A Nova Cinderela
11 Relação complicada
Notas iniciais
P.O.V. Derek.
Estava num pub com os meus amigos. Bebendo cerveja, jogando conversa fora.
—Soube que sua mãe foi pra cadeia.
—É. Ela foi.
—E eu soube que você conseguiu uma gata. Finalmente cara. Vou ser honesto, pensei que você era gay.
—O que?! Porque?
—Porque você simplesmente não transava. A mulherada se jogava pra cima de você e você nem ai.
—É. Eu queria uma namorada e consegui duas.
—Duas?! Cara, queria ser você. Mas, se uma descobrir sobre a outra... você tá fodido.
Eu ri. O Jack é muito... Jack.
—Não se preocupe. Uma sabe sobre a outra.
—E elas não te mataram?! Puta merda ein?
—Minha namorada tem dupla personalidade. O que significa que eu tenho duas namoradas.
—Porra! Você é um fodido.
Disse o Jack tomando um gole da sua cerveja. Estávamos rindo e apesar de tudo, eu amo a Charlotte. Eu amo tudo nela. Ela é tão... bondosa, amável, carinhosa, caridosa.
Então, o meu celular tocou e eu reconheci o toque de cara.
—Eita! São as namoradas.
—É.
Atendi o telefone.
—Oi amor...
—Ela matou alguém. Ele está morto, ele morreu.
—O que?
Charlotte estava em pânico do outro lado da linha.
—Charlie, Charlie você tem que ficar calma.
—Como posso ficar calma?! Ela matou alguém. Eu... eu matei alguém. Eu... eu matei alguém! Derek, eu matei alguém!
—Charlotte, fique onde está. Não faça nada. Onde você está?
—Casa.
—Então, fique ai. Estou chegando. Não faça nada.
—O que foi?
—Eu tenho que ir.
A caminho do carro, liguei para a detetive Decker e contei o que tinha acontecido.
—Charlotte matou alguém?
—Não. Katherine matou alguém.
Trouxe a polícia e encontrei minhas namoradas na floresta. Cavando um buraco e o corpo ao lado.
—Charlotte?
—Eu... eu tenho que enterrá-lo. Eu... o matei, Katherine o matou, eu tenho que enterrá-lo.
—Charlotte, você não matou este homem.
Tentei tirar a pá da mão dela, mas ela não deixou. Ela tinha sangue escorrendo da boca. O cadáver estava mordido e esfaqueado.
—Não me toque! Eu confiei em você! Em todos vocês! Vocês disseram que iriam me ajudar! E agora sou uma assassina! Eu... matei alguém. Eu matei alguém.
—Amor, é complicado...
—Não! Não é. Ela me disse pra matá-lo. Eu não era mais eu e então o matei.
Ela estava chorando, devastada. Charlotte chorava a ponto de soluçar. Então colocou a mão na barriga e havia sangue na mão dela.
—Ai.
Ela caiu no chão. Estava machucada, a Detetive chamou uma ambulância.
—Ei, você tem que ficar comigo.
—Nossa eternidade começa agora.
Eu tinha dito a ela que a amaria para sempre.
—Não! Não, não, não. Fique comigo, olhe pra mim. Amor! Amor! Ei!
—Eu estive no inferno, por vinte e dois anos. Por toda a minha vida. Eu te amo, mas me deixe morrer.
Os paramédicos chegaram e colocaram a Charlotte na ambulância, prestaram socorro. Quando cheguei no hospital, pela cara da Detetive... eu comecei a me desesperar.
—Não. Ela não morreu.
—Ela não morreu, Derek. Mas, perdeu muito sangue e está sendo operada.
P.O.V. Charlotte.
Estou numa sala de operações, estou sendo operada. Mas, não estou no meu corpo. Estou me vendo ser operada. Meu coração está batendo, estou viva, mas não estou dentro do meu corpo.
—Como isso é possível?
—Charlie?
—Mamãe?
—Olá querida.
—Estou morta?
—Não, mas está quase lá. Eu preciso que você lute. Charlotte, acorde.
—Mas, eu não quero acordar. Eu quero ficar aqui, com você. Me leva com você.
—Não Charlotte. Você só começou a viver. Tem um homem que te ama, uma casa, então tem que lutar e tem que viver.
—Mas, estou cansada. A vida é uma merda.
—Era. Passado. Então, Charlotte... acorde!
P.O.V. Derek.
Os médicos falaram que ela tinha morrido durante a cirurgia. Comecei a chorar, ela morreu. Charlie morreu.
Estavam transportando o corpo dela quando o saco começou a se mover, chutar. Abriram o saco e ela respirou e estava viva.
—Charlie! Oh, Meu Deus!
Ela estava nua, mas pelo menos estava viva. Saiu do saco, sentou no chão e abraçou as pernas, para esconder o próprio corpo.
—Vocês conseguiram dizer que a paciente estava morta quando, na verdade estava viva?! Enfiaram uma paciente viva dentro dum saco para transporte de cadáveres?
—Ela estava morta. O coração parou, tentamos reanimar, mas não conseguimos. Ela estava morta.
—Charlotte não me parece morta.
—Mas...
—Eu estava.
Todos olhamos pra ela.
—O que? Estava o que?
—Morta. Detetive. Eu estava morta. Eu podia ver a sala de operação, ver os médicos me operando, ver o meu corpo deitado na mesa. Eu vi a minha mãe. Ela me convenceu a viver.
P.O.V. Chloe.
Tudo bem. Olhei para o Lúcifer e chamei ele num canto enquanto os médicos levavam Charlotte para ser examinada.
—Isso é possível? Alguém morrer e voltar?
—Sim. Mas, não assim, nunca assim. Não até agora.
—O que significa não assim?
—A alma tem que abandonar o corpo e ter suas memórias apagadas e voltar num corpo novo.
—Reencarnação?
—É.
Depois que os médicos examinaram e constataram que Charlotte estava absolutamente saudável, Lúcifer viu algo nela.
—Oh, meu querido pai.
—O que?
Quando ela viu Lúcifer ela berrou.
—O que? O que houve?
—Ele é um monstro! Um monstro! O rosto dele é horrível! Socorro! Um monstro!
—Bem, eu sou Lúcifer Morningstar.
—Tenha calma, senhorita.
—Parece-me que meu querido e velho pai tinha uma carta na manga. Me diga, qual é o nome do seu pai?
—Pierre Blanche.
—Tem alguma foto dele?
—Porque você quer saber?
—Tem ou não?
Charlotte tirou uma foto de dentro da bolsa e era o...
—Pierce. Oh, Meu Deus!
—Parece-me que o primeiro assassino do mundo, conseguiu engravidar alguém.
—O que?!
Lúcifer tentou se aproximar dela, mas ela recuou.
—Você consegue me ver, não consegue? Você não é louca, o que está vendo é real, é o meu verdadeiro eu.
P.O.V. Derek.
O que esse maluco está fazendo?
—Esta marca nas suas costas, te qualifica como um ser celestial.
—O que?
—Espera, Caim era um ser celestial?
—Caim?
—Sim. Caim, filho de Eva e Adão. Você minha criança é meio mortal, meio imortal. Seu pai era Caim. O humano que assassinou o próprio irmão e foi condenado a viver para sempre. Seu pai tinha esta marca, no mesmo lugar.

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