Notas iniciais
Este capitulo é para esclarecer alguns pequenos fatos, e lá vem mais um personagem original!

-Para de gritar e de me bater já acabou! –Disse o Chapeleiro
enquanto enrolava faixas em meu pé apesar de eu não saber de onde veio isto.

-Fala assim por que não sabe a dor que estou sentindo! –Berrei
lhe acertando um chute na face propositalmente.

-Bom agora que tudo foi resolvido os namoradinhos podem parar de
brigar? –Perguntou Barbosa voltando a caminhar enquanto eu me levantava agora sem sentir tanta dor só mancando um pouco o Chapeleiro mostrava a língua para o capitão que estava de costas para nós.

-Como este cara é chato! –Disse o Chapeleiro falando em bom tom
propositalmente.

-Eu não acho... –Falei com sinceridade já que para mim que não
conhecia nem um pouco Barbosa ele até que estava sendo digamos assim gentil.

-Fique com ele durante três dias, ai eu quero ver o que vai
achar... –Disse o Chapeleiro fechando os olhos e empinado o nariz por algum motivo.

-Ele é tão chato assim? –Perguntei curiosa.

-É e você é curiosa assim como Alice... –Disse ele enquanto eu fazia bico ele era a segunda pessoa que dizia aquilo para mim.

-Não gosto que fiquem me comparando... –Sussurrei.

-Quem disse que estou te comparando? Só disse que você é curiosa assim como Alice. –Disse ele enquanto eu me irritava, não gostava que ficassem falando o tempo todo em Alice mesmo não a conhecendo.

-Se isso não é comparar então o que é? –Perguntei avançando
deixando-o para traz.

Fiquei a observar tudo, aquele lugar era calmo, verde e úmido, o
barulho do rio me era interessante na verdade tudo era interessante em
Wonderland já que no filme tudo era restrito a uma pequena área para mim que era basicamente a floresta, o lugar onde o Chapeleiro tomava chá com os outros entre outros poucos lugares que não eram assim tão interessantes.

Enquanto observava as coisas não pude deixar de reparar que o
rio de repente ficava agitado e a água clara agora era de um negro estranho, maligno como se só um simples toque na água pudesse te levar para a morte.

-Acho que nossa carona chegou. –Disse o Chapeleiro com um
sorriso de orelha a orelha enquanto tomava a dianteira e ao longe a pesar da neblina que se formava pude ver um pequeno barco e uma figura escura em pé sobre ele com um remo em mãos conduzindo o barco a margem enquanto o Chapeleiro descia o pequeno morrinho escorregando e logo se atirou na figura assustadora abraçando-a fazendo assim o capuz desta cair e revelar uma cabeleira loira com mexas na cor azul.

Fiquei observando os dois abraçados ainda sem ver o rosto da figura misteriosa que retribuía de maneira carinhosa apesar do aspecto assustador.

-Obrigado por atender ao meu pedido Viktor. –Disse o Chapeleiro
afastando-se da figura revelando um rosto bonito, meio corado, olhos castanhos, lábios finos e arroxeados, uma pequena cicatriz quase que imperceptível abaixo do olho esquerdo e mãos delicadas que no momento erguia a cartola do Chapeleiro provocando-o já que este era um pouco mais baixo.

-Quem é este moleque? –Perguntou Barbosa enquanto eu dirigia-me a seu lado.

-Este é Viktor Scott, ele trabalhava para a Rainha Vermelha antes de Alice chegar aqui pela segunda vez, entretanto ele se redimiu e agora esta do nosso lado e como eu sou uma pessoa realmente incrível e já imaginava que nossa viagem de trem não duraria muito decidi avisá-lo... –Disse ele colocando a mão sobre o peito em um gesto convencido, me impressionei com sua mudança repentina de humor.

-Muito prazer... –Disse o garoto loiro com uma voz angelical nos
oferecendo a mão a peguei cumprimentando-o e me apresentando, Barbosa recusou o cumprimento, entrando no barco estendendo a mão para mim para que eu entrasse.

-Como você o avisou? –Perguntei ao Chapeleiro com a voz seca já
que ainda estava um pouco zangada com ele.

-Na realidade foi mais um comunicado por pensamento... –Disse o
garoto começando a remar sem dificuldade, fiquei impressionada ele estava levando um barco com quatro pessoas e ainda contra a correnteza que estava mais forte bem diferente de quando caímos ali.

Sentei-me e fiquei esperando o tempo passar enquanto minha mão
deslizava pela água ainda escura e o Chapeleiro falava algo com Viktor, comecei a prestar atenção na conversa já que não havia nada mais a fazer.

-Então o nome dela é Diana e vocês estão procurando Alice, mas
antes vocês vão a Anthony Cawley salvar os gêmeos que estão sobre o domínio de Violeta? –Perguntou o Viktor enquanto o Chapeleiro confirmava com um aceno de cabeça.

-E eu acho que Anthony Cawley é o esconderijo de Valery, e talvez só um talvez seja ela que seqüestrou Alice... –Disse o Chapeleiro colocando sua cartola sobre a cabeça de Viktor em um gesto que estranhei.

-É uma boa suposição mesmo assim é só uma estimativa... –Disse o Viktor observando o Chapeleiro com um olhar tristonho. –Você esta com medo não é? –Não compreendi as palavras dele á principio. –De que Alice morra...

Baixei o olhar e tapei meus ouvidos, tecnicamente, tudo estava
estranho, enquanto eu me perguntava se o motivo de eu estiver ali era salvar Wonderland ou salvar Alice... Não que eu me incomode com isso, mas se for isso mesmo eu quero ouvir da boca das criaturas aqui as palavras, eu acho que é uma necessidade... Mesmo sendo estranha é necessário...

Eu pensava enquanto sem querer caia em meu estranho mundo de
sonhos:

“Estava tudo escuro e eu ouvia alguém chorar, enquanto sensações
desagradáveis atingiam-me todas misturadas... Medo, inveja, ódio, raiva, dor...Ciúmes e egoísmo.

Para distanciar os sentimentos da cabeça comecei a correr apesar
de não saber se era mesmo eu ali já que não sentia que aquele corpo era meu.

Parei embaixo de uma luz que apesar de ser só um pequeno feixe
iluminava-me foi ai que eu vi minhas roupas, brancas, e minhas mãos manchadas de um vermelho vivo, isto me assustou e para não ver aquilo me virei tentando escapar deparando-me com uma garota loira ensangüentada era ela que estava chorando... De repente ela avança em mim, ela queria me matar...”

Acordei assustada, suando e observando minha volta de maneira
enlouquecida, aos poucos fui me acalmando e olhei para cima e vi que havia anoitecido, tentei me levantar, mas senti algo apoiado em meu colo, era o Chapeleiro...

-Ele sempre foi um folgado... –Disse uma voz conhecida vinda de
um canto próximo, era Viktor que remava, eu pude ver seu sorriso apesar do escuro.

-Há quanto tempo o conhece? –Perguntei afastando cuidadosamente a cabeça do Chapeleiro de mim.

-Tempo suficiente para saber que ele já tentou se matar... –Disse ele assustando-me. –Brincadeira...

-Muito engraçado... –Falei irônica.

-Eu o conheço a cerca de... Sei lá uns quarenta anos... –Disse
ele enquanto eu arregalava os olhos, aquilo era impossível, o Chapeleiro não podia ser tão velho ou podia?

-Mas vocês são tão jovens! –Falei enquanto sentava-me no barco.

-É só fachada... E você há quanto tempo o conhece? –Perguntou
ele enquanto eu fitava as estrelas e uma fenda estranha roxa no céu.

-Bom... Eu acho que a mais ou menos um dia... –Falei brincando
com uma mexa de meu cabelo castanho claro que no momento me parecia sujo de tudo quanto é coisa. –O que é isso no céu? –Perguntei a ele já que estava muito inquieta com aquela suposta rachadura.

-Você não sabe? Bom isso é a conseqüência do rompimento da Linha de Ouro... E se não resolvemos isso logo, salvando Alice para que ela faça um pedido a Coroa Vermelha e assim tudo volte ao normal. –Neste momento senti como se uma adaga atravessasse meu peito, então era essa a razão pela qual todos ali falavam tanto dela e se preocupam desta forma.

-Co-como assim? –Perguntei gaguejando por conta da culpa.

-Bem somente Alice pode botar ordem nisso aqui... Então se ela
fizer o pedido certo a Coroa Vermelha que além de dar poder de governar os mundos também realiza pedidos tudo pode se acertar... –Disse Viktor concluindo.

-Oh... Entendo. –Falei abraçando meus joelhos e escondendo meu
rosto entre eles, sentindo culpa.

-O que você tem criança...? –Perguntou Barbosa enquanto eu me surpreendia pensei que ele estivesse dormindo.

-Pensei que estivesse dormindo. –Falei sem erguer a face apertando as mãos.

-Menina, não minta para mim, eu sei bem que você supostamente se esqueceu de minha presença. –Disse Barbosa e logo soltando um riso baixo.

-Desculpe. –Confessei levantando o rosto.

-Mas então menina o que você tem? –Perguntou ele sem demonstrar preocupação.

-Acho que culpa... –Respondi desanimada.

-Vamos ter que parar aqui. –Disse Viktor chutando o Chapeleiro
enquanto este gemia.

-Por que? –Perguntei curiosa.

-Por causa daquilo... –Disse ele apontando com sua mão quase
esquelética para um tronco que impedia a passagem de barco. –Não estava ali antes. –Disse ele enquanto eu observava preocupada ainda sentindo culpa.

Notas finais
Bom eu pessoalmente gosto tanto de Vitor com C,K ou só Vitor mesmo e Scott foi só pra combinar tanto com o nome tanto com o personagem.