A Nova Proposta
16 Capítulo 15 - Revelações
Notas iniciais
Capítulo novinho para vocês, espero que gostem...
Damon
Sinceramente, eu não sei o que aconteceu, tudo entre o momento em que eu recebi a ligação de Jane e cheguei ao hospital é como um borrão na minha cabeça. Deixei Elena passar um tempo sozinha com as crianças pois Gwen estava feliz por tê-la por perto, mesmo não sabendo quem ela é, além disso, meus filhos merecem conviver com a mãe, mesmo que seja por pouco tempo.
Mas no momento em que eu soube do acidente de Chad, me arrependi na mesma hora. Fiquei pensando nas milhares de maneiras de xingar a Elena e mostrar o quanto ela era incompetente para cuidar de duas crianças e ainda falaria com Ric para impedi-la de ver os gêmeos até mesmo por fotografia, e era bom ela rezar para não acontecer nada de mais grave com ele. Só que eu mudei de ideia no momento em que eu cheguei e encontrei Lena chorando totalmente preocupada.
Apesar de tudo ela ainda era a mãe dos meus filhos e a lembrança do dia em que eles nasceram, estávamos ansiosos e nervosos ao mesmo tempo, mas no momento em que ouvimos aquele chorinho, primeiro da Gwen, depois do Chad, tudo valeu a pena. Tinha certeza de que estava passando a mesma coisa para a cabeça de Elena, esse não era o momento para brigarmos.
Já estávamos ali ali há mais de uma hora esperando o médico dar alguma notícia. Gwen continuava distraída brincando com o tablet enquanto Lena estava com a cabeça deitada no meu ombro, ela continuava bem abalada com o que aconteceu.
- Tia Mione! — as palavras da minha filha me tiraram dos meus devaneios, ela parou o que estava fazendo e correu em direção a Hermione, que estava parada na porta da recepção – O Chad está machucado, sabia?
- Sim, eu liguei lá na editora para saber se seu pai precisava de ajuda e me falaram que ele tinha vido aqui para o hospital porque o filho tinha sofrido um acidente – explicou enquanto a pegava no colo – Mas e você, gatinha, está tudo bem, não é mesmo?
- Sim! — balançou a cabeça afirmativamente.
Foi nesse momento que ela se virou na minha direção. Elena ainda estava com o rosto escondido no vão entre o meu ombro e o meu pescoço e eu estava passando a mão pelo seu cabelo, provavelmente as duas ainda não tinha se visto.
- Você deve ser a mãe dos gêmeos? – Mione falou enquanto se aproximava de mim, confirmando a minha teoria – Que situação para nos conhecermos, não é mesmo?
Foi nesse momento que ela levantou a cabeça, seu rosto estava totalmente vermelho devido ao choro.
- Essa não é a minha mãe, tia Mione, é a tia Lena – Gwen explicou – É uma amiga do papai, ela levou a gente até o parquinho.
- Damon... — sua voz saiu como um sussurro – Eu nunca poderia desconfiar... Por que não me contou antes?
Antes que eu tivesse tempo de responder o médico apareceu. Ele estava com uma aparência de cansado, mas não parecia preocupado, o que já é um alívio.
- Vocês são os pais de Chad Salvatore? — perguntou no momento em que eu e Elena nos levantamos.
- Sim, só nós mesmos – disse, imediatamente – Por favor, doutor, diga como é que está o meu filho?
- Ele vai ficar bem, sofreu algumas escoriações — respondeu antes de dar um pequeno sorriso – Fizemos uma tomografia e ele não sofreu nenhum tipo de concussão, o que significa que, provavelmente não bateu com a cabeça. E outros exames também mostraram que ele não tem nenhuma hemorragia interna.
- Ainda bem! — não pude deixar de suspirar aliviado e percebi que Elena também tinha ficado mais tranquila, pois afrouxou um pouco o meu braço.
- E quando é que ele vai poder ir para casa? — foi a vez dela querer saber.
- Quero que ele fique em observação pelas próximas 24 horas – explicou – E mais uma coisa, ele perdeu uma boa quantidade de sangue e pela pouca idade sugerimos que ele faça uma transfusão de sangue, de preferência de um dos pais.
- O sangue do Chad é A+ — observei – O meu é O+, igual ao da Gwen, não poderei ser doador.
- Mas eu posso! — Lena falou, totalmente animada – O meu sangue também é A+, eu posso fazer a doação para o Chad.
- A senhora é a mãe dele? — o médico perguntou, por fim.
- Sim! — afirmou com a cabeça – Sou doadora lá em Toronto e meus exames estão em dia, mas se quiser fazer exames novos, eu não vou me importar.
- Não será necessário, já que é um caso de urgência – afirmou – Iremos preparar o Chad para a transfusão e a enfermeira vai chamá-la daqui há alguns minutos para ir até a sala de exames.
Em seguida ele saiu. A tensão que tinha ficado no ambiente era totalmente palpável.
- Tia Lena, por que você disse para o médico que era mãe do Chad? — Gwen olhava para nós dois repetidas vezes, ainda estava no colo de Hermione.
- Porque é verdade – ela estava encarando o chão nesse momento – Eu sou sua mãe. Sua e do Chad.
- Acho melhor eu ir embora – Mione passou a minha filha para o meu colo – Já vi que esse assunto é de família.
- Espera, Mione – tentei chamá-la – Acho que você merece uma explicação.
- Tudo bem, nós conversamos depois – deu um beijo no meu rosto – Isso daqui é mais importante agora.
Elena tinha voltado a se sentar no sofá. Eu me aproximei e coloquei Gwen bem lado, mas ela nem ao menos olhou para a mãe.
- Olha, filha, eu sei que eu deveria ter te contado antes que sua mãe tinha voltado – me ajoelhei ficando na sua frente – Mas achamos que era melhor contar a vocês com mais calma.
- Mas a minha mãe me abandonou – ela lembrou, seus olhinhos estavam cheios de lágrimas – Eu sei que sim, se não ela estaria aqui conosco. Igual a Rae tem a tia Sutton e todas as minhas amiguinhas da escola tem as mães.
- Gwen, minha princesinha, não sabe o quanto eu me arrependo – Elena colocou a mão no ombro dela – Se eu pudesse voltar ao tempo, jamais teria ido embora.
- Mas não pode fazer isso – ela virou de costas e cruzou os braços.
Aquela reação de Gwen tinha me pego totalmente de surpresa, eram palavras fortes vindas de uma menina de apenas três anos. Talvez terem passado esse tempo sem a mãe tenha abalado mais os meus filhos do que eu poderia pensar.
- Só que agora eu quero recuperar o tempo perdido com vocês – continuou – Não posso me mudar de Toronto, eu tenho o meu trabalho. Mas eu quero passar o maior tempo possível aqui em Atlanta e também quero que vocês me visitem, Toronto é uma cidade linda e vocês também vão poder conhecer a minha família.
- Sério? — agora ela estava com um enorme sorriso.
- Sim, é a mais pura verdade – a puxou para mais perto de si e deu um beijo no seu rosto – Eu te amo, Gwen.
- Eu também te amo, tia Lena – completou, sabia que ainda demoraria muito para ela chamá-la de mãe e com Chad vai ser do mesmo jeito – Desculpa.
- Tudo bem! — Elena já tinha entendido – Vou esperar até o momento certo em que você vá conseguir me chamar de mamãe.
Foi nesse momento que a enfermeira aparece, avisando que já estava tudo pronto para a doação de sangue. Ela se levantou imediatamente e seguiu a outra mulher.
- E enquanto isso, eu vou levar essa garotinha de volta para casa – avisei.
- Mas por que pai? — Gwen reclamou – Quero ficar aqui para ver o meu irmão! Por favor, deixa?
- De jeito nenhum, hospital não é lugar para uma garotinha – avisei e pegando no colo novamente – Além disso, quando você menos esperar o Chad vai estar em casa e você vai poder aproveitar bastante o tempo com o seu irmão.
O hospital não ficava muito longe do meu prédio, mas durante todo o caminho Gwen ficou em completo silêncio, ela não é assim, mas eu sei que depois de tudo que aconteceu sei que tem muita coisa para absolver. Eu deixei Jane tomando conta dela antes de sair novamente.
- Vamos voltar para o hospital, senhor Salvatore? — Matt perguntou quando eu voltei para o carro.
- Ainda não – avisei – Preciso passar em um lugar antes.
O apartamento de Hermione ficava praticamente do outro lado da cidade, por sorte hoje é sábado e o transito estava bem tranquilo. Toquei a campainha e não demorou para alguém abrir a porta, era uma garota com os cabelos pretos bem lisos e os olhos castanhos, não sei de onde, mas eu tenho a impressão de que a conheço de algum lugar.
- Com licença, eu estou procurando a Hermione Granger – disse – Eu sou Damon Salvatore.
- Então, você é o Damon Salvatore – falou – A Mione não tem parado de falar de você desde que eu cheguei aqui – revirou os olhos.
- Espero que ela tenha falado bem então – brinquei.
- Pode ter certeza de que ela só falou bem – garantiu – A proposito, sou Cecile Jones, conheci a Mione em Londres quando eu fiz um intercambio e agora vim para Atlanta começar a faculdade e estou aqui no apartamento dela até arranjar um lugar para mim.
- Prazer em te conhecer, Cecile – estiquei a mão para cumprimentá-la – Espero que você goste muito de Atlanta, essa cidade é incrível.
- Já percebi – afirmou – Bom, eu vou chamar a Mione para você, por favor, entre que ela já vem.
Então eu entrei e me sentei no sofá preto de dois lugares. Não demorou muito para Cecile aparecer com Hermione logo atrás dela, ela parecia bem surpresa ao me ver.
- Damon? — me olhou de cima abaixo – O que você está fazendo aqui?
- Eu vim conversar com você – expliquei – Precisava te explicar tudo que aconteceu mais cedo.
- Bom, acho que essa é a deixa para eu ir embora – a outra garota falou – Se precisarem de mim, estou no meu quarto.
Mione ficou observando a amiga caminhar em direção ao corredor e só quando ela desapareceu das nossas vistas que ela se virou para mim.
- Damon, você não precisa me explicar – garantiu – Eu...
- Mas eu quero explicar – a interrompi – Sei que o que temos não é exatamente um relacionamento oficial, mas eu sinto que preciso ser sincero com você.
- Certo! — concordou, por fim, se sentando ao meu lado – Eu estou aqui ouvindo.
Conheci a Elena há pouco mais de quatro anos, ela era apenas um estudante de literatura e, como eu já te disse, fiquei encantado com ela – comecei, calmamente – Não posso te contar exatamente tudo que aconteceu entre nós, por que é um pouco complicado, mas ela engravidou os gêmeos nasceram e a Lena achou que não tinha capacidade de cuidar de duas crianças pequenas, foi ai que decidiu ir embora.
Claro que eu não contei a ela que a história do livro é em parte verdade e que eu fiz uma proposta para a Elena ser mãe do meu filho. Isso seria algo muito complicado de alguém entender, principalmente por Hermione já ter dito que nunca aceitaria fazer uma coisa dessas.
- Sinto muito... — foi tudo que ela disse, colocando a mão sob a minha.
- Não tinha tido notícias dela até aquele dia que você levou a reportagem sobre o livro – continuei – Na mesma hora eu sabia que precisava publicar esse livro, nem que fosse para conseguir uma explicação.
Ficamos alguns segundos em silêncio, senti que Mione queria falar alguma coisa, mas não conseguia.
- Desculpa não ter te contado antes que a mãe dos gêmeos era a Lena – dei um longo suspiro antes de falar – Mas é que esse momento era só deles e achei que quanto menos gente soubesse era melhor.
- Eu entendo, Damon – garantiu – E olha, não sei como está sendo a convivência dela com o Chad e a Gwen, mas hoje ela parecia bem preocupada com tudo que aconteceu, quem sabe esse não seja um sinal de que vá ter uma boa convivência com os filhos.
Foi então que eu me lembrei do que ela tinha dito para a Gwen, que iria passar mais tempo em Atlanta e que também os levaria para passear em Toronto. Espero que dessa vez seja mesmo para valer.
- Eu também espero – falei enquanto concordava com a cabeça.
- Bom, eu não estou querendo te expulsar daqui nem nada, mas não acha que você deveria estar com o Chad agora? — continuou.
- Tem razão – dei uma olhada no relógio – Ele já deve estar recebendo a transfusão de sangue e quero estar lá quando ele acordar – me levantei do sofá.
- Vou te levar até a porta então – ela repetiu o meu gesto, então caminhamos em direção a saída do apartamento.
- Ia te perguntar se você quer ir comigo, mas sei que a resposta vai ser não – me encostei um pouco no batente da porta.
- Tem razão, esse momento é de vocês, eu só iria atrapalhar – revirou os olhos – Mas avisa para o Chad que depois eu vou visitá-lo, e espero que já seja em casa.
- Também espero – me inclinei e dei um selinho suave nos lábios dela – Nós nos falamos mais tarde.
- Está bem – deu um sorriso bobo.
Logo eu estava novamente dentro do carro a caminho do hospital. Provavelmente tinha começado o horário de visita dos pacientes, pois a recepção está cheia, com muito custo eu consegui me aproximar no balcão de informações.
- Com licença, eu queria saber informações sobre o meu filho – disse – O nome dele é Chad Salvatore.
Então ela começou a procurar alguma coisa no computador, mas nem foi necessário, pois o médico já tinha parado do meu lado.
- Olá, senhor Salvatore – ele disse – Chad já está recebendo a transfusão de sangue e está acordado. Sua esposa está lá dentro com ele.
Estava pronto para dizer que Elena não era minha esposa, mas eu simplesmente não consegui falar.
- Será que eu posso vê-lo também? — pedi.
- Claro – respondeu – Mas não podem ficar muito tempo, o Chad precisar descansar.
- Concordei, então ele pediu para uma enfermeira me levar o quarto em que meu filho estava. Elena estava sentada em uma cadeira em frente a cama e os dois estavam conversando animadamente.
- Como é lá em Toronto? — ele perguntou e eu parei na entrada sem que percebessem que eu estava ali.
- É uma cidade muito bonita e tem vários lugares para conhecer – explicou – Quero levar você e a sua irmã a todos esses lugares.
- Legal! — ele estava sorrindo – Estou doida para ir até lá.
- E você irá – garantiu – E também, se você quiser, o Jeremy, meu irmão, pode te ensinar hóquei, ele é um grande jogador.
- Meu pai disse que vai me ensinar a jogar beisebol quando eu for mais velho – observou – Quero aprender hóquei também.
- Então você vai aprender – passou a mão pelo seu cabelo.
- Oi! — decidi dizer que estava ali, Elena se virou na minha direção – Está tudo bem por aqui?
- Papai! — Chad sorriu para mim – Eu estou tão feliz em conhecer a minha mamãe e ela ainda salvou minha vida.
- É, eu sei – afirmei com a cabeça.
- E ela vai levar eu e a Gwen para conhecer Toronto – continuou – Isso vai ser tão legal!
- Eu só disse que vou levá-los para passar umas férias lá comigo, assim eles conhecem os meus pais e os meus irmãos – deu de ombros – Mas ele ficou tão empolgado que parece que vou levá-los a Disneylândia.
- Você já esteve em Toronto, papai? — ele me perguntou.
- Sim, eu estive lá uma vez – disse – É mesmo uma cidade muito bonita, tenho certeza de que você a Gwen vão adorar.
- Legal! — parecia mesmo bem empolgada.
- Desculpem incomodar – era a enfermeira que tinha me acompanhado até aqui, estava tão distraído que nem tinha reparado que ela ainda estava aqui – Mas vocês precisam ir embora, o médico disse que vai ficar observando ele durante a noite e talvez dê alta amanhã pela manhã.
- Está vendo, Chad? — me virei para ele mais uma vez, animado – Comporte-se bem hoje a noite que talvez você vá embora amanhã.
- Oba! — bateu as mãos – Estou doido para ir para casa.
Eu me despedi dele dando um beijo no topo da sua cabeça e Elena fez a mesma coisa. Logo estávamos do lado de fora do quarto.
- Bom, acho melhor eu ir embora – ela avisou – Combinei de ir falar com a Clary e ela deve estar doida me esperando.
- Tudo bem, eu também preciso ir, deixei a Gwen com a Jane e ela precisa ir embora – comentei – Espera, Elena, eu queria te fazer uma pergunta, mas você tem que me prometer que não vai ficar chateada.
- Claro, pode perguntar – garantiu.
- Essa história de passar um tempo com os gêmeos e levá-los para Toronto nas férias é mesmo para valer? — perguntei – Ou você só está dizendo isso para que eles não fiquem com raiva de você?
- É a mais pura verdade, Damon – falou – Vou ser 100% sincera com você, quando eu cheguei aqui e te pedi para ver os meus filhos eu só queria vê-los e depois ir embora novamente, mas quando eu os conheci percebi que perdi uma grande parte da vida dos dois, partes importantes e não quero perder mais nada, não quero continuar a ser essa mãe negligente e ausente.
- Isso é bom! — sorri, será que ela tinha mesmo mudado? Espero que sim.
- Vou fazer isso se você autorizar, é claro – continuou – Jamais tiraria eles do pais sem o seu consentimento.
- É claro que eu autorizo – afirmei – Tudo que eu mais queria nessa vida era você convivendo com os gêmeos e teve um momento que eu achei que isso nunca seria possível.
- Bom, agora eu preciso ir embora mesmo – mudou rapidamente de assunto – Eu te ligo amanhã para saber se o Chad já está em casa.
Acenei antes dela começar a andar em direção a saída do hospital. Eu apenas a acompanhei com os olhos.
Notas finais
O que vocês acharam da reação deles?
E a Lena falando que mesmo indo embora para Toronto não vai mais se afastar dos filhos? Acham que as coisas vão ser assim mesmo?
Não acham que o Damon está muito quieto a respeito disso tudo?
***
E ai, quem se lembrava da Cecile? Posso dizer que o reaparecimento dela é um fator muito importante para algo que vai acontecer daqui há dois caps...
***
Bom, é isso
Comentem e digam o que estão achando
Recomendações?
Fale com o autor