Notas iniciais
Bôôôônus saaaaaaiiiiiiiiiiiiiiiindo! Numa quarta- feira SIM. Avisei lá no grupo o porquê, se você ainda não está lá, corre! O link está sempre nas notas finais. Boa leitura.

Waking up, half past five
Blood on pillow and one bruised eye
Drunk too much,
You know what I'm like
But you should've seen the other guy
This ain't the right time
For you to fall in love with me
Baby I'm just being honest
And I know my lies
Could not make you believe
We're running in circles that's why

– Dark Times — The Weeknd Feat. Ed Sheeran

Cinco e meia da manhã levanto-me da cama fria que eu usei por apenas dois ou três minutos; Tempo suficiente para que eu calçasse meus tênis. Saio de casa sem comer e nem levar nada comigo além do celular e das chaves do carro. O céu ainda está escuro e não há quase ninguém nas ruas, além alguns trabalhadores que acabaram de se despedir de suas famílias e agora seguem para seus empregos e da parte fitness da cidade que caminha e corre na companhia de seus amigos caninos.

Não estou na rua para um motivo nobre e saudável como o deles e é por isso que saio da garagem com a Land o mais rápido que consigo. Minha mãe faria um questionário comigo se me visse saindo a essa hora e ainda reviraria seus olhos quando soubesse que meu destino é a casa de Madge.

Acontece que nem ela sabe o porquê de eu ter essa espécie esquisita de relação com a Madge. Ela fica com o Hawthorne e eu com qualquer uma que me pareça ser um bom motivo para gastar uma noite. Meus pais são donos de uma das maiores empresas de tecnologia do Mundo, os dela grandes produtores de microchips. Estivemos um tempo juntos apenas por interesse, onde a família dela financiava muitas coisas para a minha, porém depois que nos livramos da necessidade excessiva de estar ligado à família Undersee, eu não precisava estar mais com ela.

O que aconteceu? Nada.

Não terminamos. Continuamos nessa espécie de namoro furado que temos até hoje. Ela tem seus casos, eu tenho os meus, a classe alta pensa que somos um casal feliz que vive sobre pétalas de rosa, a classe baixa vê o quão nojentos e impuros somos ao nos dar para outras pessoas mesmo tendo o título de namorados pairando sobre nossas cabeças.

Não importa, na verdade.

Todo o ser humano é o sujeito podre na oração. Estamos todos com o umbigo sujo e mesmo assim nos importamos em apontar para outras pessoas, como se elas fossem os imundos e não nós. Costumamos nos olhar no espelho todos os dias e sorrimos ao ver o quão belos somos e o quão maravilhosa a vida pode ser para nós, porém, quando alguém falha ou se mostra diferente, somos os primeiros a ascender em nossos cérebros os piores xingamentos e opiniões quando – em muitas das vezes – agimos de maneira pior e deplorável diariamente.

Não me tiro dessa explicação, claro. Sou um dos primeiros a julgar o próximo. Sou um cara podre por dentro e por fora. Não sinta pena, eu mesmo não tenho isso de mim. Nem pena, nem ódio e muito menos vergonha. Sou mais um na estatística e não estou interessado em sair dela.

— Meio cedo, não? — Madge pergunta quando bato a sua porta.

— Tenho certeza que já estava acordada.

Passo por ela e entro em sua casa. Não tenho mais nenhuma formalidade com ela. Seus pais estão viajando a mais de três meses, então a não ser que seus empregados já estejam de pé, esperando por suas ordens, aqui não tem mais ninguém além de nós dois.

Caminho até sua cozinha, abro sua geladeira e abro uma das Guinness que ela comprou. Katniss estava errada ontem a noite, eu não estava bêbado e nem com os pulmões cheios de tabaco, mas ela não precisava de explicações. Eu não estava disposto a dá-las, de qualquer maneira.

Bebo da garrafa enquanto Madge joga seus cabelos loiros para trás dos ombros, puxa um cigarro Benson para mim e um Sampoerna para ela. Ponto para você, Katniss. Com o isqueiro, ela os ascende rapidamente e acabamos por brindar com nossos cilindros de fumo.

— Você não fuma o cigarro, o cigarro que fuma você — ela cita alguma propaganda que grupos de apoio costumam dizer para os viciados.

— Então que eles nos apreciem o mesmo tanto que nós os apreciamos.

Ela concorda e dá uma boa tragada. Quem não a conhece, jamais imaginaria que ela consegue fumar com tanta facilidade. Essa loira aí não é nenhuma inciante não.

Depois de fumarmos quase todo o cigarro e tomarmos mais da metade da cerveja, deixamos as coisas de lado. Saímos da cozinha em passos silenciosos e antes que possamos alcançar as escadas para ir até o seu quarto, eu puxo sua cintura para trás e deixo que sua bunda bata com força em minha pélvis.

Ela geme, eu sorrio. Agarro seus cabelos com a mão direita e puxo sua cabeça para o lado, só o suficiente para que o seu pescoço esteja totalmente livre para mim. Beijo-lhe a traseira da orelha e desço meus lábios até que eles cheguem à alça de sua blusinha de renda e seda.

— Você está com o cheiro de outro homem — sussurro. Ela se arrepia e treme em meus braços. Dou um leve puxão no tufo de cabelo loiro que seguro e aperto sua cintura com força. Ela geme, safada. — E mesmo assim não deixa de cair por meus encantos.

— Sabe que ninguém faz como você — ela ri.

Empurro seus pés para frente, ela caminha meio dura por não ter total controle do seu corpo, mas se apoia na parede com cuidado quando a coloco contra ela.

— Com quem esteve esta madruga, Madge? Tenho certeza que ainda não conseguiu dormir.

Ela se nega a falar, rindo. Coloco-a de frente para mim, ela sorri diabólica, mordendo os lábios que eu faço questão de atacar. O cigarro deixou-lhe com gosto de cravo e menta, porém não deixou seu gosto costumeiro sumir. Madge tem gosto de antigo, de conhecido, gosto de… usado.

— Com o Hawthorne — ela responde sem fôlego.

— Foi o que imaginei.

Viro-me e caminho até sua sala, jogo-me no sofá e ela ainda demora um tempo para aparecer. Está, com certeza, tomando tempo para se recompor.

Descanso meus pés na mesinha de centro, passo meus braços para trás da cabeça e fecho os olhos. Estou cansado, não durmo faz dias – no caso, noites.

— Mas e você, garanhão — ela ri, sentando-se na poltrona de couro marrom do pai. Sorte que o senhor Undersee não sabe o que já aprontamos com ela. — Com quem passou a noite?

— Com a Everdeen.

Ela estranha.

— Everdeen? Sério? — concordo, mesmo não sendo uma completa verdade. — Eu a vi ontem. Está com aparência cansada e cada vez mais gorda. Você consegue coisa melhor, Peeta, sinceramente. Que decepção.

— Não fiquei com ela ontem, Madge.

— Ah, não?

Nego.

— Fiquei com ela na festa do seu queridinho Gale Hawthorne.

— Isso já faz quase três meses, Peeta.

— É por isso que ela está gorda — explico. Madge demora um tempo para entender, mas quando parece ter pego o raciocínio seus olhos se arregalam, seu rosto fica vermelho. Parece que ela vai me matar. — Ela está grávida. De gêmeos.

— Você é o pai?

— Sou.

Ela fica em silêncio. Respiro fundo.

Enfim, ela gargalha.

— Você sendo pai? Conta outra, Peeta. Isso é estúpido demais.

Cruzo os braços.

— Não é brincadeira, Madge. Ela está grávida, eu sou o pai e são dois bebês — pontuo.

Ela fecha a cara. Aqui vamos nós.

— Veio até aqui para me dizer isso? A essa hora da manhã, Peeta? É mesmo sério? Porque eu acho que estou fazendo papel de idiota aqui.

Recolho meus pés, arrumo minha postura e sento-me ereto. As coisas vão esquentar.

— Sabe que eu posso mentir muito bem quando quero, mas não agora, Madge. Ela está grávida e é isso — dou de ombros. — Não há mais o que fazer.

— Porque não pagou um aborto para ela? Deixa de ser burro! Essas crianças vão destruir a sua vida.

— Você acha que eu não sugeri isso? Ela não é como nós, Madge. Não é fácil convencê-la de nada, ainda mais de matar duas vidas que estão dentro dela.

Ela se remexe na poltrona, mas não desiste de argumentar. Parece que eu e ela estamos decidindo a vida de Katniss e dos meus filhos, como se dessa conversa fosse sair a fórmula mágica que pudesse resolver todos os nossos problemas. Isso não é real, é uma fodida estupidez e uma rajada de egocentrismo.

— Você consegue tudo que quer, Peeta. Então tome vergonha na cara e vá convencê-la a abortar aquelas coisas. Esse é o certo a se fazer.

Fixo meu olhar nela. Que tipo de pessoas somos nós?

— Acho que já não há mais certo ou errado, Madge. Não existe nenhuma ferramenta que vá fazê-la desistir da gravidez.

Ela permanece em silêncio. Sua pele branca, bochechas levemente rosadas assim como seus lábios e o cabelo claro, poderiam classificá-la como um anjo, mas sua mente trabalha a mil por hora, não confio nas coisas que ela pensa e muito menos nas que faz.

— Tudo bem — ela diz, entrelaçando seus dedos. — Mas sabe que a sociedade vai cair matando em você.

— Não há nada que eu faça que você não faz também, Madge — afirmo, seus olhos faiscando. — Sabe que a única que pode sair mal falada daqui é você.

— Como é?

Rio, irônico.

— Todos sabem que nossa relação é uma faixada ridícula para algo que nem mesmo nós sabemos o porquê de existir. Não importa se eu engravido uma ou quinhentas mulheres, você vai ser a crucificada. É você que tem um namorado que engravidou outra mulher, é você que tem que correr para os braços de outro porque não consegue nada de útil comigo, é você que sai fazendo pose por aí por estar integrada à família Mellark… — mostro-lhe a verdade, coloco as cartas na mesa. Deixo-a com cara de taxo, nunca nos tratamos com tanta sinceridade. — Se liga, Madge Undersee. Nessa vida machista que temos, você é quem sai perdendo e não eu.

O sol aparece atrás de seu corpo e traz consigo toda a euforia raivosa para o corpo de Madge. Se pudesse, ela me esfaquearia. Uma passagem só de ida para o céu, ou inferno talvez, nunca se sabe.

Levanto-me do sofá e passo por ela sem nem olhá-la. Quando estou saindo de sua casa, ela vem atrás de mim, segura a porta e encara-me nos olhos antes de dizer:

— Sua vida e sua atitude me enojam, Peeta. Você é um monstro.

Nego com a cabeça. Aproximo-me dela, toco seu nariz com sutileza e ela nem mesmo recua. Típico da Madge, não esperava mais dela.

— E mesmo assim, sei que nunca desistirá de mim. Eu sou a sua segurança, eu quase seguro a sua mão para atravessar a rua. A cidade inteira pode se deixar enganar por esse jeito de madame que você tem, mas eu não. Te conheço, loirinha — sorrio. —, dessa vez você perdeu.

Volto para o meu carro, ela bate a porta de casa e eu só consigo pensar que cometi um erro: esquecer a caixa de cigarros e as garrafas de cerveja lá dentro.

Notas finais
Link da música: https://www.youtube.com/watch?v=0zIP3kg8DNQ Link do grupo no facebook (fanfics): https://www.facebook.com/groups/ProjetosCarolDantas Link do grupo no facebook (originais): https://www.facebook.com/groups/RomancesCarolDantas Link da versão original no Wattpad: https://www.wattpad.com/story/56451669-consequ%C3%AAncias-de-uma-noite Eu sei, EU SEI que ficaram chateados com a notícia de que ANC vai ser excluída um dia. Mas eu repito: UM DIA! Não vai ser amanhã e nem semana que vem. Não posso garantir uma data, mas também não quero que sumam. Se forem sumir, avisem. Porque aí eu PARO de postar, porquê eu coloco muita coisa aqui, postar no Nyah! não é simples para mim não, é muito trabalhoso. Se forem sumir, eu paro de ficar me desgastando aqui e posto só no Wattpad. Sério mesmo.