A New Life
2 Chapter Two.
Notas iniciais
Tentei respirar fundo, mas o ar quase não entrava nos meus pulmões. Eu estava extremamente nervosa, com um medo dos infernos daquele bendito elevador despencar de vez, e tenho certeza que dessa vez ele iria para o fundo do poço, literalmente. Comecei a tremer mais e mais e, se não fosse por Liam, as lágrimas que escorriam pelo meu rosto teriam passado despercebidas.
– Hey, olha para mim... – Ele disse se afastando da parede e segurando meu rosto entre as mãos e olhando bem fundo nos meus olhos. – Fica calma, ok? Retiro o que eu disse, não estamos lascados, está tudo bem. – ele disse e respirou fundo, mas parecia que ele tinha dito aquelas palavras mais para convencer a ele mesmo do que a mim. Eu suspirei pesadamente e ele limpou minhas lágrimas, me fazendo sorrir.
– E então, o que fazemos? – perguntei, já imaginando a resposta. Mas ele me surpreendeu e puxou o celular do bolso. Eu o fitei, esperançosa, mas ele logo jogou a cabeça para trás, frustrado. – O que houve?
– Sem sinal. Droga! – ele disse e deu um murro na parede do elevador, que ecoou por um tempo, até que o silêncio dominou novamente. – Desculpe-me, foi só um momento de descontrole.
– Tudo bem... Mas já era de se esperar. Sinal de celular dentro de elevador? Pffft... – revirei os olhos e fui verificar o meu só para ter certeza mesmo, e a esperança ressurgiu. – Ei, Liam, Liam, olha! Meu celular está com sinal! – eu disse, eufórica e ele foi tão afobado checar se era verdade, que bateu a cabeça dele na minha.
– Ai! – gememos em uníssono e depois rimos, ele esfregando a testa e eu encarando o celular.
– Toma, Liam. Liga pra alguém, sei lá. Eu nem tenho pra quem ligar, na verdade. – disse e entreguei o celular pra ele. Ele rapidamente discou o número e esperou que atendessem.
POV. Liam
Assim que... Como era mesmo o nome dela? Eu nem ao menos sabia! Depois eu perguntava. Assim que ela me entregou o celular, eu disquei o primeiro número que veio em mente: o de Louis.
– Alô? Aqui é o Liam!
– Heeeeeey, Liam, seu descarado, onde você se enfiou? – perguntaram do outro lado, mas quem atendeu não foi Louis, e sim Zayn.
– Zayn, cara, você precisa me ajudar, é urgente! Estamos presos no elevador e...
– Espera, estamos? Quem “estamos”? – ele perguntou rindo.
– Zayn, é sério, é uma emergência! – eu respondi já gritando por conta do sinal. Olhei para a garota na minha frente e ela apenas me encarava sem falar nada.
– Huuuuuuuum, já entendi! Está no elevador com uma garota né?
– Sim, mas cara, escuta, eu preciso de sua ajuda.
– ESQUECEU A CAMISINHA, NÉ, SEU TARADO? – ele gritou e eu arregalei os olhos, me lembrando que aquela desgraça estava no viva voz. Olhei para ela que estava com cara de “WTF, MANO?” e eu corei até a raiz dos cabelos. Ao fundo, pude ouvir o Niall gritar “Ai, ai, esse Liam pegador!” e rindo histericamente.
– ZAYN, SEU MENTE POLUÍDA! NÃO É NADA DISSO! Larga o copo de cachaça e me escuta. Estávamos descendo e eu não sei o que aconteceu, o elevador despencou e agora ele não funciona, meu celular está sem sinal e a qualquer momento esse vai parar de funcionar também! Preciso que você avise pros outros, o pessoal do hotel, sei lá quem, cara, só acode a gente!
– Espera, isso é sério?! – ele perguntou e eu ouvi vários murmúrios do outro lado da linha.
– Você está no viva-voz agora. – ouvi a voz de Harry.
– Ah, claro. Você está no viva-voz desde o início, ouviu, senhor Zayn? – dei ênfase no “desde o início” e pude ouvir todos rindo.
– Foi mal, cara, mas se você tivesse dito antes... – eu apenas revirei os olhos e bufei, mas logo fui repreendido.
– Hey, Liam, FOCO! – ela gritou e todos fizeram silêncio, até Niall que antes estava se acabando de rir.
– Vocês estão bem? Se feriram ou algo do tipo? – Louis perguntou, voltando a si e finalmente se preocupando.
– Não, estamos bem, mas o sinal de celular está baixo e os botões não funcionam. – Observei enquanto ela analisava o teto do elevador e tentava espiar pelas frestas e ouvi Louis mandar Niall ir na recepção.
– Achamos que foram os cabos, algo assim, mas os freios foram acionados tarde demais e estamos perto do poço. Mas é apenas uma suposição, não dá para ver nada lá em cima.
Fiquei um bom tempo dando detalhes do que tinha acontecido até que Niall voltou e pelo movimento não estava sozinho.
– Liam, ainda está aí? – ouvi a voz do Adam, nosso agente. (N/A: Só inventei, bls? Ele só aparece na minha fic mesmo. KKKKK)
– Sim.
– Ótimo, tente manter o celular com sinal, tentaremos entrar em contato novamente depois. O pessoal do hotel já foi avisado e os bombeiros já serão chamados. Sente-se e aguarde. Já iremos tirar vocês daí. – ele disse e desligou sem nem me dar a chance de responder, e eu apenas encarei a garota com os olhos arregalados.
– Até os bombeiros?! – perguntei, surpreso.
– É, né. Agora é sentar e esperar. – ela disse e deslizou pelo parede, sentando-se no chão. Eu fiz o mesmo e comecei a esperar.
Algum tempo depois...
– Liam, que horas são? – ela perguntou com a cabeça caída para o lado, aparentemente entediada. Eu olhei para o relógio e respondi: — 09:25. Faz uma hora e um pouquinho desde que falamos com eles.
Ela suspirou e escorregou um pouco pela parede, ficando em uma posição que acabaria com a coluna dela em minutos.
– Ei, sente-se direito. Vai ficar com dor depois.
– É que eu estou cansada. Cheguei hoje mais cedo, atravessei o oceano e ainda não dormi para não complicar os horários depois.
– Então, vou distrair você para não dormir e me deixar sozinho. – eu disse e ela riu baixinho. – Comece me dizendo o seu nome.
– Meu nome é Jane Dayme mas...
– Espera! Seu nome é Jane tipo... Tarzan e Jane? – eu perguntei com um sorriso no rosto e ela apenas bufou e revirou os olhos.
– Exatamente. E eu não gosto muito do meu nome por isso. Me lembra de tempos ruins que vivi quando era mais nova... – ela disse com o olhar meio perdido, como se vagasse no passado.
– Que tempos ruins? – a curiosidade falou mais alto.
– Eu sofri bullying por um bom tempo, Liam. Sabe, eu nunca me achei... Bonita. – ela disse pausadamente, e eu arregalei os olhos sem acreditar no que ela disse. – Mas naqueles tempos, eu me achava horrorosa. Sempre fui muito magricela, e tinham uns... Meninos não-civilizados que ficavam me irritando, me chamando por apelidos horríveis... – Jane respirou fundo como se fosse difícil continuar.
– Que... apelidos?
– Jane Macaca era o menos pior... – ela disse enxugando uma lágrima e tentou disfarçar, apesar de eu ter percebido. – Sabe, pode parecer bobagem, mas... Não é. Pelo menos, não naquela época. Sempre fui meio frágil em relação a essas coisas, e agüentar esse tipo de coisa todos os dias, a manhã inteira era... Terrível! – ela disse deixando escapar outra lágrima, e eu tive uma insana vontade de abraçá-la, mas achei melhor ficar na minha, sem invadir seu espaço. – Aí eu mudei de cidade, e tudo melhorou... Não sofri mais nenhum tipo de ofensa e nunca mais me chamaram de Jane Macaca e os outros apelidos. Mas a simples menção do nome, já traz as más lembranças, e por isso que todos me chamam apenas de Jay. – ela finalizou e sorriu fraco. E nesse momento, eu finalmente parei para observá-la. Possuía cabelos escuros que passavam um pouco dos ombros e eram quase pretos, mas na luz dava para notar sua real cor. Sua pele era levemente morena e aparentemente macia. Seu nariz era redondo, os olhos levemente puxados e escuros, assim como os cabelos. Seus cílios eram tão longos e perfeitos que tenho certeza que ela nunca usava rímel. E seus lábios... Ah, os lábios. Rosados e carnudos, prenderam minha atenção por mais tempo do que deveria, pois quando voltei à mim, percebi que Jay estava levemente corada.
– Liam, perdeu alguma coisa em mim? – ela perguntou baixinho, prendendo um risinho.
– Ah, nada. – A encarei por mais um tempo e concluí minha linha de pensamento. Ela era simples, separadamente. A cor dos olhos era comum, o formato do nariz também. A cor dos cabelos, igualmente, porém, o conjunto... Tornava ela maravilhosa. – É só que... Você é linda. – eu disse e sorri de lado ao ver ela abaixar a cabeça e sorrir tímida.
– Obrigada, Liam. Você também... é bonito. – ela disse e escondeu o rosto nas mãos. – Enfim, podemos mudar de assunto?
– Claro! – eu sorri. – Vamos, me conte dos seus gostos. Qual seu filme preferido?
E assim engatamos uma conversa sem fim. Ela era uma garota fantástica, super simpática e sabia manter uma boa conversa. Volta e meia eu fazia ela rir e eu simplesmente adorava, pois quando ela o fazia, seus olhos pareciam sorrir junto. Depois de muito papo, ouvimos um barulho acima de nós. Instantaneamente, ela segurou no meu ombro e eu me agarrei a parede, mas logo vieram as palavras tranqüilizadoras.
– Está tudo bem aí embaixo?
– Sim! – gritamos juntos, aliviados.
– Fiquem calmos. Somos os bombeiros e iremos tirar vocês daí agora mesmo.
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