A New Smile - A Nova Visão de uma História Antiga
3 The Hero Thing
Notas iniciais
Pov. Jessica
"...Considere como outro último pedido de meu pai..."
Charlie me observava esperando uma resposta, assenti confirmando o que ela tanto queria, era mais fácil descobrir mais sobre ela daquela maneira, mais seguro de impedi-la se ela tentasse agir como o pai, seu sorriso era de satisfação com o ato. — E você, Walker, tire os arquivos da IGH e esse tal Simpson da sua cabeça, está ficando insuportável — ela exclamou se virando pra Trish, a assustando, logo seu olhar voltou a mim. — Eu posso ter esquecido de mencionar, mas sim eu posso ler mentes, Jessica, normalmente eu escolho a pessoa, mas eu estou ferida, fraca — Uma risadinha de escárnio pôde ser ouvida por nós duas — Sem o controle dos meus próprios poderes...
Trish terminou de enfaixar o braço dela e com um resmungo avisando que iria ver se eu tinha algo decente para que ela vestisse, Charlotte voltou para o meu quarto enquanto Walker me puxava para a cozinha
-Ela é perigosa, Jess...- minha amiga sussurrou pra mim, ela estava assustada, assim como eu, admito, que também estava, ainda assim, a olhei nos olhos — eu sei, Trish...- Respondi e então a segurei pelos ombros. — Mas ela não é como o pai dela, eu acho que ela só está assustada, sozinha, eu também estava, você lembra.
Antes que eu pudesse continuar, o som dos passos de Charlotte se aproximaram — Eu estava pensando...Que tal um experimento? — Ouvimos sua voz antes de ver seu rosto aparecer na porta da cozinha e logo pude testemunhar ela se direcionando a minha mesa, abrindo uma das gavetas — um dos grandes benefícios de ler mentes, eu posso absorver informações, como...- ela abriu a gaveta com dificuldade com a mão direita, uma careta de dor passando por seu rosto por um instante.
–Charlie, você...
–Só Deus sabe o quanto eu odeio esse nome, me chame de Kara, Charlie é um código...- Kara puxou uma das pastas pra fora da gaveta, jogando na mesa, o que fez com que alguns dos papéis ali dentro se espalharem pela mesa — O caso dos irmãos "desaparecidos", eles não estão desaparecidos e sim em Nova York, eles fugiram do pai
Me aproximei dela enquanto a mesma abria a pasta e pegava algumas das fotos, dos dois irmãos e algumas da família reunida. — Olhe aqui, o pai tem histórico de alcoolismo e a mulher o traiu, péssima ideia, está vendo os cortes na garota e na mãe — Assenti, me juntando na análise, as duas possuíam cortes que desciam de seus bíceps até o antebraço, a maioria pequenos e sutis, e também em seus pescoços e alguns mínimos no rosto. — O pai o fez, o garoto, Tom não é mesmo? — Dessa vez foi Trish que assentiu — ele foi defender uma delas e recebeu essa bela cicatriz no braço, eles fugiram por medo do pai, ou seja, o verdadeiro culpado está em casa tomando sua cervejinha a espera dos filhos, parasita...
Estávamos paralisadas, olhando pra garota entre nós que continuava observando as fotos, parecendo pensar em algo mais, sendo puxada de volta a realidade somente quando o som de Malcolm entrando pôde ser ouvido.
–Coloque na cozinha e traga — me um pouco d'água — Comandou se sentando com um suspiro, fechando os olhos, cansada, quando o copo d'água foi trazido, ela voltou a abrir os olhos, o verde neles um tanto opácos. — Vá arrumar suas coisas, Jessica
Mesmo que detestasse a sensação, não havia muito o que fazer senão obedecer.
Pov. Trish:
Jess deixou o ambiente me deixando a sós com Kara, de quem eu estava com muito medo, mas ainda assim, um tanto fascinada. Ela agora estava com seu celular em mãos, como qualquer adolescente, como se fosse a coisa mais normal do mundo ela ser capaz de ler nossos pensamentos com tanta facilidade.
–Você realmente se importa com o tal policial, o Simpson — ela quebrou o gelo, levantando seu olhar pra mim, de certa forma ela me lembrava de Jessica quando nos conhecemos. — Mas Jessica vem primeiro, ela sempre vem em primeiro não é? Eu queria ter esse benefício
–Qual benefício? — Malcolm questionou adentrando o ambiente e se sentando no sofá, o mulato parecia receoso na companhia dela. — o de ter alguém, que eu coloque em primeiro lugar, éramos só meu pai e eu, agora...- Ela parou de falar, mordendo seu lábio inferior, que tremia, como se abordar tal assunto a matasse aos poucos. — doí, sabe? Eu sinto saudades dele...
Ficamos em silêncio, mas não um silêncio amedrontador como antes, e sim de cumplicidade, todos ali sentiram a dor de uma perda, sempre perderíamos alguém, algo e até a nós mesmos, mas naquele momento parecia que mesmo que algo acontecesse compreenderíamos esta dor.
–Vamos logo resolver esse assunto, você vai me ajudar Kara — Jessica exigiu ao entrar no escritório, algo que pareceu agradar a garota — Malcolm você terá que cuidar das coisas um pouco, se estiver tudo bem. — Claro — ele respondeu levantando do sofá. — vocês não vão levar as compras?
–Eu mando alguém buscar — Charlie explicou puxando das costas da cadeira de Jess uma das jaquetas dela, logo vestindo, com certa dificuldade por conta do curativo em seu braço. — precisamos ir...
Seguimos em silêncio pelo corredor ao sair do apartamento e descemos de elevador, que parecia um tipo de máquina de tortura devido ao silêncio, me despedi de Jessie e troquei um olhar e um sorriso compreensivos com a garotinha, a tempo de ouvi-la afirmar:
–Está na hora de bancar a heroína...
†‡†
Pov. Kara:
Depois de nos despedirmos de Trish, Jessica e eu ficamos esperando meu motorista Hank, não estava em condição de caminhar, ainda que o endereço que iríamos fosse a poucas quadras dali, ele não demorou a chegar num belíssimo Rolls Royce Classic 2015. — Rua Jefferson com a Divine, número 2421 — Indiquei o número assim que embarquei no veículo. — Agora.
Hank pisou fundo no acelerador e me recostei no banco, entediada, coloquei meus fones em meus ouvidos e dei play em Heathens do Twenty One Pilots, eu só queria abafar tudo, ouvir os pensamentos de todos por quem o carro passava e o de Jessica também, estava acabando comigo e me dando uma terrível dor de cabeça.
–15, eu tenho 15 anos, faça as contas — Disse, sabendo que foi repentino, e quando ela me olhou, seu olhar era assustado, o que se dissipou ao lembrar de minha habilidade, me despertando um riso baixo e leve. — todo mundo esquece disso, você não é a primeira e nem vai ser a última
–Mas como? — Sua pergunta me pegou desprevenida por um momento, às vezes era fácil esquecer que muitas pessoas ganharam suas habilidades, enquanto eu nasci e cresci com elas. — Como você conseguiu esses poderes? — Verbalizou o que tinha em mente.
–Minha mãe, ela tinha esses poderes, pelo que meu pai disse, nunca cheguei a conhecê — la — Expliquei, engolindo o bolo que queria se formar em minha garganta, no instante seguinte eu estava mandando uma mensagem para o meu "contato".
Depois de poucos minutos e com uma freada que sinceramente foi um tanto violenta, estacionamos em frente a casa do casal que contratou Jessica, os Graham. Desembarcamos do carro sem muitos problemas e subimos os poucos degraus que levavam até a porta de entrada, Jessica já estava erguendo sua mão para bater quando a olhei. — Espere mais cinco minutos — Comandei, a impedindo de cometer alguma besteira.
Pov. Jessica:
Olhei pra ela sem realmente entender, mas obedeço sem protestar, com aquela simples frase ela havia me colocado sob seu controle, a espera é pontual, em cinco minutos, um rapaz cego, de cabelos castanhos e um terno preto se aproxima de nós com um sorriso no rosto.
–Não vive sem mim, não é mesmo, Kara — Falou em um tom brincalhão, subindo os degraus rapidamente — Por quê viveria? — foi a resposta da morena, sorrindo quando seu olhar foi do rapaz para mim. — Jessica esse é Matt Murdock, um grande amigo meu, um ótimo advogado e Matt essa é Jessica Jones, a moça que eu te falei
–É um prazer finalmente conhecer a mãe da Kara — ele disse me estendendo a mão, a apertei, um tanto espantada pelo fato de Kara ter me apresentado a ele como sua mãe, ele pareceu notar, pois sorriu compreensivamente enquanto a garota atrás dele levava a mão a ponta de seu nariz. — ei, é que ela fala de você como se fosse a mãe dela
Charlie permanecia em silêncio, seu rosto pintado de vermelho pela vergonha, se recompondo logo que notou meu olhar, pigarreando para chamar a atenção do rapaz. — Trouxe o que pedi? — Questionou. — Claro, aqui está — ele mostrou um documento para ela.
–Então, Jessica, sinta — se a vontade pra bater na porta — Obedeci, foram necessárias apenas algumas batidas para que a mulher que me contratou a abrisse, vestindo um avental sobre um vestido. — Saia da frente, senhora, queremos falar com seu marido. — Repentinamente, um tom frio havia tomado a voz de Kara, como acontecia com seu pai. A mulher obedeceu, assustada, e nos guiou até a sala, onde havia uma poltrona no centro da sala, na qual o senhor Graham estava sentado, enquanto bebia e gritava com a tv.
-Sr. Graham, o senhor desligará a tv e virá até nós — Kara ordenou sem realmente parecer se importar — Jessie, bata nele
Ela não precisava nem ter pedido.
Pov. Kara:
Eu observava aquele homem sangrar, indiferente, os fones em meus ouvidos tocando uma nova música, da mesma banda, a cada soco, uma nova ferida se abria e ele ficava mais perto de ficar inconsciente, eu podia muito bem deixar que Jessica o matasse, mas não valeria de nada. — Já chega Jessie, Matt, por favor
Matt levou alguns instantes, mas me passou o papel e uma caneta — obrigada. — Murmurei e meu olhar foi até o traste que agora estava deitado no chão. — Agora, Sr. Graham, assine essa ordem de restrição, pegue suas coisas e deixe essa família em paz
Ele se levantou com dificuldade e assinou a ordem de restrição, finalmente seguiu para o quarto onde provavelmente estavam suas coisas. Minha atenção se tornou totalmente da esposa. — A senhora está livre para contatar seus filhos! — Exclamei, ouvindo em sua mente, seu alívio por estar livre do marido. — Mas antes, é claro, peço que a senhora pague os outros 50% do que Jessica cobrou
A loira pareceu mais do que feliz em pagar pelo serviço, e logo, Matt, Jessica e eu deixamos a casa, insisti em pagar um táxi para o meu amigo, e depois de muita insistência, quando o veículo chegou, me despedi dele e seguimos para o nosso transporte, onde Hank nos esperava, para finalmente nos levar pra casa.
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