A Nova Cinderela
10 O homem da faca
P.O.V. Detetive Decker.
A menina está profundamente traumatizada. Mas, eu preciso de um depoimento.
Lee disse que aparentemente, Charlotte não tem lembrança de nada do que sua outra personalidade faz.
—Oi Charlotte. Eu sou a Detetive Decker.
—Oi.
—Tenho que fazer umas perguntas. Tudo bem?
Ela fez que sim.
—A Doutora Thompkins pode ficar?
—É claro.
Respirei fundo.
—Quando você nasceu?
—Vinte e dois de junho de mil novecentos e noventa e dois.
A Doutora Thompkins me instruiu a perguntar isso para ter certeza de que eu estava falando com Charlotte.
—O que aconteceu com a sua mãe?
—Ela morreu.
—Como?
—O homem da faca.
—E você viu?
—Me escondi atrás da cortina vermelha...
Ela ai falando devagar contando tudo, tudo o que ela lembrava e a menina além de ver a mãe ser assassinada ela parece ter sido forçada a limpar a bagunça.
—Você teve que limpar uma cena de crime? Limpar o sangue da sua mãe?
—E o sangue de quem mais seria? O da sua? Sabe quanto tempo eu levei para tirar o sangue de debaixo das minhas unhas? Acho que ainda tem um pouco.
—Detetive, é melhor parar. Não acho que estejamos falando mais com Charlotte.
—Uau! Está ficando boa nisso Doutora.
—A Charlotte teve que limpar o sangue da própria mãe?
—Ai como vocês são ingênuas. Mais que isso, ela teve que limpar a sujeira e ajudar a se livrar do corpo. Bom, acho que... a madrasta dela a ajudou a se livrar do corpo, já que aquela imprestável nunca fez nada. Era uma bêbada, maluca e mentirosa. Porque você acha que ela matou a mãe dela? Para ficar com a grana é claro. Dorinda queria tudo e se o pai dela se divorciasse, teria que dividir o dinheiro. Mas, no fim... o papai foi mais esperto. Deixou a Dorinda achar que estava no controle e deixou tudo o que lhe pertencia pra nós.
—Nós. Você e a Charlotte?
—Sim.
—E como descobriu isso?
—Um livro de contos de fada. Irônico não acha? O testamento estava dentro. Tomamos de volta tudo o que era nosso, mandamos Dorinda para a cadeia e deixamos as filhas dela na ruína total. Elas são nossas empregadas agora. Charlotte quis dar a elas direitos e fazer tudo de acordo com a lei. Eu queria submetê-las ao mesmo regime ao qual ela nos submeteu. Mas, tenho que admitir que seguir a lei é bom pra nós. Se seguirmos, as duas tapadas não tem absolutamente nada para usar contra nós.
Nós. Sempre nós.

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