Notas iniciais
Demorei um pouquinho né? E é aqui que começa um grande problema.

Viktor encostou o barco na margem, sai dele imediatamente um pouco estabanada, pois a muito não mexia minhas pernas, então não me foi surpresa cair no rio ficando ensopada já que aquela parte do rio era bem mais funda do que a que estávamos no princípio.

-Tome mais cuidado Didi... Pode acabar se afogando... –Disse o Chapeleiro enquanto ele e os outros dois saiam do barco e eu emburrada por vários motivos tentava não cair novamente.

-Eu sei nadar! –Retruquei seca; o sentimento de culpa ainda me atormentando.

-Mesmo sabendo nadar dependendo de onde esteja pode acabar morrendo... –Disse Barbosa sombriamente oferecendo-me sua mão como apoio.

-E agora o que faremos? –Perguntei ao lado de todos enquanto observava as estrelas que brilhavam estranhamente.

-Consegui trazer-los até Flinsh então acho que podemos ir até lá passar a noite e depois damos um jeito de prosseguir com nossa viajem... –Disse Viktor retirando a longa capa negra revelando roupas diferentes que por conta da falta de luz só pude ver os contornos...

-Me parece um bom plano, mas convenhamos que talvez não sejamos bem recebidos, já que pelo que me lembro Flinsh é uma das cidades que está sobre o controle do Rei. –Disse Barbosa sua voz áspera como sempre.

-Exato, entretanto tenho meus meios... –Disse o Chapeleiro sombriamente.

-Sinto muito se não confio meu pescoço a você... –Falou Barbosa enquanto eu previa uma briga então decidi intervir perguntando:

-Nós não íamos a The Mound City?

-Íamos, mas como Viktor nos ajudou não houve necessidade... –Disse o Chapeleiro.

-Agora que já nos decidimos vamos em frente? –Perguntou Viktor tomando a dianteira a passos largos.

Ficamos em silêncios e enquanto caminhávamos hora ou outra eu observava o céu estrelado, parecia que algo me seguia provavelmente era algo irrelevante já que apesar de estar em Wonderland não consigo imaginar alguém perdendo o tempo me seguindo; a escuridão era agradável apesar de tudo, que estranho, em meio a tantos problemas eu me sinto estranha, como se algo estivesse me mudando aos poucos; suspirei longamente chamando atenção dos três a minha frente. Olharam para mim, mas logo ignoraram voltando a mirar a estrada.

O tempo foi passando e aquela sensação tão estranha a meu ver não passava além da culpa por ter encarado mal as intenções do Chapeleiro.

-Que coisa irritante! –Esbravejou o Chapeleiro virando-se para mim com um olhar mortal retirando uma espécie de luva que possuía garras de prata reluzentes em um tamanho médio de seu colete substituindo uma de suas luvas brancas por esta em segundos. –Apodreça maldito! –Estremeci quando ele se aproximou de mim, pensei que ele ia me matar então pensando que seria menos doloroso olhar fechei meus olhos e logo ouvi gritos ensurdecedores, entretanto graças a Deus ou qualquer um que teve pena de mim não eram meus eles vinham de traz de mim, arrisquei e abri meus olhos deparando-me com o rosto do Chapeleiro pouco afastado do meu e estampado neste um sorriso sádico acompanhados de um olhar sombrio e satisfeito ao mesmo tempo; os gritos cessaram e o Chapeleiro retirou o braço que estava a menos de cinco centímetros de meu pescoço e se endireitou ao mesmo tempo, senti medo aquele olhar era frio e apavorante agradeci a falta de luminosidade e quis estrangular o Capitão Barbosa quando este de algum modo acendeu uma tocha enquanto eu por pura burrice e curiosidade virei-me para encarar uma cena horrenda.

-O que seria isso? –Perguntou Barbosa cutucando com o pé o corpo estranho enquanto este se mexeu levemente sozinho.

-Purple Demon...

Encarei a figura ofegante, ela era roxa, com garras negras, partes de seu corpo estava com os ossos à mostra, exalava de seu corpo um odor desagradável enquanto o sangue escurecido se acumulava em uma poça a sua volta e a cabeça quase decepada possuía a forma muito similar a de um humano menos pelos dentes que pareciam com os de um tigre dente de sabre.

-Eu acho que vou vomitar... –Falei enquanto sentia uma tremenda reviravolta no estomago e minha cabeça girar inacreditavelmente.

-Você só tem quatorze anos então eu não esperava outra coisa... –Disse Viktor com uma risadinha tímida enquanto eu me perguntava como ele podia saber minha idade e por que todos ali pareciam ser assassinos sanguinários tão derrepente.

-Por que você fez isso com ele... –Perguntei já tendo um palpite.

-Ora, ele estava te fazendo mal tentando confundir sua mente, entrar em sua cabeça entre outras coisas. Foi ele quem fez você ter um pesadelo lá no barco... –Disse o Chapeleiro enquanto eu encarava-o assustada, como ele poderia saber de tudo. –Esta é uma capacidade dele... Manipular... Estas criaturas vêm da fenda entre as dimensões, claro que Wonderland nunca foi um país pacifico, mas bestas assim não apareciam todo dia. –Concluiu o Chapeleiro, sua voz no tom costumeiro de sempre animado mesmo nas horas mais impróprias.

-Devemos partir logo isso irá decompor-se e o cheiro vai ser insuportável! –Disse Viktor Prosseguindo enquanto agora o caminha estava visível por conta da tocha de Barbosa.

Começamos a caminhar novamente só que desta vez o Chapeleiro estava mais próximo de mim enquanto eu me arrepiava lembrando-me da cena que vi a pouco.

-Diana, se sente melhor agora? –Perguntou ele enquanto eu o encarava com uma expressão provavelmente muito engraçada no rosto.

-Claro que estou! Eu não acabei de ver um monstro ensangüentado e decapitado a segundos. –Falei meio irônica.

-Estou perguntando se agora não esta com o peito tão pesado sua cabeça dura. –Disse ele enquanto cruzava os braços no peito ficando serio.

-Sim me sinto melhor.

-Acho que não por muito tempo... –Disse Viktor chamando nossa atenção para uma cidade que estava um pouco distante de nós em chamas.

-Maldita Valery! –Disse o Chapeleiro irritando-se enquanto eu observava as chamas que mesmo a uma distancia não muito pequena podiam me fazer sentir o calor dali onde estava.

Notas finais
Até o proximo capitulo!Reviews?