A New Soul In Wonderland.

8 Passado Sombrio e Presente Doloroso, Literalmente.


Notas iniciais
Este capitulo é mais um pequeno trexo da vida do Chapeleiro Louco e digamos assim um palinha do que Diana futuramente irá passar.

Meus olhos ardiam por causa do fogo e fumaça, a explosão foi muito forte e pelo que pude ver o trem explodiu sobre uma ponte estranha que agora provavelmente estava por completo destruída.

-Um de meus grandes feitos foi destruído! Morram os responsáveis por esta afronta! –Gritava o Chapeleiro e enquanto caiamos um em cima do outro o Chapeleiro sobre Barbosa e eu sobre ele tecnicamente um embaralhado de corpos.

-Sai de cima de mim pirralho e pouco importa o que houve com o trem o que interessa agora é simples e claramente o fato de que eles pensam que estamos mortos! –Disse Barbosa enquanto saiamos um de cima do outro e depois sacudindo a poeira da roupa e a água dos sapatos, havíamos caído em um pequeno rio quase seco cuja água nem ao menos chegava a meus joelhos.

-Para você é só um trem Ecktor, mas para mim não é! –Berrou o Chapeleiro enquanto andava pisando duro, o segui.

-Por-por que se importa tanto com aquele trem? –Perguntei com receio gaguejando.

-Diana você gosta de historias? –Perguntou ele suspirando
pesadamente antes disto.

Sim... –Falei enquanto seguíamos caminhando pelo rio mesmo.

-Então se prepare por que esta historia é longa. Depois que
Alice venceu a Rainha Vermelha a Rainha Branca me nomeou seu conselheiro, na verdade eu só dava idéias para melhorar a vida das pessoas em Wonderland, então sugeri a ela varias coisas as quais de inicio ela não aceitou, mas aos poucos consegui convencê-la e entre estas idéias estava o projeto do Caminho da Fumaça que antigamente era chamado de Expresso de Wonderland. –Disse ele massageando as têmporas.

-E por que o nome agora é Caminho da Fumaça?-Perguntei gostando do rumo da conversa.

-Por causa de tudo que aconteceu aqui, por conta da volta do rei e do rompimento da Linha de Ouro. –Explicou ele.

-Entendo.

-Continuando, eu levei meses para que ela aceitasse a idéia e anos para que o projeto fosse aplicado já que um trem que percorre um pais inteiro não pode ser pequeno e teríamos que fazer muitas mudança um exemplo em Flinsh cujo trem teve que passar bem no meio da cidade... Entre outros problemas e agora ver uma de minhas razoes de orgulho ser destruída como se fosse um nada não é nada gratificante... –Disse ele enquanto eu travava no lugar vendo o quanto ele estava triste.

-Sinto muito... –Falei em tom quase inaudível.

-Vejam só, como ele esta dramático hoje... –Disse Barbosa
parando ao meu lado. –Este moleque chorão já passou por muita coisa apesar de tudo... –Disse ele mais para si mesmo do que para mim. –Mesmo não querendo demonstrar ele está muito preocupado com tudo que vem acontecendo como se não
bastasse tudo que já lhe aconteceu segundo aquele gato idiota...–Disse ele retomando a caminhada.

-O que quer dizer com “se não bastasse tudo que já lhe
aconteceu”? –Perguntei alcançando-o.

-Bem Senhorita há pouco tempo o Chapeleiro Louco estava preso em um lugar que Valery colocava suas vitimas e lá foi terrivelmente torturado... –Disse ele sorrindo maliciosamente. –Em todos os sentidos... Por baixo destas camadas de roupa que escondem seu corpo e sua alma a muitas cicatrizes feitas com ferro quente, laminas e palavras, sem contar às perdas que teve... Ver seus amigos morrer diante de ti é algo muito desagradável ou ver cenas que deixariam o estomago do homem mais forte do mundo se revirando loucamente não acha? –Ele
se aproximou de mim e sussurrou em meu ouvido. –Quer saber como o coelho perdeu o olho? –Perguntou ele enquanto meus olhos quase saltavam das orbitas, como uma pessoa pode falar este tipo de coisas tão naturalmente?

-Vão ficar ai por quanto tempo? –Perguntou o Chapeleiro que estava subindo em uma corda que dava para a margem do rio.

Barbosa e eu subimos em seguida e apesar de meus desequilíbrios e minha mente vagando entre as palavras de Barbosa conseguimos ficar bem.

-E agora Moleque? –Perguntou Barbosa enquanto ajeitava seu chapéu.

-Bom se continuarmos reto chegaremos a The Mound City. –Disse ele apontando para uma colina bem alta.

-The Mound City? –Perguntei.

-Literalmente A Cidade da Colina. –Esclareceu-me o Chapeleiro voltando a caminhar em um ritmo um pouco acelerado.

Demora muito pra chegar lá? –Perguntei já que estava com uma incomoda dor no pé direito.

-Um pouco, por que? –Perguntou o Chapeleiro aparentemente preocupado.

-Meu pé esta doendo muito. –Falei observando a sola de meu pé que estava manchada de um vermelho vivo.

-Droga! Foram os cacos de vidro! –Disse ele enquanto eu mancava para me sentar em um tronco de árvore que estava jogado em algum canto que nem fiz questão de reparar por causa da dor muito forte.

-E agora? –Pergunte pressionando um determinado ponto de onde escorria mais sangue. –Acho que entrou alguma coisa lá dentro!

-Você acha? Eu tenho certeza! –Disse o Chapeleiro retirando a cartola e pegando um grampo de seus cabelos escorridos.

-O que vai fazer? –Perguntei começando a me assustar com sua aproximação repentina.

-Tape os ouvidos Barbosa! –Disse o Chapeleiro enfiando o grampo em meu pé sem prévio aviso.

Gritei, mas gritei muito e ao mesmo tempo acertava socos e chutes do rosto pálido do Chapeleiro que não esboçava reação alguma, aos poucos senti algo escorregando para fora de mim e cortando meus nervos foi a primeira vez que senti tanta dor em minha vida, foi ai que eu notei o quanto era fraca e como eu tenho sorte por não ter passado pelo que o Chapeleiro passou em seu passado sombrio, entretanto estava impossível me concentrar no passado quanto o presente é doloroso, literalmente.

Notas finais
Bom esta doideira de retirar caco de vidro do pé é impossivel!(Eu acho)
E realmente a dor de pisar em cacos de vidro e ainda um entar lá dentro é horrivel! Experiência propria!