Resolvi coloca uma musica tema para esses dois e a, mas parecida com a para a personalidade deles e a Hate That I Love You da Rihana Com Ne-Yo eu amo essa musica.

Cápítulo IV

Mas quando chegou em casa, após o trabalho, Rin não viu absolutamente nada extraordinário. Nada visível, ao menos.
Sesshoumaru estava sentado no sofá assistindo um filme. Um casal fazia amor. Os sons eram tão sugestivos que Rin preferiu passar direito pela sala.

No quarto, tirou o casaco e esticou os braços. Suas costas doíam depois de ficar o dia inteiro quase na mesma posição.
Uma sensação estranha a fez voltar-se. Sesshoumaru estava parado na porta e olhava para ela com uma expressão indefinível. O que não podia imaginar era que cada movimento delineara cada curva de seu corpo e que

Sesshoumaru ficara sem fôlego ao surpreendê-la.

- O que foi?

- Não encontro a lista telefônica.

- Está guardada, mas se quiser, posso empresta-la — respondeu provocativa.

- Outro detalhe: vou dormir nesta cama esta noite. Providenciei para que coloquem uma nova para você, no quarto de hóspedes.

- A história não é bem assim. Eu falei com seu amigo Kouga e ele me disse que está mandando uma cama nova para cá. Só que será você a ocupá-la, e no quarto de hóspedes. Eu continuarei ocupando este como ontem.

- Não! Este apartamento é meu e ninguém me expulsa do meu próprio quarto!

- Se não o liberar, acontecerá um incidente internacional de proporções que não pode imaginar.

- Você é insuportável! Kouga me contou que ninguém jamais o contrariou em toda a sua vida. Bem, está na hora de alguém mudar isso. Não tem o direito de invadir a casa dos outros e se apossar dela.

- Tenho mais direito do que você — ele retrucou, os braços cruzados sobre o peito. A camisa azul de seda parecia tornar aqueles olhos ainda mais dourados. — Chame o Kouga. Proteste. De nada irá adiantar. Ele não ousaria tomar partido contra mim.

- Não dou a mínima para quem você é ou o que faz. Moro aqui e não vou me privar do meu conforto.
Sesshoumaru ficou olhando fixamente para o rosto zangado. Depois de um tempo, seus olhos deslizaram por todo o corpo de Rin, e voltaram para o ponto de partida.

- Qual sua idade?

- Não lhe interessa.

- Posso descobrir facilmente.

- Então, descubra. O telefone está às ordens. Ou prefere vasculhar a minha bolsa até encontrar meus documentos?

Ele não se moveu.

- Se me der licença gostaria de trocar de roupa antes de começar a preparar o jantar.

- Se não tiver me contrariado, poderia se servir de minha lagosta à Themidor.

- Não gosto de lagosta. Isto é, acho que não gosto. Nunca pude comprar uma e provar.

- Você não ganha tão mal — o árabe retrucou, sarcástico.

- Não, não ganho, mas todas as economias são empregadas no tratamento do meu irmão.

Dessa vez, Sesshoumaru pareceu desconfortável.

- Sim, sim, eu ouvi falar sobre o garoto.

- Ele é como se fosse meu filho. Cuidei dele quando nasceu. Como minha mãe demorou para se recuperar, era eu quem preparava e dava as mamadeiras e trocava as fraldas. Mais tarde, brinquei com ele. Tad era um menino muito esperto.

Rezo todos os dias para que ele se levante e volte a brincar.
Sesshoumaru sentiu-se tocado pela demonstração de ternura. Até aquele momento nunca se preocupara com Rin e com a criança. Agora a situação era diferente.

- O que dizem os médicos sobre as chances de recuperação?

- O mínimo possível. A ciência médica chegou em seu limite de certeza. Como você sabe, o cérebro é um território ainda pouco explorado.

- Faz muito tempo que ele está hospitalizado?

- Três anos. — Como se tivesse se arrependido de mostrar suas emoções, Rin se dirigiu à porta e abriu-a de par em par. — Importa-se?
Ele saiu imediatamente. Ela vestiu uma calça jeans e uma blusa de crochê branca, de mangas compridas. Estava tão longe de querer impressionar seu hóspede indesejável que nem penteou os cabelos.

Na sala, Sesshoumaru assistia ao noticiário. Sem se dignar a olhar de lado, Rin caminhou para a cozinha. Faria um bolo de carne. Estava enjoada desse prato, mas além de prático, sempre durava dois dias.

- Que delícia culinária está planejando para esta noite?

- Bolo de carne, purê de batatas e vagens.

Ele torceu o nariz

- Há algumas latas de sopa no armário.

A careta piorou.

- Porque não liga para a CIA e reclama? Diga que está passando fome.

Talvez arrumem um outro lugar para escondê-lo.

O homem não respondeu. Se possível, tornou-se ainda mais inatingível do que nos outros dias.

Rin preparou o jantar entre resmungos e protestos interiores. Se o arrogante preferia morrer de fome a comer o que as pessoas normais comiam, o problema era dele.

- Encare como um estudo da cultura americana. Quem sabe se sentirá melhor.

- Não me admiro que seu povo seja tão ignorante.

- Ignorante? E o que me diz do seu povo vivendo em tendas como os camelos, no meio do deserto?

- Não vivemos com os camelos — Sesshoumaru se defendeu.

- Entendeu muito bem o que eu quis dizer. Seu país está cheio de desertos, tendas e camelos.

- Há grandes cidades, Óperas, orquestras sinfônicas, teatros bibliotecas e universidades.

- E areia, deserto e camelos.

- Você não sabe nada sobre o meu país.

- Nem você sobre o meu. A maioria de nós nunca experimentou o ar rarefeito que você respira, quando se coloca nas alturas. Nem lagostas, limusines, e hotéis de cinco estrelas.

- Tenho direito a essas coisas.

- Sua vida é muito fácil. Queria que tivesse de viver com um salário mínimo por algum tempo. Aí, sim, descobriria como vive o resto do mundo.

- Cada um deve viver por si. Basta eu cuidar de mim próprio.

- Quanto egoísmo!

- Sempre haverá ricos e pobres — ele declarou filosoficamente. — Por que devo me privar do que gosto porque há pessoas menos afortunadas no mundo?

- Poderia fazer alguma coisa para ajudar essas pessoas.
Bastaria doar um poço do seu salário. Deve ganhar tanto que a caridade não interferiria com seu alto padrão.

Ele cruzou as pernas. De calça jeans apertada, Sesshoumaru parecia muito sexy.

- Meu alto padrão, como chama, é um direito que adquiri por herança. Não tenho a menor intenção de desistir do que é meu. Tenho feito o que posso pelo meu povo. Quanto à sua definição de pobreza, em meu país não acontece o mesmo.

Nosso nativos, homens nômades, que vivem em tribos, consideram suas vidas satisfatórias e superiores às existentes nas cidades. Não se consideram pobres, apesar de serem encarados com desprezo pelos países industrializados.

- Não estou entendendo.

- Claro que não. Você acredita que, por ter máquinas e fábricas, seu país é superior?

Rin franziu a testa, Jamais havia considerado a questão sobre esse ponto de vista.

- Freqüentou uma faculdade, Rin?
Era a primeira vez que a chamava pelo nome e a sensação foi perturbadora.

- Não. Cursei apenas secretariado.

- Quando tiver tempo e as circunstâncias melhorarem, tente fazer cursos de sociologia e diversidade racial.

- Você estudou? ela quis saber.

- Formei-me em Oxford.

Oxford, a mais famosa universidade do mundo. Ela mal podia acreditar.

- Sou formado em ciência e física. Meu pai aprovou minha escolha. Nosso povo foi fundador da ciência.

- Com tanto preparo intelectual, talvez possa desenvolver um lagosta no laboratório da minha cozinha.

Primeiro ele contraiu as sobrancelhas. Depois riu brevemente. Mas uma notícia chamou sua atenção e a conversa foi interrompida.
Mais tarde, embora se queixasse da falta de talheres de prata, porcelanas finas e guardanapos de linho, Sesshoumaru se sentou à mesa.

- Nunca tinha experimentado este tipo de comida antes. É bom.

- O que esperava? Que eu fosse uma péssima cozinheira? Minha mãe me ensinou. E a sua? É ela quem cozinha para a família?

O comentário deveria ter sido hilário, pois Sesshoumaru a fitou como se fosse uma marciana.

- Não. Suas mãos nunca se ocuparam com tarefas tão triviais.

O comentário a ofendeu ao ponto de fazer com que seu sangue aflorasse ao rosto.

- Na América, o trabalho não envergonha as pessoas. Sesshoumaru pareceu surpreso.

- Oh, me perdoe. Não quis insultá-la. Você cozinha muito bem.

- Obrigada.

Ele tomou o último gole de café com creme e açúcar, evidentemente satisfeito.

- Você disse que as mãos de sua mãe nunca se ocuparam com tarefas triviais. Ela não vive mais?

- não. Nem ela nem meu pai. Foram assassinados.
Rin deixou o garfo cair sobre o prato. No silêncio, o som chegou a assustá-la.

- Oh, eu sinto muito.

- Foi há muito tempo. Os responsáveis foram presos e executados.

O assunto a fez lembrar de que Sesshoumaru também era um provável alvo.

- Não sente medo?

- De que adianta desperdiçar energias com futilidades? — Foi a resposta. — Eu morrerei quando chegar a hora. Morrer não é o destino de todos?

- Bem se eu estivesse em seu lugar, morreria de medo, mesmo que os tiros não me atingissem.

Sesshoumaru sorriu.

- Você é uma garota diferente.

- Sou uma mulher.

- Uma garota — ele insistiu.

Rin se levantou e recolheu os pratos.

- Fiz torta de cereja para sobremesa.

- É a minha favorita — Sesshoumaru afirmou.

- a minha também.

- Afinal alguma coisa em comum. Haverá outras?

A pergunta ficou sem resposta. O homem estava se insinuando demais em sua vida e assustava-a emocionalmente.

Terminaram de comer em silêncio. Enquanto ele voltava para a televisão, ela tirou a mesa, lavou a louça e depois foi apanhar o casaco e a bolsa.

- Onde vai? — Sesshoumaru perguntou sobre o ombro.

- Ver Shippo.

Ele se levantou e desligou o aparelho.

- Acompanho-a.

- Não pode. Eles disseram para não sair do apartamento.

- Eu irei. Ao nos verem juntos, os agentes nos seguirão.

Era mais fácil aceitar do que tenta-lo fazer mudar de idéia.
Ao lado daquele homem alto e musculoso, Rin sentia-se curiosa.

- Você se exercita?

- Em um ginásio? Não. Eu cavalgo.

- Possui um cavalo? Oh, eu os adoro. De que raça?

- Garanhões austríacos.

- Aqueles enormes? Mas não são muito caros?

- Muito. Pertencem ao rei — Sesshoumaru se apressou a acrescentar ao perceber o olhar desconfiado de Rin. — Ele permite que eu os treine em minhas horas vagas.

- Que sorte a sua!

Sesshoumaru sorriu. Estava muito gentil e simpático. A noite não seria tão má como ela esperava. Mas o bom humor só durou até chegarem ao carro. Ele parou e seu queixo caiu. Além de pequeno e velho, o carro estava coberto de pontos de ferrugem.

- Não espera que eu entre nisso!

- É o único carro que tenho.

- Lamentável. Por que não compra um novo?

- Porque não tenho dinheiro. Acha que basta entrar numa agência e escolher o modelo mais caro? Eles não o deixam sair sem pagar, sabia? Este carro é o único que meu orçamento permite. Você não tem o direito de fazer com que eu me sinta envergonhada!

Sesshoumaru começou a falar, mas ela não ouviu. Um carro preto, de aparência sinistra, surgia na esquina. Sem refletir, empurrou seu acompanhante contra o carro e obrigou-o a se abaixar.

- Quer ficar quieto? E se forem eles?

- A CIA?

- Os assassinos!

- É muito lisonjeiro de sua parte, Rin — ele murmurou.

- Quer manter a cabeça baixa?

As mãos fortes encontram a cintura de Rin.

- Rin, olhe!

Ela se virou, com cuidado para, o carro preto e viu Kouga.

Sua expressão era divertida.

Rin se afastou rapidamente e passou uma da mãos pelos cabelos.
Kouga se encaminhou para eles.

- Olá, garota. Eu estava passando por aqui quando a vi com seu primo. Querem uma carona?

- Sim — Sesshoumaru se apressou a aceitar.

- Terei prazer em levá-los para onde quiserem.

Sesshoumaru acomodou Rin no banco traseiro e se sentou ao lado de Kouga. Durante o trajeto, ela se sentiu tão furiosa ao relembrar os insultos do árabe com relação a seu querido carro, que explodiu.

- Quer fazer o favor de me dizer, Kouga, como posso ter um primo mexicano se minha ascendência é irlandesa?

- Atreves do casamento, é claro. Mas, diga-me. Pensou que eu fosse um assassino?

- Não sabia que era você. Da próxima vez, entretanto, prometo que não tomarei tantas precauções. Do jeito que seu protegido criticou meu carro, merece um tiro ou mais.

- Aquilo não é um carro. É um pedaço de lata com buracos. — Desculpem —

Kouga os interrompeu, providencialmente.

- Para onde querem ir?

- Para o hospital — Rin respondeu.

- Eu deveria ter adivinhado. Você vai lá quase todas as noites. Até quando acha que agüentara com essa vida antes de cair doente?

- Tenho agüentado há três anos. Agüentarei o tempo que for preciso.

Sesshoumaru se manteve calado, mas sua mente não parava de trabalhar. A cada momento aquela garota o intrigava mais.
Era inocente. Uma qualidade rara nos dias atuais. Ele precisaria se casar por causa do problema dos herdeiros.

Uma pena que sua noiva devesse ser árabe. O melhor seria expulsar os sonhos e fantasias e voltar à realidade.
Kouga e Sesshoumaru ficaram na sala de espera pois o hospital só permitia a entrada de uma pessoa na unidade de terapia intensiva.

Ao vê-la, através do vidro, curvada sobre o irmão, Kouga suspirou.

- Tortura. Deve ser uma tortura para ela.

- Ela não tem mais ninguém para dividir essa carga? — Sesshoumaru perguntou.

- Ninguém.

- Uma enfermeira poderia ser contratada.

- Para quê? Enfermeiras não curam comas.

- Mas pouparia Rin.

- Acha que ela desistiria de visitá-lo mesmo que houvesse um médico as vinte e quatro horas do dia de plantão no quarto?

- Não. Você está certo. — Os olhos de Sesshoumaru se demoraram sobre a figura de Rin.

- Ela parece frágil, mas tem muita força. Sabe como foi que aconteceu o acidente?

- A família estava viajando de férias. Um carro fez uma curva em alta velocidade atravessou a pista. Com o choque, eles capotaram. O pai de Rin e o motorista do outro carro tiveram morte instantânea. A mãe viveu até o dia seguinte. O menino, você sabe. Se o socorro não tivesse demorando tanto, a situação poderia ser diferente. Mas, como o carro caiu em um buraco, o resgate foi extremamente difícil.

- Rin ficou a noite intera no carro? — Sesshoumaru murmurou.

- Sim, presa nas ferragens. Fraturou os quadris e duas costelas. Não notou que ela se move de maneira estranha, às vezes?

- Não, não notei.

- Ela precisou de tratamento psicológico para superar o trauma.

- Imagino que sim. Que moça de coragem!

- Sim ela é incrível.

- Quantos anos têm?

- Vinte e dois, eu acho. Mas fique avisado, se tentar seduzi-la, se entenderá comigo. Não dou a mínima para sua posição.

Sesshoumaru ergueu uma sobrancelha.

- Você gosta dela?

- Somo amigos.

- Um botão de rosa à espera do sol. Eu não posso lhe negar o direito de desabrochar. Não se preocupe. Tenho capacidade suficiente para analisar as conseqüências. Planos sórdidos não fazem parte do meu temperamento.

Apenas a considero uma garota charmosa, quando não estamos brigando.

- Ele fez uma pausa. — Espero que não comente nada com ela.

- claro que não.

Sesshoumaru sorriu, de repente.

- Apesar da animosidade dela para comigo, viu como tentou me proteger quando pensou que você fosse um assassino? Essa garota é fantástica!

- Como se aquela lata velha pudesse impedir que uma bala se cravasse em seu corpo...

- Ela não sabe nada sobre armas, guerras ou assassinatos. Nem deverá saber. Preciso me precaver para que ela não corra riscos por minha causa. Fosse um atentado, o resultado teria sido trágico.

Kouga não gostou da intensidade com que o árabe falou sobre Rin. Sesshoumaru era um libertino. Suas mulheres deveriam somar às dúzias.

- Ambos estão sobre vigilância. Nada de mal acontecerá a ela.

- Espero que não. A vida e o bem estar da garota são tão importantes quanto os meus. Entendeu?

- Sim entendi. Pergunto-me se o mesmo se aplica a você?
Sesshoumaru encarou o agente com curiosidade, mas antes que pudesse se referir ao comentário, Rin se reunia a eles.

- Alguma melhora? — Kouga indagou.

Ela negou com um movimento de cabeça.

- Podemos ir? Estou muito cansada.