A Ninfa da Cascata
2 Encontro do Paraíso
Notas iniciais
A Ninfa da Cascata
Capítulo 2 — Encontro do Paraíso
Sulfus ficou ali, com a água pelos joelhos, a observar o local onde aquela rapariga de cabelos d'ouro antes tinha estado...sempre com as mesmas perguntas a passarem-lhe pela sua cabeça...
Quem é ela?
Porque razão terá fugido dele?
Foi ela que o salvou de morrer afogado?
Ele sabia que não tinha sido arrastado pela corrente, um ramo estava preso à sua perna, essa tinha sido uma das razão pela qual ele não tinha conseguido manter-se na superficíe, ele tinha perdido a consciência quando fora puxado pela corrente E o ramo para debaixo de água...por isso ele sabia que não tinha sido arrastado pela corrente...mas se tinha sido aquela rapariga que o tinha salvo...porque razão tinha fugido daquela maneira como se ele fosse um monstro?
Segurou a cabeça, esta ainda lhe doía...e para mais ainda tinha de encontrar uma maneira de voltar para casa...tinha de saber se os seus amigos estavam bem, se tinham conseguido chegar a terra a salvo...
Olhou em volta, estava no meio das árvores, provavelmente na parte mais profunda do bosque! Ou seja...no tão clamado labirinto...
"Lindo...era só o que me faltava, como é que eu vou conseguir achar o caminho de volta para casa no meio deste labirinto!" reclamou ele, o bosque estava tão vazio que a sua voz ecoou, ele suspirou e caminhou de volta para terra, saindo do rio...
Espera...o rio! Era isso! Talvez ao seguir o rio pudesse encontrar o caminho de volta!
Sulfus olhou para direcção que o rio estava a tomar...corria na direita...isso queria dizer que tinha de caminhar para a esquerda, pois quando estava a fazer a viagem de barco este viajava com a corrente. O jovem rapaz começou a subir montes acima, seguindo sempre a direcção do rio, subiu e subiu até que chegou ao cimo do grande monte, virando-se de costas, observou a vista dali de cima...tudo o que via à sua frente era árvores, grandes árvores, uma verdadeira floresta estava diante de si...
Suspirou de novo e abanou a cabeça, não era o momento certo para ficar a observar lindas paisagens, em breve escureceria e ele não sabe nem queria saber o que aconteceria se ele ainda se encontrasse na floresta nesse momento. Tinha de voltar para casa o mais depressa que conseguia.
Continuou a seguir o rio até que deu de caras com o sitío onde o acidente tinha ocorrido...e o barco estava ali, preso à terra, meio destruido. O mais rápido que conseguiu, o rapaz correu até à embarcação e saltou lá para dentro
"Gas! Cabiria! Kabale!" gritou ele, chamando pelos seus amigos mas não havia sinal deles, a embarcação não era assim tão grande que ele não os conseguisse se estivessem lá dentro...ainda procurou dentro da cabine mas sabia que também não estavam lá ou ter-lhe-iam respondido, a menos que estivessem inconscientes...mas não havia sinal deles...tendo feito todo aquele caminho a seguir o rio, Sulfus não tinha visto nenhum dos seus amigos na água, por isso acreditava que eles se tinham conseguido salvar e que tinham voltado para casa a salvo...
Saiu da embarcação e voltou a tomar o caminho de antes, sabia que ainda demoraria um pouco até chegar a casa mas ao menos já estava mais longe daquele enorme labirinto.
Continuou a seguir o rio até que finalmente avistou o lugar de onde ele e os amigos tinham partido, suspirou aliviado. A partir daí Sulfus correu, seguindo agora o caminho familiar que lhe daria para a sua casa.
Quando estava mais perto de casa, o rapaz já conseguia ver umas figuras não muito longe de si, figuras familiares...três delas eram de duas raparigas e um rapaz, frente a eles estavam mais três figuras, a de um homem alto, a de uma mulher cuja altura dava pelo ombro do homem e a terceira figura era uma rapariguinha que se segurava à saia da mulher.
Essas pessoas eram nada mais, nada menos que os seus três amigos, os seus pais e irmã! Feliz por vê-los e por saber que os seus amigos estavam sãos e salvos, o rapaz correu na direcção deles, chamando-os
"Pessoal!" chamou ele, tinha gritado tão alto que isso chamou a atenção de todos, eles viraram os seus rostos na sua direcção e a cara deprimida em todos os seus rostos se iluminaram para uma expressão de felicidade e alívio
"Sulfus!" chamou a mulher enquanto corria para ele, assim que chegou perto dele abraçou-o forte e apertado, mas nada que o rapaz de 17 anos não aguentasse, também ele abraçou a sua mãe enquanto esta chorava de felicidade "Oh meu filho, estou tão aliviada! Pensava que te tinha perdido, não sabes o quanto estava preocupada contigo quando os teus amigos me disseram que tinha caído ao rio e foste arrastado pela corrente!"
O rapaz acariciou os longos cabelos negros, que eram da mesma cor que os seus, da sua mãe tentando acalmá-la "Calma mãe, estou bem e estou aqui agora.." murmurou ele, Seraph soltou-o ainda com lágrimas nos seus olhos vermelho-alaranjados mas sorriu de felicidade ao tocar no rosto do filho, estava tão aliviada que ele estava bem
"Maninho!!" gritou a mais pequena da família enquanto saltava para os braços do seu irmão mais velho, este sorriu e também a abraçou, ela chorava por medo mas também felicidade...ela era bastante agarrada ao irmão e teve muito medo de não voltar a vê-lo.
Quem logo o abraçou também foram os seus aliviados amigos e namorada, esta encheu-o logo de beijos, tantos que ele teve de a afastar
"Ok, ok Kabale, eu sei que estavas preocupada mas já me podes largar sim?" disse ele, ela amuou
"Mas eu estava tão preocupada!"
"Eu sei mas eu estou aqui e estou bem, estou a precisar de descansar um pouco" disse ele, os seus amigos assentiram, entendendo a situação
"Mas...como é que te conseguiste salvar? Nós vimos tu desapareceres no meio das águas" perguntou Cabiria
"Eu..." ia dizer que tinha sido salvo por uma estranha rapariga mas...e se ela tivesse sido um fruto da sua imaginação...? "Eu não sei bem ao certo...só me lembro de acordar já em terra e nada mais. Provavelmente fui arrastado pela corrente até terra"
"Estou a ver" disse o seu pai "Bem, é melhor deixá-lo descansar, tal como ele já disse foi um dia longo" todos assentiram, os amigos de Sulfus despediram-se e foram para casa enquanto que o jovem e a sua família voltaram para dentro de casa.
Sulfus suspirou enquanto entrava no seu quarto, fechou a porta atrás de si e caminhou até à sua cama para onde saltou e deitou-se de imediato...aquela rapariga continuava na sua mente...para onde quer que ele olhasse ela estava lá...os seus longos cabelos loiros, os seus olhos azuis, a sua pele bronzeada, os seus lábios...tudo
"Aaaahhhh eu vou dar em louco!!" gritou ele enquanto colocava as mãos na cabeça e abanava-a, sentando-se na cama "Vê lá se atinas Sulfus Zolfanello, tu tens uma namorada e uma vida pela frente não vais ficar a pensar numa rapariguinha que se assustou contigo!!" deixou cair o corpo para trás, depois virou-se de lado e fechou os olhos decidido a ter um pouco de descanço depois daquele dia...
Era meio da noite quando Sulfus acordou a suar, meio sobressaltado...tinha voltado a sonhar com ela...já era a terceira vez naquela noite! Era sempre o mesmo sonho! Sempre aquela rapariga que dançava nas águas de uma cascata, vestida com um lindo vestido branco e com uma rosa branca no seus cabelos d'ouro que bailavam graciosamente conforme os seus movimentos e terminava sempre com ela a estender-lhe a mão...
"Isto tem de acabar...amanhã vou lá, tenho de comprovar se ela é mesmo real ou não...." e com isso deitou-se...tentando voltar a dormir...
Na manhã seguinte Sulfus acordou bem cedo, o que surpreendeu ambos os seus pais visto que ele era um jovem que adorava dormir até bastante tarde
"E onde é que vais com tanta pressa?" perguntou Edan
"Vou dar uma caminhada por aí mas não sei quando volto" respondeu ele, a mãe franziu a testa preocupada
"Vê lá no que é que te vais meter Sulfus...nao te bastou o susto que apanhastes ontem?"
"Relaxa mãe, prometo que não me vou meter em sarilhos ou que volto para casa em farrapos"
"Sulfus!" ralhou Seraph "Não brinques com coisas sérias!"
"Ok, ok desculpa, geez..." ele levantou-se da mesa e agarrou na pequena mochila que tinha preparado com alguma comida, pois não sabia quanto tempo iria demorar até encontrar aquela rapariga e com isso saiu porta fora, deixando os pais com um olhar questionável mas preocupado
"O que é que aquele rapaz andará a magicar..." murmurou a mãe
Entretanto Sulfus caminhava pelo mesmo trilho que tinha seguido ontem quando tentava voltar para casa, demorou ainda cerca de uma hora até chegar ao sítio onde ele tinha despertado depois do acidente...vendo que estava a chegar aquela zona, começou a caminhar o mais silencioso que podia...se ela estava mesmo ali, não queria assustá-la antes de ter tempo de conseguir aproximar-se o suficiente dela...
Escondeu-se atrás de uma árvore e olhou para o rio...parecia estar tudo calmo...esperou uns minutos e nada parecia acontecer...suspirou desapontado enquanto se deixava cair sobre a relva enquanto que descansava contra o tronco da árvore
"Quem é que eu quero enganar...ela não existe, de certeza que foi uma simples-" foi interrompido quando voltou a ouvir o mesmo murmurio de ontem, o chapinhar na água...
Rapidamente voltou-se e colocou-se de joelhos, não tirando a vista do rio...e foi então que viu o mesmo de ontem, a mesma figura branca, de longos cabelos loiros a emergir das águas do rio, observou com antenção a sua expressão...parecia...tão feliz, relaxada...como se nadar fosse a razão da sua felicidade...decidiu não fazer nenhum movimento por agora, queria observá-la durante mais algum tempo...
A rapariga nadou até à margem e saiu da água, obviamente completamene encharcada, de novo com o seu vestido branco colado à sua pele bronzeada e com os seus cabelos d'ouro a pingarem, dando agora um aspecto ondulado...
Conforme a rapariga se mexia, Sulfus foi mudando de árvore para árvore, tendo sempre o cuidado de ver onde colocava os pés para não pisar nada que estalasse e a sobressaltasse...sabia que se a chamasse como tinha feito no dia anterior iria assustá-la e ela fugiria de novo...por isso não faria isso desta vez, queria aproximar-se o suficiente dela...
A rapariga rodopiou várias vezes como se estivesse a dançar enquanto que os seus pés descalços tocavam na erva fresca da floresta...quando deu conta, Sulfus encontrou-se a si mesmo fascinado por tal beleza...estava completamente encantado com ela...tinha de admitir...nunca tinha visto uma rapariga tão linda como aquela...nem mesmo Kabale ou Cabiria tinham tal beleza...
Decidiu aproximar-se um pouco mais, de novo a tentar ser o mais silencioso possível só que desta vez, quando estava mesmo perto dela, acidentalmente o seu ténis pisou um galho que estava na relva, partindo-o, o que fez soar o som...viu a rapariga parar de dançar e virar-se na sua direcção, viu toda aquela alegria e relaxamento nos seus olhos cor de safira virarem para medo, o sorriso no seu rosto também desapareceu enquanto ela começava a tomar uns passos para trás...
Vendo isto Sulfus sabia que tinha de agir rapidamente ou perde-la-ia como ontem "Não espera, eu não te vou fazer mal" mas a rapariga não lhe deu ouvidos e começou a correr, na mesma direcção que tinha tomado ontem..."Ah não, desta vez não me vais escapar!" exclamou ele enquanto começava a correr atrás dela
A rapariga não olhava para trás mas conseguia sentir, através dos seus passos, que ele a seguia e velozmente, tentou correr mais depressa mas já estava no seu limite, por vezes até tropeçou nos seus próprios pés, desquilibrando-se, mas não o suficiente para que ele a conseguisse apanhar
Quando Sulfus deu conta, já estava noutra parte profunda da floresta mas isto não o fez parar..depois viu a rapariga entrar para dentro de uma gruta cuja metade da entrada estava tapada por uma enorme rocha, o rapaz teve de se encolher um pouco para conseguir caber na entrada e com algum custo lá conseguiu.
Esperando não tê-la perdido de novo, o rapaz correu gruta fora, era bastante grande...correu e correu até que começou a ver uma luz no fundo...esta luz foi ficando cada vez mais forte e brilhante que quando Sulfus chegou ao fim da gruta teve de tapar os olhos por causa do sol
Quando se habituou à luz do sol, destapou os seus olhos e o que viu fê-lo arregalar os olhos...
"Pelos Deuses...o...o que é isto...?" murmurou ele enquanto olhava em volta...era lindo...aquilo era o Paraíso...tudo estava cheio de vida, ainda com mais vida do que a própria floresta! O sol brilhava intensamente, a relva era viva, verde e brilhante, pássaros, borboletas voavam livremente por entre as grandes árvores e o que o fascinou mais foi o que estava diante dos seus olhos...a cascata! Era linda, caía graciosamente sobre o rio azul, grande, forte, brilhante...
E foi aí que se voltou a lembrar da rapariga, retirando a sua vista do Paraíso que havia encontrado, ele começou a procurá-la e viu a sua silhueta por entre os arbustos...começou a correr atrás dela, tentando encontrar um atalho para apanhá-la mas não conhecia bem aquele lugar e não sabia que surpresas poderiam estar guardadas por entre aquela enorme beleza...
Foi então que teve uma ideia...parou de correr e escondeu-se atrás de uma das árvores cujo tronco era enorme. Viu a rapariga desaparecer por entre uns arbustos e agachar-se...sorriu, o seu plano iria funcionar...passaram alguns minutos e ele não fez qualquer tipo de movimento que mostrasse à rapariga a sua presença naquele lugar...mas ele continuava a observá-la...e finalmente viu-a a suspirar e a sair para fora dos arbustos..
A rapariga começou a olhar em volta ainda com aquele olhar temeroso no rosto...com uma mão colocada no seu peito a rapariga olhava em volta como se estivesse à procura do rapaz...sem se aperceber passou pela árvore onde Sulfus estava escondido mas não o viu...este sorriu e seguiu-a silenciosamente...
E quando a rapariga menos esperava...
Saltou para cima dela!
A rapariga e ele cairam na relva, esta rapidamente virou-se ficando cara a cara com o jovem adolescente, este tinha os seus braços ao lado dela, prendendo-a...a jovem olhava para ele com medo nos seus olhos, eles brilhavam com medo
"Calma...calma...eu não te vou nem quero fazer mal, ok?" a rapariga abanou a cabeça assustada "Olha para mim, olha-me nos olhos e diz-me se estou a mentir"
A rapariga acalmou-se um pouco e olhou Sulfus nos olhos...ouro com safira...sol e mar...a jovem parecia estar perdida naquele mar de ouro...mas então desviou o olhar
"Então? Achas que estou a mentir" ela não respondeu..."Porque é que não me respondes?" ela abanou a cabeça "Achas que estou a mentir?" ela abanou a cabeça de novo "Então o que é? Porque não me respondes?!"
Ela devagar voltou a olhar para ele...e devagar levantou um braço, colocando uma mão sobre a sua garganta e depois abanou de novo a cabeça. Os olhos dourados de Sulfus arregalaram em choque e surpresa ao aperceber-se o que ela queria dizer com aquilo...
"Tu...és muda...?" ela assentiu
TBC...
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