A Noiva do Rei
10 Capítulo 10
CAPÍTULO X 16/10/2008 11:29
O Olhar de tristeza de Rin e de Shippo o emocionou, mas não o fizeram sentir-se melhor. Não tinha idéia de como Rin reagiria no momento em que soubesse a verdade. Um casamento com um ministro estrangeiro poderia não ser tão difícil. Mas ele não era um ministro. Sua vida era regida por deveres e por um protocolo rigoroso. Poderia se adaptar a uma tão diferente de seus padrões? E se aceitasse essas condições apenas para o bem de Shippo?
Sesshoumaru não queria pensar sobre essa possibilidade.
- Será apenas uma separação temporária — garantiu. — Há alguns assuntos que exigem minha presença.
- As pessoas envolvidas na trama já foram capturadas?
- Rin quis saber.
Ele assentiu com um movimento de cabeça.
- Uma delas é minha própria irmã.
- Sinto muito — Rin se inclinou e deitou a cabeça no ombro dele.
- eu também — Shippo murmurou. — Mas por que ela faria isso? Vocês são irmãos!
- Não tenho certeza sobre seu envolvimento — Sesshoumaru confessou. — Acredito que a idéia tenha partido de seu marido e não dela, mas preciso averiguar.
- Você não me respondeu — Shippo insistiu.
Sesshoumaru curvou os ombros como se carregasse um grande peso.
- A ânsia pelo poder enlouquece as pessoas.
- Mas você é apenas um oficial do governo...- Rin estranhou.
- Preciso fazer algumas ligações — Sesshoumaru olhou para o relógio na parede e se levantou abruptamente. — Vocês me dão licença?
Rin soltou a mão de Sesshoumaru com relutância. Ele estava lhe escondendo algum segredo e isso a perturbava.
- Claro.
Assim que ele se fechou em um dos quartos, Shippo a fitou com seus astutos olhos azuis.
- Ele está escondendo alguma coisa.
- Eu percebi — Rin concordou, preocupada. — Oh, Shippo, espero que aquele tenha sido o último dos atentados.
Jantaram tarde aquela noite. Uma pizza que Kouga lhes comprou.
- Este é o meu prato favorito — disse o agente. — Conheço todas as melhores pizzarias da cidade.
A conversa transcorreu amena entre ele e alguns agentes. Rin se sentiu relaxar. Sesshoumaru, contudo, estava quieto e taciturno. Todos, com exceção de Rin e Shippo, sabiam a razão. Mesmo que ele lutasse pela irmã, sua vida não seria poupada caso ela fosse julgada culpada de traição.
Terminado o jantar, quando os agentes se retiraram, Shippo foi para a cama, discretamente, deixando Rin e Sesshoumaru a sós.
Mas havia, agora, uma nova distância entre eles. Sentado em frente a ela, no sofá, Sesshoumaru parecia terrivelmente triste. Uma aura o envolvia, assim como acontecera na primeira vez em que o vira acompanhado de sua comitiva, na Ryker Air. Naquele dia ela acreditaria estar diante de um rei, tal arrogância de Sesshoumaru. Ele se portava como se esperasse que todos se ajoelhassem a seus pés.
- está arrependido por ter me pedido em casamento? — ela perguntou, abruptamente.
- Não. De todas as minhas recentes ações, a única da qual não me arrependo é você. Sinto prazer a seu lado.
- Ficará longe muito tempo?
- Não sei — ele respondeu sem conseguir encara-la. — Os líderes do movimento terão de ser punidos.
- Sim, é claro, mas o que você tem a ver com o julgamento? Os ministros de gabinete acumulam a função de juízes?
Sesshoumaru se levantou e se pôs a andar de um lado para o outro.
- Você deveria ler aqueles livros. Eles a ajudarão a entender minha cultura.
- Amanhã — ela prometeu. — Deve ser excitante viver perto do deserto.
- ele a perturba, que eu sei. Nosso casamento significará muitos sacrifícios a você. Talvez não esteja disposta a enfrentá-los.
O semblante de Rin era como um livro aberto para Sesshoumaru. Ele não gostou do que viu. Já sentia a falta dela. A separação seria penosa.
- Não me olhe assim! — ele se aproximou e abraçou-a, a boca se colando a seu pescoço. — Não posso suportar! Só estou pensando em sua felicidade!
- então pare de se afastar de mim — Rin sussurrou. — Você tem feito isso o tempo todo.
- Não por escolha — ele respondeu, a boca se tornando cada vez mais sensual e exigente.
- Eu te adoro. Eu te desejo. Você é minha vida.
Seus lábios se encontraram e ele a beijo devagar, com um carinho e uma doçura que a emocionaram. Ela o tocou com as pontas dos dedos, querendo sentir todos os traços de seu rosto.
As mãos de Sesshoumaru, então, se moveram até o quadril de Rin, pressionando-o de encontro ao seu corpo faminto.
Ela começou a gemer e a se contorcer.
Ele ergueu a cabeça e mergulhou em seus olhos. Mal podia se controlar. Estava ofegante de paixão.
- Você faria amor comigo, se eu pedisse? — perguntou, rouco.
- Sim.
- Não há nada no mundo que eu deseje mais. Por outro lado, não posso arriscar o nascimento prematuro de um filho nosso. Não pode haver o menor motivo para um escândalo.
Não pode surgir nenhuma dúvida sobre legitimidade.
A cabeça de Rin estava girando, mas as palavras curiosas lhe chamaram a atenção.
- Está querendo dizer que eu não posso engravidar até nos casarmos?
- exatamente.
Ela pigarreou.
- eu tinha esquecido. Seu país é muito mais rígido do que o meu com relação à castidade da mulher.
- Temo que sim.
Um sorriso surgiu nos lábios de Rin quando ela fez um sinal de aquiescência.
Enquanto procurava se acalmar, Sesshoumaru se viu sorrindo, também.
- Tudo bem? Simples assim?
Rin enrubesceu.
- Não foi tão fácil.
- Nem para mim — ele confessou. — Quero você com paixão. Mas temos de esperar até que as alianças estejam em nossos dedos.
Ele a beijou pela última vez.
- Vá para a cama, agora. Foi um dia longo e difícil para todos nós.
- amanhã será pior. Você não estará comigo.
- Não será por tempo, prometo. Ficar longe de você, mesmo que por poucos dias, será um tormento.
- Eu providenciarei uma noite especial para quando você voltar.
- Não especial demais, espero — Sesshoumaru brincou. — Temos nossas reputações a zelar.
- Pedirei que Kouga chegue primeiro e instale microfones
- ela cochichou.
Ele praguejou e ela riu. Era maravilhoso. Amava e era amada. Que essa felicidade durasse! Embora não quisesse admitir, tinha um pressentimento desagradável neste sentido...
Sesshoumaru partiu na manhã seguinte com sua comitiva. Antes de sair, abraçou-a rapidamente e a Shippo. De terno escuro, cercado de guardas de segurança, parecia um estranho.
- Ele é elegante, não? — Shippo comentou.
Ele e Rin estavam na janela olhando Sesshoumaru subir na limusine branca com um segurança de cada lado. Kouga e o motorista seguiam em frente. Chamavam a atenção de todos na rua. Não tinha importância. O perigo havia passado.
- Sim, é muito elegante — Rin concordou.
- acho que nós vamos gostar de viver em Saudi Mahara. O que você leu naqueles livros?
- Que é um país muito pequeno e que tem um rei. O nome dele é complicado. Embora as informações não sejam detalhadas, parece que se trata de um país moderno em comparação com os outros do Oriente Médio. Há indústrias e uma sociedade estruturada. As mulheres são relativamente liberadas. Aproximam-se dos moldes europeus.
- Com tanto petróleo, deve ser um país riquíssimo — Shippo acrescentou. Rin o achava ainda muito fraco e pálido. Depois da experiência sofrida no dia anterior, ela resolvera marcar uma consulta.
- Teremos de estar no consultório do dr. Brown à uma hora — avisou.
- Por quê?
- Por precaução. Não faz muito tempo que você saiu do hospital e ontem se emocionou demais.
- Sesshoumaru salvou minha vida. Eu teria morrido se ele não me jogasse no chão. Uma bala se alojou no lugar onde eu estava sentado. Espero que ninguém tente mata-lo novamente, quando estivermos morando com ele.
- Eu também, Shippo. Eu também.
O médico ficou satisfeito com os progressos de Shippo e os mandou para casa.
Na segunda-feira, Rin voltou ao trabalho, deixando Shippo com uma enfermeira, seguindo a sugestão de Sesshoumaru. Durante o fim de semana, ele telefonou duas vezes, mas a conversa foi rápida e inibida de ambas as partes. E formal, por parte dele.
A distância entre eles havia aumentado e não apenas no sentido físico.
À noite, depois do jantar, Rin estava fazendo uma toalha de crochê para a mesa da sala, enquanto shippo mudava os canais da televisão, sem se decidir por nenhum.
De repente, ele a chamou:
- Olhe para isso!
Rin largou o crochê. Era uma procissão de homens uniformizados, a cavalo, em uma nação do Oriente Médio. No centro dessa pompa estava um militar, com uma faixa azul no peito, sentado em um trono.
- Meu Deus, é Sesshoumaru! — Rin exclamou. — aumenta o volume!
Shippo obedeceu de imediato.
- ao vê-lo, ninguém diria que acaba de sofrer um atentado — dizia o repórter — Sua irmã, a princesa Yasmin foi detida para interrogatório. Há dúvidas sobre seu envolvimento na trama. O julgamento do seu marido foi rápido. A execução ocorreu esta manhã. As notícias foram transmitidas pelo porá-voz do palácio real de Raschid.
A imagem foi substituída por uma outra notícia.
Palácio Real. Raschid. Sesshoumaru, sentado em um trono.
- Ele não era um ministro. Ele é o rei de Saudi Mahara.
- Murmurou Shippo.
A toalha de crochê resvalou no chão. Rin tremia. Rei. Sesshoumaru era um rei. Não era de se admirar que vivesse cercado de seguranças e que esperasse que as pessoas se curvassem ao estalar de seus dedos.
- Você acredita que ele tenha falado a sério sobre se casarem? — Shippo perguntou, traduzindo em palavras seus piores receios.
- Como poderia? Ele é um rei! Ele nunca poderá se casar com uma mulher de outra raça!
- O rei da Jordânia se casou.
- Há muitos anos e sob diferentes circunstâncias. Isso... isso muda tudo!
Rin se levantou e correu para o quarto. Atirou-se sobre a cama e deu vazão às lágrimas ao reconhecer a verdade. Sesshoumaru se divertia à sua custa. Não havia outra explicação. Ele a usara para se distrair enquanto estivera cativo.
Mais tarde, o telefone tocou. Ela foi até a sala e fez sinal para que Shippo atendesse. Seus olhos estavam vermelhos inchados.
- Sim, ela está... ela está bem, obrigado. Sim, eu também. Claro. Eu direi a ela. Você, também.
Shippo desligou, nervoso.
- Era Sesshoumaru. Ele pediu para eu lhe dizer alô. Queria saber como você estava, apenas. Eu estou tão triste.
- Eu também — Rin murmurou, mordendo um lábio.
- Foi só isso que ele disse?
- Foi. Acho que ele não imaginou que nós tivéssemos visto a reportagem.
- Era uma transmissão da BBC de Londres — Rin explicou. — ele deve ter pensado que não chegou aos Estados Unidos.
- Por que será que Sesshoumaru não nos contou a verdade?
- Talvez não soubesse como falar — Rin considerou.
- Deve ter sido muito difícil para ele, acostumado ao luxo e a criados, viver como uma pessoa normal.
- Nunca tinha visto um rei antes — Shippo disse, tentando aliviar o clima. — Terei o que contar aos meus amigos quando voltar para a escola, não?
- Sim
- Não o levou a sério não é? — De repente, Shippo pareceu preocupado.
- Eu? — Rin se forçou uma risada. — Não seja bobo!
Gostei muito dele, mas nem por isso desejaria morar em um país estranho, sendo obrigada a aprender um novo estilo de vida.
- Nem eu. Isto é, eu gostaria de ter andado a cavalo. Além disso, Sesshoumaru era um cara legal. Ele conversava comigo sobre ciências.
- Sesshoumaru é formado em química e física.
- Isso explica tudo. Sabe, eu gostaria de fazer faculdade, um dia.
- Você fará, eu prometo. Estou tão contente em tê-lo comigo.
- Eu também. Está se sentindo melhor?
Ela fez um movimento afirmativo com a cabeça. Em seguida preparou uma xícara de café.
- Caso Sesshoumaru telefone amanhã, diga que eu não estou.
Mas Sesshoumaru não telefonou no dia seguinte, nem no outro.
Assuntos de estado o impediam, Rin considerou. Queria se esquecer do canal de notícias, mas a atenção de saber sobre Sesshoumaru era grande demais.
Suportou reportagens policiais, médicas e policiais, mas acabou vendo o rei de Saudi Mahara mais uma vez. Ele estava vestido com um traje típico de seu país. Uma linda jovem se apresentava a seu lado e segurava-o possessivamente pelo braço. Seu nome era Kagome, e não Yasmin. Portanto, não era sua irmã. Ele sorria para a mulher, cuja identidade acabou por ser revelada. Tratava-se da viúva do irmão de Sesshoumaru que falecera em um acidente náutico, há alguns anos.
Aquela seria a última vez que sintonizava naquele canal. Sesshoumaru deixara claro que não queria mais nada com ela. Dessa forma, o quanto antes voltasse para sua vida, melhor seria.
O primeiro passo foi mudar para o velho apartamento, que felizmente, ainda não havia sido alugado. Shippo adorou. Agora teria um amigo com quem brincar. Nick, o menino que fizera amizade com Sesshoumaru.
Apesar de deprimida, Rin começou a viver novamente. Não podia se queixar. Tivera uma aventura com um rei e seu irmão se curara. O que mais poderia pedir da vida?
No escritório foi promovida a assistente da vice-presidência. Esperava trabalhar para Kohako, o irmão de Sango, que era uma pessoa competente e simpática. Mas seu chefe era outro. Tarrant Blair, um homem com a mente de uma calculadora.
Ela não gostou do novo trabalho. O chefe não lhe tinha a menor consideração. Chegava tarde no escritório e passava a maior parte do dia pendurado no telefone, com seu consultor. Depois do expediente, embora soubesse que ela tinha de cuidar do irmão, resolvia lhe passar o serviço.
- como vão as coisas? – Sango lhe perguntou, um dia.
- Bem. Estou muito contente com o aumento que tive.
- E Shippo?
- Cada vez melhor.
- Vocês dois devem estar se divertindo muito, agora que estão juntos novamente.
- Nós nos divertimos, mas ultimamente tenho chegado em casa tão cansada que não tenho condições para isso. De qualquer forma, o trabalho é interessante e o salário excelente.
Ela não conseguiu enganar Sango. Assim que encontrou o marido, a amiga perguntou:
- Por que Blair obriga a assistente a trabalhar até a noite? Será que ele não sabe que ela tem um irmão para cuidar e que ainda não se recuperou do trauma do atentado?
- Blair não devia obrigá-la a trabalhar nuca até tarde. Ele não tem tantas ocupações assim.
- Você poderia verificar?
- O que eu não faço por você?
- E por seus funcionários? É por isso que te amo tanto, Mirok. Você é um homem maravilhoso.
Naquela mesma tarde, após uma séria conversa com o presidente da empresa, o chefe de Rin deixou de prendê-la no escritório até a noite.
Três semanas após a partida de Sesshoumaru, Rin estava quase se sentindo ela mesma outra vez. Evitava se lembrar do passado e preparava-se para enfrentar o futuro. Havia um homem em seu departamento que parecia gostar dela. Desejaria poder encorajá-lo, mas seu coração a impedia.
Na sexta-feira, quando voltou do trabalho, Shippo a fitou, preocupado.
- Rin, você não pode continuar assim.
- Estou apenas cansada, Shippo Como vão às aulas?
- Meu professor disse que sou inteligente e que logo recuperarei o tempo perdido. Ele disse que gostaria de falar com você. Eu espero que vocês se entendam — O menino sorriu, brincalhão. — ele é solteiro, tem trinta e oito anos e não é de se jogar fora.
- Shippo!
- Estou pensando em contar a ele o quanto você é riu, apesar da tristeza.
- O que você que para o jantar?
- Macarrão com queijo – Shippo respondeu de imediato e seguiu-a até a cozinha. — Sinto muito que não tenha dado certo. Sei o quanto está sofrendo por causa de Sesshoumaru.
A simples menção daquele nome a fez enrijecer.
- Não, não estou.
- Percebi que você tem chegado mais cedo — Shippo resolveu mudar de assunto.
- Meu chefe, felizmente, resolveu trabalhar em horário normal. Oh, meu querido. É tão bom ter você em casa comigo. Estou muito feliz. Só que agora me deixe preparar o jantar, está bem?
Shippo voltou para a sala e ligou a televisão. Logo depois a capainha tocou e ele foi atender. Rin não foi verificar. Só podia ser Nick.
Alguns minutos depois, quando ela terminou de separar as panelas que queria, gritou para o irmão.
- Era seu amigo?
- Não — respondeu uma voz profunda e conhecida. — Não era.
Fale com o autor