A Night Consequences
3 You || Katniss
Notas iniciais

I figured it out
I figured it out from black and white
Seconds and hours
Maybe they had to take some time
I know how it goes
I know how it goes from wrong and right
Silence and sound
Did they ever hold each other tight, like us?
Did they ever fight, like us?
— You & I – One Direction
— Parece que a bebida não afeta em nada o seu jeito de ser. Mesmo com o álcool no sangue, seu humor continua sendo desprezível — observo. Sabe-se lá quantas garrafas dessa ele já bebeu.
Ele curva os lábios sem se importar e acabo me perguntando quanto tempo conseguiríamos passar juntos sem trocarmos algumas farpas. Provavelmente muito menos do que o que seria necessário para matarmos um ao outro.
— Você deveria tomar um pouco — ele estende a garrafa para mim, oferecendo-me um pouco da bebida. — Aproveite, é irlandesa, importada, uma que você nunca mais verá de perto.
Estúpido.
— Não posso beber — dispenso.
— Quem sabe o álcool não o mate logo de uma vez — ele aponta para minha barriga. — É de graça, uma promoção, nem precisará pagar um médico para fazer o aborto.
Esfrego meu rosto com força. Mordo a língua para não o chamar de filho da puta, pois sua mãe é apenas um anjo que teve a infelicidade de parir o demônio. Mas que ele está sendo um bastardo sem coração, está.
— Peeta… — tomo um pouco do ar que acabou adquirindo o cheiro do seu perfume. — Serei bem direta: eu estou grávida sim e o filho é seu, então a menos que você queira saber dessa criança, espero que trate de prestar mais atenção na maneira com a qual fala comigo.
Ele ri antes de responder-me.
— Não vou parar de dizer o que eu penso só porque agora você é uma gravidinha sensível de merda.
— Pelo menos eu posso ser considerada um ser humano — digo, fugindo do assunto. Não faço a mínima questão de respondê-lo.
— Claro que pode, Katniss, e é exatamente por isso que somos tão diferentes — ele diz, dando um passo em minha direção. Não recuo, mas certamente teria o feito se não fosse por meu corpo estático. — Eu sou um animal. Sabe qual? O leão, o rei da selva, o animal que assusta todos os outros — mais um passo. —, aquele que deve ser respeitado e a quem os demais devem obedecer. Eu sou o leão na vida, Katniss — outros dois passos. —, então acho melhor ficar atenta aos meus movimentos. Tome cuidado.
— Será isto uma ameaça, Mellark? — questiono com nossos narizes quase colados. Vejo as chamas de ódio em seus olhos azuis e tenho certeza que os meus estão no mesmo estado.
— Como uma estudante de publicidade, precisa saber interpretar as propagandas — ele pisca e sorri malvado. — Não é isso, Cereja?
Logo depois ele cai sobre mim e aperta sua boca na minha.
O gosto forte da cerveja passa dele para mim, o que faz com que eu o empurre para longe com toda a força que tenho. Limpo meus lábios com as costas das mãos, cheia de força, sem piedade, mesmo sabendo que os sentirei latejar pela brutalidade.
— Nojento! — grito.
Ele apenas gargalha de mim, ignora minha raiva e dobra-se sobre seus joelhos como que se tudo que aconteceu fosse a maior piada das nossas vidas, como se fosse o melhor show de stand-up comedy que já existiu na face do planeta Terra.
— Deixe de ser fresca e diga logo o que quer! — ele se revolta, ignorando tudo que fez e gritando como se eu tivesse quebrado o item mais precioso de seu quarto arrumado. — Seja rápida, garota, porque eu não tenho todo o tempo da vida para ficar aqui.
— Acho que você é muito burro ou bateu a cabeça quando criança, Peeta. Aprenda de uma vez por todas que eu não quero nada de você — conto-lhe o óbvio. — Não percebeu que esse foi o dia mais longo de todos, justamente porque você fez questão de estar presente a cada segundo que se passava, jogando suas indiretas bestas de ensino fundamental e atormentando todo e qualquer estado sóbrio que eu poderia ter?
Ele bate a garrafa completamente vazia numa pequena mesinha alta que temos na sala e juro que quase a vi se desmontar só pelo uso da força excessiva do loiro.
— Entenda uma coisa: eu também não gosto de passar um único minuto com você, mas, mesmo assim, você continua me perseguindo. Parece que eu tenho um ímã de problemas, que sempre te traz para perto de mim — ele aponta.
— Ah, claro, como se eu estivesse supersatisfeita — debocho.
— É por sua causa que estou aqui.
— Não seja mesquinho, veio até aqui porque sua mãe te obrigou, pois é isso que você é no final das contas, Mellark: filhinho de papai mimado que acata as ordens dos seus pais só para não perder o ganho mensal da tonelada de dinheiro que você pode ganhar. — estalo os dedos. — Acorda, você não é melhor do que ninguém. Nunca se esforçou para ter ou conseguir alguma coisa.
— E você fez? — ele pergunta, vermelho de raiva. — Estuda em uma universidade ridícula que não vai fazer a mínima diferença no seu currículo e trabalha numa lojinha de quinta só para dizer que é independente.
— Ao menos eu não estudo numa faculdade que aprova quase todos os alunos que estão nela, simplesmente pelo medo de que os pais dos alunos possam fazer uma reclamação e colocar um processo milionário nas costas do dono que vai perder dinheiro com certeza, além do mais, eu consegui o emprego por conta própria, algo que gente da sua laia nunca saberá o que é.
Agarro meu próprio pescoço numa tentativa de me acalmar. Não estamos conversando como pessoas normais, não estamos sozinhos em casa e não conseguímos concordar em uma coisa sequer. Se fossemos capazes de ficar dois minutos em silêncio, já ajudaria muito, mas sei que qualquer respiração mais alta que um de nós der, o outro vai, simplesmente, reclamar de jeito feroz e começar outra briga, mais uma discussão.
Que pessoa é capaz de aguentar tanto estresse num único dia? Se houver, preciso que me apresentem, pois não vai demorar para que minha cabeça exploda.
— Olha só, Katniss, isso não vai dar certo! — ele afirma. — Eu não vou assumir essa criança pelo único motivo de saber que você só está focada no dinheiro que vai conseguir tirar de mim.
Sério? Não tem nada melhor para dizer não?
— Pelo amor de Deus, Peeta! Eu já disse e repito: não quero nada de você! Não quero seu dinheiro.
— O que você quer então, porra? Do que precisa? — ele berra. — Ser incluída na minha família que não é!
— Eu não estou pedindo por nada, eu não quero que dedique cem por cento do seu tempo para ficar comigo! Apenas peço que aceite o fato de que esse bebê é seu também e que pare de falar comigo assim. Não quero que o bebê ganhe seu dinheiro, quero que ele consiga sua atenção! — respondo.
— Mas eu tenho uma vida, Katniss! — ele continua gritando comigo. — Eu não posso largar tudo, eu tenho uma família para olhar e uma faculdade para fazer!
— Eu não estou dizendo que você precisa ficar longe de sua família e muito menos que precisa recriar a sua vida para que mais duas pessoas entrem nela, Peeta.
Ele respira com força, seu rosto tomado pela cor vermelha e seus olhos azuis que antes me enfeitiçaram agora só fazem-me ter mais raiva dele. Não é como se eu fosse a responsável por toda essa situação sozinha.
Não fiz um bebê com o dedo!
— Eu vou perder tudo — ele fala.
— Tudo o que? — questiono incrédula. — A popularidade, o dinheiro, a vaga na universidade? Você pode muito bem virar as costas para qualquer coisa nessa vida, mas é só mostrar seu cartão de crédito que tudo se resolve.
— Você fala como se tudo fosse fácil.
— E você age como se a realidade fosse impossível — rebato. — Não adianta você tentar colocar as mudanças da sua vida na mesa quando elas nem ao menos se comparam com o que os próximos nove meses vão acarretar na minha. Sou eu que estou grávida, sou eu que carregarei um bebê para cima e para baixo, é a minha barriga que vai ficar cada vez maior. Eu não ligo para o que as outras pessoas vão dizer, Peeta, mas eu não posso agir como se eu fosse a Alice e estivesse no País das Maravilhas, não posso mentir a esse ponto. Eu não queria um filho agora, entende? Sei que você também não, mas sou eu que vou precisar parar de estudar e provavelmente só poderei voltar a cursar alguma coisa daqui a alguns anos enquanto você se forma e exerce a profissão dos seus sonhos por todo o país. Saia com os seus amigos, beije sua namorada rua à fora, tenha a vida feliz que você tanto quer ter, mas não fale comigo como se você fosse o sofredor da história, pois sabemos que não é.
É a verdade. Peeta terá tudo enquanto eu continuarei com nada.
Sem faculdade, sem trabalho, sem apoio, sem o pai do meu bebê, só um filho… Nosso.
— Me desculpe… — ele sussurra, relutante. Sua voz foi tão baixa que pensei que tivesse sido imaginação minha, mas ele disse mesmo. Não o farei repetir, porque sei que Peeta não vai baixar a guarda outra vez.
— Peça desculpa para si mesmo, eu não preciso disso. Preciso da sua atenção, Peeta, preciso da sua ajuda e do seu apoio — suspiro sem achar outra saída. — Eu não consigo fazer isso sozinha.
— Vou arrumar um jeito de conciliar melhor as coisas.
Concordo levemente com a cabeça, contudo sei que isso não significou que ele aceitou essa nova realidade de pai. Peeta não está no pico da sinceridade e da honestidade. Dizer que vai tentar conciliar as coisas pode não significar nada.
— Já conversou com a garota que você traiu? A Madge? — suspiro.
— Isso não é da sua conta. — ele responde duro. — Meu relacionamento com ela não tem nada a ver com você.
Balanço os ombros.
— Não me importo mesmo com essa relação amável que vocês dois possuem.
— Como é? — ele pergunta com o cenho franzido. — Amável?
Ele ri debochado.
— O que foi?
— Deixe de ser burra, garota. Pessoas como eu e a Madge não temos nenhuma relação realmente amorosa, é tudo parte dos negócios das nossas famílias. Ela se atraca com o Hawthorne direto e eu jogo meu charme para qualquer mulher que está à minha frente — ele bufa, sem vergonha.
— Isso devia ser motivo para se ter vergonha.
— Diz isso porque ainda não viu o estado em que está agora.
Meus olhos lacrimejam e não deixo que nada escape até que ele tenha virado-se e saído da minha casa. Me sinto pesada quando a porta se fecha, então agarro a parte superior da garrafa escura que estava na mesinha e a jogo com força na parede.
Os pedaços se multiplicam e se espalham por todo lugar. Não me importo com nada, não me importo com Peeta, não me importo com os vizinhos, não me importo com a possível terceira guerra mundial que eu e o Mellark podemos travar durante os meses, só estou me sentindo tão cansada e desprezada que nem sinto que já me deitei no sofá mais uma vez e que choro de novo.
— Está tudo bem, amor — minha mãe sussurra, acariciando minhas costas e meus cabelos bagunçados. Está tudo uma loucura. — Pode chorar à vontade que vai fazer essa dor passar.
Talvez não tenha o que passar, talvez não tenha dor, só o puro e frio arrependimento de ter deixado meu corpo traidor ceder aos encantos do Peeta, ceder ao belo tom de azul de suas íris mágicas. Foi um erro que talvez eu precise aprender a lidar, pois foi um erro carregado de consequências, parecido com uma árvore cheio de flores a florescer, cada pétala um estresse, uma briga, cada arranjo uma lágrima e toda a árvore um conjunto desastroso da minha vida.
Uma série desastrosa. Uma vida desastrosa. Nove meses amargos que causarão a maior mudança em mim.
Algo tão amargo quanto o chá que minha mãe preparou para mim.
— Beba tudo e só então fale — ela aconselha.
Fico aliviada por ela já ter se trocado e estar tão confortável em seu pijama de algodão quanto eu. Aprecio seu carinho enquanto assopro repetidas vezes a bebida fumegante na xícara em minhas mãos e dou leves goles calmos do relaxante líquido que aquece meu corpo e acalma meu coração. Parece que esse tempo concentrada no chá fez com que o baú de sentimentos fosse aberto e que cada um deles tivesse aceito voltar para o seu devido canto.
Não nos importamos com os cacos de vidro que estão a nossa direita. Eles não importam, pois estou muito mais quebrada que eles.
Puxo algumas almofadas para perto de mim e monto uma fortaleza ao meu redor. Aninho-me nos braços e no pescoço de minha mãe, sentindo o calor de seu corpo e ouvindo os primeiros pingos de chuva caírem no chão granuloso da rua.
— Entende agora o porquê de eu achar que sua decisão de contar aos Mellark sobre minha gravidez foi precipitada? — sussurro para ela.
Sua massagem em meu couro cabeludo me faz querer pegar no sono, mas apesar de toda a confusão do dia, ainda está cedo. Precisamos conversar e decidir o que faremos com todas as mudanças que esse bebê trará consigo. Não vai ser fácil.
— Eu sinto muito — ela se desculpa. — A mãe dele é uma mulher tão suave, tranquila e gentil que jamais imaginei que o filho dela poderia dizer e fazer coisas como as que fez agora. Quase não dá para acreditar que são dá mesma família, é bem surreal.
Concordo com ela. Peeta é o completo oposto da Sra. Mellark.
— Gravou o nome dela?
— Effie Trinket Mellark — sinto minha mãe sorrir. — Precisa ver a elegância com a qual ela se veste, Katniss. É tão branco, tão belo que não duvido muito que aquela mulher acorde já usando aqueles cílios postiços e parecendo as mulheres das novelas internacionais que vemos na televisão — ela suspira sonhadora. — É tão… Diferente. Acho que não consigo compará-la com ninguém, nem mesmo com a minha chefe.
— A família Dusley passa mais tempo em hotéis do que na própria casa, mãe — afirmo sobre a família que empregou minha mãe. — E eles são do meio campestre. Não sei como conseguem tanto dinheiro vendendo e comprando terras vazias.
— Pediremos para que eles nos ensinem, então — ela ri.
— Acho que nós somos mais para aquelas pessoas que ganham na loteria, colocam quase todo o dinheiro nos paraísos fiscais da Suíça e aprendem a ganhar ainda mais dólares comprando e vendendo euro, muita gente ganha a vida comprando dinheiro — torço a boca. —, mas é estranho só de falar.
Ouço ela suspirar.
— Nossas famílias são tão diferentes, Katniss — ela observa cautelosa. — É tão estranho pensar que eu poderia ter te dado mais e agora preciso comparar a nossa vida atual com a que o pai do meu neto tem.
O carinho em meu cabelo para, mas não saio do lugar.
Eu nunca quis realmente saber como foi que meus pais se conheceram, como eles reagiram ao saber que estavam grávidos de mim e muito menos como foi que ele acabou se separando dela, mas sei que minha mãe me criou com muito esforço e sem nenhuma família que estivesse ali por ela, estendendo a mão quando ela precisava e oferecendo ajuda num momento tão delicado como a gravidez. Então agora mesmo ela tendo me decepcionado e se interferido na minha vida de maneira tão drástica, sei que não é justo culpá-la.
Ela fez por mim o que minha avó não fez por ela: correu atrás de um futuro melhor para mim, mesmo que eu ache que o dinheiro não é o que vai fazer com que eu tenha uma melhor oportunidade social e trabalhista. Não se for com o dinheiro da família do Peeta.
— Eu não quero que a senhora pense em nenhum momento que eu estou grávida do Peeta por dinheiro, mãe, isso nunca!
— Eu sei.
— E era exatamente por isso que eu não queria que ninguém soubesse, não queria contar para ninguém, gostaria de guardar isso por semanas até que minha barriga estivesse tão grande a ponto de ser impossível negar que estou grávida.
— Eu fiz todos os seus planos saírem de seu controle — ela constata, suspirando.
— Eu nem mesmo tive tempo para criar um plano, mãe. Eu não consegui conversar com você direito. Clove abriu o bico e a senhora acabou fazendo o mesmo que ela, tudo num único dia. Eu não tive tempo para pensar, fazer um esquema de como eu vou cuidar da minha vida, como vai ser a faculdade e como vou conseguir dinheiro o suficiente para comprar as coisas de um bebê. Um simples pacote de fraldas que seja muda todo o nosso orçamento do mês, mãe. Eu nem mesmo sei se o Snow vai me deixar empregada por muito mais tempo.
Com a visão periférica vejo que ela concorda comigo e que alisa sua testa levemente enrugada. Preocupação. Sabemos que não vai ser fácil ter um novo integrante na família e mesmo tendo um dinheirinho extra no fim do mês, não tem como nos garantirmos. Ter uma criança é sinônimo de gastos na certa. Não há nenhuma chance de nos virarmos bem com essa nova notícia sem um planejamento consistente.
Com tudo que aconteceu hoje, não dá para saber se algum dia terei um momento consistente.
— Eu entendo, filha, e peço verdadeiramente que me perdoe pelo que fiz — ela diz. — Eu compreendo seu ponto de vista e aceito suas decisões.
— A partir de agora vamos conversar melhor antes de tomar qualquer decisão e atitude, certo? — pergunto-lhe, levantando a cabeça e olhando para seu rosto sereno. — Promete?
— Claro que prometo.
Sorrio e a envolvo em meus braços num abraço bem apertado. Éramos só nós duas e tínhamos uma ligação incrível, o que fazia com que eu sequer cogitasse um terceiro integrante em nosso círculo de amor, amizade e complacência. Porém esse novo bebê que virá já nos mostrou lados nossos que nem eu e minha mãe conhecíamos uma da outra.
Nossa jornada de aprendizagem mal começou e já nos rendeu frutos. Então deixo que a árvore cresça com mais força, com mais vontade, pois o adubo que a faz mais saudável é a confiança que eu e minha mãe temos uma na outra. Precisamos aprender a lidar com nossas decisões e suas temíveis consequências e é isso que estamos fazendo agora, é isso que continuaremos fazendo por um bom tempo.
Então quando o telefone de casa toca, não nos mexemos, pois é o momento em que nós concordamos que não dá mais para deixar que outras pessoas nos aconselhem a fazer coisas desnecessárias. É o momento onde não há interferência externa, somos só nós e é o que eu mais poderia querer.
Abracei-a de lado e fomos para o seu quarto. Há muito que não dormimos juntas, mas agora aprecio a oportunidade de poder fazê-lo, pois foi o dia mais complicado, estressante, controverso e extenso da minha vida. Espero que nenhum dos próximos seja como esse.
— Vai dar tudo certo — minha mãe sussurra quando já estou para cair no sono.
— Eu sei. Confio em você.
Na manhã seguinte, me sinto melhor. Não vejo nenhum resquício da garrafa que quebrei, não há nenhum caco e nem mesmo algum pontinho brilhante de vidro que possa ter sido esquecido enquanto a bagunça era varrida para longe.
A sala está impecável, não carrega mais o perfume de discórdia e ódio da noite anterior. Talvez a sala seja um reflexo do meu interior agora. Estou me sentindo mais organizada, centrada e até mais confiante.
Não há sentindo para ficar nervosa e muito menos motivo para relembrar tudo de ruim que já me foi dito. Eu não vivo em função da aprovação de Peeta Mellark. Vivo para mim mesma e, agora, para meu bebê. Nada mais importa, além disso. Nada.
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