A New Hope

6 A new squad is formed and an unexpected company on the lake.


— Quem mais sabe disso? – Erwin olhava perplexo para Lara. Era muita informação para absorver em pouco tempo.

— Apenas o Capitão Nics da Guarda Estacionária. – Murmurou a mulher. – E agora o senhor.

O comandante permaneceu em silêncio por alguns minutos, buscava compreender tudo quanto a mulher havia lhe contado e ainda sim achava um completo absurdo toda a história. Ela se mantinha inalterável, fazendo apenas algumas caretas de dor quando seu ferimento latejava.

— Eu espero que o senhor compreenda que tais informações precisam permanecer em segredo. – Suspirou. – Muita gente morreu para que eu conseguisse chegar até aqui e eu não pretendo adicionar mais nomes a essa lista. Quanto mais pessoas souberem disso, mas sangue eu terei nas mãos e sendo sincera eu não deveria nem estar contando isso para o senhor.

Erwin, pela primeira vez, não sabia o que dizer. Sua mente trabalhava a todo vapor com tudo o que Lara lhe confiou. Depois de conseguir organizar suas ideias e raciocinar melhor, o homem loiro deu um sorriso que a mulher não conseguiu interpretar direito. – Agradeço por me contar. Seu segredo está seguro comigo. Tem minha palavra.

Ele fez um pequeno gesto com a cabeça e Lara finalmente saiu de sua sala depois de duas horas. Estava moída, derrotada. O corte parecia latejar a cada passo que dava chegando a ser uma dor insuportável. A mulher se segurava para não desabar e piorar seu estado, se reprimindo mentalmente por não ter pedido a Hanji para tratar daquela ferida antes que piorasse.

Em seu interior, uma repentina vontade de chorar se abateu sobre ela. A Lara corajosa, destemida e heroica fora colocada de lado para dar espaço para uma jovem mulher assustada. Ela já havia enfrentado Hans algumas vezes, ele era o culpado pela morte de muitos dos seus amigos que batalharam para ajudá-la. Mas desta vez tudo foi diferente. A morena tinha esquecido de como era a sensação de fragilidade, de não poder lutar e se defender e isso a incomodava por dentro.

Vendo o esforço que a garota fazia para se mover, Levi se aproximou sorrateiramente da mulher e a pegou em seu colo, para sua surpresa ela não relutou e nem contestou a ajuda do capitão, simplesmente repousou sua cabeça em seu ombro, relaxando. Não demorou e ele já estava na porta do quarto de Lara. O local estava uma verdadeira bagunça, os poucos móveis que existiam ali foram revirados. Levi resmungou algo que ela não conseguiu entender, provavelmente sobre a bagunça do cômodo.

— Você deve ter uma história e tanto. – O capitão a colocou sobre a cama, ajeitando o corpo da mulher para que não sentisse dor e conseguisse relaxar. – Nunca ninguém se atreveu a invadir esse lugar, o que dirá para matar um de nós. – Começou a colocar os móveis nos seus respectivos lugares, um a um.

Lara permaneceu quieta, mordendo o lábio inferior como uma forma de desviar sua atenção das pontadas dolorosas que sentia em sua perna. Aproveitando que um cadete havia passado pelo corredor, o homem ordenou que buscasse um pano limpo e uma bacia de água para que pudesse limpar o rosto de Lara.

A mulher estava agoniada, mas não somente pela dor. Sabia que aquele não seria o único ataque e que outros viriam dali por diante. Eles a acharam e não iriam descansar até que ela fosse morta. Mas Lara sabia dos riscos. Tinha convicção do que poderia lhe acontecer quando embarcou nessa história e agora já estava tarde demais para retornar. Ela só rezava para que mais ninguém acabasse morto por sua causa.

Quando o cadete voltou com tudo o que foi solicitado, Levi o dispensou e se sentou ao lado da morena, umedecendo o pano antes de começar a tirar o sangue presente no rosto dela. O silêncio era predominante no quarto. Enquanto limpava o rosto da mulher, o capitão notou os pequenos roxos que se formaram em seus braços.

A pessoa que ela havia enfrentado era forte e possuía um bom treinamento. Não era um amador e nem um louco qualquer que queria machucá-la. Vê-la sofrer daquela forma causava em si um aperto em seu peito e gerava em Levi o desejo de protegê-la. Sabia que ela era forte e que se não fosse pelo corte na coxa, a mulher teria dado uma boa surra no invasor. Mas ainda assim, seus instintos e seu coração pediam para cuidar dela, afinal, aquele era o primeiro ataque de muitos que ela poderia enfrentar.

Levi estava tão concentrado em seus pensamentos que quando percebeu a garota já havia adormecido. O semblante dela era ameno, ao menos aparentava estar descansando sem maiores problemas. Antes de sair dos aposentos de Lara, o capitão a observou por mais alguns minutos, analisando desde a forma serena que ela respirava até os pequenos espasmos nos dedos e as pequenas lagrimas que escorriam pela lateral do rosto dela. Sem que ninguém pudesse ver e aproveitando o sono profundo da mulher, o capitão inclinou seu tronco dando um suave beijo na testa da garota que o assustou ao se remexer e proferir algo que ele não soube compreender. Ele negava, mas sentia em si que existia algo nela que o instigava, o interessava.

(...)

Muita coisa aconteceu em três semanas. Depois da tentativa de homicídio contra Lara, Erwin precisou explicar a todos os soldados e até seus superiores sobre o ocorrido. A versão que ele relatou fora completamente diferente do original, embora não encontrasse um motivo concreto para ocultar tal verdade, o comandante prometeu a mulher que não revelaria a todos o que ouviu, pelo menos, até que ela conseguisse resolver seu problema.

Depois de passar um período em repouso definitivo para se curar do corte na coxa e as lesões ocasionadas pelo ataque, Lara retomou ao treinamento junto ao esquadrão Levi no qual fazia parte. Eles passaram boa parte do dia treinando manobras e outras formas de se matar um titã. Passando tudo o quanto era necessário e ao retornar ao castelo, partiram para o mutirão de limpeza, inspecionados por Levi.

A Tropa de Exploração estava para receber os novos cadetes, ou ao menos era isso o que o Comandante Smith desejava. Devido ao ataque em Trost, muitos acabaram sendo devorados e os que restaram já não tinham mais tanta certeza se queriam ingressar na unidade militar.

Após a faxina nos quartos desocupados, os oficiais da guarnição saíram junto a Erwin para tentar recrutar os novos cadetes. Eles não demoraram muito. O comandante, como o esperado, fez o seu melhor ao tentar convencer aos mais novos a se juntar a Tropa de Exploração e como resultado, um número até maior do que o esperado de recrutas optaram por ingressar na guarnição.

Ao retornarem para o castelo, por já ser bem tarde, todos se recolheram em seus aposentos. Eram poucos os que ainda estavam acordados. Ao ver que Lara estava sentada sobre o parapeito da janela de seu quarto, Erwin pediu para que Mike a levasse até sua sala.

Não demorou muito e ela apresentou-se na sala do comandante. – Sente por favor. Tenho algo a tratar com você. – Como lhe foi pedido, a morena sentou-se a cadeira a frente da mesa. Havia nela alguns relatórios de diversos nomes. Ao dar uma rápida olhada, a morena pode concluir que eram os registros dos novos recrutas.

— Pode olhar à vontade. – Ele fez uma pequena pausa, sentando a frente dela. – Fui orientado a criar um novo esquadrão especial já que Levi e seus homens estarão ocupados protegendo Eren Jaeger nas próximas expedições. – O comandante dizia firmemente, focando seus olhos nos de Lara. – Devido a sua história e experiencia, acho que você é mais indicada para liderar esse novo esquadrão.

— Não querendo questionar suas ordens, mas existem pessoas aqui bem mais qualificadas e que estão na tropa a mais tempo.

— Tenho motivos para te deixar nessa posição de liderança e eu vi a forma como você usou o seu DMT na última expedição. Você reduziu a saída do gás e usou seu próprio peso para dar velocidade a seus movimentos. Uma manobra arriscada, mas com aprimoramento tenho fé que poderá ser bem útil. – O loiro puxou um outro papel. – E também há o fato de que muitos veteranos fogem das posições de liderança devido as pressões do ofício.

Ela não sabia o que dizer. Se sentia bem estando com Levi e o resto do esquadrão. Era uma gigantesca responsabilidade, vidas estariam sob sua proteção e com toda certeza ela poderia acabar perdendo um ou outro em uma missão.

(...)

As horas passaram e já não havia ninguém nos corredores. Como de costume, Levi era o único a andar pelo castelo naquela hora da madrugada. Por culpa da severa insônia que sofria ele dormia apenas duas horas e o resto da noite passava tomando chá ou lendo.

Contudo, por ser uma noite bem quente de verão, o capitão decidiu sair do castelo para ir se banhar em um riacho um pouco distante. Sentia necessidade de espairecer sua mente. Não demorou até que chegasse ao local desejado. A bela visão da lua sendo refletida pela água tranquila do riacho dava a Levi o que ele mais precisava naquele instante.

Ele não tardou em se despir e entrou depressa no riacho, mergulhando imediatamente e voltou a superfície. Encontrou-se então olhando para Lara, que cobrindo os seios com os braços, estava a apenas alguns metros a sua frente, completamente exposta. O corpo viril do homem tremeu por inteiro. Os olhos do capitão, automaticamente, deslizaram curiosos pelas delicadas curvas da morena, por várias e várias vezes, parando sempre em uma única parte de seu corpo. Lara não conseguia dar um passo adiante. Ela sentiu seu corpo arder de dentro para fora apesar da água que envolvia seu corpo.

— Beckett... – Sussurrou para si, arfando e trêmulo. – O que está fazendo aqui? – Por impulso, virou-se de costas e notou que seu membro havia sofrido pequenas alterações. Apesar de ter visto a mulher em uma banheira certa vez, ela agora parecia diferente. Estava mais corada, com um tom bronzeado na pele, suas curvas agora estavam em evidencia por conta da agua cristalina que não o impedia de ver nada. Sua pele inteira exposta e totalmente molhada.

Lara ainda não conseguia se mexer. Estava petrificada desde o momento em que Levi direcionou seus olhos sobre ela. Havia conseguido apenas se encolher um pouco, escondendo o que conseguia com as mãos.

— C-Capitão eu... me desculpe. Não sabia que estava aqui. – O rosto da mulher estava quase totalmente ruborizado.

— Não deveria estar aqui. – Retrucou, mirando seus olhos para baixo. – Você deveria ter mais cuidado, já é a segunda vez que te vejo nessas condições.

— O que você disse? – Lara se espantou. Movida por impulso ela andou até ele e o puxou pelo ombro, virando-o de frente para ela outra vez. – O que quer dizer com “segunda vez que me ver assim”?

— Isso não importa, sua louca. – O capitão virou o rosto, queria evitar ao máximo encara-la. – Volte agora para o castelo. Isso não é um pedido.

— Responda, Levi. – Ela o tocou novamente. Empurrando levemente o ombro do homem.

— Sai da minha frente, Beckett.

— Eu não vou sair até que me responda! – Exclamou ela em um tom firme, olhando fixamente para Levi.

Levi já estava quase sem fôlego algum, nunca imaginou que Lara fosse despertar em si algo tão avassalador. As estranhas sensações que parecia sentir sempre que estava ao lado dela se intensificaram. Devido a teimosia e insistência da mulher, o capitão não aguentou se segurar mais. Quando se deu conta, já estava a centímetros dos lábios dela e com a voz rouca e completamente sedenta aproximou sua boa do ouvido dela. – Então suporte as consequências do seu ato.