Estou tão empolgada, quero dançar a noite inteira hoje.

- Eu também – afirmei.

Abri a porta do banco de trás do carro e tive uma grande surpresa ao encontrar Kol ali. Sinceramente, eu podia imaginar qualquer um ali, menos ele.

A boate não ficava muito longe do hotel, então chegamos rapidamente. Devia ser um lugar bem exclusivo, pois não tinha nenhuma fila para entrar.

- Vocês podem ir entrando, eu preciso conversar uma coisa com a Lena – avisou – Amiga, eu sinto muito por não contar que era o Kol quem vinha conosco. Ele soube que você estava vindo para Atlanta e queria te ver a qualquer custo.

- Está tudo bem, Car – garanti – Quero dizer, meu namoro com o Kol já acabou há muito tempo, mas vamos ver o que acontece, não é mesmo?

Certo – deu de ombros – Bom, então vamos entrando.

Eles tinha encontrado uma mesa e fomos para lá também assim que entramos no local, a música estava tocando, mas não tinha quase ninguém dançando. Não demorou muito para o garçom vir perguntar se queríamos beber alguma coisa; Klaus pediu um Wisky e Kol uma Cerveja, Caroline escolheu um Cosmopolitan e eu decidi seguir a minha amiga.

Klaus, eu amo essa música, vamos dançar! — Car puxou o namorado em direção a pista de dança, já estávamos naquele lugar há uma hora e ainda não tinha tido ânimo para me mover daquela cadeira.

- Garçom, por favor, mais um Cosmopolitan – pedi quando os dois já tinham se afastado.

- Não acha que já bebeu demais? — Kol sussurrou no meu ouvido. Certo, não podia culpá-lo, aquela iria ser a minha quinta taça e eu estava começando a me sentir um pouco alta.

- Não se meta na minha vida, Kol – disse rudemente – Eu já tenho 25 anos e sei muito bem cuidar da minha vida.

- Tudo bem, não está mais aqui quem falou – levantou as mãos em sinal de rendição – Caroline me contou que você esteve esse tempo todo em Toronto. Fiquei surpreso quando soube que você tinha largado os seus filhos, você parecia tão convicta de que aquela era a sua nova vida.

- Simplesmente não era para mim, acho que não conseguiria ser uma boa mãe – dei de ombros – E eu não abandonei os meus filhos, deixei eles com o pai.

- Já que você diz que não é a mesma coisa – sabia que ele estava tentando fazer com que eu me sentisse culpada, mas não ia conseguir – Mas me diga, o que você andou fazendo nesses últimos três anos.

- Só as coisas básicas – tentei parecer indiferente – Terminei os meus estudos na U of T, me dediquei a careira de escritora e aproveitei a minha juventude.

- E pelo jeito aproveitou muito bem, se me permite dizer – começou a passar a mão pelas minhas pernas – Sabe que até hoje eu não entendo por que nos dois terminamos?

- Porque você decidiu ir fazer pós-graduação em Londres – lembrei – Não estava disposta a namorar um cara que estava há milhares de quilômetros de distância de mim.

- Ah sim, foi por isso mesmo – começou a beijar a parte de trás do meu pescoço fazendo com que eu ficasse toda arrepiada e soltasse um pequeno gemido, ele descobriu o meu ponto fraco – E agora eu estou de volta a Atlanta, você decidiu ir embora.

- Não sei se o nosso relacionamento teria dado certo, Kol – estava um pouco difícil de raciocinar nesse momento, ele estava acariciando a parte interna da minha coxa, bem próximo da minha intimidade – Éramos muito diferentes.

- Só teria uma jeito de saber, vivendo – sussurrou antes de dar uma mordiscada de leve no lóbulo da minha orelha – Sabia que você foi a primeira virgem com quem eu namorei? E, ironicamente, não fui eu quem tirou a sua virgindade.

- Eu fui uma boba naquela época de não ter transado com você – admiti – Era tão ingênua, não sabia o que eu estava perdendo.

- Adorei ouvir isso – estava com um sorriso vitorioso – Mas não se preocupe com isso, Elena, querida, podemos tirar o atraso agora mesmo.

No minuto seguinte estávamos dançando provocativamente na pista de dança. Kol ficou esfregando o corpo no meu e eu podia sentir seu membro duro contra mim, o que me deixava ainda mais exitada, comecei a beijá-lo para reprimir um gemido.

- O que acha de sairmos daqui? — sugeri, sem desgrudar os meus lábios do dele – De repente ficou quente demais.

- Pensei que nunca fosse perguntar – foi tudo que ele respondeu, então começamos a caminhar em direção a saída da boate.

Pegamos um táxi na porta e nos dirigimos de volta ao hotel em que eu estava hospedada. Confesso que foi estranho estar flertando com o meu ex-namorado e depois estar embaixo dele nua enquanto ele me penetrava e gemiamos loucamente. Claro que eu não tinha o que reclamar, estava muito bom e eu precisava mesmo disso depois de tudo que aconteceu no almoço.

Transamos quatro vezes naquela noite, incluindo uma vez dentro do chuveiro. Quando terminamos eu estava exausta e adormeci imediatamente.

Acordei com o meu celular tocando e não pude deixar de gemer de frustração, pela luz do sol bem fraca que entrava por uma fresta da cortina deduzi que deveriam ser, no máximo, oito e meia da manhã, para quem tinha ido dormir tarde isso era de madrugada. Tinha plena consciência de Kol deitado ao meu lado e com os braços em volta da minha cintura, por isso tive que levantar com todo o cuidado para não acordá-lo.

- Alô! — fui atender a ligação dentro banheiro, fui me olhar no espelho e tomei um susto: meus cabelos estavam bagunçados e a maquiagem toda borrada no meu rosto, sem contar a leve dor de cabeça.

- Oi, Elena, aqui é o Damon – de repente todo o sono foi embora, eu tinha esquecido de olhar o identificador de chamadas antes de atender – Eu, por acaso, te acordei.

- Não – apressei em me dizer – Pode falar, eu estou ouvindo.

- Olha, eu pensei muito ontem sobre o que você falou que deveríamos conversar e acho que fui um pouco rude demais com você – explicou – Eu estou dentro do carro agora a caminho da Salvatore's Publisher, por que você não vai até lá e teremos essa tal conversa?

- Mas é claro, Damon – não pude deixar de sorrir – Mas é só se você quiser mesmo, jamais te obrigaria a conversar se você não quer.

- Tudo bem , acho que precisamos mesmo esclarecer tudo que aconteceu há três anos – pude perceber o leve tom de magoa na sua voz – E então, eu te vejo lá?

- Claro! — completei – Eu estaria na Salvatore's Publisher em, no máximo, uma hora e meia.

- Até lá – disse, desligando.

Damon concordou em conversar comigo, talvez ainda houvesse um fio de esperança. Não que eu esperasse que as coisas voltassem a ser como eram quando estávamos juntos, na verdade eu não quero isso, mas pelo menos poderíamos ser amigos e ter uma convivência pacifica.

Pelo espelho eu vi a porta do banheiro ser aberta. Kol se aproximou e me abraçou por trás.

- Como você acordou cedo – apoiou o queixo no meu ombro.

- O meu celular tocou e eu decidi atender aqui dentro para não te acordar – expliquei calmante.

- Entendo – começou a beijar o meu pescoço – Pensei que poderíamos passar o dia inteiro na cama, fazendo o que você quiser.

- Na verdade, eu não posso – me virei para poder encará-lo – Preciso encontrar uma pessoa dentro de uma hora.

- Entendo – ele não parava de beijar o meu pescoço – E que tal hoje a noite? Podemos jantar, ir ao cinema e depois...

- Kol, acho que você está entendo tudo errado – finalmente eu consegui afastá-lo – Ontem a noite foi apenas sexo casual, não significa que estejamos juntos ou algo parecido.

- E só por causa disso não podemos sair outras vezes? — quis saber.

- Mas eu não quero – dessa vez eu disse pausadamente – Acredite, o tempo que nós namoramos foi bom, mas já se passaram seis anos, e ontem a noite foi maravilhoso, não posso negar. Só que não para seguirmos um relacionamento e se você vai ficar confundindo as coisas é melhor não nos vermos mais.

- Isso foi cruel – se afastou mais e me olhou de cima a baixo – Se assim mesmo que você quer. Adeus, Elena!

Bateu a porta do banheiro com bastante força. Eu tomei um longo banho e quando voltei Kol não estava mais lá, não era a minha intenção magoá-lo, mas ele sempre foi um namorado grudento e não estava com a menor vontade de reviver isso, então era melhor cortar logo o mal pela raiz.

Decidi afastar isso da minha cabeça, tinha preocupações maiores na minha cabeça. Estava totalmente curiosa para saber como seria a minha conversa com o Damon.

Notas finais
Por favor, não me matem, eu sei que esse telefonema pode ser considerado um retrocesso depois de tudo que aconteceu no almoço, mas essa conversa entre os dois é totalmente necessária.
E o que acharam da volta do Kol?
***
A titulo de curiosidade:
Para quem não sabe o Cosmopolitan era a bebida do seriado Sex and City (e também aparece em um epi de The Carrie Diaries), aqui mais algumas informações:
http://mdemulher.abril.com.br/blogs/anamaria-receitas/2010/05/28/cosmopolitano-drink-de-sex-and-the-city/
***
Bom gente,
comentem e digam o que estão achando
Recomendações?