A Nova Proposta
15 Capítulo 14 - Boa ou péssima mãe?
Notas iniciais
O capítulo não ficou tão grande assim, mas é que eu só tive tempo de escrever agora e amanhã eu preciso acordar cedo (sim, eu espero que eu consiga mesmo), mas não se preocupem, minhas aulas terminam na semana que vem e apesar de eu ainda não estar 100% livre, vai ficar um pouco mais tranquilo.
Enfim, aqui está o cap, espero que goste.
E tentem não me matar no final, ok?
Elena
O informativo do aeroporto avisava que o voo de Toronto tinha acabado de chegar e eu fui até a área de desembarque, pois os passageiros logo começariam a sair juntamente com as suas bagagens. No meio a multidão de pessoas consegui localizar o meu amigo.
- Oi, Lena! — ele me abraçou com bastante força – Que saudades eu estava de você!
- Deixa de ser exagerado, Ty, só faz um mês que nos vimos da última vez e nós falamos várias vezes durante esse tempo – não pude deixar de revirar os olhos.
- Certo! — colocou o ombro em volta do meu – A proposito, obrigada por me deixar ficar no seu apartamento enquanto estava em Toronto.
- Não foi nada, fico feliz em ajudar – garanti – Apesar de você ter se aproveitado da minha irmãzinha.
- Pensei que já tivéssemos superado isso – começou a rir e eu fiz uma cara de brava – Ah, Lena, já te disse que as minhas intenções com a Kath são as melhores possíveis.
- Sei... — o olhei com o canto do olho – E como é que foi o seu jantar lá na casa dos meus pais?
- O melhor possível, você sabe que a sua mãe me ama – eu sabia muito bem disso, mesmo depois de quatro anos ela ainda não tinha me perdoado por ter terminado com ele – Seu pai ainda está meio desconfiado de mim.
- Eu te disse, meu pai sempre foi protetor em relação aos meus namorados – lembrei – Não imaginei que fosse ser diferente com a minha irmã.
- O que você acha de ir até o meu apartamento? — agora nós estávamos do lado de fora do aeroporto – Estou fora há um mês e a minha dispensa está vazia, mas eu posso te oferecer um café.
- Eu adoraria, mas tenho um outro compromisso agora – expliquei – Vim aqui te ver no aeroporto porque já tínhamos combinado.
- É uma pena, quem sabe um outro hora – começou a mexer bolso da sua calça – Aqui estão as chaves do seu apartamento, muito obrigada mesmo e não se preocupe que eu deixei tudo arrumadinho antes de ir embora.
- Que bom! — sorri – Sabe que pode ficar lá todas as vezes em que estiver em Toronto.
Nos despedimos e cada um pegou um táxi. Eu passei para o motorista o endereço do Damon e depois fiquei olhando a passagem pela janela.
Foi uma grade surpresa quando Damon me ligou quatro dias depois de eu ter ido jantar na casa dele para ver os gêmeos, ainda mais por me dizer que eu poderia pegá-los para um passeio somente nós três. Confesso que fiquei meio desconfiada no começo, aquele beijo ainda estava muito vivo em mim e não sabia que tipo de jogo estava querendo fazer comigo, mas eu poderia ver os meus filhos e isso era tudo que importava.
Quando cheguei o porteiro já me deixou subir sem maiores problemas. Assim que o elevador chegou ao andar a porta abriu automaticamente, como já estivessem me esperando.
- Olá, senhorita Gilbert! — Jane estava me esperando com um enorme sorriso – O Chad e a Gwen já estão esperando por você, só um minuto que eu vou chamá-los.
- Tudo bem – concordei – E aonde é que está o Damon? — achei muito estranho ele não estar ali, pensei que ele fosse querer estar ali quando eu fosse pegar os gêmeos, a não se que estivesse me evitando.
- Ele precisou dar uma passada na Salvatore's Publisher para resolver um problema – explicou.
Poderia dizer que isso era muito estranho ela estar trabalhando em um sábado, mas Damon sempre teve um grande cuidado com a sua editora e gosta de resolver tudo que acontece nela ele mesmo. Tenho certeza de que não importa que seja final de semana.
- Vou até lá chamar eles – disse, mais uma vez antes de caminhar em direção ao corredor.
Como eu já imaginei, Gwen veio correndo para abraçar as minhas pernas e eu não poderia ter ficado mais feliz com esse gesto. Chad continuava bem desconfiado da minha presença, mas mesmo assim acabou se aproximando.
- Tia Lena, é verdade que você vai passar o dia inteiro com a gente? — minha filha parecia mesmo muito empolgada com isso.
- É isso mesmo! — afirmei – Eu vi que tem uma pracinha aqui perto e pensei que poderíamos ir até lá, o que acham?
Na verdade eu já conhecia aquela pracinha da época em que eu “morei” aqui com Damon. Em algum momento da minha gravidez eu me imaginei levando meus bebês até lá para tomarem sol e até mesmo para brincarem quando fossem um pouco mais velhos, como estou prestes a fazer agora.
- Oba, vamos sim! — concordou.
- E quanto a você, Chad? Gostou da ideia? — tentei puxar assunto com ele – Se não gostar podemos pensar em fazer outra coisa.
- Não, por mim tudo bem – apenas deu de ombros, não pude deixar de identificar a mim mesma com esse gesto.
Então nós saímos do apartamento e chegamos à portaria do prédio. Quando atravessamos a rua, eu seguirei com bastante força a mão deles e logo estávamos em frente a pracinha, Chad e Gwen saíram correndo na direção dos brinquedos.
- Vou ficar de olho em vocês – avisei enquanto me sentava em um banquinho de madeira, que me dava uma visão ampla de toda a caixinha de areia.
Por sorte eu tinha levado o meu tablet e pude entrar na internet para ver como estava a repercussão do meu livro, exatamente como faço todos os dias. Mesmo assim eu nunca deixava de dar uma olhada para ver como estavam os meus filhos, não iria deixá-los longe das minhas vistas por nenhum segundo sequer.
Meu celular começou a tomar e comecei a procurá-lo pela minha bolsa. No identificador de chamadas estava o número de Clary.
- Alô! — disse.
- Oi, Lena! — ela disse do outro lado da linha, parecia totalmente aninada – Queria saber se você quer almoçar comigo. Você está aqui no hotel?
- Não estou, Clary – expliquei — Mas estarei ai a noite, podemos jantar juntas, se quiser.
- É uma boa ideia! — concordou – Eu estou ouvindo barulho de crianças? Você quer me contar alguma coisa, Elena Gilbert? Está virando uma sequestradora ou algo parecido?
- Mas é claro que não, Clary – não pude deixar de revirar os olhos — Só estou fazendo uma pesquisa para o meu próximo livro. Vai ser sobre uma mãe solteira que vai fazer de tudo para criar o filho com todas as dificuldades.
Essa ideia tinha me vindo a cabeça naquela hora. Quem sabe eu não poderia mesmo usá-la em uma futura história?
- Tenho certeza de que também será uma grande sucesso – garantiu.
- Bom, essa é a ideia – nesse momento Gwen estava correndo com na minha direção – Agora eu preciso desligar, Clary, mas tarde nos falamos.
Coloquei o aparelho de volta dentro da bolsa e ela já tinha se sentando ao meu lado. Seus olhos azuis eram grandes e curiosos.
- Com que você estava falando, tia Lena? — quis saber.
- Com a Clary, minha empresária – expliquei – É ela que cuida do lançamento dos meus livros nos países e também marca as minhas entrevistas.
- Papai disse uma vez que só os autores muito conhecidos tem empresários – observou – Sobre o que é o seu livro? Eu queria ler.
- Bom, não sou exatamente uma escritora famosa, mas estão falando muito do meu livro, então a minha presença é bastante solicitada – continuei – E quem sabe um dia eu deixe você ler o meu livro, mas não agora.
Gwen não disse mais nada, apenas continuou ali, em completo silêncio.
- Você não vai mais brincar? — quis saber – Parecia estar se divertindo tanto ali e agora vai ficar aqui parada.
- Gosto de te fazer companhia – explicou – Você disse que ia passar o dia conosco e vai ficar aqui sozinha.
- Mas eu queria que vocês se divertissem – tentei argumentar.
- Não me importo – completou – Vou continuar aqui sentada com você, parece divertido também.
Quando eu era pequena, sempre imaginei ser a melhor amiga da minha filha, acho que porque nunca tive um relacionamento tão cordial assim com a minha mãe. No momento em que soube que um de meus bebês seria uma menina, acreditei que meu sonho se tornaria realidade, mas tudo mudou quando decidi ir embora. Mas agora estávamos nós duas aqui.
- E era exatamente assim que eu imaginava – acabei dizendo a última frase em voz alta.
- Imaginava o que, tia Lena? — Gwen perguntou.
- Não é nada – balancei a cabeça negativamente – Só estava pensando que, quando eu tiver uma filha, quero que ela seja assim, igualzinha a você.
- Acho que você seria uma boa mamãe – comentou, não pude deixar de sorrir – Bem diferente da minha mamãe de verdade.
- Por que você está dizendo uma coisa dessas, Gwen? — a olhei espantada.
- Papai não fala muito dela – deu de ombros – Mas sei que ela deve ter ido embora e não quis ficar comigo e com o Chad, nem mesmo com o papai.
Queria dizer que ela poderia ter um bom motivo para isso, mas as palavras morreram na garganta. Cada dia que eu passo aqui em Atlanta, cada vez que eu vejo Damon ou converso com os meus filhos, percebo o quanto a minha decisão de ir embora foi fútil.
- Não tenho certeza se eu seria mesmo uma boa mamãe – foi tudo que comentei, por fim.
- Mas eu tenho certeza — garantiu – A sua filhinha vai ser mesmo uma garota de muita sorte.
Passei a mão pelo olho, retirando, discretamente, uma lágrima bem no cantinho.
- Acho que vou comprar um sorvete para mim – avisei enquanto me levantava – Você quer um também, Gwen?
- Sim! — respondeu – Um de chocolate.
- Também adoro chocolate – falei – E você, Chad? Vai querer um sorvete? — ele continuava brincando, agora jogava bola com um outro garoto.
- Não! — avisou.
Então eu peguei a carteira e fui até o quiosque que ficava bem ao lado da pracinha. Virei por apenas um momento, foram alguns segundos de distração, quando eu ouvi uma forte freada e um barulho de batida.
- Chad! — o grito de Gwen me fez virar na mesma hora.
E lá estava meu filho deitado no chão na frente do carro, do outro lado da rua estava a bola, ao que tudo indica ele tinha atravessado para pegá-la.
- Essa não! — sai correndo na direção dele – Chad! Por favor, não faça uma coisa dessas comigo – comecei a sacudi-lo, mas ele nem se mexia, tinha muito sangue no local.
- Acho melhor a senhora não fazer nada, pode piorar a situação dele – o motorista do carro me alertou, eu já chamei a ambulância e eles estão a caminho.
Várias coisas começaram a passar pela minha cabeça naquele momento. Damon me deixou ficar sozinha com eles por poucas horas e isso acontece, se algo acontecer com o Chad ele nunca vai me perdoar, eu não vou me perdoar.
Não demorou muito para a ambulância chegar e os paramédicos começaram a removê-lo para a maca e o imobilizaram para que seu estado não se agravasse.
- Eu quero ir junto – avisei.
- Somente pessoas da família podem acompanhar dentro da ambulância – um dos paramédicos avisou – A senhorita é da família?
- Sou mãe dele! — acho que aquela era a primeira vez que dizia isso para alguém, que não fosse Damon, em voz alta.
- Então pode entrar – completou.
Foi quando eu olhei para Gwen ainda sentada no banco e parecendo muito assustada e preocupada com o irmão. Primeiro eu me distrai e deixei isso acontecer com o Chad e agora a esqueço, devo ser mesmo uma péssima mãe.
- Na realidade, acho melhor eu pegar um táxi e ir seguindo vocês – avisei – Preciso levar a minha filha junto comigo.
Então eu peguei a minhas coisas e fizemos sinal para um táxi. No caminho pensei em ligar para Damon e contar o que aconteceu, mas não tive coragem, então avisei para Jane, embora isso não vá impedir que eu tenha que encará-lo.
- Tia Lena – Gwen começou a puxar a minha blusa – Acha que o Chad vai ficar bem?
- Eu espero que sim – passei a mão pelo cabelo da minha filha.
Quando chegamos ao hospital não me deixaram entrar na sala de exames e falaram para que eu ficasse esperando na recepção. Gwen ficou no sofá brincando com o meu tablet enquanto eu andava de uma lado para o outro em círculos.
- Aonde está o meu filho? — Damon estava parado na porta me encarando, seus olhos estavam vermelhos, sinal de que tinha chorado no caminho até aqui.
- Ainda está lá dentro, o médico vem avisar assim que souber de alguma coisa – quando terminei a frase eu não aguentei e comecei a chorar de novo – Damon, eu sinto muito, não devia ter me distraído, é tudo culpa minha.
- Ei, não diga uma coisa dessas – me puxou para deitar a cabeça no seu ombro – Isso foi apenas uma fatalidade.
- Então quer dizer que você não está com raiva de mim? — o olhei, confusa.
- Tudo que eu sei é que eu pensei muito no caminho até aqui – tentou limpar as lágrimas do meu rosto – E ficar com raiva de você ou começarmos a brigar agora não vai ajudar em nada nessa situação. Temos que pensar no Chad agora e isso é tudo.
- Eu sou mesmo uma péssima mãe – agora eu encostei a cabeça no seu peito. Podia ouvir as batidas aceleradas do seu coração, e isso me remeteu a uma época mais tranquila, quando estávamos juntos.
Ele apenas deu um beijo no topo da minha cabeça e colocou uma das mãos nas minhas costas. Não respondeu nada a respeito da minha afirmação, provavelmente quer dizer que concorda, que eu realmente não fui feita para ser mãe.
Notas finais
Eu ia colocar a revelação da Lena sendo mãe dos gêmeos nesse cap, mas vou deixar para o próximo...
E a atitude calma do Damon? (no próximo cap teremos o ponto de vista dele e vocês vão ver tudo que está passando na cabeça dele...)
***
Só mais uma coisa,
eu estava pensando nos rumos que a fic está tomando e decidi retirar o final alternativo Damione (porque não vai se encaixar), mas também decidi escrever um cap bônus (além do epílogo) mostrando um tempo futuro com os filhos deles já adolescentes.
O que acham da ideia?
***
Bom, é isso
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