Notas iniciais
Oi, maravilhaaaaas. Sim, eu disse que voltava dia 08, mas eu notei que dia de ANC é Sábado. Então para quê esperar mais? O capítulo de hoje é bem leve comparado ao anterior. Vamos ver o que vocês acham. Preparados? Vai!

Things were all good yesterday
And then the devil took your memory
And if you fell to your death today
I hope that heaven is your resting place
I heard the doctors put your chest in pain
But then that could have been the medicine
And now you are lying in the bed again
Either way I'll cry with the rest of them

— Afire Love – Ed Sheeran

Levou um pouco mais de duas horas para que Clove conseguisse me fazer parar de chorar e me convencesse a procurar a carteira do plano de saúde para ir até o hospital mais próximo.

Não tive coragem de ir até o balcão e pedir pelo exame de sangue, então Clove fez isso por mim enquanto eu me sentava nas cadeiras frias da recepção junto de alguns doentes. Uma criancinha pequena estava com várias marcas vermelhas na pele e sua mão brigava com ela sempre que a pequena tentava se coçar.

O cheiro de álcool e limpeza me deixou enjoada.

— Vou fazer o exame com você, okay? — a baixinha de cabelos negros diz, acariciando minhas costas e beijando minhas bochechas. — Fique calma, esses testes de farmácia podem dar errado. Além do mais, você só fez um daqueles.

— Depois do que aconteceu mais cedo, Clove, se eu não estiver grávida vou me sentir ainda pior — sussurro para ela.

Os dedos que cobrem meu rosto começam a tremer.

— Porque isso, amor?

— Ao menos assim os insultos de Peeta terão tido algum fundamento.

— Ele estava com raiva, Katniss, tente ignorar o que ele disse — ela pede.

— Pessoas com raiva são como bêbados: elas conseguem dizer a verdade com a facilidade e a cara de pau que não teriam se estivessem em seu estado comum.

Sinto que me encara por vários segundos antes de finalmente suspirar. Não existe desculpa que explique ou miniminize o que aconteceu em minha sala de estar hoje mais cedo. Peeta me ofendeu e nada que digam fará essa realidade mudar, nem mesmo as palavras sábias de Clove.

— Vamos deixar que a medicina resolva as coisas, certo? Nada de sofrer por antecedência.

Esse é o problema. Há muito tempo que já estou sofrendo.

Quando uma enfermeira aparece segurando uma prancheta e chama nossos nomes, parece que uma dormência se apoderou de todo o meu corpo. Clove quase precisa empurrar-me no chão para que eu perceba que precisamos levantar.

O exame é bem rápido, nada mais do que dois tubos pequenos de sangue para cada uma de nós. Resolvemos aguardar o resultado na sala de espera mesmo, os vinte primeiros minutos parecem mais vinte horas, porém logo em seguida eu cochilo no ombro de Clove e nem percebo que o restante do tempo passou. Mais de noventa minutos depois e enfim nos chamam de novo.

Agarro o envelope que contém o meu nome, mas deixo que Clove abra o dela primeiro. Corro o olhar pelas informações que estão escritas em seu papel, não entendo a maior parte delas, porém acho a informação mais importante:

Gonadotrofina coriônica – Beta HCG >>>>— 24,0 mUI/mL

— Negativo — Clove traduz.

Ela respira fundo de alívio e dobra o exame rapidamente para guardá-lo. É a minha vez.

Enquanto abro o papel meu coração parece que vai sair pela boca, minha amiga quase arranca o exame da minha mão de tão nervosa e ansiosa que está por mim. Procuro pelas informações e confiro o nome da paciente três vezes para ter certeza de que é o meu.

Gonadotrofina coriônica – Beta HCG >>>>— 5221,11 mUI/mL

— Katniss, você não só está grávida como está super grávida.

Oh, meu Deus.

A sorte é que já estamos sentadas, porque eu estaria caída no chão se não fosse por isso.

— O que eu vou fazer agora? — choramingo.

— Ei, querida, preste atenção no que eu vou te dizer — ela pede, tomando meu rosto em suas mãos graciosas. Nunca pensei que estaríamos passando por essa situação ainda na faculdade, talvez só daqui a dez anos, quando estivéssemos casadas, com nossas casas e respectivos empregos. — Eu esperava que tivéssemos essa conversa em um lugar mais privado, onde você teria tido um trágico término de namoro e estivesse desolada, mas sabemos que pessoas como nós duas não conseguem cem por cento de sorte na vida e o destino nos colocou aqui: um hospital com cheiro forte, a notícia de que você está esperando um bebezinho e que o pai dele é a pessoa mais estúpida do mundo.

— Não está ajudando!

— Mas... — ela me interrompe, com o olhar duro. — eu preciso dizer que não importa o que acontecerá daqui para frente com você, porque eu estarei do seu lado sempre. Não me importo se Peeta não quer esse bebê, se a sua mãe vai surtar com a notícia, se você vai precisar de um caminhão de fraldas ou de alguém para limpar a sujeira do seu filho, porque eu vou estar aqui. Sempre. Vou ouvir todas as músicas daquele cantor britânico ruivo que você adora sem reclamar, vou assistir aquela Guerra dos Cupcakes pela televisão que você ama mesmo quando já assistiu todos os episódios da temporada mais de quatro vezes, vou realizar os desejos mais bizarros que você tiver nesses nove meses e ainda estarei ao seu lado quando você ficar sensível e achar que nada vai dar certo, porque eu sei que posso ser o seu porto seguro assim como você é o meu, entende? Não me importo de ficar em segundo plano agora, pois sei que você merece estar em primeiro lugar. Nós não somos apenas amigas, sempre foi assim.

— Irmãs de coração? — pergunto, estendendo para ela meu dedo mindinho da mão direita. Logo o seu esquerdo se cruza com ele.

Uma lágrima salgada molha meus lábios.

— Claro que sim, querida. Irmãs. Isso que importa.

Abraço-lhe bem apertado. Apesar de estar mentalmente cansada para com toda essa situação, estar perto de Clove é como beber um litro de calmante, é leve, é tranquilo. Ouvindo tudo que ela disse, parece mesmo que vai dar tudo certo e que não há nada de complicado no que está acontecendo.

— O CD do Ed Sheeran vai ficar todo arranhado de tanto que vamos escutá-lo.

— Eu sei disso — ela ri. — E isso se parece mesmo com uma música dele.

¬¬¬

Só conseguimos sair do hospital depois que Clove fez uma pequena ligação de emergência. Disse ela que foi apenas para avisar aos pais que estava na rua comigo e que voltaria a tempo para o jantar, mas ela parecia ter feito algo errado e que uma bomba estaria pronta para explodir a qualquer momento.

Chegamos em casa e deixamos para lidar com a vida depois. Fizemos alguns sanduíches de pasta de atum e alface para comer e nos sentamos na bancada da cozinha para descansar um pouco.

O telefone de casa toca e estranho um pouco pelo horário, não costumo receber ligações perto do anoitecer. Clove logo vem correndo atrás de mim.

— Alô.

— Eu poderia falar com a senhorita Katniss? — uma voz delicada pergunta e pede por mim.

— É ela quem fala — digo-lhe.

Franzo as sobrancelhas e encaro Clove, ela dá de ombros, mas desculpa-se ao mesmo tempo. O que foi que ela fez?

— Boa noite, Katniss. Quem está falando é a senhora Mellark e eu estou aqui com a sua mãe — travo a respiração. —, nós duas tivemos uma pequena conversa poucos minutos atrás e eu soube que você e meu filho Peeta se envolveram recentemente.

É o que? Que tipo de conversa é essa?

Sinto minha boca secar.

— Minha… minha mãe?

— Sim, querida. Acho que sua amiga disse para a sua mãe que você fez um teste de gravidez hoje. Positivo certo? — ela pergunta gentil.

Mas que porra é essa? Que diabos que aconteceu que a Clove ligou para a minha mãe e contou para ela do exame? Ainda disse que o meu filho é do Peeta!

Por favor, alguém me tira dessa estranhice toda.

— Han.. sim, eu… — sento-me no sofá. — Isso é muito recente e ainda estou muito confusa.

É claro que estou confusa. Que tipo de pessoa faz um telefonema como esse? A mãe de Peeta é tão elegante que trata o assunto como se tudo isso fosse uma consequência previsível do mau comportamento do seu filho rebelde.

— Não se preocupe, querida. Vai ficar tudo bem, eu só queria lhe dizer que estou ciente de que você e meu filho estão juntos e que agora terei um netinho. Peeta foi com você ao hospital?

Oi?

— Peeta? Não — suspiro e jogo uma almofada em Clove que apenas me encara pesarosa. O que foi que deu nela? — Me desculpe os termos, senhora Mellark, mas seu filho e eu não estamos nada próximos. Eu contei para ele sobre a gravidez hoje e não nos demos nada bem.

— O que foi que ele fez, querida? Pode me dizer?

— Nós meio que ficamos um bom tempo discutindo. Não foi nada legal e gentil, ele me acusou de várias coisas, cogitou que o bebê fosse de outro e até torceu para que o verdadeiro pai do meu filho me desse dinheiro para um aborto — ouço ela lamentar. — Sendo que não há outro pai, senhora Mellark, e eu não aceitaria dinheiro de ninguém para fazer um aborto, mesmo que fosse todo o dinheiro do planeta.

— Ah, querida, eu realmente sinto muito. Peeta nunca foi um garoto fácil e eu realmente não sei de onde ele tira tanta baboseira, provavelmente é aquela convivência problemática com a namorada dele. Ele contou para você que tem uma namorada, certo? — ela pede para que eu confirme. Acho que se Peeta não tivesse me contado, ela caparia o filho por conta própria.

— Na verdade ele não me disse, mas eu sei que ele está junto da Madge.

— Esse garoto é realmente muito complicado, querida Katniss. Assim que ele aparecer em casa, eu e meu marido conversaremos com ele sobre isso.

— Senhora Mellark, eu não quero ser inconveniente nem nada, mas eu não quero que Peeta seja envolvido em mais nada. Depois do que ele fez comigo, não acho que a presença dele seja confiável e muito menos desejável — confesso.

— Mas eu faço questão de falar com ele. Fique tranquila que vai dar tudo certo e saiba que a família Mellark está aqui para o que você precisar, tudo bem?

A grande ironia da coisa é que acho que a mãe de Peeta não percebe a grande diferença que a minha família e a dela possuem, porque, financeiramente falando, eu precisaria de toda ajuda possível para cuidar e preparar as coisas de um bebê, mas não há a mínima chance ou possibilidade de que eu vá pedir um único centavo para ela. Mesmo que eu tenha que largar a faculdade e trabalhar em tempo integral para conseguir comprar as coisas para o bebê.

— Certo — mordo minha língua. — Qualquer coisa eu telefono.

— Obrigada, Katniss. Até qualquer dia, querida, foi um prazer falar com você.

— Igualmente.

Ela desliga antes que eu o possa fazer e continuo em choque, sem acreditar no que acabou de acontecer. A mãe do Peeta simplesmente disse tudo que eu queria ouvir, mesmo eu sendo uma estranha que ela nunca ouviu falar. É ainda mais surpreendente saber que ela acreditou no que uma simples empregada lhe disse: que a filha dela está grávida do herdeiro de um super império.

Que tipo de coisa Peeta faz para que ela tenha acreditado assim tão fácil?

— Sinto muito — Clove intervem.

— Você não tinha o direito de contar para minha mãe, Clove. Foi muito precipitado, muito mesmo, eu nem ao menos consegui me acostumar com a ideia de que tem um ser humano se formando dentro de mim, entende?

— Claro que sim, mas com tudo que aconteceu num único dia, eu não consigo imaginar o dia em que você teria cabeça para conversar com a sua mãe ou voltar a cogitar falar com o Peeta.

— A mãe dele é muito educada, mas acha mesmo que conversando com o Peeta ela vai conseguir mudar alguma coisa? — sorrio de lado.

— Talvez ela seja algum tipo de luz no fim o túnel.

— Está mais para amortecedor no final do precipício.

Ela ri, acariciando meu joelho.

De vez em quando, Clove é tão impulsiva que eu fico louca.

— Está brava comigo? — ela pergunta, usando aquela carinha de cachorro abandonado que ninguém resiste. Felizmente sou imune a isso.

Ou quase.

— Não, porém caso haja uma outra oportunidade, me avise que vai contar as coisas para minha mãe.

— Pensa pelo lado que realmente importa: facilitei as coisas para você.

— Ou apenas me colocou na forca de vez — digo-lhe, revirando os olhos acusatoriamente. — Que tipo de filha não conta para a própria mãe que está grávida? Eu nem ao menos sei como ela teve a coragem de ir até a casa dos Mellark e dizer que eu engravidei do filho deles.

— Foi isso que sua mãe fez? — ela arregala os olhos e eu confirmo. — Sério, sua mãe é meio precipitada as vezes.

— Só ela?

— Deixa disso, Katniss.

— Mas na verdade, o que me deixou louca foi que a mãe do Peeta que ligou e disse com toda a calma do mundo que eu poderia contar com ela e que tudo daria certo.

— Peeta não puxou a delicadeza da mãe — ela observa.

Apoio a cabeça nas almofadas do sofá.

— Não mesmo.

¬¬¬

Os pais de Clove não deixam que ela falte um único jantar em família que acontece todas as noites, por volta das sete e meia, de segunda a sexta. Por isso ela vai embora da minha casa com pressa quando percebe que se atrasará se ficar um único minuto a mais comigo.

A pequenina já fez muito por hoje, nem ousei pedir para que ela ficasse.

Nos conhecemos desde os sete anos de idade, ela me defendeu na escolinha de uma garota que vestia roxo e queria o meu lanche. Era um típico caso de filmes clichés, mas ao invés de aparecer o cara com quem eu ficaria o resto da minha vida, foi Clove quem me salvou da valentona. Quase a mesma coisa, na verdade. Só sei que depois que ela disse que eu não daria o meu lanche para ninguém além de meu próprio estômago, deixei que ela se sentasse ao meu lado e fosse a garota com quem eu compartilharia toda a minha vida. Desde os melhores momentos aos piores deles, desde meus segredos mais simples até os mais podres. Depois disso não houve dúvidas sobre o que gostaríamos de fazer na faculdade e assim passamos para publicidade sem perder a chance de nos apaixonarmos pelo curso cada dia mais.

Estávamos juntas sempre que dava e não houve nenhum arrependimento. Nem mesmo as vezes em que tive que lhe tirar de relacionamentos furados que resultavam em Clove tão bêbada que não conseguia tomar um banho sozinha, muito menor ir para casa.

Exatamente por todas estas indas e vindas que mesmo ela tendo exposto, sem consentimento, para minha mãe que estou grávida não consigo ficar brava com ela. Porque uma hora ou outra eu teria de dizer para minha mãe o que a festa de Gale causou em mim. O único erro foi o da minha geradora: ter ido até a casa dos pais de Peeta para lhes contar algo que não era de seu domínio, não era de seu direito. Então se tem com quem eu preciso me emputecer, este alguém é a minha mãe, sendo ela a pessoa que é.

Por isso que quando ela chega, já estou agarrando uma almofada, de braços cruzados, cabelos presos e pijamas, pois sei que nossa conversa não vai ser nada legal. Muito menos civilizada.

— Amor, eu sei que você precisa conversar, mas fale o que precisa com a mente aberta. Eu sou sua mãe, sabia o que estava fazendo e as consequências que poderia causar com meus atos — ela começa, colocando as mãos na altura dos ombros em rendição.

Claro que eu não puxaria uma arma do estofado do sofá para atirar nela, mas sei que esta briga a atingirá como se fossem balas de verdade. Nós nunca tivemos uma discussão séria, mas o ambiente cheira a confusão e sei que meus pelos arrepiados significam alguma coisa.

— Não, mãe, você não sabe das consequências que poderia ter provocado falando para a senhora Mellark que eu estou grávida do filho dela — falo para ela.

Continuo sentada no pequeno sofá e ela se mantêm à cinco ou quatro metros de distância. Não é mesmo recomendável que ela chegue perto.

— Filha…

— Não, mãe, você não sabe. Apesar de ter engravidado de mim quase com a mesma idade da que eu estou grávida, não quer dizer que você saiba tudo e que tenha mais experiência. Meu pai foi um grande merda por ter te deixado, mas ele nem chega aos pés do Peeta. Você não sabe o que aquele garoto é capaz de fazer e falar!

— Então me diga — ela pede, soltando seus cabelos loiros do coque apertado que ela usa todos os dias para trabalhar. — Se ele é tão ruim assim, vocês não teriam feito esse filho.

— Eu não sabia, okay? — largo a almofada. — Não sabia que ele tem uma namorada e que consegue ser o cara mais escroto e insuportável de todos os tempos. Ele basicamente comparou a nossa renda mensal com a dele e disse que não sou digna de ter um filho para colocar o sobrenome Mellark. Você acha que isso é pouco? Não parou por aí — balanço os dedos em sinal de não. — Ele disse que o bebê não pode ser dele, disse que ter um filho meu seria uma vergonha para a família dele como se eu carregasse a doença mais nojenta de todos os tempos pela rua e ainda chamou um pequeno bebê de coisa. Então não, mãe, não acho que o que a senhora fez foi a atitude mais coerente e correta de toda a sua vida.

— Amor, eu sinto muito se te magoei por ter dito para a avó do seu filho que o neto dela já foi concebido — ela diz, intocável. —, mas o que é que eu poderia ter feito. A família Mellark estava a duas casas de distância e eu sabia que você não falaria nada diretamente com os pais do Peeta por ter esse coração bom e achar que todos vão pensar que você só quer se aproveitar deles e do dinheiro que eles têm.

— É exatamente por causa disso que não era para você ter falado nada, mãe. As pessoas vão falar, isso é óbvio, elas vão ser maldosas comigo e com o bebê assim como Peeta foi. Eu não me importo se você acha que o que fez foi certo, porque não foi e essa sua decisão afetou tudo que os próximos nove meses poderiam ser — afirmo. Levanto-me rápido e fico a sua frente. Minhas lágrimas já rolaram e as dela estão prestes a cair.

— Você pode me desculpar? Eu não queria que fosse assim — ela diz, caminhando até mim. Ela tira a água do meu rosto e acaricia minhas bochechas.

— Talvez um dia, mãe, mas não agora.

Ela concorda com a cabeça relutante e esfrega meus braços desnudos, sinto que ela vai me abraçar, mas a campainha soa e o barulho ecoa por todo o ambiente.

— Está esperando alguém? — lhe pergunto e ela retorce o rosto, virando-se e caminhando até a porta. — Mãe?

— Sinto muito, filha, mas a senhora Mellark insistiu.

— O que foi que vocês fizeram? — me atento.

Ela nem faz questão de responder, pois em seguida abre a porta e deixa que um certo loiro entre em nossa casa.

Peeta está diferente de tudo que já vi. Usa uma calça jeans velha rasgada, uma blusa cinza com um certo desenho na frente, chinelos de dedo e segura uma garrafa escura de cerveja com as mãos. Ele dá alguns goles e faz uma leve saudação com a garrafa para minha mãe.

— Acho melhor deixar vocês sozinhos para conversarem — ela diz e eu arregalo os olhos. Estar junto de Peeta pela segunda vez no dia é a pior coisa que alguém poderia pedir.

Tiro alguns fios da minha franja do rosto, mas não faço a mínima questão de refazer o meu despojado penteado. Metade do cabelo já está solto e emoldurando as laterais do meu rosto, mas, mesmo assim, está parecido comigo, está uma bagunça assim como eu.

— A que devo sua horripilante presença? — pergunto-lhe ignorante.

Ele dá um bom gole em sua bebida antes de abrir os braços e dar de ombros.

— Minha mãe insistiu para que eu viesse.

— E eu insisto para que vá embora.

— Porque? Não quer que eu veja o estado horrível em que você se encontra? — ele ri, debochado. — Ou tem vergonha de que eu veja melhor os detalhes de onde e como você vive?

— Se veio aqui para insultar, Peeta, a gente não vai chegar a lugar nenhum — afirmo.

— Não é como se eu quisesse ir para algum lugar com você, de qualquer modo.

Isso não vai acabar bem. Não mesmo.

Notas finais
Link da música: https://www.youtube.com/watch?v=JznXx1Ns374 Link do grupo no facebook: https://www.facebook.com/groups/ProjetosCarolDantas E aí? No que será que essa conversa vai dar? Volto semana que vem. Amo vocês!