A New Hope

5 Your time is running out. They're coming.


Aquilo era inacreditável, um titã que luta contra os titãs? Esse era o tipo de milagre que todos precisavam naquele momento. Quando a humanidade pensou estar próxima de suas horas finais um lampejo de esperança surgiu como um raio sobre o céu escuro. De início acharam que aquele titã não passava de um espécime ainda mais raro do que todos que já haviam sido documentados pela exímia cientista e tenente Hanji Zoe, contudo, fora revelado que o titã era um dos cadetes do 104º Esquadrão de Recrutas. Eren Jaeger.

Ao descobrir a identidade do titã, Dot Pixis convocou a todos da Guarda Estacionária e do 104º para a retomada de Trost. Muitos de início não quiseram aceitar a ordem dada pelo velho Comandante, pareciam dispostos a enfrentar a morte por deserção. Mas Pixis livrou aqueles que não conseguiram enfrentar seus medos da morte que teriam pelas mãos dos oficiais, mas acabou convencendo a todos a terem uma morte honrosa do que apenas esperar que ela batesse em sua porta.

Demorou, mas Eren conseguiu carregar a gigantesca pedra até o rombo na muralha, selando a passagem e garantindo assim a primeira vitória dos humanos contra os titãs. Embora a Tropa de Exploração tenha feito o possível para chegar a tempo em Trost, a ajuda deles não seria mais tão necessária.

Chegando no distrito, Levi, que foi o primeiro a cruzar a muralha, encontrou-se com Mikasa e Armin se esforçando para proteger Eren junto ao esquadrão de elite da Guarda Estacionária. Após a retirada das tropas do solo, as duas guarnições uniram-se para fazer uso dos canhões e matar os titãs que restaram em Trost.

Contudo, assim que tudo parecia seguro no local, com todos os titãs mortos, Ravi juntou o necessário para voltar ao distrito a procura de Lara, ou na pior das hipóteses, seu corpo. Ele sabia que se a garota estivesse morta seria automaticamente obrigado a seguir os planos de contingência elaborados pela mesma. O loiro rezava em seu interior para que a encontrasse com vida, tanto ele quanto sua adorável mãe haviam se apegado a mulher desde o dia em que a ajudaram.

Ele aproveitou que todos aparentavam estar ocupados comemorando a vitória recente para voltar a cidade. Nanaba, que ajudou Mike a levá-la até a enfermaria de Trost e conheceu Ravi, curiosa para saber o estado de saúde de Lara, foi até o capitão junto a Hanji igualmente interessada para saber sobre a morena. – Hey, você é o quase irmão da Lara, não é? Eu, Hanji e outros membros da tropa queríamos saber como ela está. Nós a procuramos no abrigo, mas não encontramos.

Ravi tremeu, nem se quer conseguia focar seus olhos nas duas mulheres a sua frente. Ele não sabia o que dizer. Seu coração queria querer sair por sua boca, estava quase suando frio. – E-Ela não conseguiu sair de Trost.

O coração das duas mulheres aparentava ter parado instantaneamente. Mesmo não tendo um contato tão direto com Lara, tanto a tenente quanto a veterana aparentavam dividir uma notável admiração pela novata devido ao salvamento bem-sucedido dos soldados na expedição. Suas expressões passaram da curiosidade para o espanto em um piscar de olhos. "Ela estaria mesmo morta? " Se questionavam.

Erd estava por perto e acabou ouvindo o que Ravi falara para as duas, preocupado e temeroso, não perdeu tempo ao procurar por seu capitão para dar a lamentável notícia. Levi e Erwin procuravam pela mulher, estavam na entrada do abrigo improvisado para os habitantes do distrito. Por ela não estar lá deduziram então que a morena estava segura na base.

— Capitão! Capitão! É a Lara... — Erd respirou fundo, havia procurado por Levi em todos os cantos. – Ela não conseguiu sair de Trost.

Por fora, o homem não pareceu exprimir reação alguma. Ele respirou fundo, fechou seus olhos por alguns segundos e voltou a olhar para o veterano a sua frente. Levi estava se esforçando para controlar suas emoções, sua vontade era voltar ao distrito e revirar pedra por pedra atrás dela mas sabia que precisava se conter, manter sua postura perante seus companheiros.

— Levi, reúna seu esquadrão e volte a Trost. Eu posso resolver a questão do recruta Jaeger com a Hanji ou o Mike. – O comandante olhava com seriedade para Levi.

(...)

As horas passaram e o sol já estava para se pôr em poucos minutos. Tanto o esquadrão de Ravi quanto o de Levi estavam exaustos pela busca. Não haviam achado nem se quer o corpo dela e estavam passando a crer que seu corpo fora desmembrado assim como os membros decepados espalhados pelas ruas da cidade. A esperança de encontrá-la, mesmo que sem vida, se esvaiu de cada um. Ravi parecia inconsolável, ele se culpava pelo o que estava acontecendo. Tentava manter sua postura autoritária perante seus homens, mas vez ou outra se deixava abater.

Os membros do esquadrão Levi também aparentavam tristeza, até mesmo Oluo lamentava a morte de Lara. Mesmo que todos da Tropa de Exploração estivessem acostumados a mortes, ninguém esperava que ela, justo ela, fosse morrer assim tão facilmente.

Quando todos estavam prestes a voltar um sinalizador vermelho fora disparado chamando a atenção de todos que estavam no distrito. Quem estava mais próximo correu até o local para averiguar do que se tratava aquele sinal e os esquadrões Levi e Ravi usaram seus DMTs para chegar na determinada região.

Várias carroças passaram a se dirigir para aquela localização, muitos dos recrutas que estavam por perto rumaram até lá para ajudar. Quando Levi chegou até o determinado lugar se deparou com um grupo de vinte adultos e sete crianças saindo do porão da enfermaria com a ajuda dos recrutas e viu Lara, que organizava as carroças que receberiam os mais debilitados. Ela aparentava estar bem, recuperada e com vigor. Por estar concentrada na retirada dos pacientes da zona de confronto, a morena não notou quando Ravi correu ao seu encontro.

— O que aconteceu? Por que não saiu de Trost? – Ele estava esbaforido, seu coração palpitava mas agradecia aos céus por encontra-la em perfeito estado.

— Não podia deixá-los sozinhos, a maioria dessas pessoas morreriam se eu não fizesse algo. – Lara sorriu, estava feliz por saber que ele estava bem. – Eles precisam de auxílio médico, você pode providenciar isso por mim?

— É claro. Cuidarei para que eles sejam atendidos assim que saírem do distrito. – O loiro não tardou em ordenar que alguém em seu esquadrão retornasse ao portão para avisar que um grupo de sobreviventes estava a caminho.

O esquadrão Levi não tardou em descer e dar sua contribuição também. Oluo e Gunter ajudaram uma velha senhora com a perna quebrada a se acomodar na carroça, Petra se dispôs a cuidar das crianças que choravam ainda assustadas com todo o ocorrido, Erd dava água para aqueles que pediam e Levi foi ter com Lara para ajudá-la a carregar as caixas com medicamentos.

— Você deveria estar indo embora com essas pessoas. – Ele tirou o caixote das mãos dela. — Só por que se sente melhor não quer dizer sua perna já cicatrizou. – Mantinha sua voz firme e rouca, terminando de guardar cada caixa na carroça, não deixando a garota nem se abaixar para pega-las.

— Agradeço a preocupação, mas est... – Levi a interrompeu.

— Você disse a mesma coisa para a Lynne enquanto estávamos em expedição e um pouco depois te encontro desmaiada e ardendo em febre do lado de fora. Pare de agir como se fosse imbatível. – A expressão e a voz de Levi mudou quase que instantaneamente. Ele puxou a gola da jaqueta da garota, aproximando seu rosto ao dela sendo possível sentir sua respiração alterada em sua face. – Gunter, seja útil e a leve de volta para o quartel.

— Não precisa se preocupar comigo, Gunter. – Disse ela e deu para o soldado que ia ao seu encontro um meio sorriso, erguendo as mãos em um leve sinal para não se aproximar. – Estou bem. — Ela deu ênfase, passando ao lado de Levi como uma forma de afronta tendo consciência de que poderia se arrepender de tal atitude posteriormente e aproximou-se de uma das carroças para poder ir embora.

— Já que quer tanto ficar terá que trabalhar. – Segurou o braço da mulher com certa força, a impedindo de sair do lugar.

— Isso é algum teste de paciência? – Lara puxou seu braço e procurou afastar-se de Levi. – Eu não entendo, dei algum motivo para ser tradada dessa maneira, capitão?

Ele não respondeu de imediato. Apenas olhava para a morena a sua frente como se a analisasse com seu olhar quase mortal. Os membros de seu esquadrão apenas olhavam assustados para a situação, temiam que a novata sofresse alguma punição por parte de Levi. A atmosfera era tensa e intensa, Petra somente olhou para os rapazes ao seu lado e, ao entender o olhar da ruiva, saíram sem causar muito alarde.

As carroças também partiram, levando os pacientes o mais rápido possível para o outro lado do muro onde seriam tratados com mais decência. Vendo que o homem nada iria dizer, a morena voltou para o porão para buscar seus pertences deixados para trás e enquanto procurava pela pequena caixa que sempre deixava em sua jaqueta fora interrompida por Levi que a forçou contra a parede do lugar. Seus braços estavam próximos ao pescoço da mulher, impedindo que ela escapasse pelos lados.

— Eu não quero ter uma rivalidade com você... – Sussurrou no ouvido da mulher, causando pequenos arrepios no corpo da mesma. — ...espero que possamos nos entender melhor com o tempo.

Levi se afastou rápido, transparecendo que aquele momento incomum não havia acontecido. Já a garota estava paralisada, ela não conseguiu compreender o motivo de tal aproximação e nem o real significado das palavras do capitão. Aquilo fora o suficiente para embaralhar sua mente e a inundar de perguntas. A mulher permaneceu parada onde estava, ainda processava a atitude inesperada do capitão. Por outro lado, ele caminhou até a caixa que a morena procurava e a entregou em suas mãos. – Vamos cadete, precisamos voltar.

(...)

O resto daquela noite fora mais agitado do que o esperado. Os soldados ainda não acreditavam na notícia de que um recruta se transformou em titã. Erwin convocou todos os oficiais da tropa para uma reunião extraordinária. Os que não estavam ocupados com a reunião haviam se recolhido em seus aposentos.

Desde que chegou, Lara não saiu de seu quarto. Ainda pensava da frase de Levi mesmo que aparentemente aquilo não significasse nada de especial, mas ela sentia que o capitão havia tentado deixar algo subentendido, todavia a morena não conseguia decifrar o enigma que era Levi.

— Senhorita Beckett, posso entrar? – Ela ouviu uma fraca batida em sua porta, por não ter reconhecido inicialmente a voz que vinha do outro lado se levantou para ver quem era. – Desculpe incomoda-la, mas é que não a vi durante o jantar então achei que seria melhor ver se estava tudo bem.

Ela o analisava, não deixando que ele entrasse e nem tão pouco que se aproximasse. Havia algo de estranho no ruivo a sua frente, algo... familiar. – E-Eu estou bem.

Antes que pudesse fechar a porta, o homem colocou seu pé em frente a porta para impedi-la de fechar. – Tem certeza de que não precisa de algo? Você me parece pálida. Posso entrar?

— Desculpe, está tarde e meu quarto está uma bagunça. Você deveria voltar para seu também. – Ela tentou fechar a porta uma segunda vez e ao ser impedida, com a mão que estava livre, pegou uma pequena adaga que deixou sobre o criado mudo ao lado da entrada do quarto.

— Eu esperava que você me reconhecesse mais rápido... – A porta foi brutalmente chutada pelo ruivo, jogando a morena no chão. – Achou que não seria encontrada? Ingênua como sempre.

Lara tentou se levantar depressa, mas por conta do corte em sua coxa ficou impossibilitada de tal ato. Hans, o invasor, a segurou pelo cabelo e a ergueu, jogando a garota contra a parede e desferindo o golpe com o joelho na barriga. Ele parecia se divertir com o que fazia a ela e ao se preparar para golpeá-la novamente a mulher pôs as mãos em frente a sua barriga para diminuir o impacto que teria, indo novamente de encontro ao chão. Mas dessa vez, Lara fez uso da adaga, ferindo algumas partes do braço direito de seu opressor e aproveitou do momento de descuido do homem para fugir de seu aposento, jogando um dos castiçais que estavam no corredor.

Por ainda estar com um ferimento na perna, a garota não podia se defender com maestria. Ela lutava contra a dor que sentia em sua perna para conseguir escapar, mas Hans foi mais rápido e com um chute no meio das costas da mulher, ele a fez rolar a escadaria, chegando no saguão principal. Mike, que estava na reunião, devido a seu faro altamente apurado sentiu que havia algo estranho.

Em questão de segundos, Lynne abriu a porta da sala com rapidez, batendo uma rápida continência enquanto buscava o ar que lhe faltava. – Há um invasor no castelo, senhor. – Aquilo só confirmou o que Mike estava sentindo e foi o suficiente para que todos que estavam na sala de reuniões corressem.

A mulher ainda tentava desviar dos golpes do ruivo. Ela se mantinha firme, procurava suportar cada golpe que recebia enquanto esperava por uma brecha para revidar. Ao conseguir se afastar teve a chance perfeita de desferir um soco que atingiu a mandíbula do homem, sucedido por um chute em sua virilha que o fez cair sobre o chão dessa vez.

Quando Lara se aproximou para finaliza-lo, Hans estendeu a mão e apertou o corte da morena, infringindo nela uma forte dor que a fez fraquejar e ser golpeada novamente, caindo com o rosto no chão.

— Chega de joguinhos, vadia. – Ele se sentou sobre as costas dela, amarrando as mãos da mulher. Quando estava imobilizada, Hans retirou uma pequena ampola de seu bolso junto a uma seringa e após extrair o liquido da ampola, aproximou a ponta da agulha do pescoço da morena.

Pouco antes de espetar a pele da mulher, Levi derrubou Hans, o tirando de cima da morena e o lançou na direção de Mike e Hanji, que o agarraram de imediato. Já Lara, gemia baixo por conta da dor, sentia sua perna pegando fogo e sangrando. Lynne com a ajuda de Erd ergueram a mulher, desatando as mãos dela em seguida.

Hans apenas ria, causando ainda mais irritação em Levi que chutou sua cabeça por diversas vezes até ser impedido por Moblit e Gelgar. Ao cuspir o sangue em sua boca, ele mirou seus olhos negros para Lara ainda debochando da garota. – Seu tempo acabou. Eles já sabem que você está aqui.

— Quem são “eles”? – Erwin finalmente falou, demonstrando autoridade perante o invasor, todavia aquilo não adiantou de muita coisa. Sem explicações, o ruivo começou a espumar pela boca e a se debater sobre os braços de Hanji e Mike, que o soltaram imediatamente.

E em questão de segundos, Hans já não tinha mais vida.