Notas iniciais
Eu acho engraçado que eu colocava títulos em inglês em quase todos os capítulos de todas as histórias que escrevia tendo um conhecimento super básico do idioma, simplesmente porque eu gostava. eu era uma criança de 14 anos, muito idiota.

Pov. Kara:

Mi casa es su casa, Jessica, sinta-se a vontade. — Falei educadamente quando entramos na residência, tirando com certa dificuldade a jaqueta da morena de meu corpo, para logo a pendurar no cabideiro ao lado da porta no hall de entrada, limpo meus pés no tapete e tiro meus sapatos, ficando somente com as meias enquanto observo Jessica seguir até os diplomas pendurados ao lado da escada. — são seus? — Sua pergunta me causa um sorriso orgulhoso enquanto assinto.

–Todos eles, sociologia, psicologia, física e química, são minhas maiores paixões — Expliquei e bati com o indicador e o médio levemente na minha têmpora. — Como eu disse antes, leitura de mentes tem esse grande benefício

Ela meneia a cabeça e eu a deixo ali, seguindo rapidamente para a cozinha, onde também havia feito algumas mudanças, havia conseguido eletrodomésticos novos e mais modernos e havia substituído todas as bancadas e o piso, madeira nunca ia bem em uma cozinha de estilo industrial. Suspirei e abri a geladeira, pegando uma garrafa d'água, sentia minha garganta um tanto seca pela diferença no clima.

Tomei o primeiro gole ainda na cozinha e então segui de volta para a sala. — Espero que não ligue pela bagunça, eu fiz algumas...- Comecei, ainda de cabeça baixa, analisando o chão sujo e alguns materiais de construção enquanto caminhava até o cômodo onde Jessica estava, ainda com a garrafa em mãos. — reformas e...

Ao levantar a cabeça, as palavras morreram em minha garganta, seca como se nem uma gota d'água tivesse passado por ela, Jessica continuava segurando a foto nas mãos, apertei o plástico da garrafa com certa força em minha mão e baixei meu olhar ao chão, eu não a deixaria ver que eu estava chorando, isso era demonstrar fraqueza.

–Deixe a foto no sofá, Jessica — Ordenei com lágrimas nos olhos e com um pouco de raiva na voz — vá para o seu quarto e durma até se sentir completamente descansada, eu preciso ficar sozinha

Ao ouvir seus passos se distanciarem aos poucos, me sentei no sofá e respirei fundo, pela boca, meu lábio inferior tremendo, peguei a fotografia e apoiando meus cotovelos em minhas pernas, deslizei os polegares pela imagem dos dois, as lágrimas corriam livremente pelo meu rosto quando abracei o quadro, os mantendo perto do meu coração, tirando um pouco daquele insuportável peso de minhas costas.

†‡†

Pov. Jessica:

Acordo quando o céu já estava escuro, o que indicava que faziam horas que havia me deitado, me levantei e a primeira coisa que percebi foram os sons vindos do andar debaixo, sai do quarto, desci as escadas e segui direto pra sala, Kara estava ali, ainda com a mesma roupa que chegou, como já era esperado, abraçada a fotografia dos pais, com a televisão ligada e o rosto completamente manchado pelas lágrimas secas. Meu olhar sobe até o relógio na parede sobre a lareira enquanto me aproximo.

–Você deve estar cansada— falei como se ela pudesse me pudesse me ouvir enquanto tirava algumas mechas de cabelo de seu rosto, sem muita dificuldade puxei a fotografia de seus braços e coloquei na mesa de centro antes de pegá-la no colo, ela pesava bem menos do que eu havia imaginado, não que fizesse muita diferença. — 3 e meia da manhã não é hora de criança estar fora da cama — Murmurei, como minha mãe fazia quando Fred e eu queríamos ficar até mais tarde.

Levei ela para o segundo andar, direto para o antigo quarto de Fred, onde imaginava que ela havia se alojado, tendo certeza assim que abri a porta e vi que fora totalmente redecorado por ela, com algumas fotos de bandas de rock novas e até mesmo algumas antigas, como Slipknot e Nirvana, havia uma cama de solteiro desarrumada no meio do quarto, com lençóis escuros, algumas coisas largadas pelo chão como roupas e papéis e uma guitarra encostada em uma das paredes.

Claramente ela era uma filha rebelde.

Pensei a colocando na cama, ouvindo-a resmungar algo enquanto a cobria, deslizei minha mão novamente pelo seu cabelo, de certa maneira eu me via naquela garota, em seus medos e em outros aspectos, como o jeito e a teimosia, suspirei e deixei o quarto dela sem fazer barulho e desci novamente, desligando a televisão antes de seguir até a cozinha

–Eu oficialmente preciso de uma bebida — Pensei em voz alta, abrindo um dos armários e dando de cara com uma garrafa de Jack Daniel's, peguei a mesma, e com facilidade quebrei o lacre pra abri-la e tomar um gole generoso. — por quê esse tipo de loucura só acontece comigo?

Inesperadamente recebi a resposta ao observar que os utensílios da cozinha e alguns outros objetos estavam flutuando, o grito que ouço em seguida era doloroso, estridente ao ponto de me fazer derrubar a garrafa, quebrando a mesma ao subir correndo para o quarto de Kara, desviando dos objetos que flutuavam sem muito controle, finalmente adentrando o quarto.

–KARA, ACORDA — Gritei, tentando sobressair aos sons dos gritos e protestos dela, mas isso só parece piorar o que está acontecendo, pois a próxima coisa que pode se ouvir juntos aos gritos foi o som dos vidros da janela se quebrando, um deles voando direto até o meu braço esquerdo, acertando em cheio o músculo entre o bíceps e o tríceps, mesmo sentindo uma dor horrível e o meu sangue escorrendo até a minha mão, me aproximei da cama e consegui tocar a mão de Kara, estava gelada. — Charlie...

Como em um passe de mágica, tudo voltou ao chão e Charlie abriu os olhos, o curativo que Trish fizera em seu braço mais cedo tão ensaguentado quanto o corte em meu braço, ela olha justamente para o ponto onde estava a ferida, me sentei na cama e ela me abraçou, com lágrimas nos olhos.

–me desculpa, por favor, Jessica, me desculpe — Sua voz transparecia o seu medo e tristeza, então tudo que fiz foi retribuir o abraço, eu não era boa em confortar as pessoas, nunca fui, sempre havia deixado essa parte pra Trish, mas sabia que não poderia chamá-la naquele momento. — me desculpa...

Senti suas lágrimas molharem minha camiseta, e por instinto apertei-a no abraço, como se para protegê — la enquanto minha mão acariciava suas costas.

–Eu a desculpo, Kara, está desculpada...

Notas finais
Foi depois de escrever essa história que eu também me interessei muito por psicologia, principalmente por transtornos e tipos específicos de traumas, algo que vai ter muito impacto nessa versão, acredito eu.