A New Soul In Wonderland.
7 Objetivos.
Notas iniciais
-Ah! Que saudades! –Dizia o Chapeleiro enquanto andava pelos vagões estranhos do trem onde haviam pessoas feitas de fumaça sentadas em bancos, me pareciam fantasmas.
-Você já veio aqui? –Perguntei o obvio.
-Fui eu quem deu a idéia de criar um trem que leve para todos os lugares de Wonderland!-Disse ele rindo enquanto abria uma porta que dava para outro vagão e Barbosa observava os supostos fantasmas que nem mesmo se mexiam.
Atravessamos para outro vagão idêntico ao anterior sem dificuldades, entretanto este estava vazio.
-Sentem-se! –Disse o Chapeleiro sentando-se em um dos bancos de couro vermelho sem se importar em ser o mais folgado possível.
Barbosa sentou-se frente ao Chapeleiro enquanto eu hesitava e pensava em qual lado iria sentar, optei por sentar-me ao lado de Barbosa já que o Chapeleiro se deitou ocupando o banco todo.
-Barrigudo me diga você esta procurando por Jack ou pelo Perola?–Perguntou o Chapeleiro cobrindo um pouco do rosto com a cartola.
-Só estou em busca de respostas. –Disse ele sorrindo falsamente.
-Ah sei... Bom vai nos ajudar em nossa missão ou vai descer em outra parada? –Perguntou o Chapeleiro enquanto eu me sentia ignorada por alguma razão.
-Não pretendo arriscar meu pescoço se é o que quer saber, mas sim irei com vocês. –Disse Barbosa retirando uma maçã verde de seu casaco envelhecido e logo a mordeu arrancando um grande pedaço.
-Didi me diga por que esta ajudando Wonderland? –Esta pergunta me pegou desprevenida, eu estava fazendo tudo isso por que afinal?
-Bom... No começo foi para achar Helen depois eu acho que é somente para poder voltar para casa meus pais devem estar preocupados... –Falei duvidando de minhas palavras.
-Tem certeza? –Perguntou o Chapeleiro fitando-me com os olhos arregalados como se me desafiasse.
-Para onde vamos? –Perguntei desviando do assunto e de seu olhar, não que eu não estivesse interessada em saber para onde iamos.
-Bom nós vamos para Anthony Cawley¹... –Disse o Chapeleiro enquanto eu erguia uma sobrancelha em duvida.
-Anthony Cawley? –Perguntei me ajeitando no banco enquanto o trem parava.
-Anthony Cawley é a nona parada do trem, é uma vila pequena onde vivem apenas crianças e por esta razão a levo em consideração... –Disse ele me fazendo ficar confusa no final.
-Levar em consideração? –Perguntei sem entender as palavras ditas por ele há pouco.
-Sabe Senhorita Diana Valery era membro de minha tripulação há muitos anos e apesar da maldade que a nela esta tem certo carinho por crianças e sempre deseja estar perto delas... Então o moleque folgado presume que seu covil seja ali... –Explicou-me Barbosa.
-Ou que pelo menos aja alguma pista de algo seja lá o que for neste lugar. –Disse o Chapeleiro sorrindo coçando o queixo enquanto o trem parava novamente.
-Compreendo... Vocês, se não for pedir muito, poderiam me explicar o que exatamente a Valery está planejando? –Perguntei lembrando-me que o Coelho branco havia me dito que os piratas estavam atrás de uma tal de coroa vermelha...
-Bom Valery está atrás da Coroa Vermelha como você já deve saber... E para consegui-la ela está disposta a tudo inclusive seqüestrar criaturas. –Disse o Chapeleiro e ao pronunciar o nome “Valery” fez uma expressão de nojo, enquanto em minha mente uma idéia absurda se formava: “Será que o Chapeleiro tem alguma ligação mais profunda com Valery?” Sacudi a cabeça tentando me livrar da idéia já que Valery pertencia ao mundo de Barbosa como este mesmo alegou.
-Mas... Onde está e o que é esta tal Coroa Vermelha? –Perguntei tentando encaixar as coisas em minha cabeça um tanto quanto confusa.
-Bom dizem que a Coroa Vermelha está escondida em Wonderland e ela é um objeto mágico e quem possuí-la controlará tudo sem exceções pelo que sei... –Disse Barbosa enquanto o trem parava mais uma vez.
-Só faltam seis agora. –Disse o Chapeleiro sorrindo sombriamente.
-Creio que estamos em Flinsh²?–Perguntou Barbosa entre afirmação e duvida.
-Na verdade estamos em Cookie With Sugar³. –Disse o Chapeleiro enquanto eu pensava em como Wonderland era um lugar estranho. –Flinsh é a sexta parada.
-Compreendo. –Disse Barbosa olhando pela janela do trem fiz o mesmo deparando-me somente com imagens destorcidas devida a grande velocidade em que o trem andava.
-Que estranho... –Disse o Chapeleiro que prensava seu roso contra a janela.
-O que é estranho? –Perguntei meio nervosa.
-O trem está indo rápido demais... –Sussurrou Barbosa serio.
-Acho que eles nos acharam... –Disse o Chapeleiro puxando-nos para o centro do vagão antes que alguma coisa roxa estraçalhasse a janela.
-Mas o que? –Perguntei sentindo-me ser puxada pelo braço direito para outro vagão.
-Didi já ouviu falar em Purple Demons* ? –Perguntou o Chapeleiro nervoso abrindo porta pós porta com uma força espantosa.
-Não! O que foi isso agora? –Perguntei enquanto tentava não pisar no vidro que estava espalhado pelos vagões por conta das janelas que estouravam a cada segundo que se passava.
-Tem alguém nos seguindo! –Gritou Barbosa. –Provavelmente não querem que cheguemos ao nosso destino! –Gritou ele e logo depois ouvi tiros seguidos de estalos estrondosos.
-Essa não! –Disse o Chapeleiro parando de súbito enquanto os estalos predominavam e o trem balançava mais que o normal ao meu ver.
-O que é isso?! –Perguntei me segurando no Chapeleiro para não cair.
-Didi eu acho você nunca pulou de um trem em movimento quase caindo... Não é? –Disse ele e logo em seguida estávamos atravessando uma janela arrebentada enquanto eu escondia meu rosto no peito do Chapeleiro após ver o trem explodir e tudo ficar em tons de vermelho, amarelo e laranja...
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